quarta-feira, 8 de junho de 2011

A POESIA DE PAULO ADÃO

AGRADEÇO A TERNURA E O CARINHO DE TODOS QUE SE SOLIDARIZARAM COM ESSE MOMENTO TÃO DOÍDO.   MUITO OBRIGADO A TODOS , AS PALAVRAS DEIXADAS NOS COMENTÁRIOS FORAM UM BÁLSAMO PARA MIM E PARA TODA A MINHA FAMÍLIA. NOS PRÓXIMOS DIAS PRESTO AQUI UMA HOMENAGEM AO MEU TÃO QUERIDO E ESPECIAL IRMÃO COM A POESIA DELE MESMO.
+ 24/02/1959  /  06/06/2011

CRONOLOGIA DE UMA PAIXÃO
 
Prólogo:

Corações vazios sem paixão
são fúteis, leves
travesseiros de penas
nada mais

Do contrário não, porque o amor não é leve, frugal
pesa feito chumbo no peito
o corpo o arrasta como corrente
atada ao pé de um condenado

Mas não é mau
estorvo
incomoda
por bem

horas antes:

Dois corações vazios se atraem
não é lei física. É emocional
também fecundam-se
procriação sentimental

O feto da paixão se avoluma
a cada compasso do coração
a gestação dos grávidos é aflita

Sintomas da realidade prenhe:
aos encontros e pensamentos
narinas expirando fortes suspiros
olhos faiscando centelhas de ansiedade e ternura

o parto:

A paixão foi súbida
a parição deu-se num beijo
comemoraram. Dançaram
suaram muito

O amor chegou inconfesso
mas não veio parvo
surgiu  de tal maneira grande
que tomou todo o espaço à volta
fez seu templo ali

O lugar era parco
o amor incontido
por isso sairam para o tempo
único lugar cabível


minutos depois:

Passaram inenarráveis
aos olhares de brilho mágico
à troca de energias
grandes descargas pelas mãos e lábios


Tal era o clarão das auras
que quem está nessa dimensão
vizinha dos que não amam
pode vê-los cintilar todo o éter

 primeiras palavras:

inoportunas, inúteis, injustificáveis e doces
a paixão devora as palavras como sanduiches
o silêncio é mais eloquente

confissão:

Ridícula como são os amantes
embaraçosa, mas emocionante
Paixão inconfessada fica pagã
vaga pelo limbo dos amores perdidos

encontros:

Clandestinos, todos!
a paixão era proibida e virou mércia
ficou madura demais
para a virgindade que tivessem
neste ato o amor penetrou por todos os orifícios

Apenas as paredes escutaram
os sussurros dos coitos galopantes
e os espelhos viram
a nudez linda dos corpos

Epílogo:

Já está no fim a história
mas o amor não cessa
uma vez a luz (deles) clareou o firmamento
mais claro que a aurora e viram o eterno

Então souberam
que o eterno
é a medida da intensidade
do seu amor

(PAULO ADÃO)

21 comentários:

Marli Borges disse...

Linda homenagem, Cacá!
Uma poesia densa, significativa.
Valeu!
Bjsssssssssssss

✿ chica disse...

Linda forma de o homenagear,Cacá .

Ficam suas poesias para sempre.

abraços, força por aí!chica

Celina disse...

Cacá, Paz para todos, Ele continuará a viver, atraveis das suas lindas poesias, pois o poeta e todos os artistas se vão um dia, mais a sua obra fica, versos são vida a pulsar no coração de quem ler. Um abraço amigo. Celina

Pandora disse...

Eu sempre tenho a impressão que os poetas conquistam para si uma porção de imortalidade, esses versos, eles nunca vão deixar aqueles a quem emocionaram!!!

Casal 20 disse...

Cacá, lindo! Gostei dessa maneira inusitada de montar o poema em cenas, como takes cinematográficos! Interessante, porque o Poeta assume a visão de diretor desse filme em palavras e nós, assistindo a tudo, somos levados pelos olhos da primeira cena ao desfecho. Parabéns!

Como disseram: o poeta permanece na poesia que fica.

Abraços sempre afetuosos.

Celêdian Assis disse...

Meu querido amigo, Zé!

Sei que nada é suficiente para aplacar a sua dor e de sua família, neste momento ainda tão recente. Sabemos todos que nosso grande remédio é o tempo e é com ele que aprenderemos a depurar as dores, posto que é com o próprio tempo que adquirimos sabedoria e discernimento. Mas chegará o tempo de cessá-las e substituí-las apenas por saudades amenas.

