sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

LEGADO

O meu legado, Maria
Não terá pompa nem hipocrisia
Não comportará heresia
Também não gerará mais-valia
Pois só o que tenho é poesia

Quando for ter contigo, Maria,
Terei já deixado por aqui o melhor que havia
Amor, trabalho e alegria
Poemas e prosas de vária serventia
Menos dinheiro, menos matéria, menos algia



À minha mãe
24/12/1931
18/06/1983.








Desejo a todos um lindo Natal, cheio de alegrias, saúde plena e generosidade humana. Muita paz e muito bem.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

UM APAGÃO

O desastre foi como um terremoto vindo de fora para dentro. A terra não tremeu em seu interior, foi uma espécie de desalinhamento orbital que gerou uma sacudidela muito leve. Mas o suficiente para desorganizar toda a vida da superfície. E o primeiro efeito e o mais visível, paradoxalmente, foi a falta de energia. Apagam-se todas as luzes, as transmissões de televisão, rádio e internet. Não há noticias as não ser pelos velhos radinhos de pilha, mesmo assim daquelas emissoras cujos geradores movidos a combustível funcionam. Dá para se ter algumas noticias localizadas. Um apagão geral.

As imagens voltaram a ser mentais norteando os desejos e vontades de todo mundo. O que é visto é cobiçado mais do que qualquer outra sensação humana. As pessoas não estão acostumadas a formar, a idealizar a partir de imagens mentais. A leitura dos olhos é que guiou desde sempre os anseios. Então, todo mundo novamente teve que reaprender, assim como as crianças antigamente iam vendo o mundo e perguntando os porquês. A visão é dos nossos sentidos, o que mais imediatamente nos privilegiou para a contemplação das coisas. O bombardeio de imagens feitas pelo homem fora do mundo da arte nos turva, nos agride, nos ceifa a capacidade contemplativa. Provoca uma espécie de dormência fazendo o tato e a audição suplantarem o nosso estro criativo. Tudo o que se nos mostra é para aguçar o desejo de possuir a coisa mostrada, ou o que estiver por detrás dessa coisa mostrada.

Um cenário de apaziguamento é o que se vê por todos os lados por causa da necessidade que uns passam a ter dos outros. E então os olhares se voltam de pessoa para pessoa. Quantos diálogos olho no olho! Quanta gente reunida em esquinas e ajudando-se mutuamente. Diminuem-se as desavenças, diminui a indiferença, aumenta o potencial humano de todo mundo, pelo menos até voltarem as luzes que devolveriam a artificialidade ao mundo encantado de sons, imagens, anúncios luminosos, dos comerciais, dos vídeos, do sonho dos computadores.  Downloads mentais eram tudo o que estava ao alcance da criação humana. A cópia, por outro lado, não estava ao alcance, que bom! Se nada se criava, nada também se copiava. Mas tudo se transformava. A propaganda toda voltava a ser cinza e com voz chamativa por detrás. Quem queria vender tinha que escrever em papel e usar a fala direta no convencimento. Quem queria se mostrar, tinha que desfilar aos olhos individuais para ser submetido ao crivo dos gostos agora não tão uniformes, não tão manipulados para a formação de um senso comum.

Então, embora as coisas não pudessem voltar a um primitivismo de ralações, adquiriram  um primitivismo de não sujeição. Uma relativa horizontalidade nas relações. Pelo menos até voltar a energia que nos conduz ao que nos coloca limites. É como se voltassem todos a ser crianças, porém sem adultos que desvirtuassem sua imaginação e fantasia de observadora e portanto, de criadora de sua própria realidade. É incrível como somos guiados pela sistemática das recompensas. Como passou todo mundo a depender de todo mundo, deu para sentir uma demasiada mostra de humanidade no ser humano. A luz do dia e a penumbra mal iluminada pelas velas, lanternas e faróis devolveram ao homem a capacidade contemplativa. Com ela veio de volta a tolerância, os significados passaram de objeto para não-coisa, gente.
Uma pena que a luz foi restabelecida às vésperas do Natal

domingo, 19 de dezembro de 2010

DICAS PARA EVITAR O ESTRESSE ANTECIPADO

Com as novas tecnologias, vêm também novas formas de antecipar as coisas, obter vantagens, benefícios e... estresse. Como vantagens e benefícios são poucos que se oferecem e estresse tem de sobra, aqui vão algumas dicas para se evitar. Não desaparecendo os efeitos, recomendo chá de camomila quatro vezes ao dia.

- A receita federal tem oferecido, quase imediatamente após você ter entregado a declaração do imposto de renda, a oportunidade de saber se a sua foi processada através do seu site. Nunca faça isso. Uns três dias após a entrega, você já pode saber se está na malha fina. O pior é que não se pode saber quando vai receber a restituição. Vá somando pontos como sedativo se você não caiu em tentação.

