sexta-feira, 18 de junho de 2010

TORMENTOS MEUS

“Tem dias que fico pensando na vida e sinceramente não vejo saída. Como é, por exemplo, que dá pra entender, a gente mal nas, começa a morrer. Depois da chegada vem sempre a partida, porque não há nada sem separação. Sei lá, a vida tem sempre razão.” Vinícius de Moraes




 
É um estado permanente de angústia o tal ato de pensar. Tem horas que acredito como se estivesse sendo subtraído de toda a minha fé humana que quem se habitua a pensar pouco vive mais contente. Eu quero dizer do ato de refletir e ficar buscando coisas onde elas não estão, procurando uma equação sem resultados exatos mas com alguma fórmula para desencaminhar o mundo, desconstruindo-o e fazendo algo mais habitável em seu lugar. Não posso falar mal das pessoas que não refletem, afinal elas pensam. Refletir e pensar, para mim tem sinônimos de ver e não observar detalhes nem absorver o impacto da visão. Mas é que eu acho que a grande maioria pensa estritamente o que é necessário para se diferenciar como seres superiores do reino animal. Ou seja, colocar o cérebro para garantir uma vida boa e resignada, indignada apenas com o que vem de fora incomodar. Acredito que os animais pensam. Eles não têm é a faculdade da reflexão que ultrapassa um condicionamento, um mecanicismo no agir como os domesticados através de um sistema de recompensas. (Fez certinho, foi recompensado). O que vem de dentro “é coisa de filósofo, de existencialista, de gente que não precisa ganhar o pão com o suor do rosto.” Até parece! Penso no futuro e vejo que é algo que se tornou absolutamente coisa do passado, passado esse que já não serve para mais nada a não ser causar riso medíocre em quem só pensa que o presente é tudo o que existe. Tem muita gente que acha que recorrer ao passado é sucumbir ao indesejado envelhecimento. Coisa mais velha esse pensamento! Melhor fica sendo não construir nenhuma história nem saber que ela é o esteio de um indivíduo, que, por sua vez está intrinsecamente ligado a uma civilização inteira. É bom que assim nada muda. Ou talvez tudo mude para permanecer como está. O fantástico mundo das permanentes aparências em que vivemos. O senso comum é muito pobre e preguiçosamente autodestrutivo. Sempre virá algo com roupagem nova e com velhas estruturas revigoradas como se fosse revolucionário. E ele costuma chamar essas novidades de evolução. Mas que importância tem mesmo? Só tem importância para quem resolveu dominar economicamente, politicamente, socialmente e culturalmente. O resto pode deixar todo mundo à vontade. Deixar que as grandes discussões se dêem na escolha da melhor forma de aparecer nas ruas e lugares onde se possa ser visto. Deixar à vontade para que a aparência física seja a própria história de vida e tudo o que é necessário para a sua manutenção “nos trinques” ocupe o pensamento. Inclui-se toda a indumentária, cosmética e patrimônio imóvel e móvel que se puder juntar. Pra quem se dá ao penoso hábito da reflexão, encerro com Paulinho da Viola, um músico filosófico: “Tendo no rosto, no peito e nas mãos uma dor conhecida, vivemos, estamos vivendo. Lutando pra justificar nossas vidas.”



5 comentários:

Chica disse...

Coastumamos pensar muito e acho que isso é importante.Linda!abração,chica

Mulher na Polícia disse...

Pensar não é muito prático às vezes, Cacá... Por isso que Nietzsche dizia: "A vida mais doce é não pensar em nada".

...
Estou pensando, ainda.

Beijos!

M. Sueli Gallacci disse...

Maravilhosa reflexão!!!

Ah! se tão somente eu soubesse transformar em palavras tudo que sinto, como vc faz tão bem e com tanta propriedade...

Grata pela visita e pelo comentário.

Só estranhei o fato de vc não aparecer no meu quadro de seguidore.
Volte lá, se possível, e veja.

Gde Abço!

Celina disse...

OI AMIGO, UM FINAL DE SEMANA BEM LEGAL PARA VC, DEVEMOS SIM PENSAR, MAIS SÓ O NECESSÁRIO, NÓS POR MAIS QUE NOS ESFORÇAMOS,NÃO VAMOS ENTENDER TUDO, PORISSO AMIGO, A VIDA SEGUE O SEU CURSO. AS COISAS DO PASSADO SE REPETEM, COM OUTRA ROUPAGEM AS VEZES MAIS SOFISTICADAS MAIS É SEMPRE AS MESMAS COISAS ,PODES CRER. UM ABRAÇO CARINHOSO CELINA

Jaime Guimarães disse...

Grande Cacá, esse sim, camisa 10, diferente do outro Kaká! rsrs

Então, essas reflexões são necessárias. E muitas viram literatura. Como você faz aqui. Como Camus fez. E Dostoievski também. Sem falar nos grandes filósofos.

"O senso comum é muito pobre e preguiçosamente autodestrutivo." Ás vezes tenho vontade em simplesmente me deixar levar pelo senso comum. É assim que o mundo segue o seu fluxo e estou no contra-fluxo. Não deveria ser assim e por pensar e refletir sobre essas coisas é que vem o estado de angústia, de desconforto.

Pelo senso comum é mais fácil. Mas quem disse que eu quero facilidades? Talvez no dia em que eu me cansar.

Abs, mestre!

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