terça-feira, 6 de julho de 2010

ESQUISITICES

“Mundo, mundo, vasto mundo

Se eu me chamasse Raimundo seria uma rima

Não seria uma solução”

(Drummond)

As pessoas do interior influíam mais no modo de ser das cidades grandes. Parece que as coisas estão se invertendo. A cidade com seus medos, poucos amigos e impessoalidade é que está mudando as pessoas. Dizia-se que Belo Horizonte era um interior grande. As pessoas vinham para buscar uma vida melhor, seja no mercado de trabalho ou por causa de maiores opções de escolas. Por conta do convívio um tanto pacato e caloroso acabavam reproduzindo aqui a própria vida interiorana. Vizinhos se conheciam e se tornavam solidários na alegria e na tristeza. Bares eram ponto certo de amigos de verdade, comércio de bairro ainda tinha o contrato do fio do bigode. Para quem não chegou a experimentar uma relação dessas, é o mais sincero e bem acabado pacto de confiança na integridade tanto de quem fornecia como de quem comprava em honrar a sua palavra ou a anotação na velha caderneta do fiado.
 
Corremos atrás de uma modernidade que não costuma dar carona a todos. Especialmente no que diz respeito a valores que tocam a essência humana. Quanto maior e mais vai crescendo o número de pessoas, mais as cidades vão subtraindo a integração entre elas. Disputamos espaço e destaque a todo momento e ao mesmo tempo queremos dar um contraditório grito de eu existo. A visibilidade que fazia bem ao ego numa relação de comunidade perde lugar para o viva eu, acima de tudo e de todos. Não espanta muito o aumento de casos de crimes passionais, de fervores religiosos beirando a um fundamentalismo míope que ilustram pobremente as tentativas das pessoas se agarrarem a algo mais profundo e que dê apoio a elas para não sucumbirem a tanto vazio. Tanta correria por sobrevivência, que a sociabilidade já está no último dos planos de vida de grande parte ou maioria das gentes.

Pode parecer chavão ou lugar comum, mas quem busca felicidade numa selva deve dar um jeito de fazer amizade com as feras. Ou será esquisitice minha?




6 comentários:

Chica disse...

A coisa tá feia mesmo nas cidades...

Basta ver nos prédios, quando somos capazes de passar mais de 15 dias,por vezes um mes, sem ver nossos vizinhos de casa...

Deveria voltar a simplicidade!abração,chica

pensandoemfamilia disse...

Bom dia

"Fazer amizade com as feras", é a minha grande dificuldade. Pode ser esquicitice, mas buscar um lugar ao solo, muitas vezes, infelizmente, depende disto na atualidade.
Enfim, gosto de amizades espontâneas e procuro viver de acordo com meus valores (antigos, rs,rs,).
Já escrevi sobre esta temática, mas vc tem uma forma leve de colocar o assunto. Parabéns
Abços,

Mulher na Polícia disse...

Cacá... eu não sou do interior, mesmo assim tenho muitas dificuldades com o urban way of life.

Mas como conheço esse pessoal, vou te dizer uma coisa... tem muito animal aqui fazendo um barulho danado... vai ver é tudo bichinho frágil e carente esperando um carinho nosso pra derreter.

: )

Um sorriso meu e um beijo pra você.

Elaine Barnes disse...

Muito legal seu pensamento.Gostei demais! Eu que o diga morando na capital. Resolvi o problema morando próx a serra,ao lado do trabalho e pertinho do horto. O bairro é antigo,poucos prédios,visito os amigos,cumprimento os vizinhos. A molecada do vizinho dos fundos passa no meu quintal,os cachorros latem...Mesmo sendo corretora de imóveis e sofrendo toda a tensão,ainda assim,procuro não abandonar meus costumes,saio pouco na muvuca rs... Montão de bjs e abraços

Celina disse...

OI CACÁ BOA NOITE. LÍ O SEU LIVRO, GOSTEI, VC MOSTROU CONHECIMENTO DO QUE ESTAVA FAZENDO, CHEGUEI A CONCLUSAÕ, QUE VC É UM ESTUDIOSO EM DIVERSOS ASSUNTOS PARABÉNS AMIGO!
AGORA UM BEBÊ DE QUARENTA ANOS É LINDO, É QUANDO ELE ALCANÇA A PLENITUDE DE SUA BELEZA, SE FOR GRISALHO É RICHARD GERE UM GATO!OLHA EU POSSO DIZER ISSO SEM ESCANDALIZAR POIS SOU UMA SRA. IDOSA.RSRSRS.
UM ABRAÇO AMIGO ,DESCULPE A BRINCADEIRA FOI PARA DESCONTRAIR CELINA

lis disse...

Oi Cacá
Saudade do interior,meu pai tinha comercio e muitas cadernetinhas com as tais anotações pra pagar depois.
Isso criava laços de amizade cada dia maiores, era a confiança na família que sempre vinha pagar no fim do mês , salvo alguns mais desorganizados .
Sentava do lado do meu pai e algumas vezes fazia anotações, gostava de ficar naquele armazém, hoje já não volto mais lá , perdi minhas referencias e as lembranças ficaram perdidas .
Cidade grande é como selva de pedra mesmo, ninguem confia em ninguém , e nem se conhece mais o vizinho do lado.
Condominios cada vez mais fechados.
Acho triste Cacá e esquisito também.
Vamos acostumando com tudo , infelismente.
Gosto dos seus temas e me alongo nos comentários.
E ainda me perguntam porque nao escrevo no blog , deixo os poemas falarem por mim , já basta o que falo em comentários rsrsrs
muitos abraços

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