segunda-feira, 14 de março de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER *- Hoje é dia da POESIA

MINHA HOMENAGEM A TODOS OS (AS) POETAS PELO DIA NACIONAL DA POESIA
OCTÁVIO PAZ - imagem: passeandopelocotidiano.blogspot.com

 “Os poetas dizem a verdade quando dizem que, ao começar a escrever um poema, não sabem o que vão dizer. Escrevemos para dizer o não dito, e para conhecê-lo. ”
(Octavio Paz, escritor mexicano).
JOÃO CABRAL DE MELO NETO imagem: lenidavid.com.br 
“Catar feijão se limita com escrever:
Joga-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na folha de papel
E depois, joga-se fora o que boiar.”
(João Cabral de Melo Neto, Poesias Completas)


“Por que é o mesmo pudor
De escrever e defecar?
Não há  o pudor de comer,
De beber, de incorporar.
E em geral tem mais pudor
Quem pede do que quem dá.
Então por que quem escreve,
Se escrever é afinal dar,
Evita gente por perto
E procura se isolar?”
(João Cabral de Melo Neto, Museu e Tudo)
imagem google
“Fazer poemas
é andar na corda bamba
de um circo abandonado
pior:
com os pés trocados.”
(Antônio Barreto, Sono Provisório)
FERNANDO PESSOA: imagem wikipedia
Autopsicografia

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,não as duas que ele teve,
Mas só as que eles não têm. “
Fernando Pessoa, Obra Poética)
imagem google
“Se é verdade que sou um poeta pela graça de Deus ou do demônio, também o sou pela graça da técnica e do trabalho.”
(Garcia Lorca, escritor espanhol)
MALLARMÉ
“Descrever um objeto é suprimir ¾ da fruição de um poema, que é feito da felicidade de adivinhar, pouco a pouco. Sugeri-lo, eis o sonho.”
(Mallarmé, poeta francês)
MÁRIO QUINTANA - imagem:conhecerautores.pbworks.com
“Mas para que interpretarem um poema? Um poema já é interpretação.”
(Mário Quintana, Na volta da Esquina)

“Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente... e não a gente a ele.”
(Mário Quintana:  A Vaca e o Hipogrifo)
CASSIANO RICARDO imagem google
“Resta-me só esta graça de ser poeta.
Poesia! Única coisa
Que, depois de sabida,
Continua secreta...”
(Cassiano Ricardo, Poesia Reunida)
MÁRIO DE ANDRADE imagem educacaoadventista.org.br
“Quando sinto impulso lírico escrevo sem pensar tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, como também para justificar o que escrevi.”
(Mário de Andrade, Prefácio Interessantíssimo)
DRUMMOND imagem cantinhodosaber.buscasulfluminense.com   
“Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou. Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?”
(Carlos Drummond de Andrade, Alguma poesia)
 
 
MACHADO DE ASSIS - imagem wikipedia
“As idéias para mim são como nozes, e até hoje não descobri melhor processo para saber o que está dentro de uma e outras – senão quebrá-las.”
(Machado de Assis, escritor carioca)
LEON TOLSTOI imagem google
“Queres escrever para o mundo? Então canta a tua aldeia.”
(Leon Tolstoi, escritor russo)
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* In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.





domingo, 13 de março de 2011

ABELHAS SEM TETO


Atenção apreciadores de todos os gêneros literários: a crônica está em alta. Ela, que por muito tempo foi considerada pela crítica como gênero de menor fôlego e importância tem crescido em quantidade e qualidade, e o que é melhor ainda, em adeptos. Nesses tempos de correria, é ela que vem ocupando mais espaço. A possibilidade de fazer um pequeno panorama de grandes coisas do cotidiano em uma síntese bem elaborada agrada a quem tem pouco tempo e pouca disposição de ler grandes volumes.  Agrada também a quem tem tempo e disposição para ler. Agrada ainda quem está começando a se familiarizar com o mundo da leitura. Só não agrada mesmo aos analfabetos, aqueles definidos assim pelo Mário Quintana: “os que sabem ler e não lêem.” A crônica não está disputando lugar de ponta na literatura, é bom que se diga. Afinal, literatura é literatura e tem lugar para todo mundo.