- Achei uma resposta infalível para o telemarketing: Depois de umas oito negativas de adquirir um produto que queriam me empurrar, resolvi disfarçar-me de Ricardão (espero que ele não leia isso): Atendi e disse que o Sr José Cláudio havia falecido em um terrível desastre.
- Aquele do avião? Perguntou-me a moça.
- Não, mas foi bem trágico também. E o pior, o desgraçado deixou a viúva aqui cheia de dívidas. Eu achando que ia ficar no bem bom, vou ter que ralar para ajudá-la a pagar.
Ela pediu mil desculpas ofereceu suas condolências e nunca mais ligou. Creio, inclusive, que falou com outras empresas. Ninguém mais tem me ligado para oferecer o paraíso em suaves prestações.
(P.S.: contra o gerúndio nos atendimentos não tem remédio ainda)

- Para quem pensava que o rádio estava em desuso, obsoleto, experimente carregar na bolsa ou no bolso esses aparelhinhos de mp3,4,5... Não há nada melhor para filas intermináveis, ônibus, metrô e outras paradas indesejáveis. Mas, atenção: tem que ser rádio, não música gravada. É que entre uma musiquinha e outra, sempre tem uma notícia, uma agenda cultural, um caso inusitado que inspiram um poema, um causo, uma crônica, um pensamento criativo. Cuidado com os programas de curas e rádio polícia. O efeito é inverso.

- Em cidades medias e grandes, use o carro somente em casos fortuitos de força maior. Calma! O transporte público é uma  porcaria, eu sei. Mas nada se compara ao trânsito de carros particulares. Nenhum inferno é mais quente. Em todo caso, qualquer dos meios de transporte que for usar, sempre saia de casa uma meia hora antes do habitual. Leve um biscoitinho ou uma maçã. A gente nunca sabe...

- Se você é usuário involuntário e necessitado do SUS, não precisa ler esse tópico. Se tiver um plano de saúde, sugira aos médicos (eu tenho feito isso) para pararem de colocar a revista Caras na sala de espera. Ou, no mínimo variar! Estou começando a desconfiar que os médicos é que gostam daquela porcaria. Como eles podem supor que todos os pacientes gostam de ficar vendo aquelas futilidades com calma e terem que esperar uma, duas horas para a consulta que havia sido agendada com uma semana de antecedência? E ainda por cima, revistas de seis meses, um ano atrás? Podia ser pelo menos Mônica, Cascão, Cebolinha.... A gente tem alguma coisa para ler e nem vê o tempo passar.

Em todos esses e demais casos, não faça cara feia ou de raiva como deve estar fazendo ao terminar essa leitura. Mantenha o bom humor sempre.

sábado, 18 de dezembro de 2010

SE SOBRAR UM TEMPINHO...

O tempo é uma categoria abstrata inventada pelo homem para medir entre outros afazeres, o seu próprio vazio existencial.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

SOBRE PRIVILÉGIOS

imagem:opiniaopublica3.zip.net



Diz a constituição: “todos são iguais perante a lei”.

Exceto os que possuem foro privilegiado?

Quem fez as leis e quem as julga são os detentores desse privilégio.

Me faz lembrar de uma esperteza que a gente usava inocentemente na infância: “quem parte e reparte fica com a maior parte.”  

Será que os legisladores e juristas levaram isso a sério?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

NOTA DE ESCLARECIMENTO


ALTERAÇÃODE PERFIL

Tive que alterar meu cadastro aqui Blog e no Recanto das Letras (RL), incluindo mais um nome. Para aqueles que não gostam muito de mim deve ser uma tristeza. Ter que agüentar Cacá e José Cláudio ao mesmo tempo será um suplício.

Explico: estou sendo acusado repetidas vezes de plagio descarado, cópias do tipo Ctrl+C  e  Ctrl+V, sem mudar uma vírgula ou sequer o título.Tenho recebido mensagens  ofensivas com frequência. Mas dou razão a quem as enviou, embora muitos não fizessem uma identificação ou deixassem um endereço onde eu pudesse responder. Plágio é mesmo uma abominação imperdoável.

Antes de me ingressar no RL eu já possuía esse blog, onde uso Cacá. Quando tentei me cadastrar assim no Recanto, não foi aceito por já existir esse nome ou apelido. Fiquei meio furioso momentaneamente, afinal, Cacá é como sou chamado desde priscas eras. Só passei a gostar de usar o José Cláudio por causa de minha mãe. Um dia, poucos meses antes de vir a falecer ela me disse que passaria a me tratar pelo meu nome de batismo novamente, pois era assim que ela havia escolhido.

O lado bom das ofensas é que sempre que as recebo a pessoa está defendendo um ou  outro. Dizem que gostam do que o José Cláudio escreve e o Cacá seria um engodo, uma falácia, um trapaceiro, uma fraude em pessoa. O oposto também ocorre do mesmo jeito.

Então, esclarecido o imbróglio, aqui passo a figurar como Cacá - José Cláudio. E no Recanto, como José Cláudio Cacá . E que esta ordem não piore a qualidade.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

BIG BROTHER

http://www.libertar.info/news/big-brother-a-internet-das-coisas-esta-a-caminho/



Depois do Wikileaks ninguém que faz uso da internet vai poder reclamar de não ser um potencial candidato a participar de um Big Brother (em nível mundial). Pode não dar dinheiro mas a pessoa terá seus minutos de fama garantidos .

