Em 2008, o Banco Central lançou uma moeda comemorativa dos 200 anos da chegada da família real ao Brasil. Devia se chamar metamorfose, eu cheguei a pensar. De mil-réis, passamos a cruzeiro, daí para cruzeiro novo, voltou a cruzeiro, cruzado, cruzado novo, URV, Real...Aonde vamos parar? Apesar de ter sido uma edição limitada para colecionadores, a moeda com valor de 5,00 na face foi vendida a 108,00. Vejam só que coisa estranha. Que conversão é essa, ninguém sabe.
Tive um amigo que durante o período Sarney-Cruzado, Collor Cruzado Novo, Itamar-URV/real, passou a usar cartão para tudo, até mesmo o pãozinho. Ele tinha uma dificuldade danada com os números e sendo pão duro, ficava temeroso de ser passado para trás numa conversão e lhe serem tirados alguns zeros de suas notas ou moedas. Lembro de pagar uma conta na padaria para ele. O moço do caixa se recusava terminantemente a receber uns centavos de cruzados novos no cartão de crédito.
- Isso não paga nem o custo da máquina de processar a transação, moço.
- Azar o seu. É dinheiro como qualquer outro e vou levar o pão assim mesmo.
- Tá bom, você me paga depois.
- Não senhor, se voltar aqui vai ser a mesma coisa e vou acabar é acumulando dívida. Não gosto de fiado não.
Foi aí que entrei e paguei para evitar mais confusão.
Consegui um endereço na rede que tem as fotos das cédulas desde o império e pude constatar que não estou tão velho assim. A mudança de padrão monetário é que foi muito rápida por causa de inflações e inflações monstruosas. Meu salário já chegou a mais de 11 milhões de cruzeiros mensais numa época e 6 milhões de cruzados em outra. E nem faz tanto tempo assim. Outro dia mesmo. Ah, se fosse hoje em reais...
Quem quiser conhecer ou matar a saudade, se é que dá alguma, clique ai embaixo e veja as cédulas. O barão, a abobrinha, etc,etc,etc. Coitados dos poetas...