segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R. * - Longe É Um Lugar Que Não Existe



Por Tiago Mesquita


A literatura, como toda forma de arte, surge para apresentar ao homem perspectivas sobre a natureza da vida e do mundo. Assim ela faz uso dos recursos estéticos, expressando as interpretações e impressões que tem da realidade. Mas até aí vemos apenas conceitos e atributos estéticos, meros dados estáticos, explanações frias do que as coisas querem dizer. Ou melhor, do que queremos dizer com as coisas.

Então entra o amor, a verdade por trás de tudo, e dá movimento, cor, fundamento e razão para o que está escrito. Compreender o significado é privilégio de quem ama. Mais ou menos o que o Beija-Flor, a Coruja, a Águia, o Gavião e, sobretudo, a gaivota, vem ensinar ao leitor.
Longe É Um Lugar Que Não Existe, diz o título. Richard Bach explica a frase contando a incrível história de uma viagem que começa no coração do Beija-Flor para chegar até uma festa de aniversário.

“A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente.” Essa é a fala que o narrador usa para iniciar seu diálogo com cada uma das aves, exceto a Gaivota. Como uma frase-chave, evolução da palavra, que estabelece contato com os pássaros e abre espaço para uma interação amistosa que além de trazer surpresas, traz grandes lições.


“Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser a mesma coisa que crescer”, diz o Gavião, convidando a uma reflexão, logo após encontrar um lugar pra pousar numa praia deserta. Já a Gaivota não poupa o verbo e do alto de sua sabedoria vai direto ao assunto: “Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas, pessoas e pássaros.”


Uma história sobre o amor e a amizade, mostrando que o aprendizado é uma jornada capaz de levar aonde o desejo quiser, ao encontro do que e de quem desejar. "Longe É Um Lugar Que Não Existe" é um livro curto, leve e encantador. Com belíssimas ilustrações de Ron Wegen intercalando cada página da história, nos leva a aprender que “as únicas coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.”


Longe É Um Lugar Que Não Existe convida o leitor para um passeio descompromissado e surpreendente, onde cada página ajuda a desvendar uma parte do mistério chamado vida. O livro nos coloca frente a frente com a descoberta de nós mesmos, observando que o amor transcende tempo e espaço. E na viagem o Beija-Flor pergunta: “Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se você quer estar com alguém a quem ama, já não está lá?”


Richard Bach, tataraneto do grande compositor clássico J. S. Bach, conheceu a arte vendo a vida bem de cima. Sua profissão, que ele tanto gosta e sente prazer de fazer, é pilotar aviões e planadores. Faz isso a maior parte do tempo. Foi lá em cima, entre as nuvens e o azul do céu, que se aproximou dos pássaros e da fantástica aventura de voar pela vida. E assim se fez escritor, assinando a autoria de histórias como Fernão Capelo Gaivota, Ilusões e A Ponte Para O Sempre.


“Cada presente de um amigo é um desejo por sua felicidade.” Então o amor bate asas e passeia feliz pelo ar, simplesmente porque Longe É Um Lugar Que Não Existe. “Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não pode jamais terminar.”

L.E.R. - Lesão Por Esforço Repetitivo




sábado, 3 de dezembro de 2011

PAIXÃO É REMÉDIO OU VENENO?

A paixão, minha gente,  não serve para guiar a vida de ninguém de sã consciência. Se alguém lhe disser que outro alguém faz cuidadosamente algo de que muito gosta com paixão, pode retrucar, pois aquilo é feito com amor. Amor é próprio de quem cuida, ensina, aprende e liberta. Principalmente libertar para aprendizados.

Estou acompanhando o final do campeonato brasileiro de futebol e sentindo (na pele, pois sou torcedor do Cruzeiro) o que é um mundo movido pela paixão. O torcedor apaixonado é o retrato mais fiel do que pode alavancar ou destronar um time em poucos dias. Deve ser por isso (também) que dizem que a diferença entre o remédio que cura e o veneno que mata está na dosagem.  Não há racionalidade absolutamente nenhuma em seu comportamento diante da equipe que ele diz amar tanto. Estamos assistindo a uma guerra campal pelo título e na parte de cima da tabela de classificação a referência para analisar fica ruim.  Ali a paixão está se comportando como amor verdadeiro. Está sossegada, irradiando suspiros febris e olhares brilhantes, irmanando afetos e desafetos, libertando gritos e curando problemas sublimados temporariamente.