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

LEÃO

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- Se é verdade que “o cachorro é um ser humano como qualquer outro” (segundo palavras de um ex-ministro do trabalho),

 - E já que ninguém está disposto a acompanhar o “troque seu cachorro por uma criança pobre” (segundo recomendou o Eduardo Dusek em uma  canção),

Estou inclinado a fazer uma solicitação aos deputados e senadores para que aprovem uma lei que permita a gente incluir os cachorros como dependentes no Imposto de Renda. Minha cachorra adoeceu e estou gastando uma fortuna com consultas, exames e remédios, tal como se gasta com humanos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

CLASSES SOCIAIS

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DEPOIS DE MAIS UM PASSEIO NO SHOPPING

Descobri que a divisão de classes em A, B, C, D e E só serviu até agora para o preconceito, a discriminação e o endividamento progressivo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

CHARADA FAMILIAR (I)

Eu havia publicado esta charada faz um tempinho e recentemente, lendo um texto divertido na página da Mari (meu cantinho de Sonhar), não só me lembrei de uma charada das famílias modernas como atualizei a minha. É que, de lá para cá mudou alguma coisa. Está lançado o desafio a todos que quiserem tentar desvendar (a partir do segundo parágrafo).

CHARADA DAS FAMÍLIAS MODERNAS
Conversa de uma mãe com seu filho de quatro anos, reproduzida em programa sobre as famílias novas e complexas, apesar de não mais problemáticas do que as consideradas normais.

- Mãe, o Julinho é seu filho?
- Não, ele é filho do primeiro casamento do seu pai.
- E o Marcelo é seu filho?
- Ele é filho do segundo casamento do papai.
- A Belinha é filha do papai também?
- Não, ela é filha da mamãe, do primeiro casamento.
- (???) Mãe, eu sou seu filho?

MINHA CHARADA
Eu, além de me identificar não resisto e proponho que decifrem a minha charada familiar. Minha família também é diferente, mas não dá mais trabalho por isso. Tentem:

Minha filha mais velha tem três irmãos, sendo que só dois deles são irmãos entre si. A minha filha mais nova tem uma irmã mais velha e não é irmã dos outros irmãos da mais velha. Ou seja, tenho duas filhas, sendo que a primeira tem três irmãos e a segunda tem uma irmã.
PS: A  minha filha mais nova agora tem , além de uma irmã mais velha, um irmão mais novo (atualizado a partir de junho/10)

sábado, 11 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

JÚDICE

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Uma vertente da psicologia diz que aquilo que não conseguimos resolver em nós mesmos, colocamos na conta de destino. Pois quis o destino que por uma desavença mal curada entre um casal, o filho viesse a ter o nome que acabou sendo a expressão quase gramatical da pendência. A mãe queria homenagear seu próprio pai, o avô do menino e propôs que se chamasse Juvenal. O pai, dono, senhor da razão e das verbas de manutenção da família encasquetou que seria Lídice. Esse nome era uma homenagem às suas origens ancestrais, lá de uma pequena cidade da antiga Tchecoslováquia de onde sua família havia fugido para o Brasil da perseguição nazista durante a segunda guerra. Não chegaram a ir às raias do tribunal mas o menino veio a se chamar Júdice. Era o resultado de um mal costurado acordo através das junções de sílabas e partes dos dois nomes desejados por cada um.

Não viveu “sub judice” mas  por influência do meio tomou gosto pela encrenca ao longo de sua existência. Durante o seu périplo pelo mundo suas inquietações pareciam ser uma transferência genética do nome para o biotipo, para a psique e para o tipo social em que se transformou. Quanto ao físico, a característica mais marcante era o olhar desconfiado, além de um inseparável boné que usava com a aba sempre virada para trás ou para um dos lados. Para frente, dizia ele, atrapalhava a sua visão apurada. Com isso queria indicar que seu olhar fazia parte da sua perspectiva notória de que para tudo o que olhasse tivesse um potencial de resolução imediata ou questionamento idem.

No aspecto psicológico, exibia um quê de superioridade de conhecimentos acerca de qualquer assunto que lhe caísse aos olhos ou ouvidos. Sempre com a inconfundível exclamação de autoridade: “Péra lá! Deixa que eu resolvo”. Esta expressão antecipava o que ele considerava ser essencial: dar a sua opinião antes de alguém prosseguir com qualquer afirmação, negação, explicação ou até mesmo a continuação de um caso qualquer que estivesse sendo dito, ainda que o assunto não fosse de sua alçada e nem se a conversa não fosse com ele.

Socialmente se engajou no movimento do grupo de jovens da igreja do bairro e não demorou a ser convidado a sair, pois achou que com o tempo e sua argumentação persuasiva podia mandar mais do que o padre. O capelão, desconfiado e experiente, precaveu-se:
- Vai que esse menino daqui a pouco resolve encarnar Jesus...!
Convocou-o para a função de coroinha, o que foi prontamente negado. Júdice achava muita subserviência para sua ampla noção de mundo. Tocar sino, carregar hóstia, vinho e demais apetrechos de missa para ele era função de menor importância.

