terça-feira, 18 de maio de 2010

SEM INTERNET

Quem consegue viver sem sentir uma saudade é porque não viveu o motivo. Eu vivo falando sobre o que já foi, o que fui e o que é. Dá uma vontade danada de vir a ser em muitas vezes, não voltar a ser em várias outras e ou fazer tudo de novo do modo como a experiência ensinou. Tecnologia demais e muito rápido faz aumentar a sensação de saudosismo.

Não sei se foi um vício que criei com a internet ou se ela sozinha conseguiu sozinha se tornar essencial ao meu dia-a-dia. Para publicar eu já tenho certeza. Para o resto ainda estou testando. Outro dia eu li numa entrevista com o Antônio Fagundes ele dizer que é avesso à internet pelo fato de que as tecnologias criam necessidades que a gente não tinha.

 
A respeito do meu teste: resolvi fazer uma proposta de ficar uma semana desconectado. Um blecaute voluntário. Se bem que as operadoras e os provedores já costumam fazer isso com a gente sem pedir licença nem perdão. Mas nesses casos, a gente não tem tempo de curtir a sua falta. A indignação nos faz buscar outros meios rapidamente enquanto ouve as gravações que são feitas para nos enrolar quando eles dizem estar sanando os problemas. Fiz uma proposta para mim e mais três pessoas de meu convívio diário. De cara, a minha filha não topou. Já pensou um jovem praticamente nascido e criado na era eletrônica ficar sem internet um dia? Que inferno seria para quem está em sua volta! Eles usam o celular até para ir ao banheiro!

- Pai, deixa de ser velho, isso não existe!

Um outro amigo lá de minha cidade me disse

- Olha, lá em casa eu posso até tentar, mas não tenho como fazer o trato, porque no trabalho eu sou obrigado. Então pensei que o meu outro amigo que mora lá no sul do estado, na zona rural, criando galinhas poedeiras (ele vende ovos caipiras). Esse aí, eu achei que um radinho de pilha o contentaria, ele me responde:

- Quer me dar prejuízo, meu caro? Um dia aqui sem internet, eu perco a chance de oferecer omelete, sacou? Internet para mim é sinônimo de omelete na mesa dos outros. Eis que fiquei sozinho na minha saudade auto estimulada. E vi que posso fazer muitas coisas como ler um livro com mais calma, passear quatro horas de bicicleta em vez de duas, levar o cachorro para um passeio para emagrecer, pois acho que a sua gordura é do sedentarismo por culpa da internet que me deixa sentado aqui o dia inteiro , cuidar melhor das plantas do jardim . Escrever eu escrevo de caneta, mando carta pelo correio, procuro palavras no Aurélio, pesquiso em bibliotecas nos livros de papel. E essa crônica não é sobre bancos, mas de banco eu tenho trauma. É o lugar onde o ser humano é mais vulnerável, do ponto de vista sócio-econômico. Se eu tivesse conseguido o pacto topava até atrasar umas contas. Esse eu prefiro na internet.

9 comentários:

Chica disse...

Nós estamos ligadões nela e entramos em parafuso sem ela...Possoir morar numa ilha, desde que leve minha conexão do celular,srrssr abração,chica

Marliborges disse...

A gente sabe que há vida além da internet, mas não essa vida que a gente gosta não é? A internet veio para ficar, como o microondas, a máquina de lavar, etc e tal e muito etc. São coisas essenciais. Falem o que quiser, rsrs!!! Bjsssss

Mariana disse...

Eu sinto falta da internet, as vezes não entro porque falta tempo, ou pq estou viajando (neste caso, passo tranquilo sem).
Mas ficar desconectado não é bom.

Celina disse...

OI CACÁ, É VERDADE, ANTES QUANDO NÃO CONHECIA A INTERNET, LEVAVA UMA VIDA COM MAIS TEMPO, LIA BASTANTE, CAMINHAVA. PELA MANHÃ AJUDO NA COSINHA , DEPOIS DO ALMOÇO EU PENSO VOU DÁ UMA OLHADINHA NOS BLOG DOS AMIGOS, AI JA VIU, VEJO O DE CACÁ,SONIA CHICA, MARLI AÍ CONSIGO VER QUASE TODOS, TENHO MAIS DOIS NOVOS QUE É O DA MARIA E DASFFEL MAIS O CERTO É QUE NÃO POSSO MAIS VIVER SEM ELES, O QUE ESTÁ FALTANDO PARA MIM É DESCIPLINA, UM ABRAÇO CARINHOSO CELINA

gorettiguerreira disse...

Nem imagino meu amanhecer sem meu Pc...rs
Bela Crônica e ao mesmo tempo nos faz ver o quanto deixamos de lado as velhas coisas boas da vida... anterior. Não se pode ter tudo Cacá.
Beijos da Guerreira.

Felipe Padilha di Freita disse...

Pior seria ficar sem internet e não ter a oportunidade em ler uma maravilha dessas,grande cronista,me rendo ao teu singular talento!

Maria Emilia Xavier disse...

Não sei não...Eu acho que ficaria tranquilamente sem a net. Fiz assim com as páginas dos jornais e revistas que só falam em desgraça e da vida das "Personalidades" tipo:artistas, BBBs e outros menos votados; depois retirei a televisão da minha vida, deixei só os filmes, aí lembrei do cinema e retirei de vez a TV da minha vida. Lendo você hoje e alguns comentários, estou muito preocupada comigo...Veja bem, tirei da minha vida: TV, algumas, muitas, partes de jornais e revistas, dei minha cafeteira - café aqui em casa só no coador de pano; nunca comprei micro ondas - não pode ser normal e nem fazer bem uma comida feita ou esquentada com ondas curtas, largas ou compridas, ou sei lá o que; celular somente meia dúzia de pessoas têm o meu número e meu aparelhinho é muito difícil de encontrar, pois é só telefone, não uso para tirar foto, ouvir música e outras coisas. MEU DEUS... EU SOU UM SER EM EXTINÇÂO! AHahah...

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