quarta-feira, 11 de junho de 2008

CULINÁRIAS HILÁRIAS - DOBRADINHA

Dos doze anos em que fui dirigente sindical, D. Tereza nos acompanhou durante uns quatro ou cinco, até completar sua idade para a aposentadoria. Fazia faxina, pequenos serviços burocráticos como ir a bancos, correios, pequenas compras e, quando sobrava um tempinho gostava de fazer algum agrado para alguns diretores. Excepcionalmente, para os seus prediletos. O Júlio estava entre os escolhidos, tamanha afeição que devotava por ele. Entre os muitos chamegos, uma dobradinha ficou inesquecível, tanto que carrego ainda hoje, mais de 15 anos depois, seu cheiro quando me lembro.

Era um sobrado, onde ocupávamos – a diretoria – a parte superior e que possuía um fogão a lenha na parte de trás da recepção. Nem o usávamos pela dificuldade de se conseguir lenha na cidade e também pelo pouco tempo para se cozinhar. Além do que, como a casa ficava no centro e a cidade sendo pequena, tínhamos tempo de sobra para almoçar em casa.

No interior ainda é muito comum venderem porta a porta, não só produtos de beleza, mas de cama e mesa também. Mesa no sentido alimentar. Ela adquiriu uma quantidade de dobradinha de um senhor que passara por ali e, resolveu fazer uma surpresa para nós, mas, especialmente para o seu pupilo. Ninguém sabia de nada até que a Vera, a secretária que ficava na recepção e bem próxima ao fogão, subiu desabalada as escadas dizendo que éramos para verificar se havia algum bicho morto na casa por causa do odor de carne em putrefação. Nem precisou. A esta altura, o aroma já havia se espalhado por todos os cômodos e acho que até mesmo pela rua, de tão forte. A D. Tereza tinha deixado o bucho cozinhado em uma panela de pressão havia ido ao correio. Aproximamos da panela e, desconfiados de que aquele aroma vinha dela, saímos todos correndo para casa. Ela ia considerar uma desfeita, um pouco caso, uma afronta à sua tão boa intenção se recusássemos a sua iguaria.

Pelo que sei, essa víscera tem que ser lavada, com ácido, álcool, vinagre, uma verdadeira assepsia química antes de seu preparo. Inclusive a cor original (marrom) que estava na panela não correspondia àquela branquinha, essa sim, lavada que estamos acostumados a comer. Quer dizer, só voltei a ter coragem de provar novamente muitos anos depois.

domingo, 8 de junho de 2008

AS MÃOS E OS PÉS DO SENHOR

“Os escravos são aos mãos e os pés do senhor” (A.J. Antonil, 1711)

Os navios negreiros nos tempos das colônias antigas traziam da África para a América os seres que viriam a ser escravizados no novo mundo para servir aos senhores das terras e arrancar delas o sustento e a opulência que alimentava as monarquias, aristocracias e outros apadrinhados ou aproveitadores desse regime de exploração, às custas exclusivamente do braço humano do escravo. Enchiam-se as embarcações e no seu interior as condições de sobrevivência para se chegar ao destino eram obra dos próprios homens e mulheres, alimentados parcamente a pão e água. Sobreviviam muitos, os mais resistentes e insistentes em ter esperança de que, do lado oposto do mar, em outras terras, fossem ter alguma dignidade. O resto, morrido, lançava-se ao mar para não apodrecer junto aos demais e estragar o que restasse da mercadoria. Essa parte da história e suas chagas e cicatrizes todos conhecem bem.

Muito, muito tempo se passou, a escravidão refrescou bastante, mas não acabou de todo. Foi mascarada em novas e modernas formas de trabalho. Fazendas, carvoarias, canaviais e cafeicultura muito ainda se utilizam desse disfarce. Volta e meia, vira e mexe, ouvimos, lemos ou assistimos a relatos de situações degradantes de extração de riquezas por esses métodos assustadores de exploração humana.

O mais moderno escravismo no entanto, está sendo praticado nos navios luxuosos que transportam turistas mundo afora. Os endinheirados excursionistas têm destino certo mas os trabalhadores dos navios não. Nem lei que regule sua relação de trabalho. Existe salário, mas a jornada de trabalho é de no mínimo 10 horas dia, durante 6 meses ou 8 meses, sem direito a um dia sequer de folga. Os navios possuem até campo de golfe, mas a tripulação é alojada nos três últimos andares de baixo, ou seja, tem uma maravilhosa vista para o fundo do oceano. Já pensou em limpar xixi e cocô de 2500 pessoas durante esse tempo todo? Ou cozinhar para eles? São oferecidas bebidas aos tripulantes a preços sem impostos que deve ser para servirem de anestésico para o calvário. Dá para entender porque os escravos antigos tomavam tanta cachaça. O maior salário divulgado, para quem fala pelo menos três idiomas, não chega a 4.000 dólares. Mas nesses casos, brasileiro não é nem convidado a participar da seleção. Cozinheiro, então que seja experiente em tailandesa, alemã russa, japonesa e outras iguarias internacionais, além de ter que falar fluente inglês, não chega a 1500 dólares.

EM TEMPO: Há uma agência de mercadores que contrata pessoal para trabalhar nesses navios. Chama-se Crew. Pelas condições oferecidas, pronuncia-se créu.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

SURURU NA ESCADA


Um motorista errou a entrada do estacionamento e invadiu a escadaria de um prédio na avenida Paulista, por volta das 10h. As informações são do SPTV(13/05/08

Olha a vida imitando a vida! Faz de conta que esse motorista aí sou eu. Aconteceu o mesmo comigo, mas não tive a chance nem de ter um desocupado para me fotografar. Ainda bem. Era tarde da noite e quase viro notícia de jornal, na página do obituário ou dos atendidos nos prontos socorros. O fim da escada no meu caso era bem mais profundo que o da foto acima. Em Vila Velha (ES), fomos eu e o Rui Dias em aventura sindical em seu carro. À noite, nossos amigos de confabulância e anfitriões dos bons, nos convidaram para comer um prato de sururu quente como da moda baiana. O lugar ficava perto da casa onde estávamos hospedados e foram todos a pé, mas decidimos levar o carro, caso resolvêssemos dar alguma esticada dessas que tornam a noite sem fim. Enquanto não se vence a escuridão ninguém vai dormir. Fui levando o carro e me ensinaram a contornar uma rua e descer à direita, na parte baixa do bairro, onde ficava o famoso bar. Quando o fiz, estava nessa posição aí da foto com o chevete desembestado escada abaixo e os freios teimando em não segurar o carro. A rua muito escura e sem nenhum aviso, levou-me a achar que o carro tivesse pernas em vez de rodas, ou que escadas são para automóveis e não para caminhantes. Por sorte havia um patamar, um lance entre a primeira e a segunda fase dos degraus, que segurou o carro pelos fundos da lataria. Senão tinha caído de bico a uma altura que, calculamos depois, de uns seis metros. Minha tremedeira foi tamanha que não conseguia sair do carro, desligar o motor, buzinar, nada! Estatelei como se faz nessas ocasiões e entreguei o desfecho para Jesus ou para quem pudesse me segurar ali. Um vizinho da escadaria viu a cena e gritou por socorro e a ele vieram os amigos me resgatar de dentro do meu pânico. Nem senti o quanto estava apimentado o sururu. Só vim a perceber no outro dia, na volta, quando o Rui passou mal durante toda a viagem. Que noite! que viagem! Que retorno! Tive que dirigir de novo, dessa vez sem incidentes maiores que os vômitos de da comida típica.