Nas primeiras séries da escola e com um talento desse tamanho para a contenda todos apostavam que ia ser um advogado, um juiz, um doutor das leis mundanas. No segundo grau de antigamente, aquela faixa de escolaridade que antecede o ensino superior, resolveu estudar eletricidade para desespero dos pais. O pai, dizia, aflito para a mãe:
 - Meu Deus, esse menino vai incendiar meio mundo! Imagine ele questionando um polo negativo e um positivo que tem de se unir para gerar eletricidade... Se não for de sua concordância, vai ser curto circuito na certa!
Mas ele parou os estudos por ali mesmo. Encantou-se tanto com os mistérios dos elétrons, prótons e nêutrons formando campos magnéticos invisíveis, porém transformando-se em movimentos, luz e calor visíveis e sentidos que abandonou o sonho da família. Assim como o dito destino tem suas ironias, o predestinado também aprende a dar seus dribles na sina. Era mais uma maneira de mostrar sua autoridade, independência e prazer pela querela. Júdice era seu nome tal e qual era seu modo de viver.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

SEGREDOS NO COMPUTADOR (I)


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 Todos os segredos do mundo estão guardados nos computadores. Já houve um tempo em que eram usados cofres. E para manter ainda mais os segredos, eles ficavam embutidos na parede e atrás daquele quadro com um rosto familiar ou uma obra famosa. Para completar, quem tivesse acesso ao cofre tinha que primeiro saber o segredo para abri-lo e só então, ter acesso ao que estava sigilosamente guardado lá dentro. Costumava ser uma grande herança, títulos de terra, promissórias, jóias de família ou barras de ouro. Ali também eram guardados documentos comprometedores. A prova da paternidade daquele filho, a revelação de algum testamento (sempre tinha mais alguém que os herdeiros não imaginavam e acabava dando confusão após a morte do doador).

Entre os poderosos tinha sempre algum segredo de estado, algo que poderia mudar o destino de muita gente e se algum bisbilhoteiro tivesse acesso, ficava com o poder do bem e do mal.
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O velho colchão que outrora cumpriu esse papel foi rapidamente superado. Qualquer um que fosse arrumar a cama direitinho, numa sacudida esbarrava com a dinheirama ou a papelada secreta e tudo estava perdido. O cofre foi seu sucessor nessa função. Deixaram o colchão apenas para o repouso e outros prazeres, além das mijadas, claro!

Hoje o grande guardião se chama PC. Isso mesmo; esse computador ai onde você está lendo. Ah, teve também o telefone para segredos mais pessoais ou que precisavam ser divididos para dar certo ou para comprometer mais alguém. Mas o grampo tem mostrado que não é confiável combinar trapaças, tramóias e maracutaias e traições por via  telefônica. Só mesmo os incautos continuam  com a teimosia de tramar através de conversas pelo fixo ou celular.

O computador (pelo menos se não cair nas mãos da polícia através de alguma denúncia) é que tem guardados todos os segredos do mundo. Mas não pense que na hora do aperto é só dar um Del e seu arquivo vai para o espaço sem rasto. A mesma onda magnética que o levou para dentro da memória o mantém por ai, em algum lugar que só os especialistas e a Polícia descobrem. Esse invento de última geração é um sucesso, mas funciona como os sinais de fumaça ou as antigas batidas de tambor. Uma vez digitados, cheirados ou ouvidos, estão registrados para sempre. Cuidado!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A MADRUGADA

BH - imagem google

04: 15 da manhã. Uma música alta, ouço apenas o refrão: “Valeu a pena, Valeu a pena, pescador de ilusão...”

Uma sirene. Resgate? Polícia? Tão comuns as ocorrências que o som já está incorporado ao cotidiano. Faz falta o dia que não tem. É tão estranho estar calmo! Como nos dias de longos feriados, a cidade curiosa e contraditoriamente parece ficar mais humanizada quando tem poucas pessoas. A gentileza e a tolerância parecem confirmar serem sentimentos de poucos. Todo mundo fazendo presenças nos lugares de lazer e numa ternura quase palpável como se tivesse data certa para acontecer. Momentos de ver crianças brincando livres como deveriam ser todo dia, de gente dedicando o ouvido ao outro dando a sensação de que estão de fato prestando a atenção, considerando-o semelhante com todas as possibilidades antropológicas sociais.

Uma cidade que dorme em parcelas. O moço da padaria acaba de passar com sua moto de ruído inconfundível. Daqui a pouco tem pão fresquinho e já estará claro o dia. Fico pensando sobre a vastidão do mundo e a insignificância de cada um isoladamente. Caber no mundo todo mundo cabe. O problema é como cada um se encaixa no seu quinhão de área livre para circular e acontecer humanamente. E o mais intrigante ainda é como cada um acontece. Gente cheia de sonhos, gente que nada sonha. Apenas trafega por lugares mais longínquos ou mesmo ao nosso lado cada um exibindo a sua indiferença e alguns com uma indisfarçável demonstração de desejo de reconhecimento.

