quinta-feira, 4 de novembro de 2010

RODEIO DAS GORDAS







Ontem era o dia marcado para morrer a iraniana Sakineh, mas me parece que a mobilização internacional em favor de sua absolvição está conseguindo lhe garantir uma sobrevida, não se sabe, no entanto, até quando. Continuemos a batalha. Vamos divulgar em todos os meios possíveis de comunicação rápida. Quem sabe não sensibilizamos os dirigentes do país para o fim dessa abominação contra o ser humano?

Eu sempre me refaço uma pergunta histórica sobre os casos de maldade extrema do ser humano: estamos piorando ou foi o desenvolvimento da tecnologia da informação que nos faz chegar rapidamente de qualquer ponto do planeta as notícias de que as coisas continuam como sempre foram? Desde uma época muito remota temos notícias de atrocidades que o ser humano vem cometendo. Só que muita coisa ficou restrita aos lugares onde ocorreu ou nos livros de história. Pouca gente, portanto teve acesso e tomou conhecimento. Mas há registros de arrepiar os cabelos desde a invenção da escrita. A pergunta, então continua no ar até que eu fique convencido do sim ou não por analogia com a modernidade ou pelo doutor Michael Stone do programa O ÍNDICE DA MALDADE, do canal Discovery.

Como no resto do mundo, no Brasil incomoda ainda mais por seu meu país e ter que conviver cotidianamente com situações tão repugnantes. Eu vi esta semana mais uma estarrecedora atitude de jovens universitários praticando um espetáculo de horror chamado de rodeio das gordas. Precisa explicar que esta humilhação também mata as vítimas por dentro? Dizem os dirigentes que vão apurar, para depois advertir, suspender ou expulsar os culpados. Isso basta?

 A mesma poderosíssima mídia que divulga as notícias, debate assuntos tais como violência e preconceitos, dá guarida em sua grade de programação a programas que fazem sutilmente apologia destes comportamentos abjetos, em nome da liberdade de manifestação e expressão. (No fundo, é muito mais em nome dos lucros que isso gera por causa do apego esquisito que a população em boa parcela tem por espetáculos sinistros e de extremado mau gosto).

Outra coisa que me intriga: desde o caso da menina da mini saia, passando por trotes violentos de levar a mortes e outras tantas abominações: estamos assistindo a tudo isso de dentro de instituições de ensino superior, em tese, berço dos filhos de nossa elite bem educada e letrada.

Acho que o rigor das leis pode aplacar a fúria dos insensatos mas não muda suas mentalidades. Pelo menos é isto que temos visto pelo mundo afora. A lei, no entanto, eu defendo que seja rigorosamente aplicada, senão vou confirmar muito mais rápido que o triunfo será da barbárie.

31 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Parabéns, meu querido Cacá!
Texto importante, necessário, indispensável!
Matéria para reflexão acerca da violência, que não podemos suportar mais.
Têm sido terrivelmente impressionantes os espetáculos de agressão aos direitos do homem, que temos visto.
É tudo muito lamentável!
E muito complexo, também...
Há uma inversão de valores muito grande, grassando o planeta, e isso é mola propulsora para a violência.
Muitas pessoas estão confundindo liberdade com outra coisa. Não estão sabendo que seus direitos vão até o ponto onde começam os direitos do outro.
Nota mil para você,Cacá!
Abraço, amigo!

Chica disse...

Também vi sobre esse rodeio e é o fim da picada. Mas em tudo há os dois lados.Por que elas se submetem? Medo?Não sei se é apenas isso...A violência está crescendo absurdamente em cada esfera de nossa sociedade e isso é o que menos queremos.Quanto à lei, bem sabes o que peno sobre elas...existem pra ALGUNS apenas...abração,chica

Marli Borges disse...

É isso aí, Cacá.
Mas, temos de começar por algum lugar. Já vimos que a mentalidade vai continuar assim, pois os jornais divulgam umas e outras, ou seja, dá ibope. Então, temos que percorrer outro caminho. E qual será? As leis. Talvez a partir daí, a mentalidade vá tomando outro rumo. Aliás, a lei é a mola mestra da mentalidade imperativa. Por isso que na minha postagem de ontem, incitei as vítimas a usarem a única ferramenta de que dispõem para recolocarem as coisas nos seus devidos lugares: o processo. Sem lei, não há processo e sem mentalidade, não há lei. É uma engrenagem, nenhuma pode falhar. Parabéns pela crônica. Bjssssss

Yasmine Lemos disse...