PARA GOSTAR DE LER é o nome de uma coleção antiga que reuniu muitos dos nossos grandes escritores com crônicas que tiravam do cotidiano mais comezinho, com seus talentos nada comezinhos, o despertar na gente do gosto pela leitura. São mais de 13 livros que eu acompanhei durante parte da minha vida e eles reforçaram muito em mim o prazer pela leitura. Eis que esse é o fino atrativo da crônica: falar das cidades, da roça e claro das gentes que transitam e habitam, amam, brigam, xingam, se emocionam, os marginalizados, os alegres, os doentes e os saudáveis, os metidos e os “gente boa” da forma mais normal do mundo, seja com humor ou crítica que nos leva à pensar, porém de um ângulo que ninguém teve a percepção de descrever. A própria sinopse do primeiro livro desta coleção dizia que crônica é um texto tão gostoso de ler que dá na gente vontade de escrever.

Eu acho que ela deveria retornar com novos autores. E o livro da Vany Grizante deveria constar desta coleção. O que está no livro ABELHAS SEM TETO sou eu, é você, somos nós todos os dias e em todos os lugares e situações. Com o detalhe da marca do talento da autora que possui uma capacidade de síntese imensurável que não deixa o texto ficar devendo a gente explicações e nem sobra enchimentos desnecessários. É uma porção de prazer parecida com uma descarga de adrenalina bem dosada na hora que a gente passa por um estímulo mental daqueles bem gostosos. A população não parou de crescer e carece muito de ler autores brasileiros, principalmente. Não é bairrismo nem nacionalismo. É identidade nossa com as nossas coisas. Duplo prazer e serventia.  A minha indicação do livro é exatamente por despertar em nós esses dois prazeres tão elevados.

ABELHAS SEM TETO E OUTRAS CRÔNICAS
VANY GRIZANTE
ED. ALL PRINT – 2010

sábado, 12 de março de 2011

QUO VADIS ?

Estamos vivendo tão ensimesmados, tão voltados para o próprio umbigo, que até o “Bom Dia” está deixando de ser exclamação de alvíssaras e se tornando reticências. Na maior parte das vezes só percebemos a existência do nosso semelhante quando ele nos causa algum incômodo. Mesmo assim, o percebemos não para reconhecer-lhe o devido valor humano, mas para criarmos mecanismos que nos permitam excluí-lo do nosso caminho

QUO VADIS? (aonde vais?) Se interessar, leia mais aqui: http://www.espacoacademico.com.br/035/35clopes.htm

sexta-feira, 11 de março de 2011

NO PRINCÍPIO ERA O "O"

            Dizem que Deus povoou a terra primeiro com os homens do sangue tipo “O” para que se alimentassem de outros serem feitos também de carne, porém menos espertos. Ai o homem os caçava e comia. Tinha plantas também mas o homem não entendia nada de seu cultivo ainda. Só comia aquilo que se movimentava. Ai, ele corria atrás e aproveitava para fazer uns exercícios físicos e ficar mais forte e com mais fome. Os vegetais só entraram no seu cardápio depois que  ele se tornou sedentário. Por isso as dietas para emagrecer são repletas de verde. E assim foram aparecendo os outros tipos sanguíneos. Quer dizer Deus criou o “O” e depois veio o resto. Por outro lado foi até bom. Passou a ajudar na digestão. As fibras contidas nas plantas são uma boa combinação. Eu não como um churrasquinho sem que seja acompanhado de uma  salada. Êta sangue bom!
            Para quem quiser ver mais sobre essa curiosidade, o livro está no site abaixo:
Clique e veja as características e a dieta para cada tipo de sangue.

quinta-feira, 10 de março de 2011

VIL METAL

Em 2008, o  Banco Central lançou uma moeda comemorativa dos 200 anos da chegada da família real ao Brasil. Devia se chamar metamorfose, eu cheguei a pensar. De mil-réis, passamos a cruzeiro, daí para cruzeiro novo, voltou a cruzeiro, cruzado, cruzado novo, URV, Real...Aonde vamos parar?  Apesar de ter sido uma edição limitada para colecionadores, a moeda com valor de 5,00 na face foi vendida a 108,00. Vejam só que coisa estranha. Que conversão é essa, ninguém sabe.