E eu aqui tentando escrever sobre algo que contemple esse espírito emocionado. Acho que não precisa, sinto que uma paz estranha assim não encontra eco nas palavras que se apresentam disponíveis para mim. Estou saciado por ora. Idiossincrasias da solidão coletiva.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

ENGORDAR É FÁCIL

Dizem as mais rechonchudas estatísticas que quase a metade da população brasileira está obesa ou acima do chamado peso ideal. Diga-se de passagem, essa vida de perde-ganha que levamos quase sempre sem troco de valor, não acontece na lógica desejada com o peso. É muito fácil ganhar (se o que você está ganhando é tecido adiposo, dobra na cintura...,  já dinheiro... prepare-se, malhação pura...) Pode não ser sinônimo de saúde boa, mas é muito mais fácil ganhar do que perder peso. Começa no biotipo. Olhemos bem para nossos antepassados e, com uma variação pequenininha, puxando pela família do pai ou da mãe, notaremos (talvez tarde demais) que não seremos muito diferentes de seus tipos físicos. Acho que o problema está em observar tarde demais. Quando crianças é uma alegria ouvirmos dizer que somos a cara do pai ou da mãe. Quando adultos, já não dizem cara e sim “corpo”. Então, melhor tomar cuidado desde cedo se a gente provém de uma família de gente que tem um tipo físico que não queremos copiar.

Nem vou falar na comilança por ansiedade ou mesmo por gula. Isso é coisa para especialistas. Veja bem um exemplo fresquinho: hoje mesmo eu estava na fila do açougue num supermercado, quando o senhor da minha frente gastou exatos 23 reais e uns centavos para levar para casa cerca de 12 quilos de matéria prima para torresmo. E ele insistia com o atendente que o toucinho estava gordo demais. O funcionário fez malabarismos de emagrecer para conseguir umas tantas mantas finas a fim de satisfazer o cliente, parecendo aquelas mantas de cobrir bebês, de tão grandes. A mulher que estava ao seu lado ficou com os olhos brilhando. Não vou dizer aqui que estava literalmente com água na boca senão vou passar por mentiroso. Mas que eu vi um fiozinho lhe escorrendo nos lábios, isso eu vi!  Resolvi investigar mais aquele casal. Não com intuito de bisbilhotar a vida alheia, apenas para ver como ia terminar essa crônica que começou a ser escrita lá mesmo.

Passando pelo setor dietético a caminho do caixa pararam para olhar os preços dos produtos de emagrecimento. Dez, vinte vezes mais caros, proporcionalmente ao toucinho que compraram, e ela disse:

 - Não, amor, isso é caríssimo e a gente nem gosta, vamos levar apenas refrigerantes diet que já dá para equilibrar.

Saí dali me lembrando de uma coisa. Há pouco tempo estive em São Paulo na Bienal do Livro e lá me encontrei com uma prima que não via há mais de vinte anos, talvez trinta. Foi uma alegria imensurável. Inclusive porque ela estava exatamente como era a minha mãe. Rosto e corpo incrivelmente semelhantes. Na hora que a vi, num primeiro momento tive a sensação de que era a minha mãe que estava lá me dando uma forcinha do além, no nervoso lançamento de meu livro. Contei isso à minha prima. Passados uns dias ela me enviou um e-mail mandando dizer para todos os demais parentes daqui de Minas que quem não a viu gordinha nunca mais teria esta chance, pois acabara de fazer uma cirurgia de redução de estômago. Não sei se foi uma coincidência, se já estava programada a sua cirurgia. Ou será que ela ficou satisfeita com a semelhança apenas de rosto?

domingo, 28 de novembro de 2010

VINTE E UM MINUTOS PARA O SÉCULO XXI

Mudaram os tempos e os métodos também devem mudar. Quem sabe isso não ajude a sensibilizar, a mobilizar mentes,  a comover corações e movimentar corpos. À LUTA, GENTE!
Cliquem, vejam, divulguem para todo o planeta.


História das Coisas - Versão brasileira por MaxKaos no Videolog.tv.

sábado, 27 de novembro de 2010

IMPULSIVIDADE

Minha impulsividade para agir é benfazeja.
Por isso às vezes me dou mal. 
Ainda bem.
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A ANGÚSTIA

Escrito para o texto da Lúcia Soares O GRITO DO CORAÇÃO, leia aqui

Eu disse certa vez num poeminha que a angústia é um desnudamento da alma. Acho que ela parece ter se virado ao avesso, mostrando para nós o lado mais obscuro que temos por dentro  e a gente fica sem entender , sem ter como explicar. Daí o corpo entra em defesa(auto) e transforma o que poderia ser um conhecimento interior em sensação de doença. Mas é pura defesa. Uma espécie de embate de nós com nós mesmos. No final, sai um poema ou  uma consulta médica.


ANGUSTIA EM ACRÓSTICO

Alma nua. Grave. Um simples temor inicial aparecido
Nada grupal.
Guardado um sentimento terrível, inimigo assaz
Único, solitário, triste, inerte, aflito
Sem ter índole admirável.
Trás ilação antecipada
Induz atos
Arrefecedores.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

BOM EM QUALQUER ÉPOCA - O ANÔMALO

Há tanta produção literária por esse mundão, tanta coisa que tanta gente tem acesso e muito mais coisa que tanta gente não tem que pelo bem do conhecimento humano e da literatura, acho que toda oportunidade que tivermos para aumentar a visibilidade de textos bons não pode ser perdida. Selecionei alguns que acho que precisam de quando em vez ser divulgados pelas suas qualidades inumeráveis. É só mais uma forma de dar ainda mais vida à sua imortalidade. Só lendo para qualificar. E isso cabe ao leitor.



