segunda-feira, 7 de novembro de 2011

HOSPITAIS, REMÉDIOS, INFECÇÕES E OUTROS AIS

Primeiro foi o meu irmão com um câncer no início deste ano. Com prescrição para quimioterapia recomendaram-lhe um remédio de uso doméstico de última geração ao preço de 500 reais cada comprimido (28 por mês) e o resultado dele foram apenas os efeitos colaterais, que mais se assemelhavam a uma sessão de tortura física. Minha suspeita é de que ele tenha sido uma cobaia de um medicamento novo na praça. Pesquisei sobre o remédio na internet e não vi um relato sequer de alguém que tenha se valido dele para a cura ou para um freio no progresso das células cancerígenas. No mais, ele sofreu todos os efeitos devastadores possíveis e inimagináveis antes de falecer dois meses após iniciar a quimioterapia. A anamnese não é mais levada muito em conta diante da gama imensa de medicamentos disponíveis. Médicos diferentes não tem a menor cerimônia em irem modificando o que o anterior prescreveu. Não costumam levar em conta nem o que um medicamento pode causar de novos males e nem se você tem condição de adquirir hoje e jogar fora amanha e adquirir outro e mais outro e mais outro. Li no site do Drauzio Varella que, para cada medicamento há outro para combater os efeitos danosos que ele causa no organismo. Uma bola de neve sinistra. 

Agora, o meu pai num procedimento médico de baixo risco (elevou-se um pouco por causa de sua avançada idade), com uma saúde geral bem boa, é vítima de uma infecção hospitalar fulminante e cujo controle a gente vê os hospitais anunciarem com muita pompa mas com pouquíssima efetividade nas ações de prevenção por parte de seus funcionários e de seu funcionamento interno. 

Eu acho excelente a idéia de cortinas que abrem com controle remoto, ar condicionado nos quartos, TV a cabo com dezenas de canais, frigobar, leitos que giram até 360 graus e reclinam como camas contorcionistas, banheiros adaptados para todas as necessidades de pacientes e acompanhantes, assistência nutricional, psicológica, espiritual, mas não encontro nenhuma efetividade para o tratamento humano de saúde quando vejo pessoas carregando lixo nos mesmos elevadores que transportam pacientes, enfermeiras que entram nos quartos para dar remédios, trocar curativos ou aplicar soros nos pacientes e não tem o cuidado sequer de fazer assepsia nas mãos ou usarem luvas, por exemplo. Isso é o que pude constatar acompanhando os dois que agora descansam imunizados pela morte.




“Mesmo com minhas mãos querendo torturar, esganar,  trucidar, meu coração fecha os olhos e, sinceramente, chora”
(Fado Tropical – Chico Buarque)



29 comentários:

✿ chica disse...

Isso tudo é mesmo incrível,Cacá! Tivemos sorte agora com o Franco de no hospital ter todo o cuidado, mas não é o comum. Mesmo aquele entra e sai no centro cirúrgico, coloca /tira/ sapatilhas e chapéus. não são por todos funcionários observados.

Uma pena e até quando...

Desejo que tenhas força pois foi uma barra esse ano,heim?

abração,chica

Ma Ferreira disse...

Cacá não sei nem o que comentar.
Primeiro mes sentimnetos pelas suas perdas.
Eu quase morria tres anos atras por ter momado uma medicação que não podia.
Isso porque passei por dois médicos antes de tomar a tal medicação, por que lia a bula.

Mesmo assim, me deram sinal verde
e eu tive uma segunda trombose.
Valor da consulta do segundo médigo:400 reais.


É orar e vigiar..mesmo assim...

bj..seja forte amigo!!

Misturação - Ana Karla disse...

Também não sei nem o que dizer senão concordar.
Lamentável toda essa situação, onde muitos simplesmente fecham os olhos.
Um abraço forte Cacá.
Xeros

pensandoemfamilia disse...

É uma triste realidade. Hoje temos muito medo de precisarmos ser internados, pois não temos uma proteção às infecções hospitalares devastadoras. Imagino o seu pesar, a sua dor.
Lamento.
bjs

Toninhobira disse...

Pois amigo,a coisa está cada vez mais sem controle como voce bem relata e aos olhos nus podemos ver tais atos relapsos.Perdi um irmão com 33 anos vitima desta coisa,quando estava lá para tratar de ma pancada no femur.
E ai como bem ilustar,Sinceramente meu coração chora.
Força irmaozinho.
Meu abraço de toda paz e luz nos seus dias.
Vida que segue.
E que descanse em paz pelo tanto que fez e representou naquela cidade e na vida de todos voces.