Tive um amigo que durante o período Sarney-Cruzado, Collor Cruzado Novo, Itamar-URV/real, passou a usar cartão para tudo, até mesmo o pãozinho. Ele tinha uma dificuldade danada com os números e sendo pão duro, ficava temeroso de ser passado para trás numa conversão e lhe serem tirados alguns zeros de suas notas ou moedas. Lembro de pagar uma conta na padaria para ele. O moço do caixa se recusava terminantemente a receber uns centavos de cruzados novos no cartão de crédito.

- Isso não paga nem o custo da máquina de processar a transação, moço.
- Azar o seu. É dinheiro como qualquer outro e vou levar o pão assim mesmo.
- Tá bom, você me paga depois.
- Não senhor, se voltar aqui vai ser a mesma coisa e vou acabar é acumulando dívida. Não gosto de fiado não.
Foi aí que entrei e paguei para evitar mais confusão.

Consegui um endereço na rede que tem as fotos das cédulas desde o império e pude constatar que não estou tão velho assim. A mudança de padrão monetário é que foi muito rápida por causa de inflações e inflações monstruosas. Meu salário já chegou a mais de 11 milhões de cruzeiros  mensais numa época e 6 milhões de cruzados em outra. E nem faz tanto tempo assim. Outro dia mesmo. Ah, se fosse hoje em reais...

Quem quiser conhecer ou matar a saudade, se é que dá alguma, clique ai embaixo e veja as cédulas. O barão, a abobrinha, etc,etc,etc. Coitados dos poetas...

quarta-feira, 9 de março de 2011

HUMOR SOBRE XIXI NA RUA

imagem bahianoticias.com.br
O carnaval já tinha passado mas o processo, não. O sujeito foi condenado à prisão por ter feito xixi no meio da rua. Devidamente flagrado com fotos e denunciado à justiça pelos moradores, vai cumprir a pena com serviços comunitários de lavagem de logradouros públicos. Arcanjo Isabelito,* o filósofo que dá pitaco em quase tudo, saiu-se com essa:
“Uma mijada, ora é um suplício, ora é um prazer. A bexiga e o local são apenas intrusos entre um e outro.”

* um personagem que criei.

terça-feira, 8 de março de 2011

AEDO CIBERNÉTICO* MARIA, MARIA

Maria, minha mãe, possuía todas essas marcas. Quando aprendi a arranhar uns acordes no violão, era a música que mais ela gostava de me ouvir tocando. E cantava com uma profundeza, que parecia engolir os suspiros que lhe provocavam a letra, a melodia enredada em sua sina de Maria forte. Maria filha, mãe, mulher com toda a graça, manha, gana, beleza, pureza, orgulho de Maria, orgulho de mulher. Tinha a sensação que Milton Nascimento havia conversado com muitas Marias como ela, antes de compor essa canção. Vai ver teve uma Maria assim em sua vida, como eu tive na minha.

AQUI DEIXO O MEU ABRAÇO CARINHOSO ÀS MULHERES PELO DIA ESPECIAL



Maria, Maria, é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria, é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria, mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida.
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* Na antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na idade média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.

segunda-feira, 7 de março de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Lygia Fagundes Telles

imagem google
“A função do escritor? Ser testemunha do seu tempo e da sociedade. Escrever por aqueles que não podem escrever. Falar por aqueles que muitas vezes esperam ouvir da nossa boca a palavra que gostariam de dizer. Comunicar-se com o próximo e, se possível, mesmo por meio de soluções ambíguas, ajuda-lo no seu sofrimento e na sua esperança.”

(Lygia Fagundes Telles, Leia Livros)

In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

domingo, 6 de março de 2011

UM BLOCO BRASILEIRO


De manhã, as manchetes
No radio, jornal, televisão
“O Brasil agora começa
a funcionar”, eis a previsão
Vamos ver se não tropeça,
O carnaval passou
O ano novo lá atrás ficou.

