sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

FILA DE BANCO *

Uma vez eu tive um bar. O slogan que eu usava nos folderes e propagandas na rádio da cidade era assim: ‘‘há lugares que a gente freqüenta porque precisa. Há lugares que a gente freqüenta por puro prazer’’. Pois bem, não tenho mais bar, no entanto preciso freqüentar alguns lugares. Um deles é o banco. Eu também não gosto de usar certas palavras ou expressões que definem sentimentos. “Eu odeio” - alguém ou alguma coisa - é uma delas. No entanto continuo tendo que dizer isso em ralação a bancos e banqueiros.

Disse o Mark Twain que “o banqueiro é o cara que lhe empresta o guarda chuva em dia de sol e lhe toma na hora da chuva.” Para mim é a espécie mais abominável que existe na face da terra. Um sanguessuga, um parasita, um sujeito que ninguém sabe como amealhou fortuna (e estão entre as maiores do mundo) e vive de controlar o dinheiro de todos sem precisar mais do que saber assinar e fazer contas.O mais é controlar regimes, governos e países com seu poder de influência. E nos fazer raiva. Raiva que não temos potência para transformar em nada redentor da humanidade.

É um setor que lida com a mais alta tecnologia disponível para espantar pessoas. A tecnologia serviu para desempregar centenas de milhares de bancários, reduziu o número de caixas disponíveis e deixou os poucos funcionários que (ainda) se salvaram extremamente mal remunerados e por tabela, de mau humor. O atendimento é sempre péssimo.

O banqueiro não quer você lá, ele quer o seu dinheiro e você longe da agência. A menos que a sua movimentação ultrapasse três ou quatro dígitos. Daí para cima, não há necessidade de caixas, nem de filas, às vezes nem é preciso ir ao banco. A não ser que você seja daqueles que gostem de funcionários e gerentes bajuladores. Ou de tomar o cafezinho sentado numa confortável poltrona giratória onde pode conversar olhando os miseráveis na fila como gado que vai para o abate.

Depois que voltei da agência, eu esperei a raiva passar um pouco para escrever esta crônica...

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* Havia publicado esta crônica no dia 22 de dezembro. No entanto tive que voltar hoje e o assunto permanece atual. Argh!

6 comentários:

Thomaz Ribeiro disse...

Saudações meu querido. Começar o ano lendo os seus textos é sempre muito bom. Com relação ao seu texto, dá para tirar proveito de algumas misérias do mundo, a fila é uma delas. Tamanha é a demora em ser atendido por causa das dimensões das filas que aumentei bastante minha cultura nelas, cheguei mesmo a ler livros inteiros. Tirando isso, é incrível o desrespeito com que se trata o ser humano de acordo com cifrões que este possui. Não dá para ficar pensando muito na desumanidade da humanidade, dá tristeza.

bombadh disse...

Olá rapaz, me chamo Israel Ziller e venho aqui me desculpar pela minha falta de atenção no site recanto da letras! Como to iniciando no site, não tinha uma certa noção e vi seus comentário apenas agora! Mesmo assim estou grato pelo convite feito por você a participar de uma de suas publicações, um abraço

Malucas de BR (*.*) disse...

Mas que odioooooooooo que eu tmb tenho em freqüentar os bancos... é quase uma seção tortura, vc nunca sabe o que pode te acontecer...mas o pior sentimento é: vc é o 30° da fila...o ar condicionado não dá conta...sua perna e pés estão latejando de cansaço... na sua frente tem um cara(ou mulher) fedido... existem apenas 3 banqueiros... já passou das 16h... e de repente... um dos banqueiros sai na maior tranqüilidade... e volta quando vc é o 15° da fila e mastigando ainda...

Aproveitando, o nosso 1° vídeo já está disponível em nosso blog. Agradecemos se nos der esta força.

Abraços

Adh2bs disse...

Olá!
Pois é, além de tudo o que vc escreveu, a gente ainda trabalha de graça pra eles - que nos cobram pra tomar conta do nosso dinheiro - quando fazemos nosso movimento bancário em casa pagando contas, fazendo transferências, etc! E vá vc pagar uma conta com cheque de outra instituição: eles não aceitam! Surreal, banco não aceita cheque!!!
Abç,
Adh

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