Opinião pessoal : acredito que a tecnologia, (internet e seus etc...) contribuiram para a caída de muitas máscaras, o mau caratismo e a crueldade são uma das piores características da maioria desta geração "iphone".
Acho a humilhação uma covardia , são pessoas na verdade que tem vergonha delas e se vingam em outras por pura infelicidade.
abração!

CESAR CRUZ disse...

Bom tema, Cacá! Bem, acho que posso responder à sua pergunta lá do início. A resposta é não. Hoje a humanidade não é tão violenta como foi na antiguidade humana (nas várias eras e épocas). Hoje o Homem é de fato mais civilizado, isso no aspecto geral, médio. Claro que ainda existem "guetos" de barbarie, e muitos deles estão no Oriente Médio, porém, não podemos esquecer que na Idade Média, por exemplo, a Europa inteira estava imersa num sistema de brutalidade estatal, se é que podemos batizar assim. Pessoas, aos montes, eram decapitatadas, incendiadas vivas, cortadas ao fio da espada, divididas ao meio, esmagadas em artefatos próprios para torturas atrozes... e tudo isso era parte daquele sistema perverso.

Uma avaliação há de ser feita: sempre que o Homem faz coisas aos outros dizendo que Deus o mandou fazer, pode apostar, são bestialidades inomináveis. Pobre de Deus!

Abraços
Cesar

Eliana disse...

Bom dia poeta. Vim, vi e gostei. Vc como sempre atualíssimo em suas reflexões. Mas amore, cadê as receitas??????? Todo cozinheiro de plantão é bom de garfo e guarda receitas maravilhosas. Bjs em seu coração. MIRAH.

lis disse...

Oi Cacá
Lamentável em tempos modernos ainda termos que conviver com aberrações desse nível.Tanto o caso da iraniana quanto o das gordas.Pra mim novidade, ainda nao li a respeito e prefiro ficar com a sua informação.
Tenho me indignado tanto e em vão rs
Não sei é até onde iremos .
É sempre bom falar a respeito.
grande abraço

Isadora disse...

Cacá, uma execelente crítica. Quanto a iraniana, oro para que não só consigamos postergar esse ato abusrdo como fazer com que nada aconteça. Precisamos tentar.
Com relação ao que vemos acontecendo, em nosso próprio País, só posso pensar em como temos pessoas doentes, com valores distorcidos. Uma punição é muito bem cabida. Quem sabe assim, conseguimos alertar a população para tanta barbárie.
Um beijo

Mari disse...

Oi Cacá...

Sem dúvida nenhuma eu faço minhas as suas palavras.
É triste mesmo vermos tantos absurdos acontecendo e tão pouco sendo feito. Às vezes eu penso o que poderia fazer para mudar tudo que me entristece? E então concluo que isto que fazemos aqui na blogosfera...já é um começo!
Um beijo

pensandoemfamilia disse...

Esse texto traz questões fortes e que não têm tido uma ação justa correspondente.
omo a Chica apontou em seu comentário, "tudo tem dois lados". Penso que a baebarie é uma característica forte na humanidade, desde sempre, e fico a me perguntar: Como vai a civilização??? Por onde anda a humanidade???

DEVA disse...

Eu ia no Interunesp. Não fui por pouco. Fiquei sabendo depois dessa história deplorável. Um amigo meu de engenharia biotecnológica, sala na qual estudam os acusados por essa barbárie, diz que há muito mais pessoas envolvidas.

Responsabilizaram alguns, a maior parte saiu ileso. O absurdo foi combinado e amplamente apoiado por alunos de vários cursos.

Acho que é verdade quando dizem que os homens quando estão em grupos, ‘bandos’, se transformam em bestas. Uns encontram nos outros o consentimento, a sensação de superioridade. E mesmo quem se opõe em seu íntimo, mas manifesta isso de uma forma fraca, talvez por medo, ou por não querer se envolver, tomar a dor do outro, tem sua força engolida pelo grupo. E acaba por ser conivente.