Descendo pela tabela onde está o risco de rebaixamento é que vemos o estrago que as loucas paixões provocam. Uma rodada de jogos e lá estão os torcedores dizendo que seu time é uma merda, o técnico tem que ser mandado embora urgente, que tal e qual jogadores devem ser dispensados  porque não jogam absolutamente nada (até o juiz é poupado nessas ocasiões, onde se reconhece a fraqueza do time).

Basta uma vitória na semana seguinte, quando aumentam as chances de se permanecer na série A no próximo ano para chamarem o time de guerreiro, os jogadores de lutadores, gritarem o nome do técnico em quase canção e o juiz passa a ser espinafrado por não ter dado “aquele” pênalti, pois aí a vitória poderia ter sido por placar ainda mais dilatado.

Nessas horas, tento evitar as analogias mas me é impossível. Penso nos relacionamentos afetivos e profissões de fé religiosa, no quanto a paixão inicial não amadurece a ponto de firmar convicções e vontades próprias, equilíbrio entre emoção e racionalidade no correr da vida (que não é campeonato mas tratado como se fosse). Há, não raro, uma coincidência de comportamentos impulsivos, imaturos, onde o erro e a culpa estão sempre do outro lado.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

REDAÇÃO - A AÇÃO DO PODER PÚBLICO


Meu pai me falou que quando ocorre um desastre natural ou uma tragédia por causa de alguma coisa mal feita pelo homem, o poder público toma providências (ele me explicou mais ou menos esse negócio de executivo, legislativo e judiciário). Primeiro vai lá o prefeito, governador ou presidente para ver a área atingida, de preferência de helicóptero para não sujar a roupa, os sapatos, nem ficar muito em contato com gente chorona, desesperada e xinguenta. Depois, eles vão para a televisão com uma cara quase de choro e dizem que a assistência virá o mais rápido possível, que vão liberar verbas, as pessoas que perderam suas coisas vão poder usar o seu Fundo de Garantia, etc. (fiquei curioso para saber o que tinha nesse “etc”). Feito isso, a TV faz até programas específicos para aumentar a audiência (quer dizer, para aumentar a emoção das pessoas).

Daí começa o calvário das vítimas. Eu falei:
- Pai, mas o calvário já não começou quando aconteceu a tragédia?
- É mesmo, ele respondeu - tinha me esquecido! (meu pai é um assessor público).

Começam então a ser feitos estudos e projetos para consertar e a ser feito o levantamento dos prejuízos individuais para o ressarcimento, atribuição de responsabilidades e remoção das pessoas para outros lugares. Isso leva uns seis meses mais ou menos. Então, é lançado o edital de licitação para construir, reconstruir ou consertar. Outros seis meses mais ou menos, se não houver vício questionável. (Vício de edital ele disse que é quando nas entrelinhas é fácil descobrir que foi feito para beneficiar algumas empresas acostumadas a tratar com a “coisa pública”). Eu não entendi bem esta parte e ele me respondeu que vícios são mesmo difíceis de se entender, mas um dia eu chegaria lá, sem me viciar em nada, se Deus quiser (sic).

 Mas aí eu perguntei ao meu pai: e se nesse tempo demorado acontecer outra tragédia? Bom, a resposta foi que, então, havendo morte principalmente, e se a coisa ganhar uma dimensão internacional através do noticiário, é feita uma obra de emergência, com dispensa de licitação e o preço da obra costuma ser muitas vezes superior ao que se gastaria em condições normais ou preventivas. Mas que isso é uma outra história, muito longa e ele ia me esperar crescer mais para eu entender sozinho ou então assumir um posto como o dele para ver que a coisa não é fácil.

