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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A COMIDA


Comer certas coisas que nos são oferecidas no cardápio do mundo é fazer uma concessão ao profano. E eu considero o alimento algo sagrado. Uma comunhão do corpo com e o espírito na mais elevada atitude humana de apreço com a própria vida. Mas não sou santo nem candidato. Também não sou um glutão herege desprovido de qualquer senso de equilíbrio alimentar. Por isso, Hipócrates , que nada tinha de hipócrita, disse que “teu alimento seja o teu remédio e teu remédio seja o teu alimento” e eu achei certo.  Não há regras severas para os que equilibram a ingestão de comida. (não de calorias, mas de qualidade).

A ciência descobriu as papilas gustativas e a publicidade com o auxílio da psicologia, descobriu os nossos pontos mais fracos, os locais onde se dá a sensação do doce, de azedo, de salgado e amargo quando colocamos primeiramente um alimento que ainda não conhecemos na boca. Daí para venderem-nos produtos deliciosos e maléficos foi um pulo, ou melhor, um comercialzinho só. E quanto mais atraente um alimento industrializado, mais mal ele nos faz a longo prazo.

Como eu não estou apto para dar lição nenhuma a ninguém (o que também não adiantaria muito, pois só quando estamos à beira da morte ou com um diagnóstico aterrador é que tomamos emenda na maioria das vezes), deixem-me aqui com meu sorvete e meu chocolate, para mim as duas maiores descobertas da humanidade depois da roda e do fogo. A primeira nos leva onde estiver fora do alcance das pernas para buscar alimentos e o segundo processou (assados e cozidos) os alimentos mais duros, senão a gente ainda estaria chupando cana e o pão nosso de cada dia seria cru.
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