Mulher na Polícia disse...

Cacá,

Me resta lamentar e oferecer o ombro. O que a gente pode fazer é divulgar o nome desses médicos e hospitais, né?

Também seria legal se um site divulgasse um runking dos bons médicos e suas especialidades.

Mas o que o pobre pode fazer se não é ele quem escolhe o médico?

É muito triste e lamentável, tudo isso.

Um beijo e um ombro todo seu.

Valéria disse...

Oi Cacá!
Seu desabafo é totalmente pertinente! Os hospitais , os seus gestores não preparam mesmo os funcionários e vemos tudo isso demais. A Chica teve sorte certamente. Aqui vi muito este despreparo quando minha nora deu a luz há poucos dias. É triste presenciarmos isso tendo que pagar duplamente para ter um atendimento no mínimo decente.

Lamento a fase pela qual você está passando! Força!
Abração!

Lúcia Soares disse...

Cacá, o maior bem que temos é a saúde. Seu irmão adoeceu e se foi. Mas perder o pai por um descuido do hospital...é mais doloroso ainda!
Espero que a família se recupere das perdas com mais força e garra para lutar por uma medicina melhor, mais jsuta, mais barata, mais humana.
Abraços!

Mariazita disse...

Cacá
Perante a sua descrição fica como qe um nó na garganta e as palavras desaparecem.
Sim, o que dizer perante tal testemunho?
Em Portugal as coisas não são melhores do que aí, e, se há uns hospitais melhores que outros, todos têm os seus defeitos.
E não é nada raro os doentes internados contrairem outras doenças, (para além da sua própria) devido aos poucos cuidados de higiene.

O meu abraço de solidariedade e
Beijinhos

CESAR CRUZ disse...

Poxa, Cacá! Um artigo fortíssimo e verdadeiro. Poderia estar na última capa de qualquer revista de grande circulação. Pura realidade.

Isso sem falar nos médicos que andam pela cidade, na padaria, na garagem, onde for, com o mesmo jaleco que usam para entrar nos quartos hospitalares e encostar a pança nos leitos de doentes fragilizados.

Lamento pelo seu pai, muito.

abço grande
Cesar

Flor da Vida disse...

Sabe amigo, o que mais me tortura na partida de minha mãezinha é exatamente isso... Ela já estava bem recuperada quando pegou uma infecção hospitalar, e quanto a isso ela não teve forças pra vencer... Portanto entendo seu grito de horror, de revolta e de dor...

Mais uma vez lhe deixo um silencioso e solidário abraço.

Carinhos mil.
Beijos de Luz e Paz

otilia cristina disse...

BOA NOITE CACÁ

PRIMEIRO SINTO MUITO PELA PERDA DO SEU PAI. PASSEI POR ISSO A 15 ANOS ATRÁS E ATÉ HOJE,PRA MIM É DIFÍCIL FALAR .QUANTO A MEDICOS,TRATAMENTOS E HOSPITAIS HOJE AQUI EM CASA ESTAVAMOS NA MESMA DISCUSSÃO...MINHA MÃE TEVE UM DESCOLAMENTO DE RETINA A SEIS ANOS ATRÁS E JUNTO DELE LOGO DEPOIS UM GLAUCOMA ...CORREMOS A TEMPO E CONSEGUIMOS AO MENOS SEGURAR PARTE DA VISÃO DELA.MAS DE 6 ANOS PARA CÁ TEMOS UMA VIA CRUCIS A UMA CIDADE QUE FICA 100 KM DA MINHA E CADA VEZ QUE VAMOS AO MÉDICO O QUE PEDEM SÃO EXAMES QUE O PLANO DE SAÚDE DELA QUE É UM DOS MELHORES NÃO COBRE .ENTÃO EU E MINNHAS IRMÃS JA ESPERAMOS TODAS AS VEZES O ASSALTO SRSR ..DESTE ULTIMA VEZ MES PASSADO EU ESTAVA COM ELA E O MEDICO VIROU PARA NÓS E DISSE
VAMOS FAZER A APLICAÇÃO AMANHÃ É SÓ MARCAR

DESCI NO LUGAR QUE MARCARIA A TAL APLICAÇÃO E A MOÇA ME DISSE MUITO CALMA.

SÃO SEIS MIL REAIS...

