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sábado, 1 de outubro de 2011

DUPLA NOVA NO PEDAÇO

É sabido no meio dos bebedores compulsivos que as mais inesquecíveis amizades são feitas num boteco. Inesquecíveis, pois costumam ser as melhores e também as piores. Principalmente porque elas não costumam extrapolar os limites geográficos do estabelecimento, a não ser que seja para um encontro em outro bar com cerveja mais gelada, tira-gosto mais gostoso, música mais agradável, etc, etc, etc. Quanto ao “melhor e pior”, fique bem claro que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Foi num desses ambientes, outrora muito mais freqüentados pelo Arcanjo para seus inolvidáveis porres que conheceu e ficou amigo do Iorran Sebastião Bastos*, um músico da noite. Não, ele não é cego, nem compôs nenhuma música clássica. Qualquer semelhança do nome com o genial  Joahann Sebastiian Bach deve ser atribuída ao apego desmesurado de sua mãe com os clássicos da música. O pai queria Lamartine, em homenagem a um  grande compositor brasileiro, mas se deu por satisfeito. Ambos eram devotos da boa música. Começou sua trajetória musical mais ou menos como os Engenheiros do Hawaii. Tinha uma banda com a turma da escola de engenharia, só que ao final do curso, todos os demais foram atacar de engenheiros como mandava o diploma e ele destoou da régua e do compasso. A harmonia dos números era muito fria para seu sensível apego a um acorde dissonante. Iorran toca muito bem vários instrumentos e, além disso, passeia por muitos estilos, exceto os da moda atual. Segundo sua teoria musical, a música sertaneja eletrônica e as baladas de axé, funk e demais batidões são uníssonas. Tocou uma vez tem-se a sensação de ter tocado todas. Mudam-se vez em quando as dancinhas que inventam para acompanhar.

A amizade com o Arcanjo nasceu a partir de uns aplausos quase solitários deste para ele, depois de tirar no sax a canção As Rosas Não Falam, desprezada pela platéia alvoroçada dos fins de noite. Quase ninguém no bar prestava atenção. Os poucos que o faziam era com pedidos para ele mudar para música sertaneja que chamavam de universitária, seja lá o que possam achar o que isso signifique. A própria atmosfera cultural da universidade já não é mais a mesma de uns anos atrás, então o que diremos de música universitária?

Um papo filosófico musical recheado de nostalgia e uma cantoria alegre varou a noite e só foi terminar a pedido do dono do bar para eles gentilmente  pagarem a conta e irem embora (“pelamordedeus”, foi a expressão exata). Precisava fechar as portas.

*Iorran Sebastião Bastos é o meu mais novo personagem. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

AEDO CIBERNÉTICO * EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

O amor eterno ainda que em sonho existe. Esse filme nos evoca esta esperança. E a trilha sonora é algo entre primoroso, emocionante e imperdível. Não sei se a música me marcou pelo filme ou o filme me marcou pela música. Sei é que não esqueço ambos.

Universidade de Millfield, maio de 1972. Richard Collier (Christopher Reeve) é um jovem teatrólogo que conhece na noite de estréia da sua primeira peça uma senhora, idosa, que lhe dá um antigo relógio de bolso enquanto, em tom de súplica, lhe diz: "volte para mim". Ela se retira sem dizer mais nada, deixando Richard intrigado enquanto volta para seu quarto no Grand Hotel. Chicago, 1980. Richard não consegue terminar sua nova peça, assim decide viajar sem destino certo e resolve se hospedar no Grand Hotel. Lá resolve visitar o Salão Histórico, que esta está repleto de antiguidades e curiosidades do hotel, e fica encantado com a fotografia de uma bela mulher. Como não havia plaqueta de identificação Richard procura Arthur Biehl (Bill Erwin), um antigo funcionário do hotel, que diz para Richard que o nome dela é Elise McKenna (Jane Seymour), uma atriz famosa que fez uma peça no teatro do hotel em 1912. Collier fica tão obcecado com o rosto de Elise que decide não partir e então vai até uma biblioteca próxima, onde pesquisa sobre McKenna. Para sua surpresa descobre que Elise é a mesma mulher que lhe deu o relógio, que ele carrega até hoje. Richard então procura Laura Roberts (Teresa Wright), que escreveu o artigo sobre Elise. Inicialmente ela não o recebe bem, mas quando ele mostra o relógio Laura fica espantada, pois era um objeto de estimação que ela nunca se separava e sumiu na noite em que ela morreu, ou seja, na noite em que falou com Richard. Ao conversar mais calmamente com Laura, Richard toma consciência que ele e Elise tinham vários fatores em comum, mas parece que para achar a peça que falta deste bastante intrincado quebra-cabeças ele terá de ir a algum lugar do passado, mas para isto precisa se desligar totalmente do presente.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/em-algum-lugar-do-passado
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* Na antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na idade média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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