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Essa aqui fica sendo para a
Clara, minha filha. O período hiper, ultra, mega high tech em que nasceu e a
idade em que está influenciam nela muito mais modos do que a educação meio
termo que eu e a mãe tentamos lhe dar. Nem conservadora nem ao Deus dará
conforme seria do gosto dos adolescentes. Desde os seus 6, 7 anos que ela me
ensina um pouco a lidar com esta parafernália eletrônica que parece não ter fim
em nosso dia a dia, como se fosse necessidade vital.
Uma pausa: sabia que as tecnologias
lançadas todos os dias já estavam previamente desenvolvidas e vão sendo
atiradas aos nossos olhos via publicidade a conta gotas? Por exemplo, ipad. Ipod,
bluetooth, tablet, andróide, samartphone, lcd, led, etc, são recursos de uma
mesma linha de pesquisas tecnológicas. Se lançarem tudo de uma só vez, aonde
ficaria a graça da novidade e a divina graça do faturamento dos homens de
negócios bilionários? E onde ficaríamos nós, seguidores dos modismos?
Voltemos à Clara, minha amada
filha. Agora aos 14 anos, há tempos ela me introduziu nas redes sociais,
dizendo que eu era jurássico mexendo com e-mail e blog. Fez para mim um orkut
de amigos, outro de time de futebol, outro de escritor. Ficou tudo lá, do
jeitinho que ela fez depois da primeira semana que freqüentei. Uma canseira
ficar sabendo de umas coisas que nem coisas são, de tão sem significado.
Passados mais alguns anos (ou dias?) ela me cobrou participação no twitter e
disse que já havia abandonado há muito o seu blog, pois era coisa ultrapassada.
Depois de mais alguns anos (ou dias?) eu lhe questiono sobre seu grau de
satisfação com os milhões de amigos da rede social e dos seus progressos
humanos. Ela me disse entre desanimada e constrangida que esta cansada de
mesmice e tinha feito um novo blog. Ela gosta muito de escrever e ler e quanto
mais você gosta de escrever mais chato tende a se tornar nas redes sociais,
lugares para poucas palavras literárias e muita exibição pessoal (sem tirar o
mérito da mobilização rápida para determinadas causas humanitárias, políticas,
e outras de divulgação que elas possuem).
Agora, falando para mim e para
ela: para quem aprecia escrever e ler, os blogs continuam sendo em minha
opinião os mais longevos meios e creio que serão os que vão prevalecer depois
que passarem todas as de novidades efêmeras. Há neles mais atrativos visuais
além dos textos maravilhosos que podemos ler e escrever. Fui olhando o contador
de visitas, os seguidores (os que lêem de verdade os blogs), as ilustrações
para os textos, os visitantes divididos por países (isso me deu uma pontada de
curiosidade acima da média. A Elaine Gaspareto instalou para mim um mapa
visualizador de visitas por cidade, estado e país. Eu fico roendo para saber,
por exemplo, se as visitas que vem de um determinado país são de brasileiros
que lêem o blog, se são de estrangeiros que gostam de literatura. Acho muito
bacana). E a Clara, tenho notado que está mais ligada com seu blog ,
construindo mais referências e mais identidade pessoal desta forma do que
mandando recadinhos o dia inteiro sem ecos plausíveis no face e twitter . E
tenho notado também que ela tem disponibilizado mais tempo com leitura. Viva o
Blog!