O anômalo
(Léo Borges)
(escreve em revistasamizdat.com)


Uma aula de antropologia nunca me saiu da cabeça. Foi quando a professora comentou sobre como o preconceito procura brechas no famigerado “politicamente correto” para se perpetuar. Ela citara o exemplo de jovens alemães que espancavam tunisianos, turcos e marroquinos com a ideologia de que estavam sendo cívicos, isto é, inibindo a presença de estrangeiros que queriam tomar seus empregos. Preconceito? Que nada. Estavam apenas exercendo um ato soberano, digno de defesa da pátria.
O respaldo em questão é necessário para que não haja uma conduta violenta sem fundamento. Assim, tudo é justificado convenientemente e as raízes do preconceito não são abordadas e muito menos discutidas, mas ao contrário, mantidas e propagadas. As conseqüências dos atos advindos de uma cultura preconceituosa são normalmente discriminatórias e violentas, mas tanto o preconceito quanto a influência retórica que a suportam são amplos e sutis, delicados como a própria hipocrisia humana.

Nessa mesma aula a professora ainda comentou sobre um suposto episódio ocorrido entre neonazistas tupiniquins e europeus. A polícia havia descoberto uma conexão entre eles em que os tais novos nazistas brasileiros solicitavam aos congêneres da Europa verbas para que pudessem dar continuidade ao combate contra os negros, índios e homossexuais no Brasil. O bando europeu achou a idéia bastante interessante e apoiou o trabalho. Entretanto, não liberou o dinheiro por um entrave burocrático sinistro: na lista de execrados dos nazis do Velho Continente apareciam também os latino-americanos.
A biologia evolutiva especula que o ser humano é um animal naturalmente preconceituoso. Nesse sentido, a experiência cultural apenas encobre tal característica que, segundo essa tese, foi essencial para a nossa sobrevivência e evolução. O ranço discriminatório é impossível de ser extirpado, mas a maneira como lidamos com ele poderia ser abordada de outra forma, já que o modo superficial com que é tratado – principalmente em campanhas e projetos governamentais –, além de não eliminar o problema, o deixa latente, acuado em algum ponto da subconsciência esperando uma chance para emergir.

De acordo com a Anti-Defamation League (organização americana que combate ações preconceituosas) até os seis anos de idade praticamente metade das crianças já proferiu algum termo pejorativo em detrimento de alguém que não possuísse traços semelhantes aos seus. Sem cerimônia, algumas delas apontam diferenças e, não raro, achincalham parentes obesos ou pessoas que tenham algum detalhe que não lhes pareça comum. Diante disso, são admoestadas por seus pais, que, por sua vez, na luta para melhor se ajustarem a uma digna conduta social, compartilham um sentimento que forja uma noção de justiça – frágil ante sua essência –, mas que visa, com alguma nobreza, conter a sanha racista da qual somos portadores.
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Mas foi conversando com conhecidos num bar que tirei algumas conclusões sobre a profundidade da coisa. Começou quando alguém comentou sobre o capítulo de uma novela. Um dos presentes, ao ser inquirido, simplesmente disse que não assistira porque não possuía televisão em casa. Bom, o espanto (meu inclusive) foi geral, pois em princípio pensamos que ele não tinha recursos para isso e houve um efêmero sentimento de dó em relação ao cara (primeiro conceito concebido sem esclarecimento). Mas logo se viu que ele não tinha TV porque não queria ter TV, e não por não ter dinheiro para comprar uma. De pena, o sentimento passou a ser de perplexidade em rota migratória para o inconformismo (segundo conceito concebido sem base fática). Como alguém poderia não querer ter um aparelho de TV hoje em dia?