Condenam o país
Que dizem, não quis
Abrir o ano em janeiro
Foi-se também fevereiro
Mas se engana quem assim pensa.
Quem crê na imprensa
Não vê o Brasil, funcionar inteiro.

Pára banco, shopping, pára loja,
Pára escritório, ar condicionado, oficina,
Pára, da pirâmide social,
Somente o andar de cima
Não atrapalha  nem desanima
No fim, fica tudo normal.


Quem acha que o leiteiro, o padeiro,
Motorista, metroviário, enfermeiro
Médico, mercadista, açougueiro,
Consegue parar prá pular carnaval
Ou é de Paris, onde se é mais feliz
Com muito glamour e dinheiro
Ou então não sabe o que diz
Não come, não bebe, não cura
Ressaca,  joelho, ranhura.

Essa gente que não pára, entra noite sai dia
Repõe  toda a nossa energia
Perdida em meio ao turbilhão
Depois de tanta folga, tanta folia!

UMA SINGELA HOMENAGEM AOS MILHÕES DE BRASILEIROS QUE SÓ TÊM NOTÍCIAS DO CARNAVAL PELAS CARAS QUE ATENDEM NOS DIAS SEGUINTES DA FOLIA.
 
 
* Será editado tantas vezes quantas forem as insistências dos que dizem que ninguém trabalha no carnaval.

sábado, 5 de março de 2011

AEDO CIBERNÉTICO * - VAI PASSAR

Esta música, apesar do ritmo intensamente carnavalesco, magnético (daqueles que dão vontade de sair para as ruas sambando mesmo não gostando de carnaval) é um hino a um triunfo humano. É um hino para ser sambado depois do triunfo, quando a página da opressão, da corrupção e da ganância estiverem viradas. É um hino à libertação de um povo que dorme enquanto a pátria é espoliada e samba quando ainda não logrou a conquista do sentimento verdadeiro de nação. Cada verso é um espetáculo de reflexão. Esse é o samba enredo que elejo para mim como permanente.

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* Na antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na idade média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.

quinta-feira, 3 de março de 2011

CALMA, VIOLÊNCIA!

Eu andava muito impressionado com a barbaridade humana. Quase cheguei a fazer coro com uma ingênua crença de que estamos no fim dos tempos. “Tanto horror iniquidade” me faziam pensar que era um fim para depois um recomeço expurgado e purificado lá na frente da história. Analisando a vida pregressa da humanidade (que nos chegava apenas através dos livros e publicações especializadas, de forma muito lenta e de acesso a pouca gente), vamos notar, numa comparação com as tragédias atuais, que apenas as informações, sua quantidade e velocidade nos chegam num piscar de olhos, ou num ligar de computador ou televisão. A barbárie continua a mesma. Quem sabe, se todos tendo mais acesso a tanta informação depreciativa, desqualificadora de nós mesmos, não partimos para uma reação positiva?

P.S: A propósito do show de horrores sobre as violências urbanas, rurais, fazendárias, de sítios, motéis, escolas, favelas, trânsito, polícia, bandido e o escambau que a mídia faz jorrar em forma de sangue mostrado, escrito e falado todos os dias, ininterruptamente.

terça-feira, 1 de março de 2011

A CULPA É DAS MULHERES

Segundo o meu sobrinho Marcelo, o atual estágio de consumismo voraz do capitalismo deve ser atribuído às mulheres. Elas seriam as responsáveis por termos chegado a esse estado de coisas, através da secular sedução. Eu fui dar uma pesquisada mais longa no passado e acho que a responsabilidade civil e criminal deve ser atribuída a Cleópatra. Não adianta nada, pois já está prescrita qualquer penalização se fosse o caso. Depois que ela se embrulhou em um tapete para se entregar entre aspas a César como presente, enrolou foi o império romano todo, de César a Marco Antônio, ficou com as jóias da coroa e com muitos marmanjos ambiciosos por mulheres bonitas e poder fazendo-lhe gracejos para arranjar um naco de império sem precisar de uma batalha campal. Na cama era bem mais agradável.