TUDO ACABA EM POESIA

(A PAULO ADÃO)

Poesia para mim depende do dia

Nem sempre

Tem que rimar com alegria

Nem com euforia

Fantasia

Às vezes é nostalgia

Outras, sintonia

Muitas delas, melancolia

No mais das vezes,

Pura idiossincrasia.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

A BOLA

Outro dia caiu aqui no terreiro uma bola meio murcha que cheguei a pensar que algum menino tinha dispensado por ter ganhado uma nova ou por ela não prestar mais nem para um futebolzinho de rua. A cachorra já tinha até levantado as orelhas de satisfação achando que havia sido presenteada com um brinquedo novo. Fui correndo lá salvá-la de seus dentes depois que dois meninos tocaram na campainha e me agradeceram com um efusivo ‘Valeu aí, véi’, acompanhado de olhos arregalados diante da ameaça do estraçalhamento pela cadela indomável e brincalhona. Aí, voltei longo tempo em que tinha um campinho onde passava a maior parte de tempo disponível para brincar lá no bairro Campestre na minha Itabira. O moço que morava bem em frente a uma das laterais do campo era tão mau com crianças e tinha uma cara tão emburrada que esqueci seu nome e também o faria se lembrasse tantas vezes, quantas foram as bolas que vimos se perderem em suas mãos. Era só alguém dar um chute desses de zagueiro que não brinca em serviço ou errar a direção do gol, que não tinha perdão. Caía em sua garagem e só eram devolvidos os pedaços, acabando com nossa pelada ou jogo de torneio sério de bairro.

Acho que o método de investigação foi descoberto pelas crianças e copiado pela polícia ou então, a tese do olho por olho, já vem no sangue. Ensinaram religiosamente para nós darmos a outra face, mas sempre dávamos um tapinha antes. Ou depois. Todo carrasco tem um ponto fraco e descobrimos o seu rapidamente.

Pois ele tinha um filho e um táxi. O menino além de tudo era miudinho e bom de bola. Rogério, magrinho, canhoto e escorregadio no jargão futebolístico. Passou ser a maior vítima de faltas necessárias e desleais cometidas para vingar as bolas que seu pai destruía. Bom era que ele achava ser perseguido em campo por causa de suas habilidades. Eram as duas coisas. Mais vingança que falta de recurso na bola.

Custava tanto ganhar bolas de presente. Eram caras e já estávamos naquela fase em que as de plástico, as dente de leite, baratinhas, não atendiam mais os anseios nossos de criar intimidade com as G18, de couro e só usadas por iniciados no trato com um futebol mais elaborado. Meu pai comprava até escondido de minha mãe para nós por causada confusão que vinha ao se saber o preço. O moço rasgava. Sem dizer palavra, sem xingar, sem mostrar a cara no portão, sem que tivéssemos quebrado um vidro de janela, já que as suas possuíam grades. Simplesmente, rasgava e jogava os gomos sobre o portão. Era mesmo um algoz, um inimigo da infância.

Bem, o táxi era nossa a senha para a vingança maior. Esse moço tinha um emprego durante o dia e saía rigidamente todos os dias ao cair da noite para ganhar mais alguns com seu carro de praça. Esperávamos à hora do jantar e das novelas, quando a rua ficava naquele silêncio televisivo e enchíamos o buraco do cadeado do portão com areia grossa bem socada com prego. E não tinha alegria maior que passar lá perto no dia seguinte a caminho da escola e ver que o carro havia amanhecido na rua e, à tarde ele colocar outro cadeado novinho à espera de nova bola rasgada para ser novamente trocado. Não sabíamos da equivalência de preço bola versus cadeado, mas tava dado o troco. Bem feito, quem mandou mexer com criança feliz!

domingo, 1 de junho de 2008

TOREROS

As novas tecnologias têm criado muitas profissões que antes nem imaginávamos. Por outro lado, a crise gerada pela exclusão social também tem feito o mesmo sem muita tecnologia, mas com um criatividade de invejar os inventores. Já temos a engenharia psicológica para estressados do trânsito, o médico cosmiatra, a hostess, e tantas outras esquisitices modernas para atenderem os bem nascidos, bem sucedidos e bem vestidos, um de cada vez para personalizar o serviço. Já falei disso antes.

Para não cometer aqui também mais uma injustiça com os “humilhados e ofendidos, explorados e oprimidos que tentaram encontrar a solução” (obrigado, Gonzaguinha), cito as novas profissões que não se encaixaram por dentro da modernidade. Homem sanduíche, cujo recheio é o próprio homem, mas na casca tem propaganda de empréstimo consignado, compra de ouro e conserto de celular. O captador de clientes de rua para salão, dentistas e advogados. O camelô, que foi devidamente enquadrado, pelo menos em Belo Horizonte, dentro dos chamados shoppings populares. A prefeitura proibiu o comercio nas ruas e criou as tribos Oiapoque, Xavantes, Tupinambás, igualzinho a demarcação de terras indígenas para isolá-los de nossa cultura de shopping americano chique e não atrapalharem o tráfego de pedestres. Só que nesse caso, parece que os novos índios estão se dando melhor que os originais.

Aqueles que não se enquadraram em nada disso, viraram Toreros. No início achei que fossem aqueles camelôs que ficavam com uma mesa de caixote forrada com pano vermelho vendendo CD, DVD ou desentupidor de fogão e ralador de legumes. O pano vermelho seria para driblar a fiscalização. Aí, esbarrei no problema da língua. Se fosse para compará-los às touradas, seriam toureiros, mesmo se não conseguissem tourear os fiscais de rua.

Uma reportagem de jornal me deu a explicação engraçada e patética, tudo de uma vez só. Os que foram excluídos da exclusão dos shoppings ou preferiram resistir e continuar como ambulantes sem terreno marcado, são os toreros.

Mas, diante da dúvida pelo uso desse termo tão estranho, a resposta veio de um deles:

- Já que a prefeitura proibiu, a gente vende assim mesmo, Na Tora.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

QUE A MÚSICA NÃO OS SEPARE

...eu vou cantando com a aliança no dedo...

(Caicó (Cantiga) M. Mascimento


Os ensinamentos que tornam sólidos o nosso caráter são aqueles que vamos praticando ao longo da vida, às vezes, de forma enviesada e nem tanto ou quase nunca ao gosto de quem os ensinou, no caso, e na maioria das vezes, os pais e professores das primeiras letras e humanidades. Coisas do tipo, ganhar a vida honestamente. Temos que nos virar para demonstrar para nós mesmos que estamos no caminho certo. Pelo que julgamos ser certo ou estabeleceram para nós que assim seja. Às vezes, na falta dessa certeza, fazemos para demonstrar para o outro, mas vá lá, já é alguma coisa. Ainda mais se de nosso jeito de ser brotar sempre um desejo de independência emocional e, principalmente, material. Essas pelejas, o brasileiro sabe fazer e bem. Na rua, em casa e no trabalho, as três coisas que mais freqüentamos na existência.

Na época de estudante secundarista e namorador, passava os finais de semana quase sempre em Itabira, quando não tinha nenhuma paquera em Belo Horizonte ou dava aquela saudade da comidinha da mãe, se conseguisse carona na beira de estrada.

Enquanto não se garantia um emprego, ia inventando-se malabarismos e fabricando uns talentos em forja de necessidade. Treinei mal e parcamente acordes ao violão e animava rodas de amigos, de festas caseiras e outros espaços onde sempre havia platéia alterada pelo álcool ou péssimos cantores, ambos com baixa exigência de qualidade sonora. A ordem dos fatores não alterava o entusiasmo. Licença para meu amigo Primo, que tem um timbre mavioso e uma afinação perfeita.

