quinta-feira, 25 de agosto de 2011

CLASSES SOCIAIS

“Eu me considero classe econômica, do tipo que viaja pela vida em poltrona apertada, sem direito a muitas esticadas e sem banco reclinável. Aliás, de bancos eu tenho muita pouca coisa boa pra falar. Para quem possui um dinheirinho, os bancos são os piores lugares para ele ficar assentado em nome de alguma segurança.. Já fui fundos-C e já morei também em casa geminada. Dá uma sensação de igualdade, morar lado a lado e no mesmo lote do dono do imóvel, mesmo sendo de aluguel. Hoje eu virei namoradinho do Brasil. Não me tornei celebridade nem nada. Apenas a menina dos olhos dos donos da indústria e do comércio e propaganda da mídia toda.  Não sou mais fundos-C, sou a própria classe que resolveram denominar de C. Fico entre uns poucos salários mínimos que nem chegam perto anualmente daquilo que um deputado ganha, por exemplo,  em um mês mas entrei definitivamente na seara do consumo de primeira linha. Mesmo sendo mal atendindo, com aquelas caras de desconfiança. Vê se pode, o dono do estabelecimento costuma nem ser ainda classe A e o atendente está lá pela faixa D ou E; como é que se entende uma coisa dessas?”
(Depoimento colhido pelo Arcanjo Isabelito Salustiano, o Filósofo das Ruas, num belo shopping de BH)

Eu estudei um pouco de economia política entre Adam Smith, Marx e Keynes os três principais teóricos desta matéria que hoje considero a rainha má da nossa sociedade. A divisão de classes se dava basicamente pela classe dos donos das coisas e dos donos das energias e forças (de trabalho). Havia no meio uma classe intermediária que nem era dona do capital, máquinas e instrumentos, nem era somente uma força de trabalho disponível. Geralmente autônoma ou nos altos escalões de assalariados que administrava o dinheiro dos ricos e negava suas próprias origens, querendo ultrapassar a barreira da renda e pulando para cima. Era a classe média.  Fala-se muito também hoje em dia, de pessoa que pertence à classe baixa e à alta. Eu fico sem saber se isso é um desmerecimento social ou se está se falando da renda da pessoa. Aí, o negócio é prestar atenção em quem está falando, se tem intenção pejorativa, se é por desconhecimento da composição da pirâmide ou se é arrogância.

Eu não sei de quem foi a ideia maquiavelicamente brilhante de reduzir o número de saltos nessa mobilidade de classes e fragmentou com números e renda a classe média. Ou seja, para ser considerado rico, o sujeito tem que ultrapassar mil e uma barreiras, ou melhor, uns cinco degraus de classes*. O topo não é para todo mundo, mas alguém determinou que também não deve ser  para muitos. O que desespera muita gente é uma perspectiva de igualdade, mesmo que remota. 
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*divisão estabelecida pelo IBGE, Ipea, FGV, Empresas de Publicidade e outros organismos de estudos e estatísticas sócios econômicas.
Quer ver como é a divisão? Leia aqui 






23 comentários:

Jaime Guimarães disse...

O Arcanjo sabe das coisas e teve essa bela reflexão enquanto passeava pelo shopping admirando as vitrines repletas de "promoções" e "facilidades" em 12 vezes sem juros no cartão.

Sabe, Cacá, nunca entendi essa abrupta mobilidade que resolveram bancar/classificar no se refere às classes. Eu continuo achando que na verdade boa parte da classe média é a classe remediada mesmo. Talvez a classe C possa ser considerada sim a nova classe média, afinal é tão remediada quanto. A inadimplência continua elevada. O negócio é consumir e a grande jogada dos publicitários é o "you can", com o cartão você pode tudo.

E trago à cena o nosso Ziriguidum Bauman, que escreveu algo assim: "o mercado de consumo é a versão moderna para o sonho do Rei Midas: o que o mercado toca, se transforma em objeto de consumo". Então faz sentido essa "mobilidade" esquisita que temos aí. O mercado manda, o consumidor atende e assim vai girando a roda da economia. A Grécia que o diga!

Abs, Cacá!

Inaie disse...

sao pouco mais de 8 da manha. meu cerebro ainda nao se pos a funcionar completamente...
Estou aqui, brincando de "classe economica" , viajando em carro alugado, fazendo a peregrinacao das cervejas, e dando alegrias sem fim ao meu cartao de credito que vai me tascar a faca na primeira oportunidade.

Muito cedo pra tanta filosofia, me recolho a insignificancia da classe que me atribuirem.

E me da mais uma cerva!!

Zélia Guardiano disse...