Nem falemos que para chegar a este estágio o homem para conquistá-las, invadiu terras atrás de ouro e diamantes, criou e destruiu impérios. De lá pra cá, a humanidade não sabe fazer outra coisa senão disputar poder, riqueza e glórias.

E as mulheres voltaram ao páreo. Pulando um pouco no tempo, quando as mulheres perderam totalmente a primazia, vivemos um período longo de grande opressão contra elas. Não desistiram, no entanto, de lutar pelo seu lugar. O mundo foi se desenvolvendo rapidamente. E o homem não deixou de fazer assédios para tê-las ao seu lado dominadas. A começar pelas tecnologias para lhes facilitar a vida doméstica. Num cenário já de plena industrialização, o homem não aceitava de jeito nenhum dividir as obrigações do lar. Mas, em compensação, livrou-as do fogão a lenha e também inventou a geladeira. Depois, a máquina de lavar, o freezer e o microondas. Daí pra frente, não parou mais. As roupas e os sapatos tiveram que inaugurar outro estágio no comercio humano para atender as suas vaidades. Ourives, cosmetologistas e perfumistas criaram fortunas incalculáveis.  

De lá para cá, isso se espalhou e se firmou de tal forma que não há mais como se estabelecer relações homem – mulher sem que se passe pela sedução do objeto, da mercadoria. Só que agora elas mesmas estão pagando a própria conta. Já, já vamos saber como vai ser o próximo lance masculino de investida e não de investimento como foi outrora.


PS: É sempre bom avisar nesses tempos de intolerância: isso aqui é uma brincadeira. Não tem nenhum valor científico ou sociológico. Qualquer semelhança com fatos ou circunstâncias na realidade é pura falta do que fazer minha e do Marcelo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Fernando Sabino

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POR QUE ESCREVE?

 “Tenho a impressão de que se eu soubesse responder a essa pergunta deixaria de ser escritor. Não haveria condição. Não saberia dizer, não. Está além de minha compreensão. Esta pergunta é tão grave como se perguntassem: “Por que vive? Por que ama? Por que morre?” Talvez eu escreva para atender a essas três presenças que são as únicas que existem na vida de um homem.”

“Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre que corrigir e reescrever várias vezes. Basta dizer, como exemplo, que escrevi 1100 páginas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300.”

(Fernando Sabino, escritor mineiro)

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In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

OBRIGADO!


imagem  portal terra.com.br 

 MOACYR SCLIAR
Minha gratidão pela obra literária que nos deixa como melhor legado, pela grandeza e elegância do homem que foi, desprendido de vaidades e mesquinharias e pelo inestimável apoio que me concedeu com poucas mas inesquecíveis palavras no caminho das letras.

23/03/1937
27/02/2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

ARROGÂNCIA

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Quando olhamos as coisas e as pessoas do alto, a tendência é enxergá-las um pouco menores do que elas realmente possam ser.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

NOTÍCIA E POEMA

Leia primeiramente esta notícia e  depois o poeminha

EMPRESA LIBERA FUNCIONÁRIOS PARA TRABALHAR SEM ROUPAS
Esqueça qualquer palestra ou curso de motivação de equipes que você já assistiu. Se você realmente quer motivar um grupo de trabalhadores, basta deixá-los nus. Pelo menos é assim que pensa o dono de uma empresa de marketing e design em Newcastle, Inglaterra.
Parece brincadeira, mas imagine se a empresa em que você trabalha resolvesse pedir para que todos fossem trabalhar sem nenhuma peça de roupa. O escritório decidiu quebrar as tradicionais regras do bem-vestir, orientada pelo psicólogo David Taylor e encorajada pelo chefe. O objetivo é alcançar melhores resultados e impulsionar o espírito de equipe...


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Aí eu fiz um:
POEMA DOS PELADOS


Não sou bravo nem forte, nem filho do norte.
Mas eu vi
Bundas e peitos em fartura
Lelecas , bililius, soltos sem corte
Relaxados  e nada excitados
Apenas desnudos na execução
Meninos, eu vi.

