sexta-feira, 30 de julho de 2010

FALANDO SOZINHO


Eu era cliente e não fiz nada além de reclamar algumas vezes de atendimentos ruins, de produtos estragados, de validades vencidas e pesos adulterados. Além, claro, de pedir desconto sempre que comprava à vista. Aí, nasceu depois de muitos abusos, um código de defesa dos clientes e desde então passei a ser consumidor. Ocorre que, de lá para cá muita coisa mudou, melhorou bastante a relação em termos de lisura e as muitas vezes em que ainda há  engodo severas penas são impostas pelos Procons, os grandes cavaleiros da defesa dos fracos e oprimidos consumidores.

Na época do cliente eu era chamado de rei. Podia não ter tapete vermelho, coroa nem trono, mas simbolizava um rei depois que eu mostrava que tinha lastro monetário, também conhecido como condições financeiras para pagar as compras. O tratamento do empregado ou dono do estabelecimento era especial. Educação, acima de tudo. Tinha até lugares que estampavam slogans do tipo “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta.” A gente até podia ser enganado, mas costumava sair satisfeito só de ser bem tratado. Agora, como consumidor, o dono ou o empregado, já sabendo que eu tenho onde recorrer contra enrolação, fraude ou maus tratos, parece que não está nem aí. Esta é a sensação que eu tenho todas as vezes que entro num estabelecimento. Não há mais nenhuma pessoalidade nas relações de troca. Salvo ainda os comércios de bairro, onde a gente está quase todos os dias e acaba conhecendo todo mundo. Até e consegue trocar umas palavrinhas amistosas... “Tá frio, que calorão, será que vai chover”? Menina, você está esperando um bebê, que beleza? Será que o seu Geraldo não vai lhe demitir?” Isso, no entanto acontece nos comércios mais tradicionais, onde os empregados duram mais tempo no serviço. A maioria hoje em dia não está nem ligando para manter o emprego, tem uma padaria lá perto da minha casa que cada dia que a gente chega é uma funcionária nova. Dizem que o cara paga muito mal e ainda por cima não paga horas extras, não assina a carteira de trabalho e ainda gosta de gritar com elas. Deve ser por isso que sempre tem uns pães escuros, quase marrons, a um grau de queimarem. Ainda bem que temos três, quatro padarias no bairro e não precisa agüentar pão com gosto de carvão.

Nas grandes redes de lojas de departamentos e hipermercados, essas que vivem infernizando a nossa vida com propaganda dia e noite, seja no rádio, tv ou internet, a coisa é bem pior. Os vendedores são uns brucutus, indiferentes com quem chega ou sai e sequer nos cumprimentam. Sem contar que mal sabem explicar o funcionamento de alguma coisa. Pergunte a ele sobre características de um computador. Os recursos de um celular. Não sabem nada. Nada! Há exceções, é verdade, mas tão poucas que até agradeço quando sou bem tratado.

Outro dia eu ia no ônibus e sentou uma menina bonita ao meu lado que tinha um espelhinho na mão e um batom. Como a gente estava conversando, cada vez que a palavra passava para a minha boca ela passava o batom na boca dela. Me disse que era exigência da loja. Salto alto, brinco, batom e unhas impecáveis. Eles se importam mais com a apresentação. Tudo passou a ser vitrine. Os produtos e os vendedores. A  gente fica com aquela cara de estar frequentando um desfile de marcas com gente misturada no meio. Cara de admiração vã, porque depois que chega em casa com o produto você vai ver que não sabe instalar, o manual, mesmo traduzido para o português, está numa seqüência incompreensível e acaba usando só 10% dos recursos que o aparelho lhe oferece. Sei, lá, dizem que com o cérebro da gente também é assim, então tá tudo certo.

10 comentários:

´Flor* disse...

oI,Claudio muito boa a crônica me vi nestas linhas.Mas falar sozinho é coisa da gente que vive a compor ,eu penso que esta certo e é bem normal..rsrs\\Bjuss\Mil\Flor*

Mari disse...

Olá Cacá...

É meu amigo...as situações são inúmeras, mas a sensação..sempre a mesma, o cliente atualmente nunca consegue ter razão...afinal conseguir ser atendido, passar pelos atendimentos eletrônicos, etc, etc... não é nada fácil!