Extraordinário, meu querido Cacá!
Você pintou o quadro sem um deslize sequer: nenhuma pincelada a mais, nenhuma pincelada faltando. Obra-prima, além de tudo acessível, o que é importantíssimo, porque estas questões costumam ser abordadas como se fossem romance de Kafka...
Estava com saudade daqui!
A correria com o livro me limitou bastante, impedindo-me de visitar os blogs amigos frequentemente, do jeito que eu gosto.
Para venda do POESIA COMBINA COM TUDO coloquei um link para a livraria, lá no Ad Litteram, mas, como você gostaria de receber o autógrafo( rs...), vou conversar por e-mail, com você, conforme sua sugestão.
Não lhe respondi logo, lá no meu espaço, porque não consigo postar no meu e em alguns blogs amigos, há mais de um mês... Ando desolada por isso!
Não sei qual é a do Blogger...
Abraço apertado, amigo!

Aleatoriamente disse...

Cacá , eu também me considero assim sabia?
E banco para mim só conheci os de praça.rsss.
Bom o que posso dizer? Que me considero a parte feliz da pirâmide.
Não preciso me importar com que garfo vou pegar para comer o peixe, nem com paparazzis me seguindo.

Já fui olhada de cima a baixo , quando entrava em lojas, restaurantes etc...
Isso nunca me incomodou.
Porque a classe que se deve orgulhar-se de pertencer, é a da HONESTIDADE e essa classe nos “ricos” do poder é uma vergonha.

Quando leio que certa figura autorizou 8 milhões de reais, a uma empresa cujos donos eram laranjas, e ainda diz que não sabia disso, é dose viu? Brasil que alguns brincam como se fosse uma simples bola, sem passar a bolada verdinha, que como goleiro aparam.

Todos têm um pedacinho nessa pirâmide, na maioria das vezes, com lagrimas nos olhos para quem fica lá, lá embaixo.
Sem possibilidades de mudar de classe.

Beijinho e bom dia Cacá

✿ chica disse...

Parabéns por trazer exatamente o que vemos nesse nosso mundinho...Eu também sou da classe dos bancos espremidos,rsrsrs abração,chica

Geyme Lechner disse...

haha vc conseguiu descrever sua classe do tipo economica com muito humor!!! Eu tenho minhas reservas e geralmente fico de cabelo em pé quando o cidadao vem me falar em "classes", principalmente as diferenciadas (sempre pelo dinheiro, é claro), dividindo-as, o Arcanjo deve saber bem disso. Em SP, tem as classes de Higienópolis, por ex., que recebem tratamento diferenciados por serem consideradas "classe A", haha As classes deveriam ficar para o leite e para a carne, nao para as pessoas...

Desculpa a sumida, Cacázinho, ando de viagens e trabalhando no meu terceiro livro, mas de vez em quando vou aparecer, pq nao quero perder o contato, viu, entao, nao some (olha quem fala, haha) e nao esquece de mim, please!!

Bom final de semana, amigo querido! beijaozaooo!!!!

Celina disse...

Cacá bom dia , passei para agradecer o teu comentário gostei muito do mesmo, olha cacá nascí com a vocação de são Francisco de Assis, comprei um apartamento na planta quando terminei de pagar passei para a minha filha, que tem dois empregos como funciona pública, o que só dar para a sua manuntenção, eu recebo uma pensão que dar para o gasto, tem uns netos que ajudei desde as primeiras letras hoje pago a faculdade de dois e ajudo os meu filhos quando é preciso, fico com o suficiente que dar para manter a casa com a minha filha dois netos e os meus passeios para que quero mais, e ainda tenho as institueçoes que ajudo, quando eu fizer a grande viagem, não deixo motivo de brigas por bens , o que tinha a oferecer fiz em vida que foi pagar os estudos dos netos, e ainda que reina muita união entre as familias, todos tem a sua casa o seu carro e o seu trabalho, só quero deles o amor se sempre e o respeio Um abraço amigo Cacá

Valéria disse...

Oi Cacá!

Classificações e estatísticas fazem de nós números que não são lá muito bons para todo o mundo. Nos iludimos diante de uma mobilidade fantasiosa que só faz mesmo a festa dos empresários a cata de pessoas que querem se sentir A e B a todo custo. Acho mesmo é que tudo isso não passa de ilusão para quem só pensa em superfluos querendo passar por cima dos outros ( afinal o dinheiro pode tudo)e claro para os empresários e teóricos da área.

Abraço!

Anne Lieri disse...

Cacá,um texto brilhante fazendo uma análise perfeita do nosso Brasilllll....rsss...essa tal piramide social é uma chatice mesmo!Não poderíamos todos ter salario de deputado?...rss...não seria legal?Todo mundo poder tudo?....rsss...sonhos,apenas sonhos....bjs,

Daniele Barizon disse...

Confusos os critérios da nossa divisão, né? E nem sempre justos, claro.

