domingo, 24 de fevereiro de 2008

"O CACHORRRO É UM SER HUMANO COMO QUALQUER OUTRO"

Há alguns anos, no governo do Collor, havia um ministro do trabalho de nome Rogério Magri, figura patética (senão cômica) do movimento sindical, que virou ministro para ajudar ao “caçador de marajás”??? a collorir sua gestão com popularidade. Ele, por falta de recursos lingüísticos ou por querer deixar alguma marca na história, era dado a neologismos (criar palavras ou expressões que não constam no vocabulário oficial ou formal). É dele a terrível criação do eu sou “IMEXÍVEL” (disse em uma entrevista quando questionado sobre a sua possível demissão do ministério). Mas deixemos esse episódio para outra ocasião. Aqui vamos tratar de outra peripécia sua para falar sobre título acima. Certa vez, um carro do ministério foi flagrado na porta de uma clínica veterinária com motorista, funcionário do ministério e um cachorro pastor alemão que fora a uma consulta de rotina. Ao escândalo da divulgação, a excelência respondeu: “Qual o espanto? O cachorro é um ser humano como qualquer outro!” (sic).

Na sua sandice, acho hoje que acabou profetizando um fenômeno: dos tempos de isolamento de todas as relações coletivas do ser humano, das disputas por um lugar ao sol, por espaço na competição desenfreada e destrambelhada que o tal “mercado” impõe, onde o outro é um potencial oponente em tudo. Em casa, no trabalho, na escola, enfim, para ser uma pessoa de sucesso, devemos afastar todos os que se postarem em nosso caminho rumo à glória. (???). Esse comportamento anti-social, egocêntrico e individualista tem se materializado na preferência que as pessoas têm dado aos cachorros. Não quero aqui desfazer nem prescindir da companhia deles (eu mesmo tenho uma vira-lata muito "gente boa”). Mas está se tornando absurdamente insuportável a humanização dos cachorros e a cachorrização das gentes (eu também sei fazer neologismos). Só falta curso de línguas. Já temos hotéis, restaurantes, spas, academias e até psicólogos para cães. Bons tempos em que a convivência era inteira (incluindo as gentes e os cachorros). Não devemos nos espantar se, em breve, virmos anúncios de babás para ficarem com eles em nossas ausências do lar, se forem criados parques de diversões nos bares para eles enquanto seus donos tomam umas e outras (já tem até para crianças!), se no cinema e no teatro, criarem salas paralelas com espetáculos exclusivos para cachorros enquanto assistimos aos nossos e ainda, se forem de donos ricos e famosos, passarem a contar não com um guarda costas, mas um guarda cachorros em seus deslocamentos. Quem sobreviver a um pit bull cujo dono deixa à solta aterrorizando os humanos, verá.

P.S.: Já houve quem radicalizou e, do alto de sua 5ª dose proferiu a célebre frase: “O melhor amigo do homem é o uísque. O uísque é o cachorro engarrafado.” (Vinicius de Moraes).

2 comentários:

paulo adão disse...

BACANA ZÉ,

CÊ NUM DEIXA NADA A DESEJAR RUBEM ALVES E NEM O BRAGA.

BELA CRÔNICA

ABRAÇO

PAULO ADÃO

paulo disse...

Legal Zé, mecãnicamente falando, tou conferindo teu blog todo dia, mas, precisava lembrar do Maggri? Paulinho Patricio te abraça

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