Conseguimos convite para um casamento cujo noivo gostaria muito de ter o Primo ilustrando o cenário com sua voz e ele sem certeza para confirmar. Tinha a voz, mas não tinha tocador. Contou para nós e, quando disse que seria pago, pensamos logo: tá garantida a noitada, as cervejas, o namoro na noite e quem sabe, não sobrava algum para um jantar, já que o convite ao casório não incluía a comida e a bebida da festa. Ensaiamos numa tarde só, Cantiga de Caicó, Fascinação e Eu Sei Que Vou Te amar, depois da permissão do padre censor. Também não era bom que ele liberasse muita coisa. Eu não saberia tocar, ia ser feio. Mas foi bonito e rendeu bela noite. O problema foi ter que pedir insistentemente o Primo, a Marisa e a Rosa para cantarem numa altura que abafasse o som do violão. Caso eu errasse algum acorde, não destoava da cerimônia nem chamava a atenção dos convidados para nós. A igreja tava lotada e o bar nos esperando lá fora.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

CONFIDÊNCIAS GENÉTICAS DE UM ITABIRANO

A MEU PAI


Filho de Zé Felipe e Maria Delfina,

Nasci e alguns anos vivi em Itabira

Por isso sou um Adão.

Não sou alegre nem sou triste

Oitenta por cento de ferro na botina e no uniforme

62,85% de fibra de ferro na alma

O resto é maleável

A vontade de amar que não paralisa a de trabalhar

Vem de Zé Felipe, com seus cabelos brancos, muitos desejos e muitos horizontes

E o hábito de sofrer que não me diverte, mas fere

Não é herança de Zé Felipe

É adquirido.

De Zé Felipe trouxe prendas diversas

Essa canela fina, esse macacão de mecânico

Esse diploma sindical

Esse orgulho e essa cabeça pensante

Não tive ouro, nem gado , nem fazenda

Hoje, como Zé Felipe, sou do INSS mas ativo

Itabira pode ser uma fotografia na parede

Mas Zé Felipe é uma metade de mim

Ai, Ai, Ai,

Ou sou eu dele?

quinta-feira, 22 de maio de 2008

POEMINHA TOSTADO

Cozinhando e pensando

Vou lembrando de escrever

Deixo a panela. Lavo as mãos

Sento. Esqueço

A comida vai queimando

E vou perdendo a batalha

Do fogão e da palavra.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A BANDA E EU

Quando a banda de ofício era o compasso das cidades, as festas e acontecimentos importantes eram regidos e saudados por elas. De longe se sentia o som do bumbo, do prato e dos inconfundíveis sopros dos pistons e clarinetas, que levavam às portas e janelas os olhares com encanto mágico, dos pequenos, médios, grandes e velhos, senhores e senhoras, meninos e meninas, casais e namorados. E eu desejando estar no lado oposto. Queria as baquetas do tarol ou a vareta do bumbo enrolada nas mãos e batendo num som bonito, perfilado, com uniforme passado a vinco, mas tinha vergonha do destaque ou medo do fracasso.

Depois de passados anos até que se possa pensar no que foi feito da vida e dos desejos não realizados dá para perceber com muita certeza o quanto é bom se viver e aprender as coisas sem repressão e opressão. A autoconfiança, estima elevada e destemor do novo são alavancas da criação. Não movem o mundo mas deixam-no menos doído e mais belo. Dá até vontade de viver longamente na esperança que esse mundo aconteça de verdade.

Tinha em criança um ouvido que batia, batia, batia já com ritmo que parece ter nascido comigo dos tambores dos ancestrais ou das músicas das ruas, das rádios e das festas. Só sei que batia sempre em meu ouvido. E deu um gosto pela percussão que eu usava lata, tampo de mesa, caixa de fósforos e tudo que chacoalhasse em som de bateria. Menos os instrumentos de verdade que eu amava, surdo, tarol, xiquexique, reco-reco, zabumba, cuíca e pandeiro mas que me metiam medo.

Entre tantas frustrações, que eu julgava serem frutos da timidez, descobri que se tratava simplesmente de medo de fazer bonito a acharem feio. Medo de destacar e ser taxado de aparecido, esnobe. Medo de o auge ser vizinho do abismo. Acreditava que já tinha um destino traçado por uma força superior ou por uma ordem superior, seja dos pais, da escola, ou uma ordem natural dos caminhos retos que levariam todos a algum lugar. Por isso eu só vi a banda passar.

domingo, 18 de maio de 2008

OBELA

Era uma vez uma vaca que se chamava Obela. Chamava não, ainda chama. Está vivinha e acaba de ser vendida por R$1.729.000,00. E só a metade. Qual será essa metade? A quem pertence a cabeça, seu guia visual a ensinar por onde andar, o que comer, onde pisar? E o rabo, quem governa, quem fica com o estrume de ouro? É, por um preço desses, seu esterco deve adubar milhões de hectares numa só cagada! E a picanha, meu Deus?

Eu a vi na televisão, tem uma corcova cujo cupim deve dar, magros, uns cinco quilos. Mas como fazer um churrasco? A vaca vale, pelo critério da venda, mais de 3 milhões. Não dá para engolir uma carne dessas. Dá dor na barriga e mais ainda na consciência. E o leite então? Já deve sair em milk shake com o sabor que você der a ela para comer. Só não pode dar gelo para sair já em forma de sorvete. Imagine gripar uma vaca dessas! É caso de polícia, justiça e denúncia nos órgãos mundiais de proteção aos animais dotados de poderes extraordinários.

Precisará de um seguro de vida e guarda costas, chifres e dorso, vinte e quatro horas. E juiz de plantão para um habeas corpus em caso de alguma ameaça iminente. Nem que seja ameaça de um boi sem pedigree querendo cruzar. Já pensou uma jóia dessa solta no pasto dando mole para qualquer boizinho? É bom que o dono da outra metade esteja sempre na boa com seu sócio e nenhum dos dois pense em loucuras como querer doar óvulos, dar seu leite aos pobres, se desfazer de sua parte ou levá-la para comer braquiária ou capim meloso.

E a picanha, hein? E a picanha?

sábado, 17 de maio de 2008

ROUBADA

“...Agora já não é normal, o que dá de malandro regular, profissional,

Malandro com aparato de malandro oficial,

Malandro candidato a malandro federal,

Malandro com retrato na coluna social,

Malandro com contrato com gravata e capital,

Que nunca se dá mal...”

(Homenagem ao Malandro, Chico buarque)

O ladrão comum era um animal de hábitos noturnos, mãos portando canivete ou lâmina de barbear, chave de fenda, pé de cabra e acessórios indispensáveis ao batimento de bolsa, carteira e arrombamentos de pequenos cofres e portas ou janelas. Esses apetrechos foram, com o tempo perdendo terreno para o revólver, a pistola, a chave mixa e acesso direto às contas bancárias pela internet. Seu habitat tradicional – a rua – está empurrando-o mais para as manhãs, tardes e menos para as noites e madrugadas, que estão com pouca gente circulando, ficando mais difícil ser identificado nas imagens das câmeras instaladas nos pontos de grandes circulações de gente e dinheiro. Essas bisbilhoteiras usadas para vigiar o nosso sossego de outrora em nome da segurança geral. Esse meio ambiente social poluído tem muito mais apelo que o dos lixos inorgânicos, os desmatamentos, as contaminações das águas e o aquecimento global. Como se cada um fosse um ambiente desvinculado do outro e não uma coisa só, plastificada. O ar não é palpável pelo menos até nos faltar ou tornar-se irrespirável Vivemos o efeito semelhante ao de uma estufa humana ou, na “chapa quente”; tornamos-nos reféns da paranóia coletiva, do ir e vir sempre correndo o risco de esbarrar com um outro vindo e levando a bolsa ou a vida. A sofisticação high tech , não deixa para trás o atraso. Moderniza também o golpe, já que se pretende democrática nos moldes da democracia de desiguais em que vivemos.