Bjs!!

Cecilia disse...

O que sempre achei verdadeiramente absurdo Cacá é a desigualdade social que infelizmente assola esse país, se todos tivesses rendas igualitárias, não teria tanta arrogância, tanta ambição, isso acaba com as pessoas. Pobre cada vez mais pobre e rico cada vez mais rico e classe média então? Que dirá dessa pessoas, isso que preocupa demais.
Adorei seu comentário no meu blog. Tammbém concordo quando vc falou de não fazer nas coisas e pessoas o que não gotariamos que fizessem com a gente, mas infelizmente fazem meu amigo e recebem o troco, pode apostar. Seja sempre muito bem-vindo, domingo posto outra mensagem. Beijos...

Yasmine Lemos disse...

Ai que massa, sou da turma do churrasquinho, do carro apertado, do banho de mangueira aos domingos,e sei que é muito boa essa classe F de felicidade
abração amigo Cacá

Eva disse...

Oi Cacá adorei o teu post, me incomoda muito essa rotulação e a desigualdade social é humilhante, não me sentiria a vontade em nenhuma categoria, aqui no Brasil existe muita diferença social e cultural e isso é extremamente incômodo a todos, a rotulação que alivia alguns é pra mim uma vergonha social que privilegia e escraviza, o limite sempre será rigoroso e irrevogável, e infelizmente o mundo parece testá-los permanentemente até a mudança, aí, por necessidade e única saída. beijos, querido, paz e bem!

MARILENE disse...

Nunca me senti bem ao ouvir referência a classes. Quem tem poder para dividir os indivíduos dessa maneira? E classificação com fundamento em bens! Do jeito que as coisas vão, onde só o salário mínimo aumenta, daqui a pouco estaremos, na maioria, na mesma faixa (rss). A nivelação será por baixo. Não é preciso ser economista para perceber que a capacidade de consumo dos trabalhadores de baixa renda aumenta e quem é responsável pelo pagamento de seus salários, faz cortes nas próprias despesas, para poder mantê-los.

Bjs.

Renata Diniz disse...

Cacá. Vasculhar este tema, que você descreveu com tanta maestria, leva-nos ao poder [maldito]. Eu prefiro o poder da expressão e bem o vejo por aqui. Abraços!

Flor da Vida disse...

Reflexivo e sábio depoimento.

Sabe amigo, se a igualdade existisse, daria pra todos viverem no que chamam hoje de classe média, e creio que não precisaria mais que isso para se viver bem e com dignidade.

É sempre gratificante vir aqui!

Carinhos de flor.
Beijos

Rô... disse...

oi Cacá,

não gosto de rótulos,
acho uma grande injustiça a desigualdade
e tenho certeza que ninguém escreve sobre problemas e situações cotidianas,
tão divinamente como você,
mas uma vez parabéns...

beijinhos

Miriam de Sales Oliveira disse...

Pois, o Arcanjo estava certo e ele sabe assuntar bem tudo isso.Em matéria de classe ainda n/ sei qual é a minha;só sei que tudo que quero é me comportar com classe.E isso significa não fazr sacrifícios p/ aparentar riqueza.ipo" vou fingindo q/ sou rico pra ninguém zombar de mim.Prefiro dar muito dinheiro por uma tela ou um livro de arte ou uma viagem do q/ gastar com móveis de classe.Uma cadeirinha maneira,de plástico,serve á sombra do meu terraço.As msg publicitárias de TV me irritam; me mostram tudo que não preciso ter para viver bem.E a sociedade consumista -é fato consumado- está deixando os brasileiros muito endividados.
bjks n/ econômicas

Beth/Lilás disse...

Cacá!
O que 'pega' mal em nosso país é justamente a imensa desigualdade entre as classes. Pra dizer a verdade, beira à infâmia, pois não é possível que uma pessoa viva com um salário mínimo e um apresentador de tv, por exemplo, Faustão, etc... ganhe uma disparidade.
abraço carioca

Nice Bacchini disse...

Para mim existem apenas três classes, a dominante, a que trabalha e paga impostos e a classe que trabalha para comer... e não essas diversidades de classes que são representadas por quase todas as letras do alfabeto... Concordo com vc que ninguém é igualdade de classes...Ficou ótimo../bom FDS.. abraços

Fatima disse...

Toda as tragédias do mundo moderno em última instância foram criadas pelos homens. Sendo assim não havia razão que oss impedisse de transforma-las.
Daisaku ikeda

Bjs.

pensandoemfamilia disse...

Esse nosso país! Não sei mais que classe sou, mas em se tratando de desigualdades nem é bom falar pois o que não falta são comunidades por todos lado, além daqueles que andam pelas ruas "sem eira nem beira", ao relento, comendo sobras de lixo.
bjs

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