terça-feira, 27 de setembro de 2011

REPUTAÇÃO


Dona Gerda foi personagem de uma crônica do mesmo título do genial Luiz Fernando Veríssimo e que construiu, a muito custo e trabalho, uma reputação quase messiânica. Não se tratava dessas que distribuem panfletos pelas ruas  com nome de “mãe não sei o que” e que cobram para enganar. Dona Gerda era a intuição acrescida da experiência que resultou numa visão larga e sensata do mundo. Chegou ao ponto de ser recomendada pela medicina quando esta desenganava o vivente e alegava não possuir mais recursos para casos muito complicados. O médico costumava dizer: - já fui até onde os conhecimentos permitiam, agora, só mesmo a D. Gerda.

Entre os  milhares de poemas e umas milhões de outras prosas que já devo ter lido falando sobre a busca da felicidade, sem falar na última pesquisa “científica” dos especialistas (tem sempre a última todo dia, já notaram?) achei pouquíssimas que incluem a conquista de uma boa reputação como um item que traga felicidade.

A reputação que traz a respeitabilidade; aquela que não coloca medo de concorrência; a que vem junto com uma fama e é desejada às raias da inveja. O contrário é o que mais se vê sendo valorizado na nossa sociedade. Muita gente quer evidência à custa de uma reputação que não construiu. Por isso há um desencadeamento de estresse elevado, há sempre o medo de o modismo passar e se cair no ostracismo. A reputação por vezes demora anos e anos para ser consolidada. E não podemos esquecer que a nossa convivência social é extremamente divisora entre o bem e o mal, não sendo muito bem aceito um meio termo. Portanto, a pessoa que a conquista precisa pisar macio, abrir os olhos e evitar vacilos, pois num descuido ela pode ir por água abaixo, inexoravelmente.

É muito diferente uma pessoa ser reverenciada e servir de referência. A reverência tem a ver muitas vezes com uma posição subalterna, com idolatria, afagos, gracejos e bajulações. Respeito se conquista com autoridade. Autoridade não se conquista com dinheiro, nem com autoritarismo, sequer com um cargo de nomeação. Um profissional competente e solícito para mim é uma autoridade. Um professor que além de ensinar é exemplo para seus alunos, para os pais e para a comunidade para mim é uma autoridade. Pais que sabem a hora certa de colocar limites nos filhos têm autoridade. São aquelas pessoas que mesmo não procurando, se transformam entre seus pares numa liderança e não usam dela para fins próprios ou de um grupinho. Não é a pessoa da panelinha. A boa reputação, diferentemente do bom mocismo traz alguma felicidade. O fato de ser querido pelo outro, de poder contribuir para a solução de algum imbróglio, seja pessoal, seja profissional, seja naquele dia a dia comezinho, isto traz uma porção bem servida de felicidade. Encaixa-se na almejada auto-estima elevada.

O que mais entristece, no entanto é o maniqueísmo predominante no meio de nós. Se uma sólida reputação abrir a boca em um lapso  de minuto infeliz, aquilo que pode ter levado uma vida inteira para ser construído vai por água abaixo no julgamento coletivo, que é implacável, indócil e por vezes, insensato. Reputação se constrói demoradamente e se destrói à toa.

20 comentários:

LUCONI disse...

Oba vou ser a primeira, que delicia, meu amigo os valores estão todos invertidos, para mim um trabalhador por mais humilde que seja a sua função se ele a desenvolvê-la de forma responsável e com amor ni que faz, pra mim ele é digno de todo respeito. Agora para mim a felicidade vem com a nossa paz interior, aquela que conseguimos colocar a cabeça no travesseiro e termos o sono dos justos, muito bom sempre estar aqui, beijos Luconi

Celina disse...

oi Cacá bom dia, vc já disse tudo o que penso, acho eu que a reputação é nata o resto é o aperfeisoamento. Um abraço Celina.

pensandoemfamilia disse...

Vivemos uma sufocante inversão de valorés e a liquidez moderná saí na frente destruinddo tudi. Concordo com seus conceitos de autoridade e referencio uma boa reputação.
bj

Estou tento alguns problemas na atualiazação dos meus posts nos blogs amigos.bjs

Vera Lúcia disse...

