domingo, 20 de dezembro de 2009

DISCUTINDO A RELAÇÃO

- “Se você disser que eu desfino amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor”.

Isso foi depois de “um dia em que ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar”... Olhou-a de um jeito muito mais frio do que sempre costumava olhar e disse:

- “Não sei por que insisto tanto em te querer”... “Como vai você”? “Eu preciso saber da sua vida”! Nem que seja “só pra contrariar”.

E ela, na rotineira ausência de cumplicidade conjugal, pensava:

-“ Todo dia ele faz diferente, não sei se ele volta da rua, não sei se ele traz um presente, não sei se ele fica na sua. Talvez ele chegue sentido , quem sabe me cobre de beijos? Ou nem me desmancha o vestido? Ou nem me adivinha os desejos”?

Que confusão! É que ele quer uma letra, num acorde de um violão, ela quer um batidão (tum,ti,tum,ti,tum), ele quer um documentário, um filme , algo especial, ela quer uma novela, uma imagem digital com detalhes que mostrem celulites nas mulheres e a cor real da raiz dos cabelos alourados por tinturas mil.

E se ela quer Caras, ele quer um livro. Ela falou pro didjei , ele falou pro maestro: se ela dança, eu ouço uma sinfonia. Ela descia na boquinha da garrafa. Ele, contrariado, descia uma garrafa na boquinha. Não era um 12 anos, mas apaziguava. E ela ralava na boquinha da garrafa e ele ralava com as palavras para encontrar algo que descrevesse tanta “vida besta, meu Deus”!

- “Valei-me Deus , é o fim do nosso amor, onde foi que eu errei? Será que minha ilusão foi dar meu coração com toda força pra essa moça”? Pensava ele.

Se é “cada um no seu quadrado”, uma hora dessas ele vai acabar optando por um triângulo . Mas como antes que ela dissesse mais alguma coisa, ele “se instalou feito um posseiro dentro do seu coração”, - liga não! Disse ele. “É que no peito de um desafinado também bate um coração”. E o assunto ficou para a próxima vez que precisassem discutir a relação.


Nota: As palavras, expressões e frases entre aspas são referências a letras de músicas e trechos literários.

3 comentários:

shintoni disse...

Cacá:
Este seu texto já foi postado no Duelos. Muito bom!
Valeu mesmo!
Abração e ótima semana!

Thomaz Ribeiro disse...

O bom de ler o que você escreve é que a sua criatividade não se impõe limites. Aqui, por exemplo, onde você usou vários trechos de obras que não são suas, percebe-se o peso da mão do artista, dando significado novo a palavras tão bem conhecidas. Parabéns.
P.S - Mais uma vez agradeço à sua mensagem de Natal. Dando uma de Jó, desejo-lhe em dobro tudo aquilo que me desejares.
Abraços.

shintoni disse...

Cacá:
A sua entrevista com Papai Noel já foi postada. Muito boa!
Agradeço as palavras amigas de seu e-mail e devo dizer que a recíproca é verdadeira: foi muito bom conhecê-lo e tê-lo como autor do Duelos, engrandecendo nosso blog.
Valeu mesmo! Por tudo!
Abração e tudo de bom!

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