segunda-feira, 25 de abril de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - V. S. Naipaul

imagem google
“Na verdade, eu não sei como me tornei escritor. Posso citar algumas datas e alguns fatos de minha carreira. Mas o processo em si continua misterioso. É misterioso, por exemplo, o fato de a ambição ter vindo primeiro – o desejo de ser um escritor, ter essa distinção, essa fama – e que essa ambição tinha vindo muito antes de eu pensar em alguma coisa sobre a qual escrever.
Todo escritor sério tem que ser original; não pode se contentar em fazer ou oferecer uma versão do que já foi feito antes. E todo escritor sério, em conseqüência disso, torna-se consciente dessa questão da forma; porque sabe que, por mais que tenha sido educado e estimulado pelos escritores que leu ou lê, as formas combinavam com a experiência desses escritores, e não servem estritamente à sua...
O conhecimento ou experiência que um escritor busca transmitir é social ou sentimental; leva tempo, pode levar grande parte de uma vida humana processar essa experiência para compreender o que viveu; e requer muito cuidado e tato, assim, pois a natureza da experiência não se deve perder, não se deve diluir pelas formas erradas. As formas dos outros serviram aos pensamentos dos outros. Eu sempre me preocupei com esse problema da forma, do vocabulário, porque muito cedo compreendi que entre a literatura que eu conhecia e lia, a literatura que fertilizou a minha ambição, entre essa e minhas origens havia uma divisão, uma dissonância. E tornou-se logo claro para mim que não se trata simplesmente de imitar as formas.”
(V.S. Naipaul, Escritor britânico, Nobel de Literatura em 2001, no Jornal do Brasil, 1987)
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In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

30 comentários:

✿ chica disse...

Que lindo e tão simples esse depoimento do escritor.Legal! abração,linda semana!chica

Berzé disse...

Muito bom postar(como Vc vem fazendo)esses depoimentos dos escritores.
Berzé

Cronicando disse...

Eu também gostaria de ser um escritor. Gosto muito destas conversas com quem gosta de escrever.
Kenny Rosa

Beth/Lilás disse...

Bom dia, amigo Cacá!
Estive fora aproveitando o feriadão, em São Paulo, mas quero aproveitar ainda para desejar-lhe tudo de bom e renovador em seu coração nesta páscoa.
abraço carioca

Renata Diniz disse...

Bom dia Cacá! Eu não sei como aquele link apareceu no meu blog. Enquanto investigo, já o excluí. Obrigada por me avisar. Abraços!

Jaime Guimarães disse...

Na verdade, creio que se perguntamos para muitos escritores como - e quando - eles "se tornaram escritores" não saberão responder. Não admira, pois isso vem sabe-se lá como e acontece de modo surpreendente. Ele fala no estímulo por parte de outros escritores e isso é importante e, acho, fundamental.

Abs, Cacá! E o seu comentário lá no meu humilde e tosco blog foi brilhante, sobre o sistema estar "saturado"...não sei no que isso tudo vai dar, mas coisa boa, duvido...

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Uma arte tão sensível como a escrita realmente não tem receita pronta. Escritor..ou é, ou não é!


boa semana meu amigo!

Marli Borges disse...

Olá Cacá!
Muito bom esses depoimentos. A gente aprende muito.

Também penso como Naipaul. Para mim, a única coisa que posso transmitir é o meu exemplo, o que vivi. Mas isto serviu para mim. Servirá para o outro? Não sei. E isso sempre foi para mim motivo de preocupação, não no campo literário, óbvio, pois não sou escritora, mas na vida, na convivência social, na educação dos filhos e agora, dos netos. Não se trata simplesmente de dar exemplos a serem imitados e nem se trata simplesmente de imitar exemplos. No caso do escritor, ele deixa bem claro isso quando diz que compreendeu o motivo de ser escritor "não se trata simplesmente de imitar as formas.” Óbvio, a motivação é interna. Sempre foi.
Bjssss

Cynthia disse...

Olá, José Claudio.
A alma é algo maravilhoso, nem todos conseguem seguí-la. Esse texto coloca bem sobre escritor Naipaul.
Quando vc diz: Eu vivo me perguntando e procurando respostas na psicologia, na influência cósmica, afinal a mente humana para mim é mais misteriosa do que o próprio universo...
Através de um Virginiano, nenhuma surpresa sobre sua colocação. Adorei. Obrigada, abraço Cynthia

pensandoemfamilia disse...

Penso que vamos buscando uma forma de escrita que possa ser nosso espelho de experiências, mas enfim nem todos têm capacidade de se transformar em escritor.
Abços,

Vanessa disse...

Naipaul falou tudo. A busca por um estilo próprio persegue o autor. uma vez encontrado o estilo, encontrada a escrita.

Abraço

Mel Braga disse...

Cácá gostei muito do texto... que me faz pensar nos meus...
Ah... particularmente estou engatinhando... tenho tanto o que aprender da vida... da literatura...

A influencia que recebemos é inegavel, e diante dela criamos nosso próprio estilo... traçamos nosso perfil... eu acho importante ter ao menos um referencial e apostar também na própria pena...

Sabe Cacá, com a correria desse ano tenho escrito menos do que gostaria... e pior que não é por falta de inspiração, aliás ela é tão danada que resolve aparecer nos momentos mais complicados... por isso muita coisa acaba ficando no rascunho...rsss

Nos últimos tempos tenho trabalhado textos curtos, assim não se perdem e muitas vezes tornam-se ganchos para outros...

Muito bom passar por aqui meu amigo...sempre encontro algo interessante!!!

beijo grande***

C. disse...

Cacá, ainda bem que a emocao nao se pontua, assim consigo me expressar de alguma maneira...