SABE E AINDA FOMOS AVISADOS, CASO ESTE PROCEDIMENTO NÃO DESSE CERTO O OUTRO SERIA NOVE MIL REAIS

HOJE CONVERSANDO COM MINHA IRMÃ, POIS VOLTAREI LA NA SEXTA FEIRA EU DISSE.

ESSE PESSOAL VIVE DISSO. É O TRABALHO DELES O GANHA PÃO ..E SINCERAMENTE CACÁ EU NÃO ACREDITO EM OLHAR DE AMOR DE MÉDICO QUANDO SE TRATA DE DINHEIRO SABE?
TUDO BEM QUE CUIDAM QUE ZELAM, MAS VAI LÁ SEM GRANA E SEM UM PLANO DE SAÚDE E VE SE É TRATADO COMO OS QUE TÊM.

ESTAMOS CANSADAS, POR QUE VAI SER MAIS E MAIS EXAMES E QUE A VISÃO DA MINHA MÃE NÃO VAI SAIR DO QUE ESTÁ, MAS COMO VAMOS DEIXAR DE FAZER OS PROCEDIMENTOS SE ELES OS MEDICOS GARANTEM QUE É PRECISO?
OLHA TENHO UM FILHO DE 25 ANOS QUE FOI MUITO DOENTE E EU PASSEI MUITO TEMPO CUIDANDO DELE HOJE ESTA UM HOMEM SAUDAVEL. MAS O QUE EU VI PELOS CORREDORES DOS HOSPITAIS NESSE TEMPO TODO É COISA SE SE PENSAR ..E AS VEZES ACHO QUE NA VERDADE, SOMOS OS PACIENTES DE NUMERO TAL NÃO É ASSIM QUE NOS CHAMAM LÁ?


NÃO NOS CHAMAM PELO NOME E SIM PELO NUMERO DO QUARTO.

SINTO MUITO PELAS PERDAS.
PERDER ENTES QUERIDOS É PERDER PARTE DE NÓS E UMA PARTE NOBRE NOSSO CORAÇÃO.

O QUE TEMOS A FAZER É PENSAR NELES COM SAUDADE, CONVERTIDA EM ORAÇÃO
BOA NOITE

OTILIA LINS

Eva disse...

Difícil né Cacá,fico indignada com essa falta de condições de profissionais, de estrutura nos hospitais, isso tudo é muito triste, me deu um aperto no coração.Meu abraço solidário, amigo.

Néia Lambert disse...

Cacá, estou sem palavras, deixo meus sentimentos pelas perdas, que Deus o console e à sua família também.

Um abraço.

Pedrita disse...

eu confesso ser bastante cética com médicos. acabo ficando tão desconfiada q demoro pra concordar com os procedimentos. infelizmente as infecções hospitalares são as grandes vilões desse século. fique bem.

MARILENE disse...

Cacá, além da dor que nos é imposta, ainda temos que alimentar outra, na sensação de que nossos entes queridos não receberam adequado tratamento.
Os laboratórios levam os médicos a receitar medicamentos novos, sem comprovada eficácia, causadores de mais danos que benefícios e são os enfermos a sofrer as consequências disso.
Não me conformo com o número crescente de infecções hospitalares. Fico pasma quando estou acompanhando alguém de minha família em hospitais. Observo tudo isso e sinto grande revolta. Sou uma acompanhante indesejável, porque reclamo de tudo e passam a me olhar com reservas. Se observassem os procedimentos necessários, muitas coisas seriam evitadas. A morte, não, porque acredito que existe um momento certo para deixarmos esse mundo, mas impor sofrimento não é aceitável.
Que Deus o ajude e o conforte.

Bjs.

Renata Diniz disse...

Cacá. Desejo-lhe força, muita. Quanto à saúde, fico pensando: bom mesmo é não dos médicos. Porque quando precisamos ficamos à mercê de um conhecimento por nós ignorado. Diante da impotência do paciente o médico tem o poder (ou quase) de vida ou de morte sobre o mesmo. Mais força para você e os seus familiares.

Yasmine Lemos disse...

meu pai sofreu o descaso e eu não podia fazer nada,uma revolta imensa,mas só DEus para nos alentar
meu abraço Cacá

Nice Bacchini disse...

Impressionante isso. Falou toda verdade. A falta de cuidado é muito grande nos hospitais. Isso sem falar dos lixos hospitalares que são jogados nos lixões.
Falta uma fiscalização rigorosa dos governos...
bom dia

Abraços

Celina disse...

