domingo, 4 de outubro de 2009

VEJO VOCÊS LÁ

A NOTÍCIA

Uma bisavó do País de Gales comemorou seu 102º aniversário com uma volta de moto e um passeio em uma Ferrari.

Connie Brown, de Pembrokshire, foi surpreendida por amigos no dia de seu aniversário e levada para uma volta de moto pela cidade de Pembroke. Em seguida, embarcou em outro passeio, dessa vez a bordo de uma Ferrari.

Depois da volta de moto, ainda de jaqueta de couro e capacete, ela disse: "Todos deveriam experimentar. Foi um dia lindo, nunca vou esquecer". Em seguida, ao terminar o passeio na Ferrari, Connie afirmou que nunca havia sonhado "com nada parecido". "Não sei bem o que fazer para o próximo aniversário, mas me aguardem!”
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Fonte:http://www.new.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_21/2009/08/07

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A CRÔNICA

E lá estava eu a bordo dos meus 100 anos. Não existiam mais Ferraris e as motos haviam se transformado em algo estranho. Um veículo dobrável que a gente levava no bolso. Aquele pessoal que criou o desenho animado da Corrida Maluca era visionário. Como fazia o ajudante da Penélope Charmosa, era só apertar um botãozinho no embrulho e ele se transformava numa moto com tamanho regulável de acordo com as condições do trânsito aqui em baixo. Digo aqui em baixo por que lá em cima era uma outra situação, digna dos tempos dos Jetsons (alguém ai se lembra?). Os carros haviam se transformado em pequenas naves espaciais. O trânsito ganhou os céus e acabaram-se os congestionamentos.

Quem acabou sendo prejudicado por esse progresso admirável foram os escritores de ficção científica. A ficção havia acabado. Vinha gente de todas as partes do mundo. Da Lua, de Marte, acho que até de Mercúrio tinha gente. Depois que o homem descobriu atmosfera, água e minérios nesses lugares, a terra ficou habitável de novo, com espaço de sobra para todos. Agora íamos demorar milhares de anos para destruir tanta natureza, ainda em estado bruto. As consciências haviam se elevado bastante depois dos sustos dos cataclismos que abalaram a terra nos últimos tempos. A devastação chegara ao limite e não fossem estas descobertas espaciais, não haveria a minha festa de aniversário. Também creio que houve um efeito psicológico nessas aventuras. Acho que o homem indo tão longe tenha se sentido mais próximo de Deus. Será? A população não crescia tanto mais como antigamente e a velhice deixou de ser um estorvo. A medicina finalmente aprendera a conservar os corpos em um estado de relativa juventude. A minha única tristeza nessa festa toda era ainda com relação às vaidades. Isso continuava a prejudicar a dedicação ao amor entre os seres. Toda a liberdade, todo avanço, toda aquela história de que o mundo estava em nossas mãos tinha acontecido mas o amor ainda não havia libertado o homem de suas ambições mesquinhas, o que lhe impedia de se tornar tão grande como o universo que conquistara. Uma pena!

Os que aqui ficaram eram pessoas que não possuíam recursos para adquirir uma propriedade em outros planetas ou por puro patriotismo. Só os muito ricos foram para lá. Havia aqueles que mantinham casas no espaço sideral apenas para curtir férias longe do barulho e da poluição sonora que permanecia. As comidas e bebidas eram todas servidas por máquinas maravilhosas e instantâneas. A um simples toque no item escolhido em seus cardápios frontais saía quente ou frio, o pedido. Temos tempo ainda de fazer isso valer a pena. Isso que eu digo não é somente a longevidade da matéria. É da esperança de uma comemoração na torre de uma nova gênesis. Com línguas diferentes mas com sentimentos irmanados. Daqui a 53 anos, espero vocês lá.

1 comentários:

Thomaz Ribeiro disse...

Queria ter essa facilidade em descrever o futuro, tal qual você fez. Falta-me imaginação. Apesar do seu típico bom humor na sua escrita, noto uma preocupação com nossa espiritualidade, com nossa existência. É bom pensar no futuro, imaginar que tudo pode ser melhor, é bom. Estarei lá, daqui a 53 anos.

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