quinta-feira, 13 de maio de 2010

HAVERÁ UM TEMPO

Haverá um tempo

Haverá um tempo que nossos acúmulos de arrogância, de intolerância e de disamor nos mostrarão a verdadeira face do que um dia fomos e do que somos, e não haverá mais volta ao mesmo palco um dia ora ensaiado;

Haverá um tempo que não teremos mais o véu do pedantismo e os tantos ares de certeza, que diuturnamente embacharam nossa visão hipócrita e tão curta, que tanto nos impediram de enxergar o próximo como nós enxergavámos a nós mesmos;

Haverá um tempo que nosso fardo do arrependimento do que deixamos de ser e de fazer será tão pesado que rogaremos pragas à nossa mais que certa interior putrefação, muito mais a interna que a da cansada carcaça;

Haverá um tempo que não teremos mais o poderio do metal, e suas mais impregnantes ilusões a comandar os outros, fazendo-nos esquecer de comandarmos nós mesmos;

Haverá um tempo que não teremos mais a tão confortável persona para esconder nossas mais fétidas intenções, teremos a mais depravada constatação do que somos para quem quer que nos veja, muito mais ,e sobretudo para nossos próprios espantados e dilacerados olhos triturados pelo remorso em vão;

Haverá um tempo que nossos pés tão calejados pelos asqueirosos e tão largos caminhos de tantas andanças mal pensadas, ostentarão as chagas mais ardidas do arrependimento e a angústia reincidente dos caminhos mais nobres e estreitos que desprezamos sãos;

Haverá um tempo que nossos mais ecoantes rangeres de dentes não nos amenizarão o amargor de tanto tempo perdido e empurrado ao léo de nossas descrenças em sermos bons;

Haverá um tempo que procuraremos o alento, entre os mais variados desencantos sem alucinação, enxugaremos o nosso próprio pranto,pranto já sem lágrimas da decepção;

Haverá um tempo que não teremos mais o tempo, tempo desperdiçado, mal tratado como nosso próprio coração, não teremos mais os ponteiros certos, coesos do tempo que escapou das nossas pouco zelosas mãos;

Haverá um tempo que mesmo nessa escassez de tempo, legião de companheiros incansáveis rodeados de luzes apaziguadoras de cores inimagináveis e indevassáveis nos arrebatarão por dentro, filhos sem moradas e só com o tormento, serão resgatados pelos seus próprios intentos, a luz mantenedora da serenidade que já não era crível há tempos, preencherão nossa luz opaca, nos devolvendo um tempo, agora mais valorado pelo sofrimento,seremos só luz recriadoras de nossos templos, onde a caridade fará morada e o amor será o sagrado sustento.


Dedico estas singelas linhas a inspiração que por ventura tenha sido carinhosamente e quase que despercebidamente a mim compartilhada, como também a toda legião de benfeitores da luz que labutam no amparo e incansalmente na manutenção do verdadeiro amor em nossos corações em quaisquer planos que nós estejamos.
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AUTOR: Felipe Padilha di Freita, grande poeta recifense. Escritor também do site recanto das letras, onde pode ser acessado através do link:  http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasespiritualistas/2249767

10 comentários:

Chica disse...

Maravilha de texto do Felipe e certamente esse tempo chegará...seremos luzes ...(ou apenas fogareiros,rsrs)abração ,tudo de bom,chica

Mariana disse...

Cacá que texto mais lindo,
precisamos ter esperança porque a humanidade anda meio perdida.

Elaine Barnes disse...

Que Deus ouça e tenha misericórdia de nós. Adoraria estar otimista e positiva assim quanto a humanidade,mas, chego lá...Sei que não existe salvação fora da fé. Então...orar,acreditar e torcer para que o mundo fique em paz. Montão de bjs e abraços(lindo o poema,texto...)

Felipe Padilha di Freita disse...

Quanta honra saber que textos como estes acabam com a ajuda dos seres da luz,o Zé é um desses,sendo propagados para incontáveis corações,muitas das vezes na ânsia de apenas uma centelha de esperança,a esperança abstrata máquina que nos move ao pretexto de se esperar por tempos melhores, momentos com um pouquinho mais de afeto,caridade,e o verdadeiro amor,o amor doado,aquele inconfundível amor em que não é exigido nada em troca,o amor ao nosso semelhante,assim como aqui na terra um ser iluminado nos tentou ensinar,sejamos instrumentos a espalhar a verdadeira verdade por onde quer que passemos,agradeço a este ser iluminado,que em um ato de total simplicidade e humildade quis repassar o que tentei expor em tão singelas linhas,de escritor a instrumento,foi uma iluminada transformação,como ele mesmo repete incansávelmente,paz e bem,sempre!...

Maria Emilia Xavier disse...

Muito real em relatar o procedimento de todos nós. Temos a mania de olhar o outro e sempre a benevolência é só para nós. Eu CREIO que certamente este tempo chegará e aí se viverá em PAZ interior e exterior. Belo Texto versejado.

Geyme disse...

Amigo, forte e verdadeiro!!! Haverá um tempo que ficaremos sozinhos, isolados e arrependidos pela falta de habilidade de conviver com os demais, vitímas de nossa própria racionalidade exigente e intransigente!!!!!!!
Aquele beijo!!!!!!!

José Sousa disse...

Coisas lindas vamos lendo e aprendendo uns com os outros. Gostei de seu blog e de suas postagens. Vou ser seu seguidor
Conheça os meus em:
www.congulolundo.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.co

Muita saúde e um abração

Menina disse...

Meu querido, Cacá tem um selo pra você no meu blog!

Depois passa lá para pegar, querido!

Beijos

Chiquinha Menduina disse...

Que lindo meu amigo, faz bem a alma esta aqui te lendo, acho que cada dia que passa as pessoas mudam, o que fazer. beijos

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