Agora, o ladrão especial, de raça, é um animal que criou seus hábitos sem limites de espaço e tempo. Ele faz parte de uma nata da sociedade e não precisa desses mecanismos de invasão e fuga, claro ou escuro, tranca ou cadeado. Vale a sua notoriedade, seu discurso e especialmente, seu(?) dinheiro e bons advogados. Pena, então... habeas corpus nela!

Dois casos típicos de que a malandragem oficial faz escola. O pessoal está, a seu modo, reivindicado uma ascensão social, uma mudança de status. Afinal dura lex, sed lex ou não?

A quadrilha seqüestrou a família de um gerente de banco no interior de Minas e entrou na agência. Quando a polícia cercou tudo e deu voz de prisão, o sujeito que estava com reféns lá dentro ligou para uma emissora de rádio, que colocou ao vivo, o diálogo com a repórter e pedia garantia de vida para ele e para os clientes que estavam na agência, afinal, a polícia poderia usar de violência e ferir alguém, seu argumento salvador. Estava certo, mas foi preso assim mesmo, coitado. É bom aprendiz, mas pobre, sem notório saber e prática criminal.

O outro infeliz adentrou pelo estabelecimento de hortifrutigranjeiros, que o povão gosta de chamar sacolão, foi direto ao caixa e limpou toda a féria das primeiras horas do dia, mas, contido pelos funcionários e fregueses, esbravejava que iria devolver o dinheiro. Exigiu isso das autoridades, uma vez que nem chegou a fazer uso do saldo do assalto. Tinha direitos de imunidade por esse ato abnegado. Dançou também. Ainda não perceberam que não são ladrões especiais. Já aprenderam as teorias, mas não escalaram a pirâmide do foro privilegiado.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

DENÚNCIA

Procura-se um cão da raça ruim que violentou a Flor hoje (15/05), aqui dentro de sua própria casa. A cachorra só tem dois anos e meio e não queria se sujeitar ao ato violento praticado pelo cão invasor. É invasor sim; ele conseguiu arrebentar a tela de proteção colocada no portão exatamente para evitar aproveitadores de cio alheio. Acho que a cadela tinha pelo menos a chance de escolher com quem ter a sua primeira relação e todas as demais. Sequer teve o direito de exigir do dito cujo, o uso de preservativo, já que, pelas características, ele deve ser não um cão, mas um galinha travestido com rabo, focinho e orelhas grandes. Solicito às autoridades competentes enquadrar o mesmo na categoria de delito doloso, praticado com o fim do prazer unilateral, sem recurso de defesa para a vítima.

Meu depoimento:

- Chego todos os dias por volta de 7 h da manhã da caminhada e a Flor sempre está me esperando no portão. Como a mesma não deu sinal, resolvi investigar por minha própria conta e deparei-me com ela enroscada (literalmente) com o cão tarado naquela posição em que parece nenhum dos dois ter gostado da experiência sexual, uma vez que ficam de costas um para o outro, apesar de agarrados pelos membros. Estavam sob o pé de manga. Diria até que seria um cenário romântico, caso houvesse o consentimento da vítima. E isso não me pareceu, pois ao ouvir meus passos a mesma desandou num choro sentido como que estivesse pedindo socorro (ou foi de falsidade só para me despistar? ou ainda para não ser repreendida?). Não sei. Consegui libertá-la desse cão violador de cadelas indefesas e o meliante ainda teve o desplante de querer me agredir, mostrando-me os dentes e rosnando quando eu tentava soltá-los daquele novelo que mais parecia um bicho de duas cabeças.

Minha queixa agora é a necessidade urgente de encontrar o vadio para fazê-lo assumir a paternidade canina dos inúmeros filhotes que deve ter deixado a Flor esperando. Nem precisará exame de DNA, pois sou capaz de reconhecê-lo a qualquer distância.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

PRA MORRER PRECISA ESTAR MORTO

Jovem tem alta após ouvir médicos declararem morte

Um americano de 21 anos que sobreviveu a um acidente de carro em novembro do ano passado contou à rede de TV NBC ter ouvido os médicos o declararem como morto.Zack Dunlap foi levado para o hospital inconsciente e 36 horas após o acidente uma tomografia cerebral mostrou que seu cérebro já não recebia qualquer fluxo sangüíneo.O rapaz ouviu quando os médicos disseram à família que ele estava com morte cerebral.Os pais de Zack viram o exame e constataram o diagnóstico médico."Não havia qualquer atividade cerebral", disse Doug, pai de Zack, a um programa da NBC.Os pais decidiram, então, manter os aparelhos ligados o tempo suficiente para que a equipe encarregada de retirar seus órgãos chegasse de uma outra cidade."Nós não queríamos vê-lo como um vegetal", disse o pai. "Sabíamos que ele gostaria que seus órgãos continuassem vivos dentro de uma outra pessoa."Algumas horas depois de ser declarado como morto, uma enfermeira começou a remover alguns de seus tubos enquanto aguardava a equipe de retirada de órgãos.

REAÇÃO MILAGROSA

Os primos de Zack Dunlap, Dan e Christy Coffin, ambos enfermeiros, estavam no quarto nesse momento e por sua aparência, desconfiaram que ele não estava morto.Foi quando Dan sacou uma pequena faca de bolso e passou na sola do pé de Zack, que reagiu imediatamente... Os médicos advertiram à família que ele poderia ficar com sérios danos cerebrais, mas cinco dias depois Zack abriu os olhos e 48 dias após o acidente voltou para casa. O rapaz, que ainda faz tratamento para recuperar por completo a memória, diz estar contando os dias para ter a carteira de motorista de volta. "Estou me sentindo bem, mas às vezes é muito difícil", disse ele. "Só preciso ter mais paciência. Estou querendo dirigir de novo desde que saí da reabilitação".

Terça, 25 de março de 2008, 06h59 (FONTE: www.notícias.terra/mundo/interna)

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“A dor da gente não sai no jornal” (Chico Buarque)

Quando tinha um programa de humor na televisão, o Jô Soares fazia um personagem que ficara em coma durante muitos anos, desligado completamente de tudo o que se passava no Brasil e no mundo. Só ligado nos tubos. Quando retornou à consciência, ouvia as pessoas contando-lhe das novidades da economia, da política, da modernidade e de tão assustado, desiludido e incrédulo dizia o bordão: Ah, não, me tira o tubo!, me tira o tubo!, referindo-se à preferência pelo coma à realidade. O caso do rapaz acima deve ter sido o contrário, mas hilariante tanto quanto o personagem, afinal as tragédias humanas que terminam em salvação sempre ficam engraçadas depois.

Passa um médico doido para retirar logo algum órgão, tem prazo de validade; passa junto um residente cheio de vontade de ajudar para aprender o ofício in loco; passa outro e comenta, religioso: é mais um que vai para salvar outros tantos... Ele lá, ouvindo os médicos decretarem a sua morte e desesperado de vontade de pedir socorro.

- Por favor, me deixa o tubo, me deixa o tubo!

Imagina o dilema do cara. Queria ser doador e agora ter que fazer isso vivinho da silva!

- Olha aí, estão levando o meu coração e ele nem se apaixonou ainda! Só tenho 21.

- Devolvam meu fígado, prometo que não bebo mais antes de dirigir!

- Ai, meu Deus, vou olhar pra quem na hora que for anunciar que não morri? Levaram minhas córneas!

Já que está ansioso para voltar a dirigir, aconselho a ele tornar-se motorista de carro funerário. Como defunto não tem pressa, a chance de ter um novo acidente é quase nula.

domingo, 11 de maio de 2008

PRESSÁGIO

Coceira nas mãos: dinheiro; coceira no dedão do pé: chuva; coração apertado: mau presságio; uma orelha quente: alguém falando mal; duas orelhas quentes: alguém falando mal e outro alguém defendendo (ou então pode ser febre mesmo). Esses conhecimentos antigos vão sobrevivendo no tempo das adivinhações modernas e continuam a ter seus adeptos. A tecnologia não acabou ainda com o folclore, graças a Deus.

