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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

LABIRINTO DO AMOR


imagem google

Gilse amava Zezinho, que amava Elaine. Doidinhas as duas. A primeira de amor; já a segunda de tanto levar socos do pai que odiava Zezinho, que namorava as duas. Escondia a Gilse da Elaine e escondia a Elaine do pai. A primeira via todo dia; já a segunda só na furtiva ou pelas cartas escorrendo amor pela tinta. E quem escrevia era o Paulo*, o poeta que inventava o amor de papel para o amigo. Gilse deixou o amor de lado e casou com outro rapaz. Elaine perdeu a guerra com o pai e largou o amor de Zezinho, que perdeu o jeito de amar, casou-se com outra moça e foi para Carajás. 


* O poeta (Paulo Adão) citado é meu irmão que perdi faz hoje 6 meses e a quem homenageio com carinho e saudade.

sábado, 3 de dezembro de 2011

PAIXÃO É REMÉDIO OU VENENO?

A paixão, minha gente,  não serve para guiar a vida de ninguém de sã consciência. Se alguém lhe disser que outro alguém faz cuidadosamente algo de que muito gosta com paixão, pode retrucar, pois aquilo é feito com amor. Amor é próprio de quem cuida, ensina, aprende e liberta. Principalmente libertar para aprendizados.

Estou acompanhando o final do campeonato brasileiro de futebol e sentindo (na pele, pois sou torcedor do Cruzeiro) o que é um mundo movido pela paixão. O torcedor apaixonado é o retrato mais fiel do que pode alavancar ou destronar um time em poucos dias. Deve ser por isso (também) que dizem que a diferença entre o remédio que cura e o veneno que mata está na dosagem.  Não há racionalidade absolutamente nenhuma em seu comportamento diante da equipe que ele diz amar tanto. Estamos assistindo a uma guerra campal pelo título e na parte de cima da tabela de classificação a referência para analisar fica ruim.  Ali a paixão está se comportando como amor verdadeiro. Está sossegada, irradiando suspiros febris e olhares brilhantes, irmanando afetos e desafetos, libertando gritos e curando problemas sublimados temporariamente.

Descendo pela tabela onde está o risco de rebaixamento é que vemos o estrago que as loucas paixões provocam. Uma rodada de jogos e lá estão os torcedores dizendo que seu time é uma merda, o técnico tem que ser mandado embora urgente, que tal e qual jogadores devem ser dispensados  porque não jogam absolutamente nada (até o juiz é poupado nessas ocasiões, onde se reconhece a fraqueza do time).

Basta uma vitória na semana seguinte, quando aumentam as chances de se permanecer na série A no próximo ano para chamarem o time de guerreiro, os jogadores de lutadores, gritarem o nome do técnico em quase canção e o juiz passa a ser espinafrado por não ter dado “aquele” pênalti, pois aí a vitória poderia ter sido por placar ainda mais dilatado.

Nessas horas, tento evitar as analogias mas me é impossível. Penso nos relacionamentos afetivos e profissões de fé religiosa, no quanto a paixão inicial não amadurece a ponto de firmar convicções e vontades próprias, equilíbrio entre emoção e racionalidade no correr da vida (que não é campeonato mas tratado como se fosse). Há, não raro, uma coincidência de comportamentos impulsivos, imaturos, onde o erro e a culpa estão sempre do outro lado.
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