Segundo uma sentença proferida recentemente pelo 2º Juizado Especial Cível de Campos, no Norte do Estado do Rio de Janeiro, é, realmente, impensável alguém ficar sem este tipo de aparelho em casa. Não é um eletrodoméstico supérfluo, como bem deixou claro o juiz na sentença do caso de um homem que reclamou da longa espera pelo conserto de sua TV. O magistrado disse que “o aparelho é considerado essencial aos lares brasileiros”, e citou ainda, como referência, o fato de o pobre indivíduo ficar sem poder assistir “jogos do Flamengo e o ’Big Brother Brasil’” (Processo nº: 2008.014.010008-2). Ou seja, o nosso camarada que desprezava o singelo eletrodoméstico contrariou, ainda por cima, uma decisão jurídica.
Ele argumentava que não tinha o aparelho por não gostar de ver televisão, de não gostar do que a TV exibe. E não queria gastar dinheiro para ver a barbárie nos telejornais ou as assépticas tramas novelísticas. Não queria ver seriados, programas de auditório e talk shows. Sua alegação era a de que filmes ele via no cinema; esportes ele ia ao estádio. Notícias? Lia jornal ou acessava a internet (cujo computador ficava em outro cômodo que não o seu quarto, conforme frisava). O sujeito começou, então, a ser visto como um eremita e muitos passaram, a partir daí, a boicotá-lo nas conversas, mesmo com provas irrefutáveis de que ele possuía plena condição de debater qualquer assunto. E esse era o seu diferencial: gostava de viajar, de ler, de interagir, se recusando a participar como pólo passivo - sentado, mudo e sonolento – diante de um ruidoso aparelho de TV.
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Uma senhora comentou entusiasmada que achava "muito bacana" a atitude dele, mas que não tinha "coragem de fazer o mesmo". Aqui podemos observar como é interessante o termo "coragem" empregado por ela. É como se ficar sem TV fosse um vertiginoso salto em queda-livre sem a proteção de uma grade televisiva. Outro freqüentador da roda comentou, posteriormente, que acreditava que esse tal “Sem-TV” era algum tipo de “metido a intelectual”, que queria passar a imagem de “alternativo”, mas que no fundo era, sim, “um anômalo”. Ele usou essa palavra com uma sinceridade aterradora. Seria anomalia uma pessoa não querer gastar uma grana num aparelho de TV? A máquina de consumo não iria gostar se muitas pessoas agissem como ele, pois algumas lojas e indústrias teriam de enxugar seus quadros e demitir. O Poder Judiciário também iria ter de rever suas decisões. Tudo por causa de um anômalo irresponsável que não quis comprar um televisor, aparelho este que já existe, inclusive, em modelos ultrafinos, de plasma ou LCD, podendo ser adquiridos em módicas prestações.

É. O tal sujeito que relutava em ter um aparelho de TV talvez fosse mesmo um anômalo, pedante, subversivo, indolente, desrespeitador, um elemento altamente nocivo à engrenagem capitalista, essa mesma que seduz as crianças com o Papai Noel de gorro vermelho, todo encasacado no verão de 42 graus brasileiro, exibindo os "pleisteichons" a preço de banana no canal de compras da TV por assinatura. Mas, o que mais me intrigou nisso tudo não foi o fato de termos entre nós um indivíduo que resistia em comprar um aparelho de televisão, mas como aquilo, discretamente, transtornou o comportamento dos demais. As pessoas nitidamente, nos encontros em que ele estava presente, não abordavam mais assuntos que pudessem criar algum possível embaraço (terceiro preconceito enraizado). Outros, que faziam a vez de defensores do Homem Sem-TV (como se ele precisasse de advogados), diziam que ele estava certo mesmo, que a programação da TV apenas cria na cabeça do espectador necessidades supérfluas, que proliferam injustiças e "idiotizam a massa". O cidadão em questão não desenvolvia o assunto quando estava no centro do debate. Ficava sem jeito, pois não queria ser um "anômalo", um bicho de circo dos horrores por não ter uma simples televisão. Queria apenas conversar. Desde que não fosse sobre o último capítulo de alguma novela, pois sobre isso ele não teria a mais vaga idéia.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

BOAS MENTIRAS

            Eu fiz xixi na cama até os doze anos. Não é mentira. Mentira foi o que me disse a Dona Mariinha, a comadre da minha mãe. Ninguém me entendia, ninguém me perdoava. Chorando em seu colo, veio a paz da cura, gotas de palavras injetadas na veia:
- Meu filho, olha a minha idade! Até hoje, de vez em quando ainda faço.
Quis ser solidária, mentiu para mim, acabou sendo remédio. Nunca mais mijei.

            Ensinam os bons manuais de comportamento humano e transmissão de caracteres antrópicos, que a mentira tem perna curta, que é feia, que desvirtua o caráter, que é isso, que é aquilo...

 Mas, atire a primeira pedra. E com força e pontaria certeira quem não cometeu esse desvio moral aceito como paradigma universal? Ela é tão presente em nossas vidas que tem vezes que duvido da verdade. Todo mundo duvida. Já ouviu notícia boa? Já reparou nas respostas e nas caras de surpresa?
-Mentira!  Sério?
- Não, você está brincando...
- Duvido!

            Como dizer a seu filho ou filha de cinco, seis anos que papai noel não existe? Que é o papai ou a mamãe de verdade, barrigudo ou não, barbado ou não, quem compra o presente de natal? Mentira? Para o bem da imaginação e capacidade futura de não perder sonhos nem fantasiar. A vida depois é dura.

Houve um período no Brasil que quem possuía carro ficava esperando todos os dias o Delfim Neto aparecer no jornal da televisão e dizer que a gasolina não ia aumentar de preço. Todos largavam o que estivessem fazendo e iam para a fila no posto mais próximo. Os postos fechavam cedo, ao anoitecer. De manhã, as bombas já estavam todas reajustadas. Acho que foi ai que nasceu o primeiro de abril, sei lá. Mas era uma mentira do mal.

Verdade seja dita: se não causar dano e for em benefício geral, diga a todos que minto.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

INCERTEZA

O Pensador - Rodin (imagem google)

Se transfiro a vaidade para a alma cresço
Se esta vaidade me apraz me reconheço
Se sofro com pequenas coisas mereço
Se vivo no benefício da dúvida calculo meu tropeço

Nas ondas alfa, beta e gama me embrenho
no descaso que com o pensar venho
Pode ser apatia ou será empenho?
Vou saber depois se certezas tenho

domingo, 21 de novembro de 2010

JOGO DOS 7

Recebi com muita alegria duas indicações para participar do JOGO DOS 7.   Uma foi da Thatica( blog Procura-se Gargalhadas e Amor), a outra da Celina. (blog Será que fui eu?) Vamos lá?

