domingo, 1 de junho de 2008

TOREROS

As novas tecnologias têm criado muitas profissões que antes nem imaginávamos. Por outro lado, a crise gerada pela exclusão social também tem feito o mesmo sem muita tecnologia, mas com um criatividade de invejar os inventores. Já temos a engenharia psicológica para estressados do trânsito, o médico cosmiatra, a hostess, e tantas outras esquisitices modernas para atenderem os bem nascidos, bem sucedidos e bem vestidos, um de cada vez para personalizar o serviço. Já falei disso antes.

Para não cometer aqui também mais uma injustiça com os “humilhados e ofendidos, explorados e oprimidos que tentaram encontrar a solução” (obrigado, Gonzaguinha), cito as novas profissões que não se encaixaram por dentro da modernidade. Homem sanduíche, cujo recheio é o próprio homem, mas na casca tem propaganda de empréstimo consignado, compra de ouro e conserto de celular. O captador de clientes de rua para salão, dentistas e advogados. O camelô, que foi devidamente enquadrado, pelo menos em Belo Horizonte, dentro dos chamados shoppings populares. A prefeitura proibiu o comercio nas ruas e criou as tribos Oiapoque, Xavantes, Tupinambás, igualzinho a demarcação de terras indígenas para isolá-los de nossa cultura de shopping americano chique e não atrapalharem o tráfego de pedestres. Só que nesse caso, parece que os novos índios estão se dando melhor que os originais.

Aqueles que não se enquadraram em nada disso, viraram Toreros. No início achei que fossem aqueles camelôs que ficavam com uma mesa de caixote forrada com pano vermelho vendendo CD, DVD ou desentupidor de fogão e ralador de legumes. O pano vermelho seria para driblar a fiscalização. Aí, esbarrei no problema da língua. Se fosse para compará-los às touradas, seriam toureiros, mesmo se não conseguissem tourear os fiscais de rua.

Uma reportagem de jornal me deu a explicação engraçada e patética, tudo de uma vez só. Os que foram excluídos da exclusão dos shoppings ou preferiram resistir e continuar como ambulantes sem terreno marcado, são os toreros.

Mas, diante da dúvida pelo uso desse termo tão estranho, a resposta veio de um deles:

- Já que a prefeitura proibiu, a gente vende assim mesmo, Na Tora.

3 comentários:

paulo adão disse...

Cláudio, Paz e bem. Os que te lêem te saudam! A língua é o bem mais democrático que um povo tem. Veja que ninguém fica excluido - nem mesmo os excluidos - por falta de uma denominação, nomenclatura, nome, apodo, colóquio. O que é mais magnífico é essa infinita possibilidade de se inventar se já não existir. Mais interessante é saber que a linguagem coloquial é a que mais contribui para a dînâmica da lingua, ou seja, o povo, em sua despretenciosa ignominia provoca, sem saber, a evolução de seu idioma pátrio.

paulo disse...

Zé,você se superou.Depois do apodo e ignomia do Paulo, vou ficar por aqui remuendo minha tamanha ignorância. Paulo Patricio

ana disse...

Este é o meu marido, ele é só cultura,não é o máximo,familia!
Brincadeiras e brincadeiras a parte, pois tenho muito orgulho de VOCÊ. Desejo todo sucesso em seu BLOG. Beijos, de sua Liu.
Te amo muito....

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