sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

DE CORPO E ARMA

A NOTÍCIA

Preste atenção na largura do seu pescoço.

Ela também pode indicar se você tem um problema de saúde. Por isso cientistas brasileiros defendem que as etiquetas das roupas ajudem a população a diagnosticar mais cedo uma série de doenças.

Mas pouca gente associa o tamanho do pescoço a problemas de saúde. Os médicos descobriram que o pescoço que tem circunferência de 44,5 centímetros indica não só obesidade, mas também é um sinal de que pode desenvolver doenças silenciosas, como a hipertensão.

O consumidor deve prestar atenção nas seguintes medidas: para as mulheres, quadril acima de 80 centímetros. Homens, cintura com mais de 94 centímetros. As pessoas que ultrapassam as medidas têm mais probabilidade de ter problemas cardiovasculares e outras doenças como hipertensão, diabetes e obesidade.


Fonte: http://g1.globo.com/jornalhoje/ 07-11-09

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A CRÔNICA

Cuidado com essa arma chamada corpo

O Paulino dizia que sua irmã juntou as costas com a bunda, os peitos com a barriga e havia se transformado em uma massa uniforme. Em formato de uma Kombi. Isso era um eufemismo sem graça para a obesidade da própria irmã. Eu dizia para ele: imagine o que você deve falar dos inimigos... O Vivaldino jogava bola junto com a gente na infância e nunca tinha coragem de trocar de roupa perto dos outros meninos no vestiário que havia no campo de futebol amador do bairro. Morria de vergonha. Até descobrirmos que seu bililiu era tão grande que tinha que ser enrolado para caber dentro do short. Uma aberração da natureza que era magrinho, magrinho e a gente achava que o sangue demorava tanto a circular por aquelas bandas que faltava-lhe em outras partes do corpo para levar vitaminas e proteínas.


Um dia li que a cintura masculina ultrapassando os 102 cm e da mulher os 90, estariam essa pessoas sob risco iminente de ter pipiripaco a qualquer momento. Agora, não sei por que cargas d’água, baixaram a medida para 94 e 80 respectivamente e eu sequer saí do 102. Acho que boa parte da população está criando é um arsenal corporal em vez de apenas transportar um corpo. Vivemos em meio a um bombardeio diário de informações descabidas e apavorantes acerca de estética. De um lado, a indústria de alimentos nos tentando com guloseimas de toda espécie e delícias. De outro, a contra-ofensiva da indústria de remédios e produtos redutores de medidas.


Caminhamos lentamente para um abismo cheio de doces, salgados e líquidos mortais, de tal maneira que tendemos a acreditar que somos realmente uma massa amorfa e sem controle. Somos é um monte de cobaias de experimentos embalados em rótulos sedutores, fotografias que fazem babar e vitrines que funcionam como elementos magnéticos. Ai, meu Deus, como é bom comer sem culpa! Agora, se me dão licença, vou ali na cozinha provar um docinho e depois medir a circunferência do meu pescoço para calcular quando mais ou menos será meu infarto.

1 comentários:

Thomaz Ribeiro disse...

Às vezes penso que a felicidade do homem pode ser medida pelo tamanho de sua ignorância. Imagine-se, por exemplo, essa história da circunferência do pescoço, acabei de adotar mais um um hábito na minha paranóia de doenças: medir a circunferência de meu pescoço, se eu não procurasse me informar, estaria tranquilo neste fim de semana. A impressão que tenho, no fim de tudo, é que os métodos de ajudar a nossa saúde servem apenas para furar nosso corpo ou dele tirar fluidos.

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