OBS: Professora, eu não entendi direito as ações dos poderes da forma como a senhora explicou mas depois que me lembrei dessa conversa eu tive com o meu pai na época da enchente aqui na minha cidade, tentei encaixar dentro do assunto que foi pedido na redação.E espero que a senhora não demore a me socorrer.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

LER NÃO CAUSA L.E.R. - MAX MARTINS

“Devoro” um livro após o outro e, às vezes, mais de um ao mesmo tempo. Não consigo ficar muito tempo sem ter uma leitura nova em mãos. Por isso, não entendo como ler pode ser tão difícil e enfadonho para a maioria dos brasileiros.
Há dias tenho vontade de escrever sobre o assunto e ontem criei o termo de pesquisa “Incentivo à Leitura” no Google Alertas. Em seguida, recebi uma mensagem na caixa de entrada do GMail. Dentre elas, me chamou a atenção a seguinte matéria: “Quanto mais livros em casa, maior o nível de escolaridade do seu filho”.


Veja algumas informações e números da pesquisa:
1. Os pesquisadores ouviram mais de 70 mil pessoas;
2. Os dados foram levantados em 27 países. Entre eles: China, Rússia, França, Portugal, Chile e África do Sul;
3. Crescer num lar com até 500 livros aumenta em 33% a chance de completar o Ensino Fundamental e em 19% para se graduar na universidade;
4. Pessoas que cresceram sem nenhum livro em casa completam apenas 7 anos de estudo;
5. Com cerca de 12 livros em casa, 11 anos de escolaridade;
6. Apenas 3% de quem cresceu num lar sem livros conseguiu entrar na universidade.

Antecipando-me às gracinhas:

Sim. É preciso ler. Não adianta comprar cerca de 500 livros para enfeitar a estante, na esperança de entrar na universidade. O conhecimento não passa para nós por osmose…

Os números da pesquisa deixam claro que a leitura é fundamental para o crescimento individual e, por consequência, para a sociedade.

A importância e o prazer de ler
Deixando esses números de lado, falemos um pouco da leitura em si.


Ler é uma atividade que nos transporta para outros mundos, sejam imaginários ou não. Cada página que lemos nos enriquece, aumenta nossos saberes, amplia nossos horizontes. Poderia citar inúmeros fatores que me levam a ler, mas o principal é o prazer que sinto ao virar as páginas de um bom livro.
Me identifiquei com as palavras do professor Franz no post “Quer ver o bom de uma leitura?”, autor e editor do “Este blog é minha rua”.

”Mas você sabe o que é uma boa leitura? É uma leitura daquelas que desopilam o fígado, leitura que deixa a alma leve, lavada, enxaguada e posta a quarar no Sol da satisfação; que faz brilhar os olhos com o colírio da emoção e fica fazendo cócegas na nossa imaginação.”


”Mas, eu leio na internet. Isso não conta?”
Realmente, lemos a maior parte do tempo em que estamos navegando na web, mas estamos falando de livros. Na internet, por exemplo, os textos estão cada vez mais curtos. Por que? Porque o leitor tem pressa, tem mais páginas a visitar, mais fotos para ver, mais e-mails para conferir e, quem sabe, responder (se der tempo). Nos perdemos em meio a tantos links e novidades. Hoje em dia, tudo é pressa!


Como despertar o interesse pela Leitura
Normalmente, crianças adquirem os hábitos dos pais. Se ela nunca os vê lendo, provavelmente não virá a se interessar por livros. Ler para seu filho quando ainda é criança pode fazê-o associar a leitura a momentos de prazer e aconchego. Além disso, livros e revistas espalhados pela casa despertam a curiosidade e o interesse das crianças. A influência do meio é importante para a formação de um novo leitor.


Importante! Incentive a criança ou adolescente a ler sobre assuntos de seu interesse. A leitura deve ser vista como um prazer e não como obrigação. Parece que as escolas já estão aprendendo isso.

Para os professores, recomendo a leitura desses artigos no site da revista Nova Escola:
Literatura, muito prazer
Tudo sobre leitura


Outros links interessantes:
Blog e Leitura: sensibilidade à flor da pele (Aprendências – Maria do Rócio)
Brasileiro não gosta de ler? por Lya Luft (Quero morar em uma livraria – Lia)
Livros, Bienal e a relatividade do tempo(Limão em Limonada – Emanuelle Najjar)

Já ouvi e li diversas vezes que o livro é muito caro no Brasil. Concordo plenamente. Entretanto, para mim isso não serve como desculpa. Muitos dos livros que tive contato foram retirados na Biblioteca Pública da minha cidade. Pela singela quantia de R$ 5,00 fiz um cadastro e com a carteirinha podia retirar até 3 livros por semana. Não tem condições de comprar os livros, faça um cadastro. Fácil, né?