Ninguém assanhado , ninguém “atirado”
Não deu confusão
A chefa, primeira,
tomou dianteira
Mandou todo mundo
ficar peladão.

Gente pelada  para todos os lados
Tirando xerox nas repartições
Pra lá e pra cá
Sem frio ou  calor
Nenhum arrepio
Nas peles desnudas,
meninos eu vi.


Na hora do lanche, da venda ou almoço
Será que pelados , não deu alvoroço?
E se as visitas, clientes, vizinhos
Achando calientes
Resolvem arriscar?
Um olho em produtos
e outro nos frutos
Que os corpos pelados
Permitem mostrar?

Está funcionando a todo vapor
A firma da turma
Que roupa não usa
Mas que tem valor
Cria, vende, lucra
E ninguém recusa

Meninos, meninas
Que coisa maluca
O que escrevi
É coisa bem séria
Não é para rir
Nem é deletéria,
meninos, eu vi.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

AEDO CIBERNÉTICO * EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

O amor eterno ainda que em sonho existe. Esse filme nos evoca esta esperança. E a trilha sonora é algo entre primoroso, emocionante e imperdível. Não sei se a música me marcou pelo filme ou o filme me marcou pela música. Sei é que não esqueço ambos.

Universidade de Millfield, maio de 1972. Richard Collier (Christopher Reeve) é um jovem teatrólogo que conhece na noite de estréia da sua primeira peça uma senhora, idosa, que lhe dá um antigo relógio de bolso enquanto, em tom de súplica, lhe diz: "volte para mim". Ela se retira sem dizer mais nada, deixando Richard intrigado enquanto volta para seu quarto no Grand Hotel. Chicago, 1980. Richard não consegue terminar sua nova peça, assim decide viajar sem destino certo e resolve se hospedar no Grand Hotel. Lá resolve visitar o Salão Histórico, que esta está repleto de antiguidades e curiosidades do hotel, e fica encantado com a fotografia de uma bela mulher. Como não havia plaqueta de identificação Richard procura Arthur Biehl (Bill Erwin), um antigo funcionário do hotel, que diz para Richard que o nome dela é Elise McKenna (Jane Seymour), uma atriz famosa que fez uma peça no teatro do hotel em 1912. Collier fica tão obcecado com o rosto de Elise que decide não partir e então vai até uma biblioteca próxima, onde pesquisa sobre McKenna. Para sua surpresa descobre que Elise é a mesma mulher que lhe deu o relógio, que ele carrega até hoje. Richard então procura Laura Roberts (Teresa Wright), que escreveu o artigo sobre Elise. Inicialmente ela não o recebe bem, mas quando ele mostra o relógio Laura fica espantada, pois era um objeto de estimação que ela nunca se separava e sumiu na noite em que ela morreu, ou seja, na noite em que falou com Richard. Ao conversar mais calmamente com Laura, Richard toma consciência que ele e Elise tinham vários fatores em comum, mas parece que para achar a peça que falta deste bastante intrincado quebra-cabeças ele terá de ir a algum lugar do passado, mas para isto precisa se desligar totalmente do presente.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/em-algum-lugar-do-passado
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* Na antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na idade média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

DEPOIS DE UM PASSEIO NA FEIRA HORTIFRUTI

Quanto mais a tecnologia avança mais a natureza vai perdendo a credibilidade. É impressionante como há uma dissociação da vida prática com os conceitos de preservação tão defendidos por aí. “É que há distância entre intenção e gesto”, já dizia o Chico Buarque.

Por exemplo, um alimento orgânico se torna a cada dia um produto exótico, uma espécie de “intruso bem vindo”. Aliás, chamar um alimento que vem da terra de orgânico é uma redundância, não é mesmo?  O normal passou a ser a gente consumir aquele monte de frutas, verduras e legumes cheios de agrotóxicos e o orgânico virou uma elite da comida, disponível apenas para quem pode pagar muito mais caro.

Quem tem mais dinheiro vai direto ao panteão sagradado da saúde, que são as  gôndolas onde ficam os produtos chamados orgânicos. É uma espécie de templo onde estão depositados, não os restos mortais, mas o que resta de vital para uma existência saudável.

