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quinta-feira, 7 de junho de 2012

LER NÃO CAUSA L.E.R.* - POESIA


PARA LER POESIA

Esfolando palavra
engolindo fonema
apressando compasso
quebrando harmonia
não leias assim um poema
não insultes a poesia

não forces tua natureza
preenchas a alma vazia
abandona a dureza
desveste  a armadura
recupera tua pureza
então, recomeça a leitura

 

Remédio ( Prendas Poéticas)

Não vos obrigueis aos versos
tampouco deveis escrever por empreitada
para não acontecer de vos escravizardes
pela palavra e ela vos dominar
deveis, ao contrário, cavalgá-las
docemente, sem freio, esporas, arreio, em pêlo

Se iniciais vossas prendas poéticas
deixai escrever toda palavra, todo verso
todo poema, toda prosa
deixai assim sair como colostro
antes do leite mais puro
Os primeiros serão, quase sempre, desabafo e desatino
Quanto mais escreverdes tanto mais primor.
Talento é luxo das virtudes.
Não espereis condecorações
nem prêmios ou méritos
o mundo é infame
leitores escassos

Evitai o escárnio, deletério, ultraje,
bajulação, incensação, arrogância
poderíeis atrair apatia, adoecer almas

contudo, nada vos é defeso
apófases, catáfases, antônimos
e tudo mais que for expressão vossa

Não declineis, nunca, à ignorância
podendo, doai livros, emprestai dicionários
jogai uma corda
a palavra acolhe
a palavra cura
a palavra salva


Paulo Adão (in memorian)
Poesia Doida de Ser
Minha homenagem ao meu irmão
1959/07/06/2011


* LER - Lesão por Esforço Repetitivo






Desejo a todos um excelente final de semana. PAZ E BEM.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R. * - Longe É Um Lugar Que Não Existe



Por Tiago Mesquita


A literatura, como toda forma de arte, surge para apresentar ao homem perspectivas sobre a natureza da vida e do mundo. Assim ela faz uso dos recursos estéticos, expressando as interpretações e impressões que tem da realidade. Mas até aí vemos apenas conceitos e atributos estéticos, meros dados estáticos, explanações frias do que as coisas querem dizer. Ou melhor, do que queremos dizer com as coisas.

Então entra o amor, a verdade por trás de tudo, e dá movimento, cor, fundamento e razão para o que está escrito. Compreender o significado é privilégio de quem ama. Mais ou menos o que o Beija-Flor, a Coruja, a Águia, o Gavião e, sobretudo, a gaivota, vem ensinar ao leitor.
Longe É Um Lugar Que Não Existe, diz o título. Richard Bach explica a frase contando a incrível história de uma viagem que começa no coração do Beija-Flor para chegar até uma festa de aniversário.

“A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente.” Essa é a fala que o narrador usa para iniciar seu diálogo com cada uma das aves, exceto a Gaivota. Como uma frase-chave, evolução da palavra, que estabelece contato com os pássaros e abre espaço para uma interação amistosa que além de trazer surpresas, traz grandes lições.


“Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser a mesma coisa que crescer”, diz o Gavião, convidando a uma reflexão, logo após encontrar um lugar pra pousar numa praia deserta. Já a Gaivota não poupa o verbo e do alto de sua sabedoria vai direto ao assunto: “Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas, pessoas e pássaros.”


Uma história sobre o amor e a amizade, mostrando que o aprendizado é uma jornada capaz de levar aonde o desejo quiser, ao encontro do que e de quem desejar. "Longe É Um Lugar Que Não Existe" é um livro curto, leve e encantador. Com belíssimas ilustrações de Ron Wegen intercalando cada página da história, nos leva a aprender que “as únicas coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.”


Longe É Um Lugar Que Não Existe convida o leitor para um passeio descompromissado e surpreendente, onde cada página ajuda a desvendar uma parte do mistério chamado vida. O livro nos coloca frente a frente com a descoberta de nós mesmos, observando que o amor transcende tempo e espaço. E na viagem o Beija-Flor pergunta: “Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se você quer estar com alguém a quem ama, já não está lá?”


Richard Bach, tataraneto do grande compositor clássico J. S. Bach, conheceu a arte vendo a vida bem de cima. Sua profissão, que ele tanto gosta e sente prazer de fazer, é pilotar aviões e planadores. Faz isso a maior parte do tempo. Foi lá em cima, entre as nuvens e o azul do céu, que se aproximou dos pássaros e da fantástica aventura de voar pela vida. E assim se fez escritor, assinando a autoria de histórias como Fernão Capelo Gaivota, Ilusões e A Ponte Para O Sempre.


“Cada presente de um amigo é um desejo por sua felicidade.” Então o amor bate asas e passeia feliz pelo ar, simplesmente porque Longe É Um Lugar Que Não Existe. “Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não pode jamais terminar.”

L.E.R. - Lesão Por Esforço Repetitivo




segunda-feira, 14 de novembro de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R.* - Malba Tahan


O Tesouro de Bresa (Malba Tahan)




Houve outrora, na Babilônia, um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim, homem inteligente e trabalhador, que não perdia a esperança de vir a ser rico. Como e onde, no entanto, encontrar um tesouro fabuloso e tornar-se assim? Um dia, parou na porta de sua humilde casa um velho mercador da Fenícia, que vendia uma infinidade de objetos extravagantes. Por curiosidade, Enedim começou a examinar as bugigangas oferecidas, quando descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos. Era uma preciosidade aquele livro, afirmava o mercador, e custava apenas três dinheiros. Era muito dinheiro para o pobre alfaiate, razão pela qual o mercador concordou em vender-lhe o livro por apenas dois dinheiros.

Logo que ficou sozinho, Enedim tratou de examinar, sem demora, o bem que havia adquirido. E qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda: "O segredo do tesouro de Bresa." Que tesouro seria esse? Enedim recordava vagamente de já ter ouvido qualquer referência a ele, mas não se lembrava onde, nem quando. Mais adiante decifrou: "O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha encontrá-lo." Muito interessado, o esforçado tecelão dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, para apoderar-se de tão fabuloso tesouro. Mas, as primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos, o que fez com que Enedim estudasse os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetos persas e o idioma dos judeus. Em função disso, ao final de três anos Enedim deixava a profissão de alfaiate e passava a ser o intérprete do rei, pois não havia na região ninguém que soubesse tantos idiomas estrangeiros.
Passou a ganhar muito mais e a viver em uma confortável casa.

Continuando a ler o livro, encontrou várias páginas cheias de cálculos, números e figuras. Para entender o que lia, estudou matemática com os calculistas da cidade e, em pouco tempo, tornou-se grande conhecedor das transformações aritméticas. Graças aos novos conhecimentos, calculou, desenhou e construiu uma grande ponte sobre o rio Eufrates, o que fez com que o rei o nomeasse prefeito.

Ainda por força da leitura do livro, Enedim estudou profundamente as leis e princípios religiosos de seu país, sendo nomeado primeiro-ministro daquele reino, em decorrência de seu vasto conhecimento.
Passou a viver em suntuoso palácio e recebia visitas dos príncipes mais ricos e poderosos do mundo.
Graças ao seu trabalho e ao seu conhecimento, o reino progrediu rapidamente, trazendo riquezas e alegria para todo seu povo.

No entanto, ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido e relido todas as páginas do livro.
Certa vez, então, teve a oportunidade de questionar um venerando sacerdote a respeito daquele mistério, que sorrindo esclareceu:
- O tesouro de Bresa já está em seu poder, pois graças ao livro você adquiriu grande saber, que lhe proporcionou os invejáveis bens que possui. Afinal, Bresa significa "saber" e Harbatol significa "trabalho".

Com estudo e trabalho pode o homem conquistar tesouros inimagináveis. O tesouro de Bresa é o saber, que qualquer homem esforçado pode alcançar, por meio dos bons livros, que possibilitam "tesouros encantados" àqueles que se dedicam aos estudos com amor e tenacidade.

Texto adaptado de OS MELHORES CONTOS, de MALBA TAHAN, Ed. Record. 2002
L.E.R = Lesão por Esforço Repetitivo

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R.* - Eu e o Livro

Thuca Kércia
Eu e o Livro
Por Thuca Kércia1


Meu pensamento oscila entre o real e a ficção e nessa dinâmica acabo por buscar fazer parte da história, a me localizar nas linhas que meus olhos percorrem, ou até mesmo nas entrelinhas, que na verdade só existem para que você tenha essa liberdade de pensar a história como você bem quiser. O autor pode até ser responsável pelo texto concreto, mas a entrelinhas só são possíveis graças ao esforço intelectual de quem está lendo.

Bem, mas eu estava tentando falar de como me sinto no ato da leitura. Eu até sei, mas não consigo explicar. Só sei que é bom. É como se uma força me prendessem não só aquelas diversas folhas impressas, é muito mais complexo, é como se eu fizesse parte agora do conjunto de ideias existentes nelas. E me deixar levar confiantemente, vivendo com a narrativa, sem interessar se isso vai acabar bem ou não, apenas compulsivamente interessada em saber o que acontecerá nas próximas páginas.

E a leitura me proporciona mais que isso. Onde mais eu posso ser o que eu quiser? Só nos livros me sinto livre e ao mesmo tempo obrigada a me inventar ao meu modo, às vezes esse também é o melhor método para se compreender de fato a trama. E o bom leitor é aquele que faz do “ e viveram felizes para sempre” o  ponto de partida para se imaginar esse “para sempre” e por que não dizer começar seu “era uma vez” a partir daí?



1 – Thuca Kércia (19), estudante e cronista e escreve regularmente no Recanto das Letras

L.E.R. – Lesão Por Esforço Repetitivo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R. * Elaine Gaspareto

imagem:blog da Elaine Gaspareto

EU LEIO SIM. E É ASSIM.


O que você mais gosta de fazer em seus momentos de relax? Passear? Cozinhar? Internetar? Tuitar? Blogar? Eu gosto de ler.
Já contei algumas vezes que gosto tanto de ler que quando era menina lia até bula de remédio (tá, ainda leio); lia jornal que vinha embrulhando a carne do açougue, lia revistas velhas, lia tudo o que me caía nas mãos. Quando inauguraram a primeira biblioteca na escola em que eu estudava (E.E.P.G.Professora Elza Miguel Francisco) em menos de 6 meses eu li o acervo todo. A bibliotecária me expulsou.
Um dia descobri um sebo na cidade. Na verdade nem era um sebo; era o que restara da única livraria da cidade, o dono endoidou e a loja virou um lugar sombrio. Conheci Júlia, Sabrina e Bianca nessa loja. Um dia ele, o dono, morreu. E não havia livraria na cidade. Aí conheci a Biblioteca Municipal.
Os anos passaram, e alguém inventou a internet; todas as livrarias do mundo ao alcance de um clique, com promoções que fazem a gente enlouquecer. Pra te dar uma ideia: contei há alguns dias 124 livros na fila para serem lidos. Sim, 124. Alguém me detenha… parem as promoções!!!
E pra ler acho que todo mundo tem um ritual, não é? Eu não dou conta de ler sentada, calminha e comportada. Leio deitada, cabeça alta em um monte de travesseiros, bem confortável. Curiosamente, mesmo quando saía de casa pra trabalhar fora, não levava livro pra ler em ônibus. Cidade pequena, 15 minutos e estamos no destino.
Mas ler deitadinha, mergulhar em um livro bom… ah… não há nada melhor. Ter blog, por um tempo, me fez diminuir a leitura de livros. Mas daí eu percebi que, embora haja muita coisa interessante na internet, eu gosto e preciso mesmo é de sentir o livro nas mãos, sentir o cheirinho dele, tocar suas páginas… coisa de quem ama, né?
E é assim que eu leio: com amor, com profundo respeito pela palavra. Agora vou ali tentar diminuir minha fila de leitura…eita delícia!!!



* L.E.R. – Lesão Por Esforço Repetitivo
Texto gentilmente cedido pela Elaine Gaspareto, a quem agradeço

segunda-feira, 20 de junho de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R. *

imagem: http://www.mundoeducacao.com.br/

“Grande parte das escolas trabalha somente com textos literários e didáticos e muitas vezes selecionam esses materiais de forma burocrática, ou seja, uma relação de interesse entre editora, escola e, até mesmo, professor. Convém deixar claro que esse tipo de atitude não é de forma generalizada, pelo contrário, existem educadores que realmente desempenham seu papel de maneira responsável, desenvolvendo estratégias e diferentes formas de realizar uma leitura eficiente.
Segundo estudiosos, existem três objetivos distintos para compreender a importância do hábito de ler:
 
• Ler por prazer;
 
• Ler para estudar;
 
• Ler para se informar.

Através da leitura realizada com prazer, é possível desenvolver a imaginação, embrenhando no mundo da imaginação, desenvolvendo a escuta lenta, enriquecendo o vocabulário, envolvendo linguagens diferenciadas, etc.
A leitura voltada para o estudo é a mais cobrada pelos professores desde o início do ensino fundamental, apesar de muitos não estarem preparados para desenvolver em seus alunos tal hábito.
A leitura dinâmica e descontraída é uma das melhores formas de adquirir informações. O ideal é que se aprenda a ler textos informativos, artigos científicos, livros didáticos, paradidáticos, e etc.”

Fonte:  Texto sobre a importância do hábito de leitura do site www.mundoeducacao.com.br

* LER : LESÃO POR ESFORÇO REPETITIVO

segunda-feira, 13 de junho de 2011

LER NÃO CAUSA L. E. R*. - Bernardo Pina


imagem google

Quantas pessoas você conhece que têm o hábito da leitura? Quantos livros por ano costumam ler? Se lê, fora os livros lê o quê? Com qual freqüência?

Infelizmente não é comum ver pessoas com esse hábito, por mais benéfico que ele possa ser. Por quê? Porque não temos uma cultura que favorece a leitura. Na minha humilde opinião, é uma questão social e política (mas não vamos entrar no mérito da questão aqui senão esse post não terá mais fim).

Ler nos faz bem em vários aspectos. Veja alguns benefícios:
- Melhora cada vez mais a nossa capacidade e velocidade de leitura;
- Melhora a nossa capacidade de escrita;
- Aumenta nosso vocabulário, permitindo nos expressar melhor;
- Aumenta a nossa cultura geral;
- Nos faz formar mais opiniões sobre diversos assuntos diferentes.


Fonte: Blog do Bernardo Pina www.produzindo.net



L E R = Lesão por Esforço Repetitivo




segunda-feira, 6 de junho de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R. * - Sérgio Rodrigues


imagem google

Meu filho de 12 anos anda se engalfinhando com dois livros recomendados pela escola: “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e “The red badge of courage”, de Stephen Crane (isso mesmo, no original, para a aula de inglês).

Bons e importantes livros, ninguém discute. Mas serão escolhas sábias para leitores dessa idade? Não vou fingir que entendo de pedagogia, mas literatura eu conheço um pouco. Uma peça teatral de Suassuna e um clássico americano do século 19 (que, mais do que ler, eu traduzi, e posso garantir que é datadíssimo) me parecem opções desastrosas – a segunda, então, beira a piada. Em sua aparente insensibilidade para os desafios que a palavra escrita enfrenta com a geração Playstation, chegam a ser desanimadoras. E estamos falando da “moderna” Escola Parque, no Rio.

É claro que meu filho avança lentamente e de má vontade nas duas tarefas. E olha que, criado numa casa cheia de livros e conversas sobre livros, ele gosta de ler. Entre muitas outras coisas, se apaixonou pelas aventuras de Harry Potter, devora tudo do Tintim e atualmente vibra – quando Suassuna e Crane deixam – com “Capitães da areia”, uma recomendação minha, tentativa modesta de compensar a aridez do dever de casa.

Não, não acho que a escola deva enfatizar demais o prazer em detrimento da disciplina, do compromisso. É a impressão de que esse equilíbrio não vem sendo sequer buscado que me preocupa. Como pai determinado a deixar de herança para os meus filhos no mínimo uma parcela da paixão pelos livros que toma boa parte da minha vida, vou me dar por satisfeito se a escola, caso seja incapaz de contribuir, tentar pelo menos não atrapalhar.
Fonte: Sérgio Rodrigues AQUI: 

* L.E.R. – Lesão Por Esforço Repetitivo

segunda-feira, 30 de maio de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R. * - Miriam de Sales Oliveira **

Publiquei aqui uma série de excertos de pensamentos de escritores sobre escrever. Agora, o mais importante, creio, e um combustível para a escrita, publico outra série sobre o ato/hábito da leitura.


imagem google

Quando eu era criança minha mãe me presenteou com as obras completas de Monteiro Lobato.
Eu era uma criança solitária, filha única e vivia numa pequena cidade do interior, sem diversões nem vida cultural interessante.
Pela mão de Monteiro Lobato descobri o mundo e as pessoas; D. Benta,a vovó carinhosa que contava belas estórias,Tia Nastácia,e a sabedoria popular transmitida às crianças Pedrinho e Narizinho e a destrambelhada boneca Emília,que depois virou gente,atrevida,irreverente,inconveniente como eu mesma.
Sempre digo que Lobato foi o meu pai espiritual, mas depois vieram muitos outros livros.Livros à man’cheia como queria o poeta,fazendo a criança pensar.

Nunca mais me senti solitária. Estou sempre rodeada de livros e tanto aos cinco anos quanto agora aos 68 os livros são a minha companhia.
Não temo a morte, mas,receio morrer sem ler todos os livros que desejo.
Mas, o propósito dessas reminiscências é lembrar aos pais e professores o quanto a leitura é importante para o bom desenvolvimento da criança.
Nesta nossa era cibernética, do computador,da Internet,dos games e até mesmo dos livros digitais que estão surgindo – e-books,e-readers – cabe a nós fazermos com que nossos garotos não percam o interesse pelo bom livro impresso,seu conteúdo e sua magia.
O livro é o tapete mágico que nos transporta a mundos diferentes, que nos abre portas para outras culturas e pessoas diversas e nos faz compreendê-las.

A Literatura deve ser levada às crianças e adolescentes de uma forma fácil, interessante, para que possa ser entendida por eles.
Um adolescente me confessa detestar Machado de Assis; acho apenas que Machado lhe foi apresentado de modo errado.
Talvez esse interesse que não veio, tenha sido prejudicado pela leitura em português castiço, antiquado para a nossa época ou essa leitura tenha sido obrigatória e o garoto não pode captar a beleza desses livros.
Pois os temas são os mesmos desde o começo dos tempos: amor, solidão, ciúme, traição, família, interesses escusos ou não; os personagens vivem até hoje em outros corpos; quem não conhece alguma Capitu ou Bentinho, ou José Dias ou Escobar ou o Ayres?
São eternos, puxa!
Poderiam ser nossos vizinhos, amigos próximos, parentes até.

Uma coisa parece certa; se os pais têm o hábito de ler os filhos terão também.
Se a criança receber livros de presente e esses livros forem interessantes, adequados às suas idades e explicados de forma informal pelos pais e professores, com certeza estaremos formando futuros leitores.

No Brasil temos um probleminha; os livros não chegam à senzala, ou seja, crianças pobres de escolas públicas quase nunca têm acesso aos livros, principalmente porque o livro é caro para o bolso da maioria.
Porque não colocar um livro na cesta básica visando alimentar o espírito?
No meio de bolsa-escola, bolsa –família  etc porque não criar o vale-livro,formar bibliotecas nas escolas e centros comunitários,estimular o contador de estórias ,discutir a leitura, “fazer o povo pensar”?
Porque não  interessa aos donos do poder. Povo que pensa escolhe melhor seus governantes. 



** Miriam de Sales Oliveira é escritora Baiana, autora de CONTOS E CAUSOS,  BAHIA DE OUTRORA e CONTOS APIMENTADOS. Dona dos blogs: http://wwwfiatluxblogspotcom.blogspot.com/ - http://contosecausos24x7.blogspot.com/ - http://miriamcafecompimenta.blogspot.com/ - http://abahiadeoutrora.blogspot.com


 
* L.E.R. = Lesão por Esforço Repetitivo





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