Realmente triste que isso aconteça em qualquer parte. Mas preocupante que aconteça entre jovens que estão ali nas faculdades que formam a força de pensamento, de tecnologia, entre os futuros empresários, jornalistas, médicos, advogados, políticos, juízes de nosso país.

Obs: Peço permissão para postar seu texto no blog.

Beijos
Deva

Silviah Carvalho disse...

É, "Para que o mal triunfe, basta que o bem não faça nada".
Muito bom é um texto não só para refletirmos e, sim para agirmos.
parabéns, Cacá não te encontro mais no recanto, você saiu de lá?
ou mudou de nome?
bjs.

Toninhobira disse...

Pois é amigo este nosso país tambem está passando por todas estas barbaries cada vez mais latente.Devemos repugnar toda forma de humilhação e opressão.Hoje circula pela net, um video com varias afirmativas retiradas de sites de relacionamento, com um baile de xingamento xenofobo, contra os nordestinos pela vitoria do indicada pelo Lula, pois pois seria qualquer um o indicado a vencer.Então estas coisas deveriam ser condenadas, pois criam uma especie de guerra social.Boa sua cronica para esta reflexão.Um abraço amigo e muita paz.

Richard Mathenhauer disse...

Seu texto nos convida a refletir: futuros médicos, advogados, professores etc. tem a escusa de "errar" por serem universitários? Que profissionais serão? Como ir a um médico que um dia, por empolgação de juventude, humilhou e violentou a dignidade de alguém por seu biotipo?

Quanto a iraniana, participei do abaixo-assinado. Dificil falar sobre uma cultura diferente da nossa, mas é fácil dizer: quem aperta a mão de um homem como Ahmadinejad não merece nosso respeito (porque a nossa cultura abomina pactuar com assassinos, ainda que por cultura).

Grande abraço,

Denise disse...

Olá, Cacá.
Estou vindo do Tantos Caminhos, embora já o tenha encontrado comentando em alguns blogues amigos. Teu texto que a Isa postou é reflexo da observação dos comportamentos dos nossos jovens, que ganharam espaço num mundo que gerou confusão sobre o que seja viver com liberdade. Gostei e vim te visitar, encontrando outra reflexão forte...que me faz pensar na agonia de Sakineh, imaginando a cada passo que ouve, se a estão vindo buscar...será que ela não pensou em algum momento, que a esta tortura, a morte dá fim!?...
Sempre que puder, vou passar por aqui.
Um abraço!!

Celina disse...

Oi cacá bom dia , paz para vc, lí a tua crõnica, é amigo vc tem razão, é preciso que alguem fale denúncie, o importante é não calar, é como se fosse o veneno e o antídoto, que a impresa e as pessõas de bem como v seraõ sempre bem vindo. Um abraço carinhoso, Celina

Lúcia Soares disse...

Sempre é bom falar desses assuntos que nos indignam. Melhor do que calar-nos e deixar que aconteçam.
Há tantas notícias estarrecedoras, que ninguém comenta, porque são assuntos aos quais (pensamos) não temos como ajudar. Claro que quanto mais se falar, mais seremos ouvidos.
A mídia tanto pode ajudar, quanto prejudicar.

Cacá, obrigada por seu carinho no meu momento difícil. Alguém que entrou há pouco tempo em minha vida (através do blog) e se mostrou educado, gentil, atencioso.
Isso nunca se esquece. O amigo que tem sempre uma palavra quando precisamos.
Deus o abençoe.

Conexão CD disse...

Oi Cacá
Sempre me delicio muito com o que você escreve. Do político ao poético, tudo é delicioso.
Explico aqui o psicoclautro. Trata-se de uma internação que vivi em 2007, que produziu mais de 60 crônicas e que eu aos poucos vou tendo coragem de postar. Chamo o lugar onde fiquei de psicoclaustro - é mais poético que Hospital Psiquiátrico.
Graças a ele comecei a escrever para, como você sabe muito bem, ver e dominar a partir das letras, a dor claudicante que nos aflige por dentro.
Um Abraço

Sheila disse...