OI CACÁ BOTEI O MEU COMENTÁRIO NO OUTRO POST. ANTERIOR, UM FORTE ABRAÇO DE ENERGIA POSITIVA. cELINA

Adh2bs disse...

Prezado Cacá.
Mais uma vez, lamento as tristes ocorrências em sua família, ainda mais nas circunstâncias que foram. E para corroborar as suas impressões sobre os malfadados profissionais da medicina, levei minha mão ao oftalmologista, cuja clínica é bem atrás de dois hospitais aqui de Sampa. No boteco da esquina, estavam médicos e enfermeiros comendo na rua, com as roupas e jalecos que usam no desempenho de suas funções. Minha mãe imediatamente acusou o fato, pois é das antigas, da época em que os médicos lavavam as mãos para atender seus pacientes...
Grande abraço, que Deus os ampare nesse momento da dor mais aguda. Ela não passa, mas ficará - ao longo do tempo - suavemente nostálgica...
Adh

Adh2bs disse...

Só pra constar, levei minha mão, claro, as duas, junto com minha MÃE, ao oftalmo... E com elas a amparei...
Adhistraído.

Amapola disse...

Ô amigo!!

Eu sabia que o seu irmão estava muito doente, mas não sabia que ele se foi, antes da perda do seu pai.
Isso tudo em pouco tempo...
É difícil demais! Não há palavras de consolo. Só Deus!!!

Beijos, beijos.

Amapola disse...

A maioria dos médicos colocam e tiram as luvas, mas não lavam as mãos.
A gente fica constrangida em falar, e com isso corre grande risco.

Sem falar no forro da maca, que é o mesmo para atender vários pacientes.

A camisolinha que nos mandam vestir também, é a mesma para todos.

Não importa se o preço da consulta foi caro, ou não.

Não é fácil não...

Cissa Romeu disse...

Cacá,
nem sei muito o que te dizer...
peguei uma pneumonia depois que minha filha nasceu, foi constada infecção hospitalar.
Quanto a teu irmão, e agora teu paizinho..., meu Deus, não sabia de nada, me desculpe ter me ausentado.

Celêdian Assis disse...

Pois é meu amigo, é triste e lamentável assistir em tempos modernos, que todos os recursos sejam voltados para um "bem estar" apenas aparente e que subestimam os cuidados mais básicos, para tratar e preservar o que há de mais fundamental, a vida humana. Entendo perfeitamente a sua indignação e mais ainda a sua dor, pois nada nem ninguém, poderá reparar o mal e a tristeza que te causaram e a tantos outros. Contudo, seu texto é um alerta para quem sabe, acordar a consciência dos gestores da saúde.

Um abraço carinhoso, Zé, muita luz e paz em seus dias.
Celêdian

Tais Luso disse...

Nossa... amigo! Vi agora esta nota de dor, mais abaixo. Nada a comentar, só quero deixar meu abraço fraterno e que Deus diminua a tua dor e de todos os familiares. Você deve estar muito sofrido, com estas duas perdas recentes.

Beijos, Cacá. Não tem comentário que aplaque tamanha dor, apenas esperar que o tempo faça seu papel.
Tais Luso

Jaime Guimarães disse...

Cacá, comentava isso com minha mãe há pouco: nestes hospitais entra qualquer um e em qualquer condição. Um senhor que foi levar a família em um hospital particular aqui em Salvador foi assaltado dentro do próprio estacionamento, e o carro levado pelos bandidos. E o tal hospital faz propaganda, é considerado de "alto padrão" e eu já tive meu pai internado por lá e vi descuidos por parte de enfermeiros. E sem falar naquele monte de gente entra e sai, e crianças de colo, e salgadinho, biscoito, comida de fora, olha...é uma loucura!

Aliás, em alguns hospitais particulares aqui em Salvador e que investem mais em propaganda do que em cuidados com a segurança e higiene, é muito fácil qualquer um entrar e sair com o que quiser em sacolas, bolsas, etc.

Estou falando de Salvador porque é a realidade que eu conheço, mas não é muito diferente do que acompanhamos em outras cidades.

E outra coisa: eu morro de medo de alguns profissionais que estão chegando agora nos hospitais e clínicas, sobretudo dos auxiliares de enfermagem. Outro dia explico isso melhor...

Sua revolta é legítima, meu amigo. E é revoltante para qualquer um que tome conhecimento dessas coisas. Um absurdo completo!

Um abraço...e fique bem, meu amigo!

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