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domingo, 5 de junho de 2011

TRAGÉDIA HUMANA DIÁRIA

MUNDO, MUNDO, VASTO MUNDO

O progresso cobriu a poeira da estrada. Levou junto, o empório, a caderneta do fiado, a xicrinha de açúcar emprestada da comadre... Parece que está levando também a boa educação, os bons modos, a gentileza, a generosidade....

domingo, 24 de abril de 2011

MATURIDADE

Com o passar dos anos vou vivendo em busca de um meio termo entre assumir um conservadorismo que não me atrofie e procurando negar uma adesão sem críticas às modernidades sem substância que querem me arrebatar de arrastão.

sábado, 23 de abril de 2011

É ASSIM MESMO?

DINHEIRO:
Ou você vive a serviço do que tem ou vive a serviço de quem tem.


"Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem."
(Desejo, de Victor Hugo)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Marguerite Duras

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"Comecei a escrever num ambiente que me obrigava ao pudor. Escrever, para eles, era ainda, imoral. Hoje muitas vezes escrever pode parecer não significar nada. Por vezes sei disto: a partir do momento em que não for, confundidas todas as coisas, ir ao sabor da vaidade e do vento, escrever é nada. A partir do momento em que não for, sempre, a confusão de todas as coisas numa única essência inqualificável, escrever é nada mais que publicidade. Mas na maioria das vezes não tenho opinião sobre isso, vejo que todos os campos estão abertos, que não haverá mais nada onde se esconder, se fazer, ser lida, que na sua inconveniência fundamental não será mais respeitada, mas nem penso mais nisso."
(Marguerite Duras, O Amante)

In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.



segunda-feira, 4 de abril de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Henry Miller

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“Uma coisa que descobri é que a melhor técnica é não se ter técnica alguma. Jamais achei que deveria aderir a qualquer maneira de tratar um tema. Permaneço aberto e flexível, pronto para seguir a direção dos ventos ou das correntes de pensamento. Eis a minha atitude e minha técnica, se se quiser flexíveis e alertas para empregar o que quer que me pareça bom no momento.”

 (Henry Miller, escritor americano)

In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

segunda-feira, 28 de março de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Eduardo Galeano

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“A gente escreve a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os demais, para denunciar o que dói e compartilhar o que dá alegria. A gente escreve contra a própria solidão e a dos outros. A gente supõe que a literatura transmite conhecimento e atua sobre a linguagem e a conduta de quem a recebe; que ajuda a nos conhecermos para nos salvarmos juntos... A gente escreve, em realidade, para a pessoa com cuja sorte ou má sorte nós nos sentimos identificados, os mal dormidos, os rebeldes e os humilhados dessa terra, e a maioria deles não sabe ler.”

(Eduardo Galeano, escritor uruguaio).
Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevidéu em uma família católica de classe média de ascendência europeia. Iniciou sua carreira jornalística no início da década de 1960 como editor do Marcha, influente jornal semanal que tinha como contribuidores Mario Vargas Llosa e Mario Benedetti. Foi também editor do diário Época e editor-chefe do jornal universitário por dois anos. Em 1971 escreveu sua obra-prima As Veias Abertas da América Latina. Em 1973, com o golpe militar do Uruguai, Galeano é preso e mais tarde forçado a se exilar na Argentina, onde lançou Crisis, uma revista sobre cultura. Em 1976, com o sangrento golpe militar liderado pelo general Jorge Videla, tem seu nome colocado na lista dos esquadrões de morte e, temendo por sua vida, exila-se na Espanha, onde deu início à trilogia Memória do Fogo. Em 1985, com a redemocratização de seu país, Galeano retornou a Montevidéu, onde vive ate hoje. A obra mais conhecida de Galeano é, sem dúvida, As Veias Abertas da América Latina. Nela, analisa a História da América Latina como um todo desde o período colonial até a contemporaneidade, argumentando contra o que considera como exploração econômica e política do povo latino-americano primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos da América. O livro tornou-se um clássico entre os membros da esquerda latino-americana.
Fonte: wikipedia

In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

PS: ESTA SEMANA VOU PUBLICAR TEXTOS E MÚSICAS DE MEMÓRIA HISTÓRICA





sexta-feira, 18 de março de 2011

DOEU ?

 

Acho que a impassibilidade diante da dor é para os estóicos e a camuflagem dela em aparente alegria é para os masoquistas. Depurar toda a dor que enluta por qualquer razão é uma purificação interior.

Não se trata de preparar-se “para outra”, mas de estar em condições de assumir-se tal como se fica quando é o caso de algo que alegra demasiadamente. Assim como o sorriso produz hormônios de bem estar, o choro libera toxinas que envenenam o organismo.

sábado, 12 de março de 2011

QUO VADIS ?

Estamos vivendo tão ensimesmados, tão voltados para o próprio umbigo, que até o “Bom Dia” está deixando de ser exclamação de alvíssaras e se tornando reticências. Na maior parte das vezes só percebemos a existência do nosso semelhante quando ele nos causa algum incômodo. Mesmo assim, o percebemos não para reconhecer-lhe o devido valor humano, mas para criarmos mecanismos que nos permitam excluí-lo do nosso caminho

QUO VADIS? (aonde vais?) Se interessar, leia mais aqui: http://www.espacoacademico.com.br/035/35clopes.htm

quinta-feira, 3 de março de 2011

CALMA, VIOLÊNCIA!

Eu andava muito impressionado com a barbaridade humana. Quase cheguei a fazer coro com uma ingênua crença de que estamos no fim dos tempos. “Tanto horror iniquidade” me faziam pensar que era um fim para depois um recomeço expurgado e purificado lá na frente da história. Analisando a vida pregressa da humanidade (que nos chegava apenas através dos livros e publicações especializadas, de forma muito lenta e de acesso a pouca gente), vamos notar, numa comparação com as tragédias atuais, que apenas as informações, sua quantidade e velocidade nos chegam num piscar de olhos, ou num ligar de computador ou televisão. A barbárie continua a mesma. Quem sabe, se todos tendo mais acesso a tanta informação depreciativa, desqualificadora de nós mesmos, não partimos para uma reação positiva?

P.S: A propósito do show de horrores sobre as violências urbanas, rurais, fazendárias, de sítios, motéis, escolas, favelas, trânsito, polícia, bandido e o escambau que a mídia faz jorrar em forma de sangue mostrado, escrito e falado todos os dias, ininterruptamente.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

ARROGÂNCIA

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Quando olhamos as coisas e as pessoas do alto, a tendência é enxergá-las um pouco menores do que elas realmente possam ser.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

VAZIO

Passamos o tempo todo preenchendo os espaços vazios que há em nós. Depois da criação somos soltos no mundo e vamos nos agarrando às coisas, acontecimentos, pessoas e caminhando, tentando transformar as relações com as coisas, acontecimentos e pessoas no reverso da nossa infelicidade; vamos tentando reduzir o sofrimento primordial e misterioso que é viver. Para mim o significado de vida é mistério, sofrimento e busca. O conceito de felicidade talvez esteja no encontro do segredo que ponha fim ao sofrimento e acabe com os mistérios. Seguimos sonhando, construindo e esperando sempre algo, que, se não for palpável, seja mesmo assim, contentamento. Os saltos de qualidade são momentos felizes. Percalços, quedas, desvarios e imprevistos são  obstáculos que fazem movimentar nossa capacidade de superar o que precisamos enquanto estamos justificando para nós  mesmos o quê que é que estamos fazendo aqui nesse mundão de meu Deus. Uma séria doença, por exemplo, é quando não conseguimos tatear nada nesse vazio. Passamos a nos nutrir apenas de esperança (medo) e vontade (medo). Há quem seja muito forte (impassível?) e apalpe a própria audácia. Eu vou dar uma pausa, que espero não ser longa nem mais sofrida. Vou seguir tateando  por aí sem nenhum atrevimento, completamente frágil, enquanto lá no hospital Deus e os homens vão se entendendo.

PS: tenho 8 irmãos que amo muito e um deles, muito importante para mim, será submetido amanhã a uma cirurgia para extirpar um hipernefroma renal.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

VIVER O PRESENTE

Passando o passado num presente sem futuro (frase e imagem: akiazero.blogspot.com)

Muitos afirmam que o importante é viver o presente. Concordo. Mas ele tem que ser vivido de forma a se construir algo. Senão, quando chegarmos à vida madura, sem nenhum passado digno de registro, a tristeza, a depressão e a angústia vão nos devorar. Muito mais que nos devoram a louca vida de competições, a pressa e  o egoísmo.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O ESPÍRITO (DE PORCO) DAS LEIS

As leis têm o propósito de igualar os desiguais. 

Quando desconsideram as circunstâncias, o seu maniqueísmo é implacável.

O código penal e o civil dizem: isso está certo, isso está errado, sob pena de.... Não importa sua condição sócio-econômica. 

Porém, a sua aplicação é circunstancial. Há uma atribuição de valor aos cidadãos. Uns acabam sendo melhores que os outros. Inclusive aqueles que são  designados para julgar.
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PS:  a propósito das aposentadorias para ex governadores, ex isso , ex- aquilo dos três poderes no Brasil. Leia aqui e indigne-se,  leia aqui e fique revoltado, leia aqui e me chame para ir para as ruas, já  que só denunciar e protestar não tem adiantado absolutamente nada!.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE ESCREVER - Moacyr Scliar

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- Você tem algum método para escrever?

- Trabalho muito. Tenho de conciliar minha atividade de escritor com a de médico de saúde pública, e, além disso, meu método de trabalho é complicado. Parto de uma idéia qualquer – originária de uma figura real ou imaginada, de um incidente, de um fato histórico, de uma notícia de jornal – e sobre ela começo a escrever, ao acaso, trechos que podem ser o começo de uma história, ou o meio, ou o fim.  Quando estas anotações chegam a um certo volume, redijo a primeira versão da narrativa. Sempre à mão. Acredito ser a mão um instrumento mais sensível para a palavra escrita. Depois é que datilografo (sic), uma, duas, três ou mais vezes, até que o texto me pareça razoavelmente bom. Sou um perfeccionista que busca a palavra certa no ritmo exato.”
(Moacyr Scliar, escritor gaúcho)
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In: Escrever Sem Doer -  Ronald Claver, ed. UFMG, 2006.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

FELICIDADE É UMA CONSTRUÇÃO QUE NÃO PODE TER FIM


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A respeito da felicidade, eu não descobri ainda como defini-la em termos de uma vida plenamente feliz. Na minha definição essa plenitude não existe, para o bem da nossa mobilidade em sua busca. É como se quiséssemos alcançar um fim quando estamos voando para o infinito do universo. Estando felizes, haverá uma sensação de saciedade com o vôo, mas o espaço aéreo continuará a oferecer outros lugares muito bons de se ver e outros inatingíveis. Haverá também turbulências durante o vôo. Quedas também poderão acontecer. Mas enquanto estivermos voando, a sensação de alegria que não se explica fica fazendo-nos companhia. Em alguns momentos, os obstáculos e as quedas são para tomarmos partido: queremos mesmo felicidade? Então é hora de resolvermos enfrentar os problemas ou desistirmos de vez. Nessas horas contamos com as nossas forças próprias e com as que se juntam a nós indispensavelmente através do rol de amigos e de familiares, gente que quer o nosso bem, que caminha conosco e ajuda a preparar nossas asas. Então, eu acredito que essa definição provisória é o máximo a que consigo chegar para explicar a alegria que sinto com a vida quando se realiza algum sonho, se materializa algum desejo interior, quando se está ladeado pelas pessoas que gostam da gente e de quem a gente quer bem. E aquelas que não estando de corpo presente, estão de alma e coração fazendo parte de uma corrente imaginária de bem querer. Quando a família está ao lado de onde nunca deve sair, quando a fome e a sede se tornam apenas um detalhe sem importância vital. A gente se sente alimentado por toda substância protéica e vitaminada em que se transforma aquela alegria. É quando se pensa assim: Deus, o Senhor tem toda razão de fazer de nós seres que precisam buscar continuamente as coisas que nos fazem bem em vez de sentarmos à beira de caminho ora pedindo, ora lamentando os infortúnios. Porque você mostra que a tal da felicidade sempre pode estar em algum lugar ou alguma coisa depois que fizermos a nossa parte para que cheguemos ao final de uma reta, de alguma curva do caminho, depois de subir alguma montanha íngreme. Se um dia eu declarar que sou completamente feliz por tudo que a vida proporciona e oferece, é porque a minha vida terá chegado ao fim também. O infinito está sempre à disposição.

sábado, 18 de dezembro de 2010

SE SOBRAR UM TEMPINHO...

O tempo é uma categoria abstrata inventada pelo homem para medir entre outros afazeres, o seu próprio vazio existencial.

domingo, 24 de outubro de 2010

SOBRE ESCOLHAS

Escolhas estão, a meu ver, relacionadas a um estado de liberdade plena. E não é isso o que vivemos na nossa sociedade. Muitas vezes é uma opção entre o péssimo, o ruim e o "salve-se se puder".  O livre arbítrio também tem seus limites.
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