segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Mário Quintana

“Os clássicos escreviam tão bem porque não tinham os clássicos para atrapalhar.”
(Mário Quintana, escritor gaúcho)
In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.



“O sofrimento dos poetas é muito relativo. Pois se um poeta consegue um dia expressar as suas dores com toda a felicidade – como é que poderá ser infeliz? Camões, o velho Camões que o diga – com suas imortais penas de amor. Suas felizes penas de amor!”
(Mario Quintana, Na volta da Esquina)
In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.



As Trinta Linhas

“Um dia Álvaro Moreyra, já avô, contou-me que seu pai ainda lhe dizia: “Mas Alvinho, por que tu não escreves coisas de mais fôlego?” E ele, espalmando as mãos, num gesto de desculpa: “Mas eu não tenho fôlego, papai...” Depois dessa história, eu não precisava dizer mais nada. Contudo, não me sai da lembrança um professor do meu tempo de ginásio que, ao dar-nos o tema para a redação de português, dizia: “Não adianta escreverem muito, meninos, porque eu só leio a primeira página; o resto eu rasgo.” E assim nos dava, ao mesmo tempo, a primeira e melhor lição de estilo, obrigando-nos a reter as rédeas de Pégaso e a dizer tudo (que, aliás, não podia ser muito) nas trinta linhas do papel almaço, contando título e assinatura. A ele, pois, ao saudoso Major Leonardo Ribeiro, a minha gratidão e a de meus leitores.”
(Mário Quintana, Prosa e Verso)
In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

imagem: lunaeamigos.com.br


“Mas para que interpretarem um poema? Um poema já é interpretação.”
(Mário Quintana, Na volta da Esquina)
In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

20 comentários:

Chica disse...

Trazer e conversar com Quintana foi maravilhoso.Aprendemos muito com ele.Ótimo! abração,chica

Georgia disse...

Cacá, muito boa essa conversa e mais ainda como ele responde sobre a interpretacao.

Eu sou fa da Sonia Sant'Anna.
Já li quase todos os livros dela. Só me falta Memórias de um bandeirante.

O meu preferido? Difícil de dizer. Mas adorei o seu mais recente livro
"Degredado em Santa Cruz". É simplesmente fantástico. Já leu?

Deixo aqui o link dela:

http://www.soniasantanna.com.br/livros.htm

Também quero te convidar a visitar um novo blog aqui na blogsfera. A nossa amiga Chica já passou por lá e conto com a tua forca para apoiar essa amiga que está surgindo com um sabor delicioso de Pitanga.

http://sabor-de-pitanga.blogspot.com/


Passe por lá.


Boa semana

Abracos

Amapola disse...

Bom dia, querido amigo Cacá.

Que postagens maravilhosas, menino!!
Amei tudo, e adorei o professor dizer que iria ler só a primeira página e rasgaria o resto"
Está faltando bons professores assim.

Obrigada por compartilhar.

Um grande abraço.

Diogo Didier disse...

Gostei!

É sempre bom ler a opinião abalizada de alguém como o Quintana...a riqueza das palavras dele são de um aprofundamento ímpar.

Valeu Cacá! bjoxxxxxxxxxxxxxxx no coração!

Georgia disse...

Cacá, querendo volte lá no O que elas estao lendo, pois a autora apareceu por lá e nos deixou um comentário.

Abracos

Anônimo disse...

Quintana é brilhante ...é triste saber que existem jovens que desconhece a existência de um grande homem como ele.


abraços

Hugo de Oliveira disse...

O comentário acima foi meu, porém não sei o que ocorreu que sair como Anônimo.


Hugo

pensandoemfamilia disse...

Como é bom conversar com quem gosta de escrtever, adoro Quintana, ontem usei uma fe suas falas nomeu post, e, por outro lado, estou também sempre por aqui.
Abços

Celina disse...

Oi Cacá, tudo de bom para vc, agradeço a visita e o comentário. E bom conversar com quem sabe das coisas,, alem de interessante é cultura, gosto muito do geito que vc conta para nós. Abraços Celina.

Jaime Guimarães disse...

Cacá, não sei se você já viu uma série de livrinhos de bolso da L&PM chamada "Viver e Escrever"...procure-a, se é que você já não tem esses exemplares. São depoimentos muito legais de gente como Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Moacyr Scliar, Marcos Rey, Plinio Marcos...

Tratam-se de entrevistas e depoimentos muito interessantes destes e tantos outros escritores sobre o ato de escrever, suas técnicas, suas memórias, uma fofoca aqui e ali...rsrs

Um abraço!

Toninhobira disse...

Sensacional esta série e com Quintana não há o que falar muito,é mesmo ler num folego só.Meu abraço de paz.Lembro das redações de 30 linhas na folha de papel almaço, eita sofrimento aquele.

Lis disse...

Oi Cacá
É um deleite conversar com Quintana
mesmo que doa.
Esse ultimo fragmento me vem sempre quando leio um poema e nao sei interpretá-lo.Mas pra que né?
basta senti-lo , apalpá-lo ...
obrigada pelas belas escolhas
adorei
abraços

vou aguardar anciosa.

Denise disse...

Estamos perdendo o papel e a caneta, mas as palavras jorram nas páginas em branco de editores de texto...que sejam imortais, como foram/são nossas referências literárias...pra quem gosta de ler como eu, como é bom ter quem gosta de escrever, como eles!!

Muito interessante Cacá, nossas gerações vieram de um tempo em que ler era prazer. Torço pra que meus netos se interessem, o pequeno terá uma estimulante oferta de livrinhos.....rsrs

Uma ótima semana.
Bjos

Miriam de Sales Oliveira disse...

Agora,então,querido,nos tempos do download e do twitter,ainda se lê menos;verborrágica pela própria natureza ,se vc correr os olhos pelos meus primeiros textos do RL,verá que aprendi muito c/ o Twitter.Diga tudo o q/ for preciso em 140 palavras,O resto é titica de cachorro. rsss
Bjks não economizadas

JoeFather disse...

Fantástico!

Poeta é assim, dá um espirro e o torna uma obra prima!

Grande abraço e parabéns pelas citações admiráveis!

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