quarta-feira, 28 de julho de 2010

REVISTINHAS EM QUADRINHOS

Luluzinha agora é “teen”. Se fossem reeditar hoje a antiga revista quando ela e o Bolinha eram crianças, seria uma espécie de bullying impresso, um atentado aos bons costumes da magreza recomendada ao padrão de beleza feminino. Quem não se lembra dos dois? E da Bolota, hein?

Por falar em bullying, eu abro um parêntese aqui. Fico pensando no limite da sinceridade de quem diz que não tem meios termos, meias palavras, fala o que o que lhe dá vontade e o que sente. Será que não corre o risco de incorrer no bullying? Chamar o outro de feio, com propriedade, por exemplo? E trocar pelo  “simpático” de forma conciliadora não passa a ser um eufemismo? Na sociedade em que vivemos não é a imagem o que conta, acima de tudo? Fique à vontade para fechar o parêntese.

Me lembro do Mickey, do Tio Patinhas, Donald, aquela turma que nasceu, cresceu e frutificou sem nunca ter nos mostrado pais, mães, a gente não sabia se os sobrinhos do Donald eram adotados, o mesmo acontecendo com as meninas sobrinhas da Margarida e o solitário Pateta e seu sobrinho Gilberto. Era um festival de “politicamente incorreto”, que era uma maravilha. Aliás, as revistinhas não perderam espaço para a internet, eu acho que foi para o advento do “politicamente correto”. Uma onda que começou a varrer o ocidente contra coisas que estimulavam o preconceito, mas que também tinham subliminarmente o desejo de enquadrar os comportamentos para o bem do desenvolvimento pacífico e ordeiro do capital, dono e senhor de tudo.

Como pode um menino que não gostava de banho (Cascão) e ainda fazia disso a sua fama? Uma gorducha e dentuça (a Mônica) que é ridicularizada o tempo inteiro pelos seus amigos; o Riquinho, com o sacana epíteto de “o pobre menino rico”, esnobe e que só andava de limusine e tinha um empregado para cada órgão de seu corpo? Os gordinhos e os machistas clubes de meninos e meninas? Fora a imagem que ajudaram a consolidar do Brasil através do indefectível Zé Carioca, o malandro dos morros cariocas, que se dava bem passando a perna em todo mundo, não pagando as contas e se arranjando através da vadiagem, cheio de golpes baixos. Isso é bullyng contra o país inteiro! O seu contraste americano era o Gastão, o primo do Donald, também um bon vivant, mas dotado de uma sorte que me dava a impressão quando criança que esse negócio de trabalhar era mesmo pra otários. O cara não fazia nada a recebia tudo por obra e graça do acaso que o cercava. Escapava da chuva, do sol, da lama, do frio e calor, da sede e da fome e... do trabalho.

Eu acredito que o bullying, gêmeo siamês do preconceito, se não nasceu daí, ele foi reforçado e passado de geração para geração, impregnando-se na cultura ocidental. Mas a esta altura do campeonato eu dizer que foi o Disney ou os americanos os grandes responsáveis por essa coisa toda, já estarei querendo a minha danação eterna. São poderosos demais. E onde ficava o meu discernimento e livre arbítrio que vão alegar necessário? Criança tem?

2 comentários:

Lisa Alves disse...

Carissimo, creio que de tempos em tempos eles formatam personagens em prol de suas vendas ideologicas o que influencia o comportamento geral das pessoas. é uma grande "Injeção Hipodérmica" na veia neuronica. Esses dias tava assistindo o novo "pica pau" e no final da história o Pica pau é preso e condenado a morte por um personagem com sotaque (ou seja não é americano) logo o pica pau reinvindica seu direito de fazer um telefonema e o "inimigo" permite. Então o pequeno passaro vermelho e azul disca um numero e grita "Tio Sam!".. Segundos depois uma frota de aviões bombardeia o navio que o pica pau está prestes a ser executado e salva a pequena ave norte america. Lindo, não!? Aff

pensandoemfamilia disse...

Os tempos mudam, os personagens usam outra roupagem e por aí vai...Nada acontece de repente, muito pelo contrário, tudo é feito através de uma construção arquitetônica e ilimitada em seus artifícios. Bullying e sociedade caminham juntos, não caiu de paraquedas aqui ou acolá. Vivemos uma cultura de competição e violência e assim vamos escrevendo história.
bjs,

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