sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O CÔNCAVO E O CONVEXO

Quinta das Conchas-google

“Se queres escrever para o mundo, então canta a tua aldeia.” ”Se queres ser universal, então começa por pintar a tua aldeia.” Estas e mais algumas versões livres foram adaptações de um pensamento de Tolstoi, um escritor muito além de seu tempo. A pessoa começa a se tornar imortal por esse caminho. Não estou dizendo somente se tornar imortal falando de sua aldeia, mas de ser à frente do seu tempo também. Muitas elaborações mentais levam seus produtores a serem chamados de visionários. São na verdade, pessoas que olham com olhos de lince o que as pessoas à sua volta costumam olhar com viseira. Como desvirtuam do senso comum, acabam sendo proscritos, marginalizados pelo ridículo da ousadia ou, dependendo da cultura onde vivem, sendo ungidos pelos óleos da reverência subserviente ou da bajulação. No entanto não deixam de ser especiais, senão creio que a humanidade não caminhava. Não haveria contraponto de idéias, um pensamento único se estabeleceria e seríamos uma civilização de um só rei. Ainda bem que divergimos em muitas coisas e com isso conseguimos ter vários reis. A democracia possibilitou-nos até escolher a qual ou a quais queremos nos submeter. E assim vamos lutando para justificar nossas vidas com bastante autonomia nas nossas desculpas esfarrapadas.

Como não escapo duma idolatria, pelo menos vou escolhendo o melhor possível os meus gurus. Os da insistência comercial da mídia não me atraem nem um pouquinho. Prefiro aqueles dos contra-sensos e por isso, obrigado, Tostoi, pois eu tenho aqueles momentos de querer ficar metido a escrever umas coisas mais complexas, “me achando”, pensando que tudo aquilo que é trivial e corriqueiro já foi dito e acabo quebrando é a cara.

Se eu quiser falar de Deus, oh, meu Deus, quanta incompreensão intolerante tem sido dito em sua pretensa defesa! Falar de amor? Complexo demais, e já aprendi com o Drummond que “amar o perdido, deixa confundido este coração e que as coisas findas, muito mais que lindas essas é que ficarão”. Falar do nosso lugar no universo, já se fala especulativamente por demais, criam-se hipóteses e teses e, a despeito de toda a caminhada a passos largos da ciência, com todo respeito, fico com a definição dos poetas: Evo!

Primeiramente porque eu não tô com essa bola toda de querer complexificar a vida e em segundo lugar, é do comezinho, é do cotidiano, da observação apurada e da vivência trágica ou serena que brotam os mais interessantes conhecimentos e prazeres.

Falar das coisas simples, eis a grande sacada. Então  junto o convexo  com o côncavo no sentido de concha e me conforto na literatura mais simples que eu conseguir.

11 comentários:

Chica disse...

Simplesmente linda tua crônica,mais uma vez,Cacá! abração,chica e tudo de bom!

pensandoemfamilia disse...

Bom dia

Já se diz por aí que "viver é simples, nós é que a complicamos". Nas suas elocubrações vc traz a complexidade e chega ao simples e certamente nos agrada muito.
Abços,

Mari disse...

Gosto tanto de te ler...
Me identifico com a sua simplicidade.
Um beijão meu amigo querido!

Isadora disse...

Meu amigo, poema maravilhoso deixado por você, no Tantos caminhos. O poema já foi devidamente anexado ao post e tem um agradecimento por seu carinho e atenção.
E falando das compexidades, dos nossos labirintos, fico também com a simplicidade que me encanta, embora também em alguns momentos posssa ser um tantinho complexa.
Um beijo

Maria disse...

Amigo, adorei seu texto.
"A beleza ideal está na simplicidade calma e serena." (Johann Goethe)
bjs do tamanho do infinito
Maria

Toninhobira disse...

Hoje esbanjou amigo,estou sentindo voce num deste jornais de Minas,para sair da mesmice que pago para ler pela net, para me sentir pertinho de nossa Minas tão Gerais.Mas dentro do texto na questão visão,pode-se estender para a musica e temos exemplos com Gil, Caetano, Raul Seixas com estes olhos que enxergavam em março as jabuticabas de Outubro,rsrs.De Gil o "Cerebro Eletronico, Roda". De Raul "Eu tambem vou reclamar".Mas as coisas lindas estas ficarão mesmo,bem ilustrado.Abraço de paz e muita luz neste fim de semana.

Zélia Guardiano disse...

Crônica formidável, Cacá!
Você está certo, pois é bem dentro do nosso quintal que começa o universo.
Você colocou muito bem a idéia. Não existe, realmente, tema que não seja bom, se bem desenvolvido...
Adorei, meu querido e especial amigo.
Abraço apertado.

lis disse...

oi Caca
Falas o que quiseres, tá?
se de Deus talvez te deixe confundido o coração e se de amor seria redundância porque Deus é amor rsrs
trazendo meu abraço nessa madrugada desejando uma linda semana

Sandra disse...

Agradeço o seu carinho no blog da Curiosa. Como é bom receber amigos em casa. Fico muito feliz com a sua presença.
Obrigada pela força na minha viagem. Fiquei super feliz.
Carinhosamente,
Sandra

Amigos são PRESENTES, que recebemos a todos os dias.
Obrigada pelo seu carinho e atenção.
Um grande abraço...

Miriam de Sales Oliveira disse...

Meu caro amigo,cada um de nós vê um acontecimento de modo diverso do amigo ou vizinho;por isso,podemos meter nossa colher torta em tudo.Nossa colher.Es nossa colher foi entortada - digamos - pelo Uri Geller,nossas idéias já não são só nossas,pois um elemento estranho,por mais sábio q/ seja,já se apossou um pouco dela.Mas,mudando de tema;na vida ,sou a favor do descomplica.A linguagem simples é a melhor,as maneiras simples,as mais simpáticas,enfim,a simplicidade e a descomplicação nos ajudam a viver melhor.Penso,logo existo,dizia Descartes.Mas,pensar não é agir.No que os comtemplativos já mudaram o mundo?
Fico com a sabedoria do meu avô tabaréu:-"de pensar,morreu um burro q/ meu pai tinha"...rss bjks

Gato Vadio disse...

Concordo com Tolstoi e contigo, amigão Zezão! Um abraço do Jorge, e felicidades!

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