Oi Cacá,
Parabenizo-o pela excelente crônica.
Acredito que possuir uma boa reputação, construída sobre valores sólidos, é um caminho para a satisfação pessoal e elevada auto- estima. Quando nos sentimos respeitados e admirados, ficamos em paz conosco e gratificados pela vida. Consequentemente, felizes.
Sem dúvida, seria um dos caminhos
para se chegar à batalhada felicidade.
Por outro lado, acredito que a verdadeira felicidade é construída de dentro para fora e se encontra primordialmente em nossa paz interior e na realização dos anseios do nosso SER.
Abraço.
elo

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

Cacá, maravilha de crônica. Amei!

Estou colocando um link do seu blog na minha página, ok?

Forte abraço!

lis disse...

Oi Cacá
UIm assunto de peso rsrs reputação é coisa séria .como disse pra construir é muito mais difícil do que perde-la.
Ainda mais nesse país onde tudo vira piada e os meios de comunicação apelam pra caramba.
Muitas vezes dimensionam coisas banais que tomam vulto e pronto ,ninguém esquece mais, vira pagode rsrs
Gostei muito Cacá , obrigada pelo espaço tão isntrutivo, agradável , leve e sempre com um humor próprio e genial.
abraços da
Lis

** anda por aí uns vírus meio fajutos atormentando quem está quieto rsrs
uma amiga está tendo dificuldades de acessar o seu blog, ela vai te informar ok?
graças a Deus estou podendo ir e voltar por aqui rsrs
boa tarde Cacá e obrigada pelas visitinhas boas.

Maria disse...

Amigo como sempre uma excelente crónica. Uma reputação leva anos para se conseguir mas pode perder-se em segundos e dificilmente se volta a recuperar.
Hoje vim especialmente também para agradecer o seu carinho por ter comemorado comigo o aniversário do meu filhote, deixando a sua preciosa mensagem.
“Se planta uma semente de amizade, recolherá um ramo de felicidade (Lois L. Kaufman)”
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria

Amapola disse...

Boa noite, querido amigo Cacá.

Adorei!!
Quem tem reputação é porque a construiu sobre o seu alicerce de bom caráter. Não deveria ser prejudicado por um pequeno detalhe incompreendido.

Tenha muita paz e alegrias.

Um grande abraço.

Meire disse...

Cacá querido, voltei pra ler com calma seu texto :)
Acho uma falha muito grande no mundo essa de julgarmos alguém por um erro, depois de uma longa construção de reputação. Mas a verdade é que só nós sabemos quem somos e do mesmo jeito que não gostamos de ser julgados não devemos julgar o outro.
Reputação é sim um dos fatores que ajudam a construir a nossa felicidade sim, mas tem muiiiitos outros e a maioria deles mora dentro de nós!

bjokitas com master carinho :)

Jaime Guimarães disse...

Cacá, estava pensando neste assunto por estes dias. Na verdade maquinava em minha pobre e podre cabeça animal uma coisa parecida com isso: "Ouvimos as pessoas erradas, damos muito valor às pessoas erradas". Que vem a calhar quando você diz "muita gente quer evidência à custa de uma reputação que não construiu".

Porque temos hoje a predominância da imagem, tanto no sentido concreto quando abstrato: a imagem que a pessoa procura passar com uma suposta respeitabilidade não condiz com os seus atos. Ontem lancei uma pergunta no twitter (onde, meu Deus!) que ficou sem resposta: qual a moral que um professor tem para falar sobre a Lei Seca se este professor consome bebida alcoólica e depois dirige por aí?

E isso realmente entristece: uma sólida reputação jogada fora por um deslize, um momento infeliz - afinal, somos todos humanos. A "massa", a partir do momento que elege seus líderes, exige que os mesmos sejam fortes e infalíveis, "Super-Homens". Acompanhamos isso todos os dias em um grande país da América do Sul cujo idioma é a Língua Portuguesa... a "massa" é implacável.

Abs, Cacá!

Camila Lima disse...

Olá!

Em breve o blog Delicada como Flores (http://delicadascomoflores.blogspot.com/)será desativado. Infelizmente não tenho conseguido me dedicar muito a ele.
Continuarei postando meus textos no Recanto das Letras: http://www.recantodasletras.com.br/autores/cahlima

Aguardo sua visita!