Outro exemplo: desde quando o frango saiu de seu habitat e passou a frequentar incubadoras, sofreu intervenções hormonais para se reproduzir rápido. Aqueles que não o acompanharam, passaram a ser chamados de frangos caipiras. Até então, todos eram apenas frangos. Podemos dizer que temos hoje o frango urbano, moderníssimo e com um adorável gosto de isopor bem temperado e o frango caipira que, para quem não está acostumado com seu sabor, é um alimento estranho. Na minha própria família tem umas crianças e jovens que acham o sabor muito “forte”, dá dor de barriga. Mutações genéticas que ocorrem com os alimentos e com o organismo humano por tabela.

Mas o exemplo mais interessante foi quando eu juntei uma roda de crianças dos seis aos dez, onze anos e falei acerca do hambúrguer. Eu havia escrito um texto falando sobre a roça e o espanto foi geral quando expliquei o processamento da carne desde o nascimento do bezerro até o pai ou a mãe de uma delas ir ao supermercado e comprar uma caixinha de hambúrger. Foi uma incredulidade geral. Teve criança que chegou a me dizer que nunca mais comeria quando soube que tinha que matar o boi para a fabricação. Outros quase me enxotaram por falar mentira tão deslavada. A menorzinha, brava, me disse: “Tio, hambúrger vem das fábricas lá dos Estados Unidos, não tem nada a ver com boi ou vaca não, viu?”

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Clarice Lispector

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“Quando eu era criança, durante muito tempo pensei que os livros nascessem como as arvores, como os pássaros. Quando descobri que existiam autores, pensei: também quero fazer um livro.”
(Clarice Lispector, escritora brasileira/ucraniana)
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“Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, podia-se com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é ler “distraidamente.”
(Clarice Lispector, Para Gostar de Ler)
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In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

VAZIO

Passamos o tempo todo preenchendo os espaços vazios que há em nós. Depois da criação somos soltos no mundo e vamos nos agarrando às coisas, acontecimentos, pessoas e caminhando, tentando transformar as relações com as coisas, acontecimentos e pessoas no reverso da nossa infelicidade; vamos tentando reduzir o sofrimento primordial e misterioso que é viver. Para mim o significado de vida é mistério, sofrimento e busca. O conceito de felicidade talvez esteja no encontro do segredo que ponha fim ao sofrimento e acabe com os mistérios. Seguimos sonhando, construindo e esperando sempre algo, que, se não for palpável, seja mesmo assim, contentamento. Os saltos de qualidade são momentos felizes. Percalços, quedas, desvarios e imprevistos são  obstáculos que fazem movimentar nossa capacidade de superar o que precisamos enquanto estamos justificando para nós  mesmos o quê que é que estamos fazendo aqui nesse mundão de meu Deus. Uma séria doença, por exemplo, é quando não conseguimos tatear nada nesse vazio. Passamos a nos nutrir apenas de esperança (medo) e vontade (medo). Há quem seja muito forte (impassível?) e apalpe a própria audácia. Eu vou dar uma pausa, que espero não ser longa nem mais sofrida. Vou seguir tateando  por aí sem nenhum atrevimento, completamente frágil, enquanto lá no hospital Deus e os homens vão se entendendo.

PS: tenho 8 irmãos que amo muito e um deles, muito importante para mim, será submetido amanhã a uma cirurgia para extirpar um hipernefroma renal.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Ernest Hemingway

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“Gosto de escrever de pé porque não deixa a barriga crescer e porque um tipo tem mais vitalidade quando está de pé. Já se viu alguém durar mais de dez rounds sentado de papo para o ar? Escrevo as partes descritivas à mão porque é o que me custa mais e está-se mais perto do papel quando se escreve à mão, mas escrevo o diálogo à máquina porque as pessoas falam da mesma maneira que uma máquina trabalha.”

(Hemingway, citado por A.E. Hotchener, em Papa Hemingway)


 “Só há um segredo para vir a ser-se um escritor famoso se se tem talento: conservar a saúde.”
(Hemingway, citado por A.E. Hotchener, em Papa Hemingway)


“A maioria dos escritores descuida-se com a parte mais maçadora mas mais importante do seu trabalho – a revisão: apurar e afiar o material de maneira a ficar como o estoque dum matador.”

