Comer certas coisas que nos são
oferecidas no cardápio do mundo é fazer uma concessão ao profano. E eu
considero o alimento algo sagrado. Uma comunhão do corpo com e o espírito na
mais elevada atitude humana de apreço com a própria vida. Mas não sou santo nem
candidato. Também não sou um glutão herege desprovido de qualquer senso de
equilíbrio alimentar. Por isso, Hipócrates , que nada tinha de hipócrita, disse
que “teu alimento seja o teu remédio e teu remédio seja o teu alimento” e eu
achei certo. Não há regras severas para
os que equilibram a ingestão de comida. (não de calorias, mas de qualidade).
A ciência descobriu as papilas
gustativas e a publicidade com o auxílio da psicologia, descobriu os nossos
pontos mais fracos, os locais onde se dá a sensação do doce, de azedo, de
salgado e amargo quando colocamos primeiramente um alimento que ainda não
conhecemos na boca. Daí para venderem-nos produtos deliciosos e maléficos foi
um pulo, ou melhor, um comercialzinho só. E quanto mais atraente um alimento
industrializado, mais mal ele nos faz a longo prazo.
Como eu não estou apto para dar
lição nenhuma a ninguém (o que também não adiantaria muito, pois só quando
estamos à beira da morte ou com um diagnóstico aterrador é que tomamos emenda
na maioria das vezes), deixem-me aqui com meu sorvete e meu chocolate, para mim
as duas maiores descobertas da humanidade depois da roda e do fogo. A primeira
nos leva onde estiver fora do alcance das pernas para buscar alimentos e o
segundo processou (assados e cozidos) os alimentos mais duros, senão a gente
ainda estaria chupando cana e o pão nosso de cada dia seria cru.