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domingo, 15 de julho de 2012

LER NÃO CAUSA L.E.R.* - DIA DO HOMEM


A imprensa brasileira tem noticiado que algumas empresas têm investido em ações de marketing alusivas ao Dia do Homem, que é comemorado no país em 15 de julho. A data – internacionalmente celebrada em 19 de novembro – foi estabelecida por Mikhail Gorbachev, ex-presidente Russo, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e de grupos de defesa dos direitos masculinos da América do Norte, Europa, África e Ásia. A proposta inicial era promover a igualdade entre os gêneros e incentivar a população masculina a cuidar da saúde de forma preventiva.

Mas, posso discordar dessas sugestões de presentes? Creio que seria melhor presentear com um livro. Sim, um singelo livro! Exatamente porque os homens brasileiros precisam ler mais – é o que mostra a terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, conduzida pelo Instituto Pró-Livro. Os dados revelam que apenas 43% dos leitores brasileiros são homens. As mulheres – 53% das leitoras do país – têm um papel fundamental para incentivá-los a tornar a leitura um hábito. Professoras e mães, em especial, pois são responsáveis pela indicação e incentivo à leitura: 45% e 43%, respectivamente.

Em um artigo muito interessante, o professor e escritor Mario Sérgio Cortella nos lembra da cartilha Caminho suave, de Branca Alves de Lima. Ele conta que no capítulo sobre a família, a ilustração mostrava um pai sentado em uma poltrona, lendo o jornal. Atrás dele, em pé, a mãe vestida com um avental, segurava uma bandeja com um café. A imagem era composta, ainda, de uma menina, brincando com uma boneca e um menino, com um carrinho. Não acredito que tenha sido proposital, mas a imagem passava a clara mensagem que os homens leem e as mulheres servem. Uma indução inocente, mas desagradável.
No mundo contemporâneo, por que os homens brasileiros leem menos? Antes que alguém evoque a maior sensibilidade feminina para as artes, o hipotético “tempo de sobra” ou argumentos similarmente frágeis, recorro novamente às pesquisas. Quando questionados em estudos sobre o que estão fazendo nos momentos de lazer, homens e meninos revelam: dedicam mais tempo à televisão – especialmente programas de esportes –, acessam a internet e convidam os amigos para jogar videogame.

De toda forma, a questão da leitura no Brasil é extremamente delicada. A pesquisa mostrou que a parcela de leitores caiu de 55%, em 2007, para 50% em 2011. O número de brasileiros considerados leitores – que leram uma obra nos três meses que antecederam a pesquisa – caiu de 95,6 milhões, em 2007, para 88,2 milhões em 2011. Os dados mostram que precisamos investir em uma nova cultura capaz de formar uma nova geração de homens e mulheres; uma nova geração de leitores.

Lourdes Magalhães é presidente da Primavera Editorial

L.E.R. – Lesão por Esforço Repetitivo

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R.* - Bonequinha de Luxo

imagem google

UMA VÍRGULA JÁ PODE COMPLICAR IMAGINE A FALTA DE DUAS...

Li num jornal de papel que o filme Bonequinha de Luxo, baseado em livro de mesmo nome do autor Truman Capote está completando 50 anos.  O filme foi estrelado pela bela Aldrey Hepburn. O autor do livro inicialmente queria Marilyn Monroe mas o diretor do filme acabou optando por Aldrey. Uns dizem que esse filme inaugurou a figura da garota de programa, outros que ele é o precursor da mulher moderna, tal como a conhecemos hoje, livre, leve e solta. Muitas delas, efetivamente, outras tantas em sonho e luta.

O termo garota de programa não passa de um eufemismo para prostituta de luxo e particularmente acho um desmerecimento muito grande associar isso à mulher moderna, à luta tão grande empreendida por mulheres daquela época contra todas as opressões que culminaram com um mundo que ainda caminha para ser menos cruel com elas.

O livro do qual quero falar não é o que dá nome ao filme mas o que foi lançado agora em comemoração ao cinquentanário do primeiro. É o Quinta Avenida, 5 da Manhã, de Sam Wasson, sobre os bastidores do filme, de uma moda nova e de uma mulher libertária nos Estados Unidos na década de 1960. Vale a pena pelo panorama histórico ou para quem gosta de acompanhar a evolução dos modismos, que nos permite um bom apanhado das transformações sociais ao longo do tempo, tendo como parâmetro a atualidade.