Dicas para manter o hábito de ler
Nas idas e vindas por blogs e sites sobre leitura, acabo descobrindo vários espaços muito bons sobre Literatura e o hábito de ler. Trago para vocês o link de um blog do qual gostei muito e que tem dicas excelentes. Estou falando do blog Livros e Afins, do Alessandro Martins (@alessandro_m). Confira os dois posts abaixo:
12 dicas que facilitam seu hábito de leitura
8 dicas para ler um livro com eficiência

No Livros e Afins você encontra mais textos sobre o assunto. Espero que gostem dos links indicados. Boa leitura!


Você tem o hábito de ler? Quer deixar suas dicas e sugestões? Fique à vontade para usar o espaço dos comentários.
______________________________________________________________________
SOBRE O AUTOR:
Max Martins Autor e editor do blog CataBlogando Saberes. Gaúcho, formado em Educação Física.

CONHEÇA A SEÇÃO DO POSTURAL SEU BLOG CataBlogando Saberes onde ele fala sobre cuidados com a coluna, LER/DORT, Ginástica Laboral e afins. Eis o link:

sábado, 26 de novembro de 2011

ESTATÍSTICAS


imagem google

Gosto muito de estatísticas, apesar de ter um receio danado de fazer parte delas em determinadas situações. Por exemplo: minha morte seria apenas um traço na estatística populacional. E isso é a comprovação de que a minha vida também é. Portanto, prefiro entrar naquelas em que seja revelada alguma coisa boa que eu puder fazer para a humanidade. É a única chance que eu tenho de mudar meu traço na morte e, portanto e também, mudar a minha vida. Estatisticamente, aliás, um bem à humanidade não passa de um traço, seja que bem for esse. Já um mal costuma apresentar cifras elevadas dos “por cento”. Acho que o exemplo mais gritante para ilustrar isso seja o das guerras. Normalmente causadas por uma meia dúzia de pessoas alopradas, onipotentes, quiçá malucas (um traço na estatística), envolvem um grande percentual de humanos e matam um outro grande percentual de gente.
imagem google

A última estatística (que estarreceu uma pequena parcela de gente) foi a divulgação de dados de levantamento feito por um banco suíço de que 1% da população mundial controla 40% de toda a riqueza produzida no mundo*. Isto sim, é estatística para derrubar qualquer conceito decente de democracia capitalista Ela pode explicar talvez o motivo (pelo menos o maior de todos) das mazelas do mundo, já que somos movidos pelo dinheiro. E olhem que os suíços entendem muito de números, não só pela precisão dos relógios que os deixaram famosos como também por guardaram carinhosamente uma boa parcela do dinheiro dos ricos do mundo em seus bancos chamados de paraísos.
imagem google


Outra estatística ruim de se fazer parte é a da maioria do eleitorado. A história da nossa jovem, mas capenga democracia mostra que aqueles que venceram sempre corresponderam à maioria dos  votos que receberam mas não corresponderam à maioria dos desejos de quem os elegeu. Todos governaram e legislaram mais em causa própria e para quem os financiou as campanhas do que qualquer outra coisa. Um percentual baixíssimo de privilegiados e ricos. Basta voltar à estatística dos suíços para confirmarmos esta afirmativa.
______________________________________
*  - 231 trilhões de dólares é a estimada riqueza existente no mundo
- Apenas 37 milhões de pessoas tem juntas 89 trilhões de dólares
- Sobram 142 trilhões para serem divididos por 6 bilhões e 900 milhões de pessoas
- Se parassem tudo agora como está e resolvessem dividir o bolo igualmente com o resto da população, sobrariam 21 mil dólares para cada um. O preço aproximado de um carro popular.

Fonte: Aqui
Web Statistics