segunda-feira, 30 de agosto de 2010

PODE SER COINCIDÊNCIA


Sexta feira treze ainda tem um restinho de mistério guardado na cabeça de muita gente antiga. Perdeu seu encanto para a modernidade que desmistificou quase tudo  quanto era estranho e não sabido pela ciência que ajudou a tirar a graça de muito medo bom e ruim que a gente tinha. Não que eu seja tão antigo, mas sendo cronista, tenho quase a obrigação de arranjar alguma graça ainda nesses tempos onde o suspense fica por conta apenas do medo do que os vivos vão aprontar diante da falta de paciência que reina no nosso meio.

Viajei para São Paulo numa poltrona atrás da 13, onde uma senhora dividia o assento com um jovem, que a princípio pensei ser  seu filho. Hoje em dia só mesmo filhos para ter tamanha paciência com alguém mais velho e ainda mais atrapalhado. O celular dela não parava de apitar, sua poltrona não parava no lugar, pois ela sabia como se ajeitar com a alavanquinha de reclinar. Levava um lanche de pão com mortadela com aquele cheirinho gostoso de se sentir de madrugada dentro de um ônibus cujas janelas não se abrem por causa do ar condicionado, verdadeiro guardador de odores. Desculpava-se de minuto em minuto com o seu companheiro de viagem, que tentava em vão dar uma cochilada. E ainda numa poltrona mais atrás um jovem com um MP100000 tocando uns funks numa altura ensurdecedora. E ninguém dormia. Ele fez questão de desplugar o pino dos fones de ouvido para socializar o som com os passageiros. Já repararam como as pessoas gostam de socializar coisas que irritam? Ninguém lhe oferece um concerto de música clássica para dividir num espaço coletivo, só titum-titum-titum com som de carro alto, conversas indiscretas aos celulares e notícias trágicas. A senhora no meio da viagem ainda teve uma dor de barriga, usou o banheiro do ônibus e demorou a fechar a porta quando saiu. Imagine o cheirinho no recinto com o ar seco, parado e frio? Sem superstições, eu comecei a achar que algo não ia terminar bem na minha ida. Uma noite inteira sem dormir, às sete da manhã, chego ao hotel, reservado com uma semana de antecedência, o recepcionista me diz que só haveria vaga a partir de 13 horas.

8 comentários:

Geyme disse...

Nossa, Cacá!! Vc nao dorme ou essa postagem estava programada?? Aqui sao 9:30 da matina, imagino que seguimos na diferenca de fuso de 5 horas, nao???
Bem, mais uma coincidencia, acabei de postar algo muito similar ao seu artigo no meu blog, se eu contar, vc nao acredita, rsrsrs Agora, fiquei sem palavras!!!!! Tudo que eu falar aqui, será repeticao (ou das suas palavras, ou das minhas)! Posso dizer, que compactuo em número, genero e grau com suas palavras, ainda que nao haja o que concordar aqui, já que experiencias em viagens sempre nos trazem os acréscimos de gente chata, panes indevidas, cheiros estranhos..... rsrsrs
Beijos e beijos!!!!!!

Geyme disse...

PS: Só descordo se vc culpar inteiramente a sexta-feira 13, pois em outras sextas, de outros números, tb sucedem as mesmas intercorrencias, salvo a mulher com dor de barriga, huauauauauaua
Amei!!!!!

Chica disse...

rssssssssssss....Que viagem essa,heim??Só faltou alguém descascar bergamotas no ônibus... muito legal a crônica,bem diveretida(pra ler!!),abração,linda semana,chica

Thiago Quintella de Mattos disse...

Mermão, eu já pensei, seriamente em acender um cigarro dentro do ônibus só para me solidarizar com o escutador de mp10000. Tanto fumar como ouvir alto som está com a proibição bem explícita em todos os trnasportes. Outra também, já participei de assuntos que as pessoas falam aos seus celulares, de tão alto que o colóquio desenrolava, todos os passageiros participavam. De nada adiantou a grande invenção do headphone pelo japonês fundador da Sony. Adoro o estilo que escreve! Abraços

pensandoemfamilia disse...

Olá Caca
Trágico / cômico. Seja na sexta 13 ou qualquer dia que seja, em viagem tudo pode acontecer, aliás onde tem coletivo tudo se espera, não é mesmo?
bjs.

Celina disse...

Oi cacá, uma semana de muita paz, Sempre procurei me livrar das surpstição, a minha filha mais velha tirou a carteira de motorista num dia treze de agoto, o horário estava vago e voltou alegre para casa com a aprovação. Agoro acredito em dias que tudo dar errado, sou teimosa vou até o fim, termino o dia cansada as minhas filhas dizem mãe vamos voltar amanhã,eu não aceito isso de dia da errado mais é a pura realidade. Um abraço Cacá. Celina.

lis disse...

Oi Cacá
Lendo o comentário da Geyme sobre horários perccebi que houve alguma pane com o texto do Bebezão porque aparecia no meu painel , clicava e nao entrava por nada rsrs pra mim só hoje ele apareceu! iclusive muito boa resenha , vou providenciar a compra desse livro já, rs antes que esgote.
Sobre coincidencias e dia 13 ,meu nnível de superstição é zero , nçao credito e nao tomo cuidados rsrs
mas que essa viagem foi medonha foi , cheirinho de mortadela em aviao é hilário, nao que eu tenha algo contra os salames ,mas faça-me o favor rs um lanchezinho bem "light" esse rsrs nas alturas!! , vai entender!!
uma linda semana , muitos abraços

Miriam de Sales Oliveira disse...

Eu n/ sei se chamaria de viagem insólita,meu amigo; acho q/ foi um pouco pior.
Mas,tudo acabou bem já q/ vc chegou em paz e o Bebê está crescendo e há de crescer mais q/ jogador de vólei.
Muito carinho procê

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