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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

EM DEFESA DOS BLOGS

imagem google

Essa aqui fica sendo para a Clara, minha filha. O período hiper, ultra, mega high tech em que nasceu e a idade em que está influenciam nela muito mais modos do que a educação meio termo que eu e a mãe tentamos lhe dar. Nem conservadora nem ao Deus dará conforme seria do gosto dos adolescentes. Desde os seus 6, 7 anos que ela me ensina um pouco a lidar com esta parafernália eletrônica que parece não ter fim em nosso dia a dia, como se fosse necessidade vital.

Uma pausa: sabia que as tecnologias lançadas todos os dias já estavam previamente desenvolvidas e vão sendo atiradas aos nossos olhos via publicidade a conta gotas? Por exemplo, ipad. Ipod, bluetooth, tablet, andróide, samartphone, lcd, led, etc, são recursos de uma mesma linha de pesquisas tecnológicas. Se lançarem tudo de uma só vez, aonde ficaria a graça da novidade e a divina graça do faturamento dos homens de negócios bilionários? E onde ficaríamos nós, seguidores dos modismos?

Voltemos à Clara, minha amada filha. Agora aos 14 anos, há tempos ela me introduziu nas redes sociais, dizendo que eu era jurássico mexendo com e-mail e blog. Fez para mim um orkut de amigos, outro de time de futebol, outro de escritor. Ficou tudo lá, do jeitinho que ela fez depois da primeira semana que freqüentei. Uma canseira ficar sabendo de umas coisas que nem coisas são, de tão sem significado. Passados mais alguns anos (ou dias?) ela me cobrou participação no twitter e disse que já havia abandonado há muito o seu blog, pois era coisa ultrapassada. Depois de mais alguns anos (ou dias?) eu lhe questiono sobre seu grau de satisfação com os milhões de amigos da rede social e dos seus progressos humanos. Ela me disse entre desanimada e constrangida que esta cansada de mesmice e tinha feito um novo blog. Ela gosta muito de escrever e ler e quanto mais você gosta de escrever mais chato tende a se tornar nas redes sociais, lugares para poucas palavras literárias e muita exibição pessoal (sem tirar o mérito da mobilização rápida para determinadas causas humanitárias, políticas, e outras de divulgação que elas possuem).

Agora, falando para mim e para ela: para quem aprecia escrever e ler, os blogs continuam sendo em minha opinião os mais longevos meios e creio que serão os que vão prevalecer depois que passarem todas as de novidades efêmeras. Há neles mais atrativos visuais além dos textos maravilhosos que podemos ler e escrever. Fui olhando o contador de visitas, os seguidores (os que lêem de verdade os blogs), as ilustrações para os textos, os visitantes divididos por países (isso me deu uma pontada de curiosidade acima da média. A Elaine Gaspareto instalou para mim um mapa visualizador de visitas por cidade, estado e país. Eu fico roendo para saber, por exemplo, se as visitas que vem de um determinado país são de brasileiros que lêem o blog, se são de estrangeiros que gostam de literatura. Acho muito bacana). E a Clara, tenho notado que está mais ligada com seu blog , construindo mais referências e mais identidade pessoal desta forma do que mandando recadinhos o dia inteiro sem ecos plausíveis no face e twitter . E tenho notado também que ela tem disponibilizado mais tempo com leitura. Viva o Blog!
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