sábado, 24 de abril de 2010

UNIVERSOS PARTICULARES

Em 2008 criei um blog e no ano seguinte entrei para o Recanto das Letras. Depois disso, fui confirmando pouco a pouco uma impressão que já me era familiar: a de que vamos criando universos paralelos e muito particulares pelo caminho.

Publiquei um livro e um amigo de longas datas foi uma das primeiras pessoas que o adquiriram. Ocorre que ele não leu. Me confessou que vai ler assim que tiver tempo. Sei que não vai. Se o fizer vai ser apenas para me agradar. Não é menos meu amigo por esse motivo. O hábito da leitura não faz parte de seu mundo e acho que não vai fazer mais. Dificilmente uma pessoa que não criou um costume desse tipo o faça por prazer a certa altura da vida. Ele já está próximo dos sessenta anos e não vai ser o meu reles livrinho que vai lhe mudar os hábitos. No Recanto e no blog a gente tem um público que faz parte de um desses universos dos quais estou falando. O da escrita e da leitura. Pelo menos boa parte das pessoas com quem convivo ou é leitor/a voraz ou escritor/a, ou faz por prazer. O fato é que é um universo. Como há vários em torno de cada um de nós.

Trabalhei uns 20 anos numa empresa e convivi com vários universos particulares. Tinha aqueles que apesar da profissão e de seus afazeres fora do emprego, só viam na vida futebol; outros, só mulheres; outros, só trabalho; outros chegavam a ser mais abrangentes em busca de um universo maior diante de alguma inquietação mental, e assim por diante. Desse modo, eu vejo as pessoas procurando o seu lugar no mundo, batendo cabeça aqui e acolá ou então já se identificando de imediato com algo de que gostam e se sentindo muito bem, se adaptando, se ajeitando e não dando muita pelota para o resto. Não quero dizer com isso, que seja falta de sociabilidade. É apenas um “cada macaco no seu galho” em termos de escolhas, quando elas são possíveis. Neste caso, construímos o nosso próprio universo por gosto pessoal, por afinidades ou então somos engolidos ilusoriamente por algum universo que nos cabe e nos aceita.

As pessoas que costumamos chamar de “gente boa” talvez sejam aquelas cujo carisma que emanam as faça transitar com uma habilidade singular em todos os universos, fazendo deles o seu próprio. E vão mais além, são capazes de aglutinar pessoas de universos diferentes. Estas são deveras especiais de boas. Assim como são especiais de ruins “aquelas outras” com uma enorme habilidade para criarem desavenças, cisões e encrencas. Tem horas que eu até desconfio que ser gente boa seja melhor do que ser famoso em muitos e muitos casos de gente que é e de gente que quer ser famosa! Porque é dureza agüentar quando o universo cisma de querer caber dentro do umbigo de uma só pessoa!

3 comentários:

Chica disse...

Nessas esferas que circulamos, vamos indo pela vida e encontrando pessoas e "pessoas"...Vemos de tudo.Ainda bem que podemos escolher e reaslmente quando nos deparamos com as que "se acham", é doooooooooooooooooose pramamute,rsrsr...Passo longe!!!abração,lindo dia e findi!chica

Maria Emilia Xavier disse...

Se assim não fosse... Como viver? A gente constroi, inventa,se insere onde somos aceitos, para aguentar fazer tudo que precisamos e devemos fazer. Viver só as obrigações... Dá não.
Lindíssimo texto, como todos que você escreve.Beijão e sucesso ao livro.

karone disse...

E uma situação muito similar à minha,poucos se enveredam no caminho da escrita. Concordo que a escrita seja um ato exibicionista...bom só quero encontrar os "voyers" para o que escrevo.

PS: De fato o Recanto das Letras veio sanar uma necessidade nossa e de outrém.

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