O que não perde espaço por nada desse mundo é o presságio. Tem pessoas que se sentem avisadas por algum mensageiro do além ou por uma força extra-sensorial de que realizar determinada tarefa ou praticar um ato qualquer deve ser evitado quando sentem um aperto no peito, indicando que algo pode dar errado. O contrário também faz parte desse contrato informal com o subconsciente. Em ambos os casos, não é raro haver algum interesse escondido por trás do pressentimento. Uma desculpa para se ver livre de alguém ou de alguma situação desagradável cai bem com uma saída diplomática dessas. Afinal quem será capaz de ir contra um mau presságio? E se der errado mesmo? O remorso, o sentimento de culpa... É o tipo do argumento no qual ao mesmo tempo se descarta logo de cara qualquer possibilidade de se fazer aquilo que não se tem vontade, sem desagradar a quem quer que seja. E de quebra, ainda sair agraciado com a fama de predestinado, caso ocorra alguma coincidência com o que foi pressentido. Do contrário, se nada de ruim ocorrer ganha-se pelo menos o respeito e a garantia da continuidade das relações, a velha política da boa vizinhança. Desde tragédia com avião até ganhar prêmio de loteria, todo mundo já ouviu algum caso de que alguém foi avisado antes. Se não conseguiu evitar ou tirar a sorte grande foi por não terem lhe dado ouvidos ou deixado de apostar. De vez em quando ocorrem problemas de interpretação que, como se fazem com os sonhos, a coisa se dá ao contrario do pressentimento ou não tão bem à maneira decifrada pelo pressagiante.

Já estava com tudo preparado para aquela viagem de férias que me consumiu ansiedade de um ano e me fez reduzir gastos até onde não mais poder para que não tivesse que fazer essa redução durante o descanso na praia. Uma vez por ano, pelo menos dava para dar uma esbanjadazinha. Passei o dia inteiro entre uma tarefa e outra no trabalho trocando idéias com os colegas sobre a viagem, minha expectativa, o aluguel da casa para quinze dias, e nas rodas, o Waldemilson, só observava a tudo calado e com reticências no olhar a cada frase que ouvia. Disse no final de expediente que precisava falar em particular comigo e propus após o trabalho. Não deu as caras até a manhã seguinte, quando bem cedo arrumava as coisas no carro, que bagagem de pobre tem que começar a ser arrumada é com muita antecedência para caber tudo direitinho. Aí ele aparece antes do sol. Até assustei e achei que pudesse ser algo grave mesmo a ponto de ter que interromper ou adiar o passeio.

-Rapaz, você tem mesmo a certeza de que precisa fazer esta viagem?

- Ô Waldemilson, precisar, assim de necessidade urgente, não, mas, cê sabe, férias são só trinta dias... Por que a pergunta?

-Desde o primeiro dia que te ouvi falando dessa praia que tem uma coisa me incomodando...

- O quê, quer ir também? Já fui logo de gozação.

- Falo sério, é um sentimento esquisito, umas coisas querendo e não querendo me dizer ao mesmo tempo, um aperto danado, um sufoco.

Pensei logo, agora vai minha viagem pro ano que vem. Deve estar precisando de algum emprestado, recebi as férias...

-Tá precisando de algum para emergência?

- Que isso, cara, graças a Deus, tá tudo em ordem. É sobre a sua viagem mesmo. Melhor você não ir...

-Tá doido, sô, se eu falar isso aqui em casa vão me internar e arranjar outro motorista. Tá todo mundo esperando isso faz tempo!

- É que eu gosto muito de você e de sua família e fico com medo de acontecer alguma coisa ruim...

- Só se for chuva os dias todos, vira essa boca pra lá.

Nisso já estava todo mundo acomodado e minha filha começa a se impacientar

-Ô pai, anda logo, que eu quero pegar uma onda hoje ainda!

Despedimos ali não sem seus conselhos premonitórios de: vá devagar, cuidado com as crianças no mar, não exagere na bebida e pá, pá, pá. Fui tentando não pensar naquilo, mas com uma pulga atrás da orelha e com a vigilância redobrada, porque independente do receio, o cuidado é que nem canja de galinha... Foi um dos melhores passeios que já tinha feito e por cima, sucedido de um achado. Lá pelo terceiro dia, voltando da praia para a casa num fim de tarde, vi uma sacola esquecida na areia com uma linda máquina fotográfica dessas profissionais, com uma objetiva do tamanho de luneta. Como não havia mais ninguém por ali, levei-a comigo e tornei a trazê-la durante o resto da permanência para ver se aparecia o dono reclamando sua falta. Não acorreu e acabei tendo que ficar com ela sob o risco de dar a algum esperto que se proclamasse proprietário, como quase sempre ocorre com os objetos encontrados à mercê da sorte. Tirava fotos com uma nitidez de dispensar fotógrafo profissional, a não ser para um melhor ângulo.

De retorno à cidade, nem esperei pela volta ao trabalho para lhe contar as novidades. Como fez comigo, fui até sua casa – não tão cedo como ele – relatei a calma viagem e mostrei o achado. Espantado com minha integridade morena, sem um arranhão sequer, foi logo dizendo ao olhar a bela máquina:

- Eu sabia! (Com cara pensativa e procurando uma saída honrosa).

- Sabia o que Waldemilson?

- Uai, vai ver, então, que o que eu senti foi o dono dela se afogando.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

NÓ!!!

Teste mostra que fumaça de incenso é prejudicial à saúde
CLÁUDIA COLLUCCI - da Folha de S.Paulo, em Brasília
Usado
desde a Antigüidade com sentido de purificação e proteção, o incenso acaba de receber sinal vermelho da Pro Teste, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Cinco marcas avaliadas mostram que daquela fumacinha, aparentemente inocente, exalam substâncias altamente tóxicas

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Adoçante pode engordar

Parece contra-senso, mas o alto consumo de adoçantes artificiais pode causar aumento de peso...

..."Se o açúcar for utilizado de forma correta levará a uma série de vantagens ao paciente, inclusive saciando a compulsão por doces... ( saúde.terra.com.br)

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ABSORVENTE INTERNO PODE PROVOCAR CÂNCER

...Você já ouviu falar que os fabricantes de absorventes internos usam asbestos na fabricação de absorventes? Porque asbestos fazem você sangrar mais, se você
sangra mais, você vai precisar de mais absorventes... Absorventes internos contêm duas substancias que são potencialmente perigosas: Rayon (para absorver), e dióxido (um produto químico usado para provocar sangramentos)... Dioxina é potencialmente cancerígena (câncer associado)...

(www.grupo-ramazzini.med.br)

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Benefícios de um consumo moderado de cerveja ( www.cervejasdomundo.com)

A cerveja é uma bebida saudável e que faz parte da dieta do Homem desde tempos ancestrais... elas não são apenas boas para beber, como também fazem bem à nossa saúde, desde que consumidas moderada e regularmente, isto é, não mais de 2 garrafas por dia... pode proteger as pessoas de doenças cardiovasculares, como por exemplo, ataques de coração e algumas formas de trombose...

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Porquinhos light(veja.abril.com.br)

Modificação do DNA faz com que a carne desses suínos produzam ômega 3, o ácido graxo que faz bem ao coração e previne o câncer...

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“Táubua de tiro ao álvaro

Não tem mais onde furá”

(Adoniran Barbosa)

Meu Deus, o adoçante faz mal! E pior, engorda!