Oi Cacá lamentável, cenas vistas diáriamente nos meios de comunicação. Espetáculos de humilhação, de degradação da juventude, a falta de respeito entre os jovens,que deveriam estar colocando como exemplo a educação e os princípios básicos da vida.Que são amar e respeitar ao próximo como a si mesmo.Beijos.

Maria disse...

Amigo, como sempre uma narrativa brilhante.
Desde crianças deviamos compreender a importância de respeitarmos os outros, mas penso que cada vez mais se vai perdendo essa atitude.
"A primeira coisa que um ser humano deveria aprender é a diferença entre o bem e o mal, e jamais confundir o primeiro com a inércia e passividade. "
( Maria Montessori )
Tenha um bom Domingo e uma excelente semana
beijinhos
Maria

Lisa Alves disse...

Excelente texto. Creio que a facilidade que temos de nos informar sobre o "outro lado do mundo" fez com que casos como o da iraniana sensibilizasse o ocidente. No entanto nossa sensibilidade morre ao depararmos com as pessoas que matamos sutilmente por aqui. é horrivel assistir os direitos humanos serem esmagados pelo "fundamentalismo", porém somos tão fundamentalistas quanto a barbarie de lá. Lá eles arracam seu olho, tiram sua vida, esmagam sua liberdade, aqui usamos uma arma bem mais potente: a indiferença, o descaso, o comodismo. Como já disse alguém um dia quando ouviu um capitalista falando mal do comunismo: " Os comunistas comiam criancinhas e os captalistas matam-nas de fome". Abraços meu camarada!

Chica disse...

Cadê tu,sumido??? Um abração,tudo de bom,chica e linda semana!

Miriam de Sales Oliveira disse...

Cacá,a história da moça iraniana me repugna e me comove;tal atitude de apredejamento das mulheres faz parte da cultura(?) judaica e da sharia islâmica.Lembra q/ Cristo intercedeu pela adúltera?
Infelizmente,no nosso mundinho tecnológico parecemos burros ajaezados de veludo,pois apesar de tanta tecnologia,continuamos animais bárbaros;apenas substituimos a lapidação pela calúnia,pela disseminação de boatos,pela desonra.E por estes absurdos de rodeios das gordas e BBBs e outros iguais.Como dizia Lobato,ele mesmo tendo seus livros proibidos pelos nossos "çábios";"n/ há limite p/ a estupidez humana." bjs

Cantinho do Neno disse...

oicacá vim aqui mas tu não tinha trocado o texto mas aproveito que estou aqui e boa semana bjs neno

Tais Luso disse...

Realmente este tipo de coisa está se alastrando pelo país inteiro e, principalmente em universidades, onde os futuros bacharéis deveriam dar o exemplo de maior integridade. Olhe só o preconceito! E daí... Como vão ficar as coisas? Na mesma? Estes serão os nossos advogados, médicos... Chegará o dia em que estas coisas, por ficarem impunes, se repetirão tanto que nada mais nos surpreenderá. Eta país... Não toma jeito!

Beijos / Tais luso

Mari disse...

Oi caca...

Estou estranhando sua ausência.
Tá tudo bem?
Dê notícias!
Beijos

Arisson O grande disse...

Hehehehehe...
Também escrevi um texto sobre esse tema grotesco...
http://evolucaodecrescentetextos.blogspot.com/2010/10/rodeio-das-gordas-segura-essa-peao.html
Abraço, amigo...

Arisson O grande disse...

Um tema polêmico no qual não há como não ficar estressado... Bom texto... Eu tinha lido, mas não deixei comentário na hora... Voltei pra deixar meu registro... Hehehehehehe...

Pâmela disse...

Eu resumiria a "brincadeira" de mau gosto como uma grande crueldade, capaz de ser cometida apenas pelos próprios seres (ditos)humanos...

Também escrevi um texto sobre o assunto, onde defendo que, apesar de tudo, o episódio vem em boa hora para repensarmos um pouco nossos próprios preconceitos e o modo como cultuamos a magreza em nosso tempo. Para quem achava que bullying era coisa de escola primária, os marmanjos universitários provaram que maldade, preconceito e discriminação existem em todas as fases da vida. Mas provaram, principalmente, que a crueldade humana não tem limites.

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