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domingo, 12 de junho de 2011

PARA SER FELIZ

A POESIA DE PAULO ADÃO

PARA SER FELIZ

Se não tens medo
de quem ama o absurdo
e desafia o impossível
então serás mais feliz que os outros

Se tua arma
é só o teu coração, prepara-te!
O amor dissolve no rio das verdades
e escorre pelas corredeiras. Protege-o!

Existe um perigo ainda:
as trevas da incompreensão
uma mata densa
para atravessar às escuras

Nos caminhos te enganarão
dirão que é insensatez ir
Confia em teu instinto
na hora das pistas falsas

Atravessas para o outro lado
mas há um último cuidado:
deves preservar quase tudo de ti
para o amor não se ressentir.
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AGRADEÇO A TERNURA E O CARINHO DE TODOS QUE SE SOLIDARIZARAM COM ESSE MOMENTO TÃO DOÍDO.   MUITO OBRIGADO A TODOS , AS PALAVRAS DEIXADAS NOS COMENTÁRIOS FORAM UM BÁLSAMO PARA MIM E PARA TODA A MINHA FAMÍLIA.
+ 24/02/1959  /  06/06/2011

sábado, 11 de junho de 2011

BANIMENTO

A POESIA DE PAULO ADÃO



BANIMENTO


Cá nesta terra estou
sem amores que deixei eu longe
se a morte ainda me não levou
fico à sorte, a vida tange


A vagar nesta terra banido
já a solidão é menos companheira, mais taciturna
lá não posso regressar cedo, combalido
cá serei hospedeiro se uma amargura diuturna


Nesses dias de natureza morta
deita o pranto, a dor rotura
tanto menos a vida importa, quanto mais se abre a fissura


Que me conta a brisa crepúscula
qual não saiba de cor o enredo:
o dia findo é porciúncula dessa vida arremedo


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AGRADEÇO A TERNURA E O CARINHO DE TODOS QUE SE SOLIDARIZARAM COM ESSE MOMENTO TÃO DOÍDO.   MUITO OBRIGADO A TODOS , AS PALAVRAS DEIXADAS NOS COMENTÁRIOS FORAM UM BÁLSAMO PARA MIM E PARA TODA A MINHA FAMÍLIA. NOS PRÓXIMOS DIAS PRESTO AQUI UMA HOMENAGEM AO MEU TÃO QUERIDO E ESPECIAL IRMÃO COM A POESIA DELE MESMO.
+ 24/02/1959  /  06/06/2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

MEZINHA

A POESIA DE PAULO ADÃO



MEZINHA

Os versos são para mim analgésicos
se sinto uma dor
uma dor que sinto esquisita
assim, de repente, aflita
sem hora para doer essa dor

Uso sempre a mesma receita
tinta, papel, palavras, rima, tema
como chá de ervas, mezinha
começo a tomar, linha por linha
a dor vira verso, estrofe, poema

Noites há, com esse mal
que passo em insônia sofrida
arrastando pela casa versos sem sal
E a minha cabeça aturdida
pelo torpor dessa dor

Se expulso essa dor no papel
alívio o meu corpo e durmo
mas durmo em vigília !
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AGRADEÇO A TERNURA E O CARINHO DE TODOS QUE SE SOLIDARIZARAM COM ESSE MOMENTO TÃO DOÍDO.   MUITO OBRIGADO A TODOS , AS PALAVRAS DEIXADAS NOS COMENTÁRIOS FORAM UM BÁLSAMO PARA MIM E PARA TODA A MINHA FAMÍLIA. NOS PRÓXIMOS DIAS PRESTO AQUI UMA HOMENAGEM AO MEU TÃO QUERIDO E ESPECIAL IRMÃO COM A POESIA DELE MESMO.
+ 24/02/1959  /  06/06/2011 




quinta-feira, 9 de junho de 2011

DE VOLTA

A POESIA DE PAULO ADÃO


AGRADEÇO A TERNURA E O CARINHO DE TODOS QUE SE SOLIDARIZARAM COM ESSE MOMENTO TÃO DOÍDO.   MUITO OBRIGADO A TODOS , AS PALAVRAS DEIXADAS NOS COMENTÁRIOS FORAM UM BÁLSAMO PARA MIM E PARA TODA A MINHA FAMÍLIA. NOS PRÓXIMOS DIAS PRESTO AQUI UMA HOMENAGEM AO MEU TÃO QUERIDO E ESPECIAL IRMÃO COM A POESIA DELE MESMO.
+ 24/02/1959  /  06/06/2011



De volta

Boa noite palavras
versos, idéias, pensamentos
regresso para sua intimidade

Havia fugido para o trivial
Escorregando, afoguei-me no vazio
no poço das futilidades

Escapei, já quase idiota
desse lamaçal às canelas
ainda tenho sujos os pés

Vim redimir-me nesse retorno
pedir a benção dos vocábulos
banhar-me novamente em versos
lambuzar as mãos da tinta
implorar a companhia da solidão

Cá estou!
Acolhe-me mundo abstrato
dimensão de presságios e contemplações
que sou teu.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A POESIA DE PAULO ADÃO

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+ 24/02/1959  /  06/06/2011

CRONOLOGIA DE UMA PAIXÃO
 
Prólogo:

Corações vazios sem paixão
são fúteis, leves
travesseiros de penas
nada mais

Do contrário não, porque o amor não é leve, frugal
pesa feito chumbo no peito
o corpo o arrasta como corrente
atada ao pé de um condenado

Mas não é mau
estorvo
incomoda
por bem

horas antes:

Dois corações vazios se atraem
não é lei física. É emocional
também fecundam-se
procriação sentimental

O feto da paixão se avoluma
a cada compasso do coração
a gestação dos grávidos é aflita

Sintomas da realidade prenhe:
aos encontros e pensamentos
narinas expirando fortes suspiros
olhos faiscando centelhas de ansiedade e ternura

o parto:

A paixão foi súbida
a parição deu-se num beijo
comemoraram. Dançaram
suaram muito

O amor chegou inconfesso
mas não veio parvo
surgiu  de tal maneira grande
que tomou todo o espaço à volta
fez seu templo ali

O lugar era parco
o amor incontido
por isso sairam para o tempo
único lugar cabível


minutos depois:

Passaram inenarráveis
aos olhares de brilho mágico
à troca de energias
grandes descargas pelas mãos e lábios


Tal era o clarão das auras
que quem está nessa dimensão
vizinha dos que não amam
pode vê-los cintilar todo o éter

 primeiras palavras:

inoportunas, inúteis, injustificáveis e doces
a paixão devora as palavras como sanduiches
o silêncio é mais eloquente

confissão:

Ridícula como são os amantes
embaraçosa, mas emocionante
Paixão inconfessada fica pagã
vaga pelo limbo dos amores perdidos

encontros:

Clandestinos, todos!
a paixão era proibida e virou mércia
ficou madura demais
para a virgindade que tivessem
neste ato o amor penetrou por todos os orifícios

Apenas as paredes escutaram
os sussurros dos coitos galopantes
e os espelhos viram
a nudez linda dos corpos

Epílogo:

Já está no fim a história
mas o amor não cessa
uma vez a luz (deles) clareou o firmamento
mais claro que a aurora e viram o eterno

Então souberam
que o eterno
é a medida da intensidade
do seu amor

(PAULO ADÃO)
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