Agora, cruel mesmo foi o produtor da matéria do jornal em questão que fez uma chamada destacada na página ao lado da foto da atriz caracterizando-a, sem as vírgulas nos lugares que deveria: “era única excepcional extremamente charmosa, elegante, talentosa.” Sei que foi um erro de ortografia, mas se a gente não ler a reportagem inteira pode parecer que é uma discriminação e um preconceito terríveis.

Fonte, jornal hoje em dia 11/09/11
* L.E.R. - Lesão Por Esforço Repetitivo

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

LER NÃO CAUSA L. E. R. * - Tais Luso

imagem blog da Tais Luso
O HÁBITO DE LER
 Por: Tais Luso

Sou de uma geração que curtiu muito os gibis; aprendemos a ler com os gibis, e era com ansiedade que íamos às bancas de revista comprar as novidades do mês. E a troca de gibis entre os amiguinhos era estimulante. Depois, se aprimorava o gosto com vários livros. Mas, estávamos criando o hábito da leitura. A criança precisa de ajuda e de estímulo para essa iniciação. E também na adolescência.

Lembro que na adolescência, tanto eu como minhas colegas de aula, perdemos um pouco desse hábito devido aos livros que a Escola oferecia como padrão: não queríamos os clássicos brasileiros; não queríamos ler por obrigação para fazermos uma resenha. Queríamos a liberdade de escolha, que nos foi negado. Acredito que isso desestimulou um pouco a nós todos. Há que se respeitar o gosto de cada um, e, à Escola, cabe analisar as preferências de seus alunos. O mesmo livro para todos os alunos? Foi um desastre; uns perguntavam aos outros a história - e a resenha estava feita! Ninguém aceitava uma leitura imposta.

Lembro que muitas de nós queríamos ler algo mais moderno, coisas da nossa época, para nosso momento. Lembro que me revoltei com isso e levei pra aula (colégio de freiras)  O Muro, de Sartre. Levei o livro para o recreio e caminhava pra lá e pra cá, meio que provocando... Era uma atitude pra encher o saco das freiras. Mas, em pouco tempo fui parar na sala da Madre Superiora, e meus pais foram chamados à escola:

- Sua filha está muito rebelde, está dando mal exemplo aos colegas!

Foi nesta época que houve um desinteresse da parte de muitos alunos; não tínhamos opção, não tínhamos tempo de ler outras coisas, uma vez que a leitura dos clássicos brasileiros, obrigatórios, tinha prazo para a entrega do trabalho. Para tudo existe uma idade certa, era só ter esperado o amadurecimento dos alunos.  

A escola é a mola mestra; é nela que depositamos esperanças e mudanças. E cabe aos pais ajudar a incutir o hábito nas cabecinhas em formação; manter o elo, dar continuidade, estimular. Não impor! 

Se ficarmos pensando que somos um país em desenvolvimento, que os livros são caros, que o analfabetismo é enorme, que as crianças não são estimuladas à leitura, que as famílias têm outras prioridades, bem... então nada mais a fazer. É deixar como está pra ver como é que fica.

E vai piorar, uma vez que a educação é primordial para o desenvolvimento e a educação de um povo. Quanto mais esclarecimentos,  mais qualificados seremos, mais oportunidades de trabalho, e consequentemente seremos mais felizes, aptos a cuidar mais de nossa saúde e de nossas famílias. 

É lendo que se aprende, que se cresce, que se conquista; que saímos da ignorância para um mundo mais aberto e de mais qualidade. O povo, através de sua cultura, de sua história, de sua economia é que pode fazer uma nação forte.
imagem blog da Tais Luso

Certa vez ganhei um bambolê... Meu pai não gostava daquele negócio e me propôs uma troca: 'vamos numa livraria e você escolhe os livros que quiser, mas largue esta geringonça'.  E aceitei a proposta. Comprei vários livros.

Apesar das
leituras na Escola não terem sido do meu gosto,  retomei o hábito da leitura por várias circunstâncias: tive um ótimo exemplo em casa e uma biblioteca muito boa. A convivência com livros sempre foi muito próxima.

Sei que formar este hábito é difícil, ainda mais com a tecnologia de hoje, onde as redes sociais da Internet dominam muitas cabeças. Por outro lado,  vemos o trabalho de Órgãos do Governo e outros com apoio da iniciativa privada, incentivando as artes, literatura e literatura infantil. 

Um país que incentiva a cultura, que cuida de suas crianças formará adultos mais capazes e mais felizes. 




Texto gentilmente cedido pela Tais Luso a quem agradeço
* L.E.R. - Lesão Por Esforço Repetitivo

terça-feira, 13 de setembro de 2011

LER NÃO CAUSA L. E. R. * - Fábio Fujita



O torneiro e o poeta
Inspirado por Drummond, metalúrgico quer viver dos seus versos

por Fábio Fujita


Há três anos, quem ousasse falar de poesia a Rodrigo Inácio seria recebido com um olhar atravessado de reprovação. Era melhor que ficasse longe, guardando um perímetro seguro do interlocutor. O jovem metalúrgico tinha uma opinião fechada sobre quem gostava de versos e rimas. “Eu achava que poesia era coisa de viado”, lembrou, sem tergiversar. Tudo mudou quando precisou correr atrás de palavras definitivas para se dirigir a uma moça. Ciente das próprias limitações lexicais, viu-se obrigado a consultar o grande repositório da sabedoria universal e foi ao Google. No campo de busca, Inácio digitou “Frases bonitas”. No primeiro clique, deparou-se com o poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade. Os versos que leu na tela não contribuíram para melhorar seu juízo sobre os poetas. “O cara deve ser idiota para escrever um negócio desses”, concluiu, no que foi a sua primeira crítica literária.

Inácio não se deu por derrotado. Por ironia, acabou gostando mesmo foi
de um verso atribuído erroneamente a Drummond na internet – aquele que
diz que “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. Aquilo, sim, soava bem. Esmerou-se na escolha da fonte e despachou o verso à sua bela, que respondeu dizendo ter achado “interessante”. A reação foi suficientemente animadora para incentivar Inácio a gastar mais Drummond para cima da moça – agora do legítimo, não do falsificado. Num sebo, comprou O Amor Natural para dar-lhe de presente. Não sabia, claro, que aquele era o livro de poemas eróticos do autor, no qual línguas lambem pétalas vermelhas e o poeta suga e é sugado pelo amor. O rapaz se envergonhou de lembrar do caso. “Você é um besta de me mandar um livro daqueles”, foi a resposta que a menina lhe deu.

Para não repetir gafes dessa magnitude, Inácio passou a estudar com
afinco a obra de Drummond. Ficou abismado quando leu “Memória” (“As coisas tangíveis/ Tornam-se insensíveis/ À palma da mão/ Mas as coisas findas/ Muito mais que lindas,/ Essas ficarão”). Era muita frase bonita para um poema só. Inácio ficou de bem com o autor mineiro. Mas continuou encucado com “No meio do caminho”. “Só depois de passar um longo tempo amistoso com Drummond é que fui entender e gostar desse poema”, explicou, em um notável exercício de revisão no qual muitos críticos deveriam se espelhar.

De Drummond para outros autores foi um pulo. Inácio continuou
exigente. “Vinícius de Moraes era muito mulherengo”, não demorou a constatar. Experimentou também um pouco de prosa. Encantou-se com Clarice Lispector. Gostou de A Hora da Estrela e A Paixão Segundo G.H.  “Acho que, no fundo das palavras dela, há um certo tom de feitiçaria”, ponderou. “Ela era bem doida. Tadinha, morreu de câncer.”

Aos 21 anos, Inácio mora em Diadema, na periferia de São Paulo. Para
ir e voltar do serviço, no bairro do Ipiranga, na capital, pega seis conduções diárias, entre ônibus, trólebus e trem. Estudou só até o 3º ano do ensino médio. Como preparador de torno no ramo industrial, ganha dois salários mínimos. Mesmo assim, pagou 200 reais num raro disco de vinil intitulado Antologia Poética, em que Drummond declama seus versos.

Sem receio de melindrar seu ídolo, Inácio disse que queria comprar
também o disco de poemas de Cecília Meirelles. “Mas o dela está a 450”, lamentou, após pesquisar na internet. A triste verdade é que os áureos dias de Drummond já se foram. “Hoje gosto mais da Cecília”, admitiu o torneiro. “Não estou desmerecendo Drummond, mas a Cecília, além de ser linda, muito linda, escreve muito bem”, derreteu-se.
 
Para o jovem metalúrgico, o único problema com sua paixão pela poesia é
não ter com quem conversar. No serviço, há quem ache que Rodrigo nácio é viado. “Mas eu não ligo”, assegura. A única pessoa com quem fala sobre poemas é uma garota que conheceu num ponto de ônibus. Ele puxou assunto quando viu que conhecia o livro que ela lia – Pollyanna. “É sobre uma menina bobinha que acha que tudo no mundo é belo”, explicou.

Com familiaridade crescente com as letras, era natural que Inácio
acabasse tendo vontade de desenvolver sua própria produção poética. Começou a fazer poemas, alguns sobre amores malfadados, outros inspirados pelas coisicas do cotidiano. “Já escrevi um poema porque vi um pássaro voando.” Diz já ter pelo menos uns trinta. Tudo na gaveta. “A crítica é inevitável, mas tenho medo de as pessoas acharem os poemas tristes”, alegou para justificar o ineditismo. Mas o pior mesmo, disse o torneiro, é quando alguém lê e não entende os versos. Poesia não é remédio para precisar de bula.

O poeta Rodrigo Inácio hesitou, mas criou coragem e mostrou alguns de
seus escritos tirados de uma pasta. Um poema chamado “Canção esmorecida” trata da insignificância da existência e da passagem
inexorável do tempo.

“Apenas uma árvore triste que sou
Tão fria e tão silenciosa
Que não sente o tempo passar
Que não sabe se ama ou gosta”,

dizem os primeiros versos. A estrutura se repete nas estrofes seguintes. A última delas é melancólica: 

“Apenas uma simples hera que sou
Que olha o mundo inteiro passar
Que observa cada rosto
Mas que não sabe até quando irá durar.”

O uso de “hera” e outros termos do registro mais erudito é herança
daquele que um dia desdenhara. “É Drummond.” Inácio gostaria de trocar o torno pela pena. Chegou a pedir a uma amiga, que é professora, aulas particulares de metrificação. Como pagamento, está disposto a oferecer o próprio disco do Drummond, o seu maior tesouro.

Daqui a um ou dois anos, pretende largar a metalurgia e começar a
trabalhar com tecnologia da informação, uma carreira que paga bem e lhe permitirá conciliar a sonhada faculdade de letras. Para isso, será inevitável estudar ciências exatas para o vestibular. Inácio não vê essa perspectiva com serenidade. “O cara que descobriu a matemática, mano, tem que morrer de madeirada”, queixou-se. Vai ser uma pedra no seu caminho.







Fonte: retirado da revista Piauí. (clique aqui)
* L.E.R. Lesão Por Esforço Repetitivo

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

LER NÃO CAUSA L. E. R. * - Planeta Educação

imagem daqui:
As estatísticas nacionais quanto à leitura indicam que os brasileiros lêem muito pouco. Em média, apenas quatro brasileiros em cada 10 têm algum contato com livros em nosso país, os outros seis (para ser mais exato, 61%), têm muito pouco ou nenhum contato com livros. E mesmo os demais 39% não praticam a leitura com alguma freqüência...

Na verdade o índice de leitores regulares de nosso país é de, aproximadamente, 16% (percentual relativo à quantidade de pessoas no Brasil que possuem o equivalente a 73% de todos os livros aqui existentes e que estão em mãos de particulares).

Há no país apenas 1.500 livrarias e em cerca de 1.300 cidades do Brasil não existem bibliotecas públicas. Só a título de comparação, somente a aquisição de livros para bibliotecas públicas nos Estados Unidos supera a compra total desse artigo por brasileiros e pelas instituições aqui existentes. (Os dados aqui apresentados constam de uma pesquisa da Câmara Brasileira do Livro, realizada em 2001).

O livro é, para os brasileiros, um produto muito caro e, em virtude disso, acabou se tornando um luxo pelo qual as pessoas, especialmente as mais humildes (de menor poder aquisitivo), não se dispõem a adquirir. Impressiona também saber que os dados relativos à leitura de jornais e revistas do Brasil, quando comparados com os de países vizinhos onde a escolarização e a valorização da cultura são maiores, como é o caso da Argentina, são menores...

As políticas públicas nacionais não consideram investimentos em livros (a não ser em impressos didáticos) como merecedores de cotas maiores dos orçamentos municipais, estaduais ou federal. Nesse sentido não há registros expressivos de melhoria dos acervos das bibliotecas públicas e nem de projetos de leitura de grande envergadura.

O que vemos é a luta de alguns apaixonados pelos livros, como professores, jornalistas, profissionais liberais ou membros das alas mais cultas das cidades, manifestando-se em favor da leitura e da melhoria das bibliotecas de seus municípios (quando elas existem), mas mesmo essa mobilização é escassa e pouco produtiva...

Além dos necessários gastos com tecnologias de ponta e projetos em informática educacional, urge que os governos e a sociedade civil se mobilizem em favor dos livros, senão seremos eternamente, uma nação de pessoas incultas em sua maioria e estaremos fadados a continuar sendo apenas "burros de carga" que fazem o trabalho pesado e alimentam o desenvolvimento alheio... 

A íntegra do artigo aqui:

Autor: 
João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).


* L.E.R. = Lesão por Esforço Repetitivo

segunda-feira, 25 de julho de 2011

LER NÃO CAUSA L. E. R. * - Cacá (José Cláudio)

imagem daqui:

PROPAGANDA DE LIVRO

Deixem-me fazer aqui uma propaganda: submetemo-nos diariamente a todo o tipo de publicidade possível, imaginável, apelativa, abominável, insuportável, condenável, massificante, coisificante e inútil.

Será que só conseguimos nos sentir bem e felizes através do consumo de bens materiais? Não conta a alma,  a satisfação que não precisa de enfeites, de ostentação?

Pois bem, o produto que eu quero disseminar aqui se chama leitura. Especialmente de livros. Toda leitura é bem vinda, ensina, inclusive, o discernimento daquilo que bom do que não é. Do agradável ou não. Da leitura que soa como música sem ruído. Afora o aprendizado, sem dizer o prazer que proporciona. Eu gostaria que esse comercial tivesse o efeito que provoca o de um sorvete, de um chocolate, de uma cerveja, de um belo vestido, de um carro novo. Mas esse efeito tem um probleminha: não é palpável, não é degustado. Ele é que toca a gente. Nos olhos, na mente e no coração.

Eu poderia fazer como se faz na publicidade que fazem dos bens que podemos ter, argumentando com os benefícios de uma televisão, da satisfação com uma comida pré-pronta, de uma escova que alisa os cabelos. Mas o argumento já está dentro das palavras, das letras, das histórias. Só lendo para perceber num curto espaço de tempo a diferença que se opera em nossa vida. Ao passo que os bens materiais, se vão, se desgastam, enjoam ou não preenchem de modo duradouro aquele desejo que tanto ansiávamos. Talvez até um pouco e por pouco tempo, fazendo-nos, inclusive, desejar mais, cada vez mais para no final, não trazerem o preenchimento de uma lacuna que não está na aparência física, não está num cômodo da casa. Está dentro da alma.

Se for dar um presente ao seu filho ou filha, não deixe de fazê-lo para que não se frustre. Criança precisa de brincar. Mas dê um mais baratinho e inclua um livro com o troco. Se ele torcer a cara,  pode ser que distorça mais tarde, com um sorriso iluminado. Se for para amigos ou parentes, não hesite um minuto.

E o mote final seria assim: Livros são como árvores. Plante a sua no jardim do coração de quem você gosta.

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* L E R  = Lesão Por Esforço Repetitivo
PS: Esta crônica já havia sido publicada aqui no blog com o título Mais do Novo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R. * Daniel Penac

Como Um romance - Uma viagem ao universo da leitura

A obra de Daniel Penac está dividida em 4 partes: Nascimento do Alquimista, É precios ler, Dar a Ler e O que lemos, quando lemos. Cada capítulo trata de 3 patamares fundamentais: O que é o leitor, Como se forma um leitor ( auto-formação) e como se faz a manutenção desse leitor. De forma bastante pedagógica ele nos ensina a perceber traços e sinais  essenciais para a compreensão desses patamares.
Através de alguns trechos ficcionais, daí a escolha pelo título metalinguístico, Penac nos apresenta os processos de percepção e os erros comuns gerados nesse momento. Ações que ocorrem em diversos espaços de aprendizagem, como na escola ou em casa. Os pai que pedem ao filho que suba ao quarto e leia, em toda sua autoridade não percebem o período que se passou entre a ultima vez que incentivaram verdadeiamente a leitura até o momento em que ela passou a ser uma ordem. O professor que apresenta uma leitura, aparentemente exaustiva dado o volume do objeto livro em mãos, e que prova aos seus alunos, com leitura em voz alta, que todo o “muro” que os divide da obra começa a ruir a medida que a leitura avança. E o melhor, em minha opinião, é que o autor sugere uma liberdade nas relações  de livro-leitor que fogem das regras exteriores ao universo criado pelos dois que permeiam essa relação.
No primeiro capitulo, Nascimento do alquimista, Penac nos provoca ao descrever desculpas universais que tentam justificar o desinteresse pela leitura, por exemplo a televisão, como sendo uma das maneiras mais confortáveis, já que pressupõe um único ato - o de proibir, de justificativa. Essa provocação se dá pelo fato de que sempre a vemos, a tevê, como vilã da história. A proposta é mostrar quem são os verdadeiros responsáveis pela ausência no desejo de leitura em uma criança. Quem apaga a luz da ficção e fecha as portas do universo de encantamento para abrir o  abismo das obrigações de leitura com a ausência plena de responsabilidades dos, agora não mais pais, inquisidores?  A síntese desse capítulo pode-se ver no trecho abaixo:
Éramos o contador de histórias e nos tornamos contadores, simplesmente.
Eh! É isso...
É isso... a televisão elevada à dignidade de recompensa... e, em corolário, a leitura reduzida ao nível de obrigação... é bem nosso,esse achado...

As obrigações que afastam a criança do seu universo de relação independente com as histórias dos livros, lidos pelos pais, que trata-se , às vezes, da  única intereção entre Pai e filho durante o dia (Vide No caminho de Swann -  Marcel Proust ¹), interrompem a formação do Alquimista que traduz em riquezas o universo de códigos apresentados, referenciados por ambientes e tempos, diante dos olhos daquele que, no calor da fase mais criativa que temos, não consegue passar da página 48.

Daniel Penac
No segundo capítulo, É preciso Ler ( O dogma), o autor descreve os discursos que querem forçar uma leitura comprometida com os interesses da sociedade e , completamente, indiferente aos interesses do leitor. Na página 64, a sequência da oração  É preciso ler... é exposta com os diversos motivos pelo qual nossa leitura é induzida. Dentre eles destaco: Ler para...
..aprender
...dar certo nos estudos
...conhecer melhor os outros
etc...

Essa redução, ou melhor, tentativa de padronizar os reais motivos de uma leitura apresenta objetivos palpáveis, no entender do discurso, que possam justificar o interesse do leitor. Assim, de forma generalizada, entende-se ser capaz de, com esses argumentos, convencer um não leitor a se tornar um leitor. Enquanto isso o mais importante na relação leitor-livro é esquecido. E o que é o mais importante nessa relação, segundo Penac, é a Liberdade.
A mesma liberdade que sentimos quando adentramos uma história, ou seja quando temos contato com o universo dos signos presentes na obra, devemos ter na relação com o objeto-livro. E é por isso que o autor, no ultimo capítulo, vai tratar das regras que reestabelecem a relação que tinhamos nos primeiros contatos com o universo ficcional do qual nos lembramos.

Em  Dar a ler, terceiro capítulo do livro, Penac nos mostra o quanto usamos o tempo como desculpa para não ler. Em seguida, apresenta cálculos que consideram pequenas leituras diárias em busca de grandes leituras ( equivalente ao tamanho do livro) em curtos espaços. Esse capítulo nos mostra que o principal passo para iniciarmos a leitura de uma obra extensa é abrí-la. Surge o exemplo do professor em sala de aula com o livro O Perfume de Patrick Süskind e sua edição de páginas espaçadas,vastas margens, enorme aos olhos daqueles refratários à leitura, e que prometia um suplício interminável.
Na página 109 o autor retoma essa imagem para desfazê-la: Um livro grosso é um tijolo. Liberem-se essa ligações, o tijolo se transforma em nuvem.


No quarto e último capítulo, o que lemos, quando lemos ( ou os direitos imprescritíveis do leitor), Penac fecha com chave de ouro em suas 10 diretrizes que permeiam as relações entre leitor e livro.
  1.       O direito de não ler
  2.       O direito de pular páginas
  3.       O direito de não terminar um livro.
  4.       O direito de reler. 
  5.      O direito de ler qualquer coisa.
  6.       O direito ao bovarismo.
  7.       O direito de ler em qualquer lugar.
  8.      O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
  9.      O direito de ler em voz alta.
  10.     O direito de calar.

Na diretriz de número 10, que o autor assinala como predileta, posta-se a máxima de todas as relações. O que há de íntimo não se deve comentar. E quanto estamos em contato com algo que nos faz revelar,
 setores de nosso ser auto-anulados pelas exigências das relações cotidianas, estamos em contato com o que há de mais íntimo em nós mesmos. Falar sobre ou não é uma decisão que cabe somente ao leitor.

- Mas e aí, conte-me, como foi sua leitura de Viagem ao centro da Terra²?

Ouço o farfalhar de uma mariposa do lado de fora rodeando e “ dando vorta em vorta da lampida” de Adoniran³.

Boa Noite Mariposa!




¹ No caminho de Swann -   Primeiro volume de Em busca do Tempo Perdido
²Viagem ao centro da Terra (1864) livro do francês Júlio Verne ( 1828-1905)
³As Mariposas – Composição de João Rubinato ( Adoniran Barbosa) 1955
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Este artigo foi gentilmente cedido pelo  ARI - blog Fruto Vermelho (aqui).


L.E.R. = Lesão Por Esforço Repetitivo

segunda-feira, 11 de julho de 2011

LER NÃO CAUSA L. E. R*. - Bartolomeu Campos de Queirós

imagem google
“Eu sou muito encantado com a leitura; então tenho que ficar me policiando, porque às vezes começo a escrever, tenho uma idéia, lembro do poeta tal ou do autor tal e aí paro de escrever e fico lendo aquele escritor. Tem um diálogo grande entre a escrita e a leitura. Eu leio muito, gosto de ler, acho até que é uma coisa superior à escrita, para mim. Eu me sinto muito bem lendo.”

Bartolomeu Campos de Queirós

Fonte: construirnoticias.com.br (org. Luciana Sandroni)



L E R = Lesão por Esforço Repetitivo

segunda-feira, 4 de julho de 2011

LER NÃO CAUSA L. E. R. * - Cacá

LER É FASHION

O título é copiado de um texto muito legal que li na página da Marli Borges. Andam dizendo por aí que ler agora é fashion. Fashion, de acordo com a aquela menina que tinha mania de explicação, personagem da Adriana Falcão, é quando converge todo mundo para a mesma coisa, mesmo sendo essa mesma coisa algo que não seja bom para todo mundo que converge. Mas como é para o mar que os rios correm e não para as montanhas, todo mundo vai navegando pelas águas do que ditam os modismos. Por outro lado, esse cortejo do senso comum chega a ser extremamente positivo. Tanta coisa fashion na vida da gente que é só fashion, passa, a gente adere e dá em nada, que chega a ser um alento dos mais promissores se a moda durar. Pelo menos acho que dá para ter uma certeza: é uma moda que, se passar, vai deixar simpatizantes para a vida inteira e as vidas deles nunca mais serão as mesmas; mornas ou manipuladas. Enfim, surge um caminho que pode levar a boiada a um destino que não seja o matadouro. Dá-lhes livros e mais livros!

No mesmo texto ela sugere que cada um diga sua experiência na iniciação à leitura e qual o livro que deixou uma marca na sua vida (do leitor). Esse o é o ponto que me levou a escrever esta crônica. Já li centenas, talvez milhares de relatos de pessoas que se transformaram em leitoras mais ou menos assíduas, acerca do que as motivaram à leitura. É inacreditável (é?) que não me lembre com muita freqüência de ter lido que foi a escola que deu esse impulso. Há muitos em que ela tenha contribuído, porém poucos no universo total. Tanto que não chegam a merecer destaque nem são suficientes para me lembrar. Portanto, a escola passa a ser uma exceção quando é um agente que tenha metodologias direcionadas para o incentivo ao gosto pela leitura. Inserir nos currículos creio que todas fazem. O problema talvez, esteja no método, nas condições materiais e no preparo do corpo docente e pedagógico. Não se trata de escolas de pobres ou de ricos. Falo da escola como instituição.

Então, diferente da questão da Marli, deixo outra no ar: você que lê com gosto e freqüência: foi da escola que nasceu o seu hábito?


*L.E.R. = Lesão Por Esforço Repetitivo
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