(Hemingway, citado por A.E. Hotchener, em Papa Hemingway)
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In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

CRIANÇAS QUE SÃO CRIANÇAS

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Já não se fazem mais crianças como antigamente. Esse antigamente de que falo tem muito pouco tempo e está ligado a uma geração. Aquela que lutou por algum tipo de igualdade e liberdade de pensamento e ação, pelo menos.

Até os primórdios do capitalismo, criança não tinha infância. Na ganância por dinheiro, os proprietários dos meios de produzir as coisas colocavam-nas para trabalhar junto dos pais muito cedo. Muitos pais, por necessidade ou por aprendizado torto continuaram fazendo isso com elas muito tempo depois. O tempo acelerou a vida, o mundo cresceu demais e parece que vai acabar amanhã ou depois, de tanto que estão todos correndo atrás de alguma coisa com aparência de definitiva.

A maioria dos pais agora, na loucura de darem conta de si mesmos adianta o fim daquela que já foi uma longa e prazerosa infância para muitos. Afinal de contas, não ter tempo livre é uma perspectiva de ser reconhecido ou alguma outra forma de destaque. Não basta mais garantir a sobrevivência dignamente, tem-se que fazer o mundo notar a nossa existência. Tudo estava mais visível quando não éramos tanta gente no mundo. Tínhamos tempo a mais depois de cumpridas as obrigações diárias. Agora, a sensação que se tem olhando para os lados, para frente e pra trás é que está quase todo mundo querendo passar na frente do tempo, deixa-lo vir em busca de nosso ego insultado pela indiferença da coletividade. A mídia que já era poderosa ganhou um reforço ainda maior com tecnologias e tecnologias. Ela reforça o tempo inteiro o desejo de estarmos aparecendo para o mundo. E só se sente com certificado de reconhecimento quem nela aparece e tem seus momentos (longos ou curtos) de glória.

Filhos precisando de carinho e atenção para poder exercer seu direito a uma “infância infantil” demandam muito tempo.  No máximo que pais brincam com filhos é de coisas do mundo adulto. Divertido demais ver crianças imitando gente grande. O que era proibido como ver filmes de terror, programas de adultos na tv, conversas constrangedoras de gente grande perto delas virou chacota. Aquilo que era permitido, desejado e saudável, ficou proibido. Por exemplo? Brincar. Brincar de pique-esconde, correr atrás de uma bola de meia na queimada, andar de carrinho de rolimã, brincar de boneca com as meninas da vizinhança, agora só em eventos muito especiais. O negócio é a segurança do lar ou dos condomínios fechados. Quem não tem ou não pode, bota na frente da televisão, porque lá fora é perigoso demais.

Sociabilidade amistosa é um negócio que a criança vai ter que aprender bem depois, talvez quando já estiver adulta ou madura ou velha, ou nem aprender, já que estamos rumo ao extremo do individual. Eu não duvido se criarem daqui a pouco uma maneira de customizar o mundo particular, aquele que está gravitando em torno do umbigo.

Uma pessoa equivale a um consumidor, a um cidadão, a um a mais na disputa por algum reconhecimento e aceitação. Um computador sempre cai bem na hora de distrair a criança e ocupar o seu tempo e não ocupar o dos pais. Por isso eu acho que eles tem feito a infância ir embora tão cedo. Quatro, cinco anos, já estão aprendendo a ler e a escrever, já se vestem como adultos, participam das conversas do mundo adulto, brincam com coisas de adultos (quando brincam), especializaram em muitos casos a mandar nos adultos, junto de tanta lei e tanta proteção que foi estabelecida para a sua guarda.

João e Isabel me surpreendem mais e mais a cada dia que tenho a oportunidade traduzida em alegria de conviver com eles. Tem 10 e 9 anos e são crianças no tempo certo. Uma raridade hoje em dia. Tem ainda imaginação de crianças, gostam de brincadeiras de crianças e podem ficar  deslocados do mundo das crianças justamente porque são crianças.
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