7 coisas que pretendo fazer antes de morrer

- Publicar muitos livros
- Ver meus netos (de minhas duas filhas)
- Morar em um lugar bucólico, sossegado e cheio de amigos por perto ou em contato permanente.
- Realizar um grande encontro onde possa estar a maior parte possível das pessoas que foram e são importantes em minha vida.
- Tudo o que for possível para não deixar nenhum embaraço ou constrangimentos (por minha culpa) aos que ficam.
- Aumentar dia a dia a minha tolerância e afetividade.
- Deixar bem claro (de preferência registrado) que sou doador de órgãos.


7 coisas que mais digo

- bom dia, boa tarde, boa noite,
- olá,
- como vai
- obrigado
- Assim é que é bom!
- Bacana!
- Paz e bem.

7 coisas que faço bem

- dirigir automóvel
- cozinhar
- manutenção mecânica
- lecionar (me disseram)
- lavar as mãos amiúde (ver nos defeitos)
- organização geral
- receber as pessoas

7 defeitos meus

- timidez
- vício de tabagismo
- Auto suficiência desmedida
- Uma dose meio exagerada de teimosia
- ler por muito tempo no banheiro (virou um vício, é defeito)
- deixar afazeres para a última hora (parece que há um incômodo e inexplicável prazer em trabalhar sob alguma pressão externa).
- lavar as mãos amiúde (será TOC?)

7 qualidades minhas

- Gentileza
- Generosidade
- Auto confiança
- Persistência
- Autocrítica
- Discrição
- Respeito humano

7 coisas que amo

- livros
- minha família toda
- meus amigos
- viagens
- conhecimento
- música
- minha casa


7 pessoas para fazerem o jogo dos sete

Eu gostaria de oferecer e convidar a todos que por aqui passarem para que fiquem à vontade para participar desta brincadeira séria.
Obrigado. Paz e bem.

sábado, 20 de novembro de 2010

AS MÃOS

imagem google


Eu tenho o hábito de culpar minhas mãos por muita coisa errada que faço. Sou estabanado demais da conta! Se deixo cair um copo, de quem é culpa? O choque levado na hora de trocar uma lâmpada simples: quem esbarrou no metal da boquilha? Aquele caldinho que insistiu (e venceu) a boca e foi parar na roupa: quem se responsabiliza?. Na escrita, as falhas de incidência, os erros de ortografia, a falta de concordância: quem vacilou? Se não me ocorre a inspiração, só não bato nelas porque seria uma luta igual e poderia quebrar a ambas.

É isso mesmo. As mãos têm vida própria. Pelo menos as minhas quase nunca estão em sintonia com o pensamento. Abusivamente desobedientes e de uma autonomia de enlouquecer o cérebro. Esse não comanda muito. Costuma ter o coração ainda num posto de hierarquia à frente de si.

Já descobri, por exemplo, que elas pensam diferente quando escrevem à mão (não é redundância, é essa autonomia irritante) e no teclado. Com a caneta não há a preocupação em salvar nada. Ao contrario, só rabiscar e jogar no lixo. Claro que de vez em quando tem que ficar revirando para ver se não fiou algo para trás. Aí é o cérebro que ordena que elas mesmas vão lá buscar no meio daquele monte de papel embolado para selecionar uma frase, uma palavra perdida e que está fazendo falta ao conteúdo do texto. Já no teclado  elas costumam se perder. Se fossem daquelas boas de digitação como as que aprenderam nas remotas aulas de datilografia, davam descanso ao cérebro, olhando apenas para o teclado. Mas não, deixam minha cabeça igualzinha à daquele humorista do cara-crachá, tendo que olhar a digitação e o monitor ao mesmo tempo, conferindo.

E nas horas inoportunas? Sabe aquela coceira nos lugares mais inapropriados do corpo no momento mais indevido? Nas filas ou outros aglomerados humanos onde todo mundo censura? É um horror a tentação! Ficar remexendo os quadris para a caceira se resolver sozinha é pior. É coisa de maluco, de quem está passando mal ou é afetado nos modos.

            Se tiver que ir a um analista por causa de manias, a primeira coisa que quero dizer é sobre o papel das mãos. A influência que elas exercem sobre nós. Contra a vontade ou favor, não importa. Não há mente equilibrada que controle as suas mãos para que obedeçam a todos os seus comandos. As mãos não têm esse equilíbrio que todos buscamos. Ou são submissas ou são rebeldes. Ou ainda uma mistura das duas coisas.

Aposto que as suas acabam de se virar para os seus olhos!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

LÓGICA DA EXISTÊNCIA

imagem espacoacademico.com.br
Quanto mais vou vivendo como resto de uma divisão em vez de um a mais numa soma, vou me aproximando da certeza de que o mundo não precisa de mim para nada
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