Camila Lima

Geyme Lechner disse...

Buenos dias, Cacazito!!!!!!

Como vc está, querido meu?????
Bem, estou de vorrrta na área, viu! (por qto tempo nao sei, hehe)

Agora, conte-me algo, quem escreveu essa cronica? Vc ou o Arcanjo? devo saber a quem parabenizar!
Caramba, como é difícil contruir uma reputacao, e olha nao estou falando de celebridades nao (como no caso da D. Gerda), mas no sentido de viver, experimentar e entender o nosso redor, isso é ciencia experimental, é sabedoria, esperteza... mas é claro, vc pode acertar 100 vezes, mas se errar apenas 1, é por esse erro que as pessoas o lembrarao, e por esse mesmo erro, se elas puderem te condenam... Salve o ser humano!!!!

Boa semana proce, migo!!
Beijokona com carinho!!

Rô... disse...

oi Cacá,

depois de muitos problemas com meu blog,
estou voltando,
cheia de saudades,

e como sempre você perfeito em suas postagens,
acredito que reputação é algo construido com atitudes e que
vão se fortalecendo com o passar do tempo e das atitudes,
é muito fácil perdê-la,
principalmente nesse nosso mundo de fantasias...
onde cada um fala o que quer de quem quer...

beijinhos,
meu amigo

Anne Lieri disse...

Cacá,texto brilhante como sempre!Hoje em dia o bom carater não está entre as qualidades mais desejadas pelos homens,é verdade!Conseguir uma boa reputação realmente é extraordinário em minha opinião,conseguir o respeito de seus iguais nao tem preço!Infelizmente existe mesmo a inveja, os mal entendidos e, se não cuidarmos, em segundos podemos virar os grandes criminosos!...rss...adorei te visitar!Bjs,

Marly Bastos disse...

Admiração, respeito, confiabilidade, são valores que nos deixam felizes, mas eles precisam ser alicerçado em boas bases, senão um deslize e tudo se evapora.
Estigma e prestígio é coisa efêmera. Todavia moral e bons costumes são coisas que faz parte da boa índole e formação de cada indivíduo.
Beijokas doces e obrigada pela visita.

Adh2bs disse...

Prezado Cacá!
Ah, que saudades do tempo em que um homem de bem se reconhecia "pelo jeito de andar"! Cansei de presenciar situações em que meu Vô Luiz (pai de minha mãe) ou o meu pai eram considerados mesmo por qeum não os conhecia, com votos de confiança... Se diziam uma coisa, não precisavam jurar, nem exagerar nos salamaleques pra usufruir da credibilidade necessária. A reputação os precedia perante quem os conhecia, e se impunha aos que não os conhecia. Hoje, vá se fiar na palavra ou nas promessas fajutas! Essa coisa de reputação, que se constituia principalmente por respeitabilidade, já quase não existe é "demodèe". Hoje, uma nova ética se impõe: a da perna mais comprida (derruba mais gente)!
Grande abraço,
Adh

。♥ Smareis ♥。 disse...

Oi Cacá estava atualizando novo post quando passaste por lá.Parabéns pela crônica. Acho que você disse em poucas palavras: Um profissional competente e solícito para mim é uma autoridade.Sempre acreditei que a boa reputação deixa o ser humano "QUASE" perfeito.Aquele que perde a reputação pelos negócios, perde os negócios , a reputação, e credibilidade, e o respeito.Conheço pessoas que levam uma vida simples, mais são felizes, respeitadas, admiradas pela reputação que tem. Acredito que esses a felicidade faz moradia no interior deles.Amigo muito bom sua crônica, valeu pela leitura. Uma ótima tarde! Beijos!

Smareis

Toninhobira disse...

Uma triste situação amigo,demorar anos para edificar e por uma marola perder todo o castelo.Urge repensar valores e sentiemntos.
MEU ABRAÇO DE PAZ

Cynthia disse...

Nossa que post maravilhoso. Era o que meu inconsciente individual estava pedindo pq saí de um blog com um post sobre crítica profissional. Não consegui publicar tava dando problema no meu micro. Abraço Cy

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