Deixo uma simples homenagem à memória do grande poeta Paulo Adão:

Na voz do poeta que se cala,
No brilho de um olhar que se apaga,
Na mão hábil que manejava a pena,
Na mente que projetava o coração,
No coração que se fazia vida,
quedou-se apenas a vitalidade,
mas não sucumbirá a alma do poeta,
que agora no silêncio,deixou legado
grafado em cada verso, sua essência
e em cada olhar que os vislumbre,
os brilhos do que foi o seu olhar,
para a vida, eternizado em poesia.

Meu grande abraço,
Celêdian

Flor da Vida disse...

É isso meu amigo! Assim Paulo está e estará sempre vivo, pois se eternizou através do seu carisma, sua luminosidade, e seus lindos e tocantes versos!
Aplausos mil a esta sublime e honrosa homenagem!!!

Carinhos pra ti, e beijos de Paz e Luz.
Suelzy

Sueli Gallacci disse...

Cacá, uma bela homenagem!

O poema "Epílogo", belíssimo, me fez arrepiar!

Olha que coincidência, essa frase: "Já está no fim a história mas o amor não cessa"

Escrevi mais ou menos isso no outro comentário antes de ler essa postagem! Quis dizer que as pessoas que amamos se vão, mas o amor fica!

Um beijo enorme, todo meu carinho.
Sueli Gallacci

Lúcia Soares disse...

Cacá, imagino o momento delicado de recolher os escritos do irmão que se foi.
Que o tempo amenize a dor e a saudade seja "boa".
Falei outro dia, em um comentário num blog, que com o tempo de perda de quem amamos fica uma saudade "boa" e uma pessoa retrucou que não existe saudade "boa".
Eu sinto uma saudade que não dói mais, do meu pai que se foi há 16 anos. E de tios, tias, avós, que se foram mas moram dentro de mim, mas já sem doer, apenas latente, sem ser "latejante" como nos primeiros dias.
Fiquem bem. O Paulo, certamente, está!
Beijo!

Yasmine Lemos disse...

Ele vive na poesia,o poeta não morre ,ele encarna nas nossas emoções antes saídas do seu peito.Linda e pura homenagem de quem ama.
abraços Cacá , seu irmão está em paz

Toninhobira disse...

Conheço de perto esta dor amigo e agora aqui com o livro dele nas minhas mãos fico repassando paginas vivendo esta emoção,sem palvras.
Deus cuida de todos voces ai e seu pai lá em Itabira.
Paz no espirito.

Néia Lambert disse...

Cacá, você prestou uma bela homenagem ao seu irmão. A poesia tem o poder de eternizar momentos e pessoas.
Deixo-lhe minhas condolências, um abraço.

Tais Luso disse...

Lindo momento; linda homenagem, Cacá.
Certamente seu irmão está recebendo momentos de carinho.
Um beijo pra você

Tais Luso

Paz e bem!

Aleatoriamente disse...

Cacá, a poesia de um poeta é sua alma e vice versa.
Por isso, acho que teu maninho, continuará em cada letra de seus poemas.
É como uma estrela no céu, cada noite ela brilha diferente e com maior beleza.
Teu irmão brilhará também nas suas poesias.
São estrelas eternas dentro do coração dos amados.
Algumas pessoas deixam suas marcas de maneira exclusiva e eternas.
Ele deixou nas palavras.
Bonitos poemas.
Coisa de poeta mesmo!

Um abraço bem apertado com muito carinho e amizade.
E que Deus conforte os coração de seus familiares.
Beijinho querido.
Fernanda

Mariana disse...

Cacá...eu não tenho palavras viú...gosto pensar que não morreu, só que se adelantó no caminho...
Receve meus carinhos de sempre.

Sônia Cristina disse...

E existe maneira mais linda de homenagear??
É como eu digo lá onde escrevo pro Santhiago.
"Eu escrevo para o seu pai viver mais". Paulo Adão estará sempre vivo através de sua poesia.

Paz e Luz!

Denise disse...

Tem histórias que não têm fim, e o amor não cessa, nunca.

O conforto virá das boas lembranças, e o tempo se encarrega de acomodar as emoções afloradas, que Ele conduza a todos com Sua imensa bondade.
Receba meu carinho e um abraço terno.

Renata Diniz disse...

Bendita, e bem dita, palavra escrita que torna eterna a vida de quem escreve. Palavras de trato agradável é a minha sensação de privilegiada por poder conhecê-las aqui através de sua bela homenagem ao seu irmão. Gostei muito. Abraços.

Djanira Luz disse...

Em sua lápide haveria de estar escrito "Aqui jaz um poeta. E dos grandes!" Bela poesia. Com essência e emoção. Agora ele escreverá poesias em outro plano, pois a vida, esta se renova! E nesta esperança desejo que você,querido José, volte a sorrir e compor também seus versos. Carinho das minha beijoquinhas. Dja

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