Bom final de semana!
Beijos

Celina disse...

Oi cacá boa tarde, tudo de bom para vc. aquí é o seguinte se for nos chopps, oa norma é essa o cliente tem sempre razão. mais se for em algum estabelicimento fóra o cartão postal é a aparencia. se vc for bem trajado e perto de vc estiver alguém que não ligue muito na aparencia com certeza aquele que estiver bem vestido com certeza vai ser visto logo. as vezes aquele que está bem vetido, so tem a imagem e os boslsos vasio, não vamos generalizar. celina

Maria disse...

Amigo, Estou retribuindo a sua amável visita ao meu humilde cantinho, é sempre uma alegria enorme saber que o que fazemos é apreciado por outros.
Gostei muito do seu blog e terei muito prazer em ser sua seguidora.
bjs do tamanho do infinito
Maria

Adh2bs disse...

Prezado amigo;
Já deixei as compras todas no "check-out" (estrangeirismo afrescalhado p/ designar o caixa), duas vezes por causa de mau atendimento. Precisamos prestar muita atenção nos engodos (desonestidade mesmo) de ter um preço na prateleira, outro na hora de passa no caixa. E o consumidor é tratado que nem gado; horas na fila pra pagar as compras! Como pode? Amigo, as histórias sobre o assunto rendem um livro...
Grande abraço, boas compras (afinal, amanhã é sabadão...)
Adh

lis disse...

Estou quase aderindo as compras pela internet Cacá bem impessoal rsrs
atualmente aqui no meu bairro até pelo telefone posso solicitar o que quero do Supemercado , que fazem a entrega .
Tudo muito moderno e ágil,o entregador chega e coloca a compra no local indicado , como o conhecemos os cumprimentos são sempre amistosos e tão só.
meus meninos e meninas já optaram pelas compras de tênis, livros ,aparelhos eletro eletronicos e alguns supérfluos pela internet e tem chegado direitinho. Esse laptop que teclo aqui foi também assim, particularmente, gosto de ir a loja , mas estou quase me rendendo a modernidade rsrs
Voltando hoe e já tendo assunto bom pra papear rs
obrigada pela acolhida calorosa e que a ternura seja uma constante por aqui e por lá.
abraços

CESAR CRUZ disse...

Ahaha! Muito bom Cacá! Gostei da crônica. É isso mesmo, no fim o cliente é sempre uma vítima dessa máquina de moer gente que é o chamado "mercado". Os caras são preparados para matar!

Nesta linha, tenho uns textos que podes gostar. Dia que der leia, lá no blogue, o "treinamento de vendas". Use a busca na barra da direita.

Amigo, recebi seu livro! Perfeito para mim, um quase-quarentão. Estou para nascer! NAsço dia 9 de set! ahaha!

Já comeceia ler... Está divertido!

abraço
Cesar

Toninhobira disse...

Pois é muda-se tudo,cria codigos,defesas e nos apelidam de tudo que acham bonitinho, mas a picaretagem é sempre a mesma.Fico olhando as empresas prestadoras de serviços como agua e energia, me assusto com os abusos destas.Imagine que ainda criaram agencias para regulamenta-las.Cargos e mais cargos e a gente falando sozinho,né? Boa e critica cronica.Ainda faremos deste lugar uma grande nação.Meu abraço amigo.

pensandoemfamilia disse...

Oi Caca

Lembra que fiz um texto elogiando uma atendente de cafeteria e nesta sua crônica vc espôs tudo que nos rodeia em relação à mà qualidade dos atendimentoss e o que é pior os tais manuais que nunca entendo e por isto já pensava que eu é que estou fora da contemporaneidade.
Enfim, vc ´hoje já me consolou, não aou eu que sou extraterrestre.rs,rs.bjs

Felipe Padilha di Freita disse...

Que não fazem vendedores como antigamente é a mais pura verdade,só você mesmo com tua sensibilidade em esmiuçar os alhures do cotidiano,és escritor de todo os tempos,nascestes para isso,teu talento é sem comentários,por isso pouco comento,vc me deixa sem palavras,a maioria das vezes!

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