Muito bom discurso desse prêmio nobel hein.

* Beijinhos de cá!

Sueli Gallacci disse...

Cacá, belíssima postagem!

Somos exatamente isso quando escrevemos: uma síntese de tudo que vivenciamos e experimentamos... Nossa história em capítulos, momentos que marcaram nossas vidas ficam nas entrelinhas de cada palavra, cada maneira de pontuar um texto...

Percebo agora, lendo esse texto que quando somos originais, contamos nossa história sem ao menos nos darmos conta disso.

Nunca tive a pretensão de ser escritora, gosto de compartilhar episódios, muitas vezes esdrúxulos, mas que fazem parte do meu dia a dia. Gosto de partilhar “as roubadas” em que me meto. De vez em quando surto e falo sério... rsrs.

Parabéns, amigo, bjobjo!

Amapola disse...

Boa noite, querido amigo Cacá.

O SEU LIVRO TEM UMA SINGULARIDADE QUE TORNA A LEITURA MUITO AGRADÁVEL.

Nesse blog, aprende-se muito!

Um grande abraço.

Leninha disse...

Oi Cacá!!!Gosto de suas postagens e já estou a seguir o seu blog há bastante tempo,até lhe falei que meu filho tbém se chama Cacá,lembra?
Eu,um dia,e lá se vão bons pares de anos,já cultivei o sonho de ser escrevinhadora...mas, o tempo passou,a vida tomou outros rumos e meu sonho se perdeu...
Hoje,do alto de meus 73 anos, começo,de novo a sonhar...e uso o blog para engatinhar em busca do sonho...
Venha me dar a honra de sua visita e,talvez até me seguir...
bjssss,Leninha.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Mistérios da escrita, este ofício e este apostolado. Lúcida reflexão!

Marcio JR disse...

Bom dia, Cacá.

Não sei se alguém "vira" escritor. Penso que isso já nasce com a pessoa, e é despertado e lapidado pelo tempo. Alguns, no entanto, passam uma vida inteira sem se aperceber do talento que têm.

E o Naipaul tocou num assunto muito interessante quando diz que todo escritor sério tem que ser original. Creio ser essa uma das maiores dificuldades nos dias de hoje. Tudo o que você imaginas, já foi feito, mostrado, inventado ou escrito, e buscar essa originalidade, por vezes, é muito complicado. É claro que há o que ser buscado, mas está cada vez mais escasso.

Perfeito, Cacá. Mais uma excelente conversa. Abraços.

Marcio

Celina disse...

Amigo Cacá bom dia , gostei muito da forma como foi dito o pensamento dele, de forma simples, clara e verdadeira. desejo tudo de bom a vc e aos seus, paz, saúde e as bençãos de Deus. Que meu abraço vã carregado de muita energia positiva.Celina

Sheila disse...

Olá Cacá, é interessante quando lemos as experiências dos outros aprendemos,e nos tornamos mais críticos .Beijos.

Denise disse...

Por estas e outras publicações suas, meu amigo, não poderia deixar de fazer esta indicação a você.

Espero recuperar o tempo para freqüentar o "Uai, Mundo?" com mais assiduidade. Sinto falta...
Beijo e carinho, meu amigo.

Aleatoriamente disse...

Gostei da forma que ele cita detalhadamente, cada passada para a escrita.
Acho que cada um tem seu dom, e quando este dom aflora é aquilo e ponto.

Amei Cacá teu texto.
Me diga, seu irmão e pai estão melhores?
Espero que sim.

Beijinho.
Fernanda

Sônia Silvino disse...

Oi, Cacá!!!
Grata pela tua participação no meu blog Patchwork!
Eu gostaria de escrever pelo menos um livro. Quem sabe...
Beijos meus!

Sabor de Pitanga disse...

Acho que o escritor nasce pronto e descobre/desenvolve isso com o correr do tempo e pelas leituras que faz pelo seu curso de vida!

A mim me parece que o único escritor (?) que se fez como milagre, foi o Paulo Coelho... rsrsrs

Foi na igreja do Menino Jesus de Praga que ele "pediu pra ser escritor"! "O Menino" bem que poderia ter evitado esse "milagre"...

Assim que retornar ao Brasil, quero ler voce, Cacá.

Meu abraco.

Néia Lambert disse...

Cacá, acredito que todos os escritores determinam, sem perceber ou sem querer, um estilo próprio, que será identificado, inicialmente, pelos leitores. Porém, penso que aqueles que escrevem fazendo uso das suas vivências, sejam boas ou não, dão mais sentido às suas obras.

Um abraço.

Celina disse...

CACÁ LÍ O TEU LIVRO NO MESMO DIA QUE RECEBÍ ADOOOREI. VC SABE COMO GOSTO DE CRÕNICAS E AS SUAS SÃO MARAVILHOSAS, QUE VENHA OS OUTROS. ABRAÇÃO CELINA

Miriam de Sales Oliveira disse...

Prefiro pensar como o velho Lobato :escrever é como fazer xixi; a gente deixa fluir os pensamentos ,libera a torrente de emoções.
Quando vejo pessoas cheias de firulas ,textos concebidos e burilados durante muito tempo, penso:
Escrever é isso?
Um trabalho de patchwork?
Pelo menos não é assim com meus livros.
bjks

JGCosta disse...

Dificilmente alguém que escreve não tem alguma fonte de inspiração, seja uma frase que ouviu ao vento, seja um texto, um vídeo, um evento casual.

E é por isso que se torna tão complicado, a meu ver, acabar criando um gênero diferenciado entre tantos estilos.

Eu ainda não consegui definir um estilo próprio, nem sei se algum dia conseguirei, mas as dicas de Naipaul são fundamentais.

Abraços renovados!

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