Light nem é tão leve

E diet tem açúcar

Álcool é bom para longevidade coronária e dá carona para o corpo

Carne de porco agora é ômega, alfa beta e gama, faz bem para a saúde

Chocolate rejuvenesce, tira rugas e não dá espinhas

Absorvente interno dá câncer

A gota, quem diria, cura-se com gotas – de limão todo dia

A fumaça do incenso é mais perigosa que a do cigarro (pelo menos é cheirosa),

E nós, que escolher? Entre a morte iminente de ontem e o futuro saudável?

Entre o saudável de ontem que virou vilão de repente

Mata a gente pelo gosto, ingestão ou indigestão?

O que fazer sem senão?

O que comer sem medo, sem culpa,

Que remédio, qual expectativa?

Tenho aprendido demais!

Nem certo de tudo, nem de todo errado,

Muito antes pelo contrário

E a recíproca é verdadeira

Eis a questão?

domingo, 4 de maio de 2008

ZÉ JOÃO

Ôoola, ôola, ôla, alô macanudo, câmbio. Agora aqui não tá mais ao cento por cento, câmbio. Não tem mais acampamento com aquela barraca que levava a residência da gente pro mato. Nem luz faltava. Só o banheiro mesmo que transferíamos para a moita. E o churrasco perdeu um pouco da elegância ritual no trato da carne. Estamos tentando é diminuir no sal. Aquele seu garfo nem sei mais por onde anda. A brasília amarela já roda por outras bandas. Tem mais uma porção de sobrinhos, alguns que só te conhecem de ouvido e foto e lamentam não ter podido estar antes para o convívio. Tem uns que até dizem que era para você ter esperado mais. Será que nos sessenta e poucos e mais pra frente você ia ficar rabugento? Câmbio...QSL, copiou? Não desligue, macanudo. Continuamos aqui em ondas médias, respirando mais dióxido de carbono que fumaça de carvão temperado. Mas vamos todos bem e com saudades. Tem sempre comentários a seu respeito nas rodas de reunião familiar. E com que respeito! Não há sequer uma prosa em que não haja uma menção, uma lembrança, uma reverência de sua marca que não se apaga em nós. Porque não queremos também não, copiou? Câmbio... Bem sei que uma homenagem você merecia em vida e em poucas linhas não cabe tanta história boa e, justiça seja feita, era justiça mesmo o seu maior guia na vida vivida. Mas você cometeu-nos uma indelicadeza que não era do seu feitio. Foi sem aviso nem sintoma. Esteja em paz aí que estamos em busca aqui.

Põe a Delfina aí na escuta e transmita a nossa saudade grande. Cambio...

terça-feira, 29 de abril de 2008

JOGADOR DE FUTEBOL


(clique na foto para ampliá-la)

TUPANZINHO FUTEBOL CLUBE (Itabira-MG – 1975)



(De pé; Tony, Diquinho, Fiapo, Adelson, Guimba, Cacá, Jeca (técnico)

Agachados: Claudimir, Bedéia, Walter, Adilson, Mate-Couro)

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Encerrei minha carreira muito jovem, no auge da glória, para não ficar na marcação da torcida como pipoqueiro nem perna de pau. Por isso me aposentei da bola aos quatorze anos para ter muito tempo para curtir a fama. Essa foto foi do jogo de despedida. Procurem nos registros do esporte que vai estar lá o Cacá com “C”.

Não há ainda uma profissão cujo primeiro atrativo seja a conseqüência de sua bem elaborada, planejada e executada missão. Essa é movida mesmo pela paixão, antes mesmo dos carrões, do sonho europeu e da mulherada bonita. Há coração no pé, peito, coxa, joelho e cabeça. Para quem ama, o esporte só perde a graça depois que o sujeito passa a se preocupar mais com a efemeridade da gloria de estrela e menos em jogar uma bola redondinha.

Tem toda a razão o Skank, “quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” Trocando as bolas da música, quem não gosta de futebol é ruim do pé ou doente da cabeça. Os campinhos pipocam por todo o Brasil, onde se joga de tênis, descalço, com bola ou qualquer coisa que se possa chutar. É grama, terra batida quadra de cimento, soçaite, rua com gol feito de lata ou pedra e até curral, enquanto a boiada vai pastar, serve para se bater uma bolinha. O detalhe mais curioso é a capacidade que tem o futebol como espetáculo único e fenômeno inexplicável de enquadrar discrepâncias mais que qualquer religião ou sistema político ou econômico. Não há capitalismo, socialismo, comunismo, catolicismo, islamismo, zen budismo, que alcance tanta unidade como o futebol. Assisti dia desses a algumas cenas de um jogo entre as seleções de Coréia do Sul e do Norte, que os governos são inimigos ideológicos viscerais, mas os povos, não. E me chamou mais a atenção as tomadas das torcidas no estádio, que o jogo propriamente; umas caneladas de dar dó. As duas galeras aplaudiam efusivamente uma e outra seleção, como se quisessem avisar ao mundo que as duas equipes deveriam ser uma só. O outro detalhe é que o mesmo tanto de unidade empata com a falta de unanimidade. Nesse fenômeno físico os opostos se atraem mesmo. Mas só até as torcidas entrarem no estádio e rolar a bola no gramado.

Com toda reverência aos demais esportes, vôlei, basquete, natação, corrida, ginástica, ciclismo, e outras tantas maravilhas que o gênio humano inventou para o bem estar físico e mental e coletivo e de lazer e mais um monte de coisa boa, inclusive ganhar dinheiro; me perdoem, mas o futebol é de uma plástica coletiva... Vamos com calma. O futebol bem jogado e sem amarelação nem catimba. Não vou a estádios, nem sou fanático por nenhum time, mas gosto de apreciar as habilidades individuais e a solidariedade com a bola. Os fominhas dentro de campo não têm apoio de ninguém. Os gols que fizeram o continuam fazendo história são os construídos com uma costura em ziguezague ou com a tabelinha de deixar caído o queixo do torcedor e o adversário que não consegue parar a jogada com falta ou pênalti. .

Dinheiro dá muito, mas outra riqueza que a moçada da bola vem adquirindo é na linguagem. Já entraram para o anedotário as falas dos jogadores O conjunto do vocabulário não sei como anda, mas aquelas antigas expressões das entrevistas evoluíram. Em vez de ‘fui fondo’, passou a ‘acompanhei a trajetória da bola’. Hoje até já dá para eles agradecerem a Skol por ter dado umas Brahmas de presente, porque a fábrica agora é uma só, mas antes tinha concorrência. Mudou também aquela síntese do antes do jogo “eu e meus companheiros vamos dar tudo de si.” Já se fala em “vou dar o meu melhor, porque estamos focados nesse objetivo.”

“Com certeza.”

domingo, 27 de abril de 2008

O SONO ROM

Os especialistas – sempre os especialistas – depois de seu último congresso internacional vêm nos acordar para nos deixar ligados nas novas descobertas que têm feito acerca do sono. A quantidade, a qualidade, as causas e os efeitos das boas e péssimas noites de nossa pausa para o corpo descansar. Descansar na nossa idéia, pois, segundo eles, a gente está, na verdade é com uma parte relaxando e outra continuando o seu trabalho de revitalização, realimentando as células e renovando o corpo e a mente para o dia seguinte. Entendi popularmente que é como dormir com um olho fechado e outro aberto, próprio das pessoas desconfiadas ou de rabo preso com algum mal feito. Xi! O mundo só deve dormir pela metade e olhe lá! Descobri que existem basicamente na ciência sonológica, os sonos REM e não-REM. O primeiro, profundo, relaxante, com a guarda totalmente aberta e o outro, o tal de não-REM, é o vigilante.

Entre eles, incluo o ROM, que é o ruído meu e de muita gente boa que costuma não deixar ninguém ter o seu REM e às vezes acordar-se com o próprio barulho do ROM, de tão alto. Tenho guardada até hoje comigo (nem sei para quê), uma fita cassete com a gravação de um ronco de um colega de quarto nos meus tempos de estagiário. Ele não acreditava que fosse possível emitir um urro tão leonino e eu não acreditava que iria ter que passar os próximos seis meses sem conseguir dormir. A casa só tinha um quarto e o chão da cozinha era gelado demais para colocar o meu colchão. O banheiro só me cabia em pé. Posição que não é lá muito agradável de se dormir. A gravação foi uma prova contra a sua descrença e uma vingança ao mesmo tempo, já que o esperava adormecer e ligava o toca-fitas. Ele acordava para me xingar que o barulho o estava incomodando. Não ficamos inimigos por isso. Passei a beber algo forte antes de deitar e aí um ronco passou a combater o outro. Assim dormíamos. Se bem ou mal, não sei até hoje, mas continuo roncando. Tive uma tia a quem admirava muito e, quando criança mais ainda, na hora em que ela dormia. A diversão em casa era ir ao quarto quando ela pegava no sono para curtirmos a sinfonia. Ela dava um assobio antes do gutural groaarrrrrr (vou ver se descubro uma onomatopéia melhor), essas dos quadrinhos (ronc, ronc, ronc,), não estão com nada em termos de representação de ruído de sono.

Consegui com os especialistas (ah! os especialistas, sempre eles) um alento para minha autopunição por gostar de dormir durante o dia. Sempre achei uma justificativa de que o hábito veio de anos trabalhando em regime de revezamento de turnos, não querendo nunca admitir que fosse preguiça mesmo e eles, de novo, dizem que há certa hereditariedade nos sucessos e transtornos do sono. Há dorminhocos e insones por culpa exclusiva de seus ancestrais. Quer ver meu pai dormindo? Coloque-o sentado em frente a uma televisão. Antes achava que dormia por enfado da programação. Mas não, dorme até em jogo do Flamengo, seu único time do coração. Se estiver em uma mesa ou numa roda qualquer e a conversa parar, não resiste a cinco minutos do silêncio. Não chega a roncar sentado, mas dorme com a boca aberta até os cantos das orelhas. Eu também já dormi até em cadeira de dentista, em túnel de tomografia e em mesa de bar. Nesse último caso houve ajuda externa ao metabolismo basal.

E, por último – palavra dos especialistas – a morte é igualmente inevitável para quem dorme mais ou menos. Não vive mais quem dorme muito e vice-versa. O que importa é a qualidade que o sono tem. Só ofereço o meu lamento a quem vive com um(a) companheiro(a) com sono ROM. Esses não dormem nem bem nem mal.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A FÉ REMOVE GORDURAS

Rio: pastor garante que oração faz fiel perder 5 kg

A promessa de emagrecimento rápido, sem exercícios, dietas ou cirurgias, está atraindo fiéis à Igreja Evangélica Ministério Brilho do Sol, no bairro Santa Lúcia, em Duque de Caxias, no Rio. Em panfletos distribuídos nas ruas e nos cultos, o pastor Ubiraci Xavier promete a perda dos quilos indesejados através da fé... O pastor joga a responsabilidade do sucesso para o fiel. "Se esse for realmente o propósito de vida, ele será agraciado com o milagre de perder até cinco quilos em uma oração", diz...

“Muita Fé”

Ubiraci garante que o panfleto que promete emagrecimento imediato de até cinco quilos, através de 'lipoaspiração divina', não é estratégia para atrair novos fiéis e arrecadar dinheiro. "Nem pensei nisso. Até porque só emagrece quem tem muita fé", disse, garantindo que, durante uma campanha de fé no Espírito Santo, uma fiel emagreceu cerca de 10 kg...

(Fonte:www.noticias.terra.com.br/brasil/interna) Quarta, 26 de março de 2008, 02h44

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Jesus ao fazer o milagre da multiplicação dos peixes se esqueceu de deixar a receita para aqueles que se empanturrassem de comida e virassem obesos. Bastava dizer que muita fé e uma determinada oração levariam de volta todo o excesso ingerido pelos gulosos ou famintos que devoram todos os pães, peixes, carnes, doces e outras delícias pecaminosas que foram inventadas depois dele. Mas, na sua infinita sabedoria e na sua infalibilidade divina, mandou pelo menos um enviado para salvar as almas mais pesadas. Irmanados na fé em uma corrente de preces de aspiração de lipídios, podemos fazer cessar a chaga gordurosa que se acumula nos nossos tecidos em forma de pneus, culotes e proeminências abdominais. Isso é com fé, porque com muita fé, podemos também atingir o milagre da multiplicação do emagrecimento. Adeus dietas mirabolantes, adeus bisturis redutores, até mais ver, aparelhos de queimar gorduras a laser, vade retro piscinas, pistas, campos, quadras, xô academias, esteiras e bicicletas. A devoção a Santo Antônio também vai acabar perdendo fiéis, já que seu milagre só se concretiza com a reza de 500 padre-nossos acompanhada do mesmo número de abdominais diariamente. Dizem que não é tão milagrosa a ponto de emagrecer em uma só sessão, mas que depois de dois ou três meses, a pessoa fica fininha. É muita penitência.

Ainda bem que o pastor já avisou de antemão que seu objetivo não é o de arrecadar dinheiro com o milagre, uma vez que os fiéis, agora sem culpa vão gastar mais com comidas gostosas. Mas também terá o seu lado bom, o do aumento de número de ovelhas rezando diariamente para poderem comer mais no outro dia. Um jeito bom de arrecadar algum sem ser acusado de charlatanismo, blasfêmia ou outra heresia, é instalar uma lanchonete na igreja. Tento esquecer as bobagens que já vi ou ouvi na vida mas essas coisas insistem em reativar esse lado do meu cérebro. Lembrei daquela história do padre que encontra numa estrada deserta um sujeito com um carro sem gasolina que lhe pede alguma ajuda e ele pergunta ao rapaz se tinha fé. Ao responder positivamente, manda-o urinar no tanque de combustvível. Dando certo, o cara arranca o carro agradecido para surpresa do padre que exclama, incrédulo: “vai ter fé assim lá na p#”&q*+**&p!.”

domingo, 20 de abril de 2008

JARGÃO

Segundo a definição que adaptei dos dicionários, o jargão é uma forma própria de um determinado grupo se expressar, numa linguagem corrompida, uma espécie de gíria específica. Para mim, não passa de um corporativismo lingüístico. Um diálogo defensivo. As profissões trazem junto com seus afazeres, o próprio código de comunicação. E depois, para desespero geral, o trazem para nos causar afasia. Não tenho nenhuma implicância com nenhum desses grupos, a não ser quando me sinto enganado pela própria ignorância no assunto ou por achar que o uso do jargão é para esconder alguma ameaça que não pode ser feita de outra forma. Esse negócio só pode ter sido criado por algum serviço secreto. Tente decifrar a bula de um remédio qualquer ou ler uma argumentação inicial de um processo judicial e vai entender o que digo. Se conseguir. Alguns depoimentos sinceros:

Policial:

- Estávamos em patrulha de rotina quando identificamos um elemento suspeito que evadiu-se do local ao se deparar com a viatura, mas o mesmo não logrou êxito, pois conseguimos abordá-lo e após averiguações, descobrimos que o meliante estava de posse de uma bolsa que havia subtraído de uma transeunte. O elemento agora vai ser encaminhado à delegacia...

Mecânico:

- Olha, senhor, seu motor está batendo biela. Podemos fazer o serviço completo ou dar uma guaribada.

- Guaribada?

- É, uma meia sola.

_ ???

- Trocamos só os casquilhos. Damos uma usinada no eixo, uns ajustes no cabeçote...

- Mas isso é gambiarra!

- É doutor, só tem que esperar o motor amaciar e não rodar na banguela. Aí, agüenta um tranco bom ainda e tem garantia. Três meses na mão de obra.

Advogado:

- Doutor, acabei concordando com as explicações que me deram sobre o prejuízo...

- Data vênia, seu caso é merecedor de uma querela para reparar danos.

- Não entendi.

- Peticionarei ao douto juízo e questionaremos no mesmo diapasão ignominioso que lhe ofenderam a mais alta sapiência.

- Hein?

- A corte vai fazer valer o fumus boni júris.

- Tá bom, doutor, onde é que eu assino?

Atendentes em geral: (por falta de recursos de linguagem)

- Alô!

- Pois não, em que posso estar ajudando?

- É sobre a minha conta telefônica.

- Posso estar sabendo do que está se tratando?

- É sobre umas cobranças indevidas...

- Só um momento, senhor, e já estarei indo atendê-lo (meia hora de espera) e desisto. Agora não estou podendo.

Cuidado. Esses jargões parecem estar contendo vírus. Já contaminaram muita gente.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

NARIZ

Nariz ‘aprende a identificar o cheiro de perigo’, diz estudo

O medo pode aguçar o sentido do olfato em uma pessoa a ponto de que ela passe a associar rapidamente um odor que sentiu no passado a uma situação de perigo e a distingui-lo de outros semelhantes... Os pesquisadores submeteram 12 jovens saudáveis a testes envolvendo dois odores muito similares enquanto registravam imagens de ressonância magnética de seus cérebros. Primeiro, os participantes tiveram que cheirar o conteúdo de duas garrafas. O odor era quase idêntico, com uma variação química sutil. Eles não conseguiram discriminar os aromas. Depois tiveram que cheirar o conteúdo de uma das garrafas novamente enquanto eram submetidos a uma situação de desconforto - a aplicação de um choque elétrico de baixa intensidade em sua perna. Logo eles aprenderam a distinguir este cheiro específico do outro, que era bastante similar...

Sexta-feira 28 de março de 2008 09h59min (Fonte www.uai.com.br/UAI/html/sessao_8)

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Bem que eu já desconfiava que quando alguém diz: isso não me cheira bem, não se tratava do aspecto físico da matéria. Algumas vezes é direto, na lata, ali nas narinas. Quando se passa por lixo, rede de esgoto a céu aberto ou de alguém sem banho de muitos dias, por exemplo. No caso da descoberta acima, é um cheiro de entrelinhas. O perigo reside na ameaça do odor que fatos ou atitudes podem representar para o cotidiano ou ainda resultar em calamidade pública ou injustiça particular. Muitos advogados quando lhe perguntamos da possibilidade de se ganhar aquela causa na justiça, costumam responder que “de bumbum de bebê e cabeça de juiz pode se esperar de tudo.” Isso realmente cheira a perigo. Quem diria que o nariz fosse ganhar vida própria e se tornaria independente do cérebro! Passa agora a ter comando autônomo e é responsável desde então, a fabricar adrenalina e outros hormônios que avisam ao corpo da iminência de risco - com tanta competência a ponto de não deixar escorrer para não serem confundidas com outra secreção e permitir que a pessoa fique vulnerável. Vai que o sujeito pára a fungada para limpar o nariz e aí, ó, olha a ameaça se concretizando! Aos cachorros, é melhor ir botando as barbas de molho. As barbas não, os narizes.

Para quem acreditava até agora que o nariz servia para enfeitar ou enfeiar uma cara, distinguir odores de fedores e suportar óculos, veio esse magnífico e insofismável achado da ciência moderna, que tanto contribui para o progresso civilizatório ultra contemporâneo da humanidade. O olfato assim deixa de ser um mero sentido e ganha status de órgão. E órgão vital por nos precaver das ameaças reais e potenciais com que formos nos deparando. Agora podemos meter o nariz até onde não fomos chamados com autoridade quase policial. Daqui a pouco começam aparecer os especialistas. Nariz desarmador de bombas, nariz anti-acidentes (subdividido em várias categorias) domésticos, de automóveis, aviões, etc. Nariz que previne contra o nariz da mulher que sente a léguas de distância um perfume diferente no pescoço ou na camisa do amado e, finalmente o nariz especializado em política, que já fareja o perigo ali, no discurso, antes de concretizar a eleição do candidato. Se o cara for dono do próprio nariz e tiver senso de oportunidade, vai fazer fortuna entre os eleitores com narizes menos qualificados.

domingo, 13 de abril de 2008

INVENTAR BRINCADEIRA

Quando não podíamos sair para brincar na rua por algum castigo ou impedidos por chuva, últimos quatro da lavra dos nove filhos santos e adão, costumávamos ficar eu, o Walter a Néa e a Nina, no alpendre de casa fazendo disputa de adivinhar o carro que iria passar na rua. Papel e lápis nas mãos, cada um escolhia um modelo e ficava na sua ansiosa torcida para o pequeno trânsito lhe favorecer com a opção. Tinha fusca, kombi, corcel, variant, jeep, opala, rural willis... Não valiam mais gordini, aero-willis, vemaguete e simca que já estavam saindo de linha e havia poucos em circulação também. Caminhão podia qualquer um, uma vez que eram minoria na frota e custavam a passar. Havia Fenemês, Mercedes, uns poucos Chevrolet e raros Ford. O fusquinha era um caso à parte. Para tê-los nas apostas, era obrigatório escolher uma cor para dar mais oportunidade a outro jogador fazê-lo também. Eles eram em número muito superior a qualquer outro carro. Assim, se fizesse essa opção tinha de estabelecer: eu quero azul, o outro, verde, outro, vermelho, e assim por diante para ninguém ficar em desvantagem na brincadeira. Ganhava aquele que anotasse o maior número de carros passados em um determinado tempo. Esse tempo era ditado pelo momento que a mãe chamasse para almoço, jantar ou banho. Ou ainda quando um espertinho em vantagem inventasse uma dor de barriga ou trapaça semelhante e saísse jogo declarando vitória. Distração não era perdoada. Era antes, um recurso que usávamos para fazer o concorrente levar barrigada. Pançada era mais precisamente como dizíamos.

Duas coisas que estimulam muito a sociabilidade e a criatividade infantis são a fartura de irmãos ou amigos e a carência material. Inventávamos brincadeiras bacanas sem precisar do pai gastar um tostão. Quer dizer, gastávamos lápis e papel para as anotações. Reais e fraudadas. Há poucos dias, passava num bairro aqui perto, naqueles em que as crianças ainda podem brincar nas ruas aos domingos, e a sobrinha que me acompanhava, viu um menino desembestado rua abaixo num carrinho de rolimã, adaptado com um pedaço de cadeira de plástico como assento e ela achou radical, irado. Foi ai que eu falei a ela sobre a criatividade...

Ultimamente tem sido difícil brincar dessas coisas. Difícil até conhecer tantos carros. Os que existem no presente, amanhã já são outros. Cores de mil tons, marcas das mais variadas. Viraram brinquedos só de adultos. Eles ao volante, poderosos, rápidos nas ruas e em quantidade que os olhos nem conseguem acompanhar para a cabeça fazer a contagem. E as crianças em frente à tv e ao computador, brincando de procurar amigos que nunca vêm e nunca vêem, brincando de lutar e guerrear, derrotando os inimigos que lhes botaram na tela. Os da vida elas vão treinando para daqui a algum tempo...

domingo, 6 de abril de 2008

DEMO

“Abre as asas sobre mim, oh senhora liberdade

Pois fui condenado sem merecimento...”

Senhora Liberdade (Wilson Moreira e Nei Lopes)

Hoje estou para provocação. Ou melhor ainda, para o troco. O que vou dizer deve ter sido inventado por americanos. Não é o sofrido torcedor do América Mineiro, não. São os americanos da américa do norte mesmo, esses que se acham os donos do mundo. Que gostam de exorbitâncias, grandezas e as esparramