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terça-feira, 1 de março de 2011

A CULPA É DAS MULHERES

Segundo o meu sobrinho Marcelo, o atual estágio de consumismo voraz do capitalismo deve ser atribuído às mulheres. Elas seriam as responsáveis por termos chegado a esse estado de coisas, através da secular sedução. Eu fui dar uma pesquisada mais longa no passado e acho que a responsabilidade civil e criminal deve ser atribuída a Cleópatra. Não adianta nada, pois já está prescrita qualquer penalização se fosse o caso. Depois que ela se embrulhou em um tapete para se entregar entre aspas a César como presente, enrolou foi o império romano todo, de César a Marco Antônio, ficou com as jóias da coroa e com muitos marmanjos ambiciosos por mulheres bonitas e poder fazendo-lhe gracejos para arranjar um naco de império sem precisar de uma batalha campal. Na cama era bem mais agradável.

Nem falemos que para chegar a este estágio o homem para conquistá-las, invadiu terras atrás de ouro e diamantes, criou e destruiu impérios. De lá pra cá, a humanidade não sabe fazer outra coisa senão disputar poder, riqueza e glórias.

E as mulheres voltaram ao páreo. Pulando um pouco no tempo, quando as mulheres perderam totalmente a primazia, vivemos um período longo de grande opressão contra elas. Não desistiram, no entanto, de lutar pelo seu lugar. O mundo foi se desenvolvendo rapidamente. E o homem não deixou de fazer assédios para tê-las ao seu lado dominadas. A começar pelas tecnologias para lhes facilitar a vida doméstica. Num cenário já de plena industrialização, o homem não aceitava de jeito nenhum dividir as obrigações do lar. Mas, em compensação, livrou-as do fogão a lenha e também inventou a geladeira. Depois, a máquina de lavar, o freezer e o microondas. Daí pra frente, não parou mais. As roupas e os sapatos tiveram que inaugurar outro estágio no comercio humano para atender as suas vaidades. Ourives, cosmetologistas e perfumistas criaram fortunas incalculáveis.  

De lá para cá, isso se espalhou e se firmou de tal forma que não há mais como se estabelecer relações homem – mulher sem que se passe pela sedução do objeto, da mercadoria. Só que agora elas mesmas estão pagando a própria conta. Já, já vamos saber como vai ser o próximo lance masculino de investida e não de investimento como foi outrora.


PS: É sempre bom avisar nesses tempos de intolerância: isso aqui é uma brincadeira. Não tem nenhum valor científico ou sociológico. Qualquer semelhança com fatos ou circunstâncias na realidade é pura falta do que fazer minha e do Marcelo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CARRÕES


FERRARI 599 GTO imagem ig



imagem ig

BMW Vision Efficient Dynamics - imagem ig

Dizem que o brasileiro é apaixonado por carros. Eu acho que a maioria é muito mais por status. Falo por mim também. Já houve uma época que o meu sonho de consumo era ter um carro. Um carrão, diga-se. Diante de minhas 4P (explico essa sigla): Permanentes Parcas Possibilidades Pecuniárias, o sonho vivia sendo rebaixado para um carro qualquer, de preferência financiado. Então adquiri primeiramente uma brasília azul, modelo geladeira, segundo meus desafetos e outros gozadores. No entanto, o devaneio de ascensão automobilística sobreviveu por muitos anos. Dormia por cansaço de tanto esperar e eu costumava acordá-lo com um presente, sempre que no trabalho houvesse uma promoção ou eu dava um jeito de fazer outro financiamento. Mudava para um melhorzinho, mais potente.

Nunca cheguei a ter o carrão e o sonho acabou se diluindo até extinguir-se por completo. Amadureci e os sonhos também. Eu ainda não caí, mas o sonho do carrão caiu de maduro e foi substituído por outras viagens.  Hoje, preciso de uma condução que me leve aonde eu precisar com um certo conforto e sem dores de cabeça e na coluna. Aliás, do jeito que anda o trânsito nas cidades, o caos ajudou a dizer não ao meu sonho.

Chego mesmo a achar estranha essa fissura que os homens, principalmente, tem pelos carros, os detalhes que gostam de destacar, buzinas com sons estranhos, faróis de cegar  outros motoristas, adesivos com as frases mais esquisitas e o inseparável som automotivo. Tem uns jovens que compram um aparelho de som e o equipam com um carro. Você, às vezes sai às ruas e vê uma verdadeira parafernália de som a milhões de decibéis sobre rodas.

Hoje, andando pelas ruas tenho uma lembrança saudosa de um desenho animado que assistia há muito tempo (Os Jetsons, onde as pessoas andavam em carros que flutuavam pelos céus, uma visão futurista que está se tornando necessária). Por aqui, fizeram metrô em poucos lugares e debaixo da terra já não está mais sendo suficiente para caber tanta gente, então acho que a próxima solução vai ser no ar.

O Paulo Patrício, um amigo mais realista do que eu - acho que já estava meio de saco cheio de me ouvir falar que eu gostaria de ter um carro assim, um carro assado, todos custando uma fortuna impensável me soltou esta, certa vez:
- Zé, no dia em que você conseguir adquirir um carrão desses, o homem já vai estar andando por ai de nave espacial.
Os Jetsons

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