quinta-feira, 4 de março de 2010

DEMOCRACIA RIMA COM APATIA?

Democracia: Conceito vago esse. Perdeu-se na imensidão do mundo que tanto a enalteceu desde a Grécia clássica, que a fundou sob o manto da escravidão. Ela veio imperfeita como tudo que nasce da criação humana. Natural e louvável que se quisesse igualar os homens no exterior da vida. Por dentro não precisa de nenhum sistema que o regule. Nunca superaria o seu cérebro. Pelo menos, se espera. Tornou-se, portanto, um instrumento utilitarista na história. Nos momentos em que a barbárie natural do homem dá sinais de manifestar em forma organizada, ela é invocada, trôpega e claudicante para por ordem nas coisas.

Penso nisso e imagino que o homem só a valoriza, só a torna valor intrínseco, só a defende quando, ou foi usurpado pela sua falta, ou sofreu reveses irreparáveis na sua lida cotidiana. Aqui, tanto se lutou durante tantos anos pela sua implantação e parece-me que se limita hoje à obrigação de votar e ao direito de ser votado e depois quem votou passar para o lado de fora, aquele do xingamento; e quem foi votado para o lado de dentro da vitrine O resto espera-se subliminarmente que se resolva por si mesmo, até o próximo pleito se alguma coisa não der certo.

O que vem ocorrendo no mundo inteiro, mas vamos ficar só no nosso chão, o Brasil, me preocupa. Somos ainda uma nação muito jovem do ponto de vista de formação histórica de estado nacional, de consolidação como país. A referência para datar nossa juventude é o hemisfério norte e especialmente a Europa. Eles têm milênios nessa grande aventura chamada civilização. Têm tradição de reinos, impérios, repúblicas, parlamentarismos monárquicos e presidencialismos há muitos séculos. O povo também já está calejado com tanta fome e abundância, direitos, deveres, massacres, derrotas e conquistas. Portanto, creio que dão mais valor à democracia no seu dia-a-dia do que nós.

Os grandes regimes de carnificina que aconteceram na história foram cozidos num vapor barato, onde o calor não era suficiente para fervilhar os neurônios de populações inteiras. Então apareceram os incendiários travestidos de bombeiros oferecendo sua água inflamável para apagar o fogo. Construíram os tais impérios do mal com o apoio popular. De pão e circo passamos a lágrimas e sangue em muitos momentos em que a apatia e a crença que somente por si mesma a democracia representativa resolvesse todos os problemas de quem se preocupa apenas em encher os buchos ou os bolsos.
Se eu estiver errado, espero que não os críticos, mas a história me absolva.

3 comentários:

Miriam de Sales Oliveira disse...

Amigo,errado n/está,nem no tempo ,nem no espaço.N/podemos nos esquecer que quem criou a democracia grega foi a aristocracia e o povo,os escravos,não valiam nada,nem podiam dar pitaco.
Relendo a República de Platão,agora,na plena maturidade,não sei se concordo com tudo.
bjks

Mulher na Polícia disse...

Sabe qual é o problema da democracia, Cacá, no meu despresível conhecimento do tema que já foi debatido por filósofos antigos? Nenhum. Agora se a democracia é adulterada perde sua essência e transforma-se em demagogia.

Que boa leitura!

beijo!

Anne Lieri disse...

Cacá,muito bom seu blog!Um texto super acertado!Não fazemos nada por achar que uma andorinha só não faz verão,mas podemos sim,fazer a diferença cobrando sempre de quem votamos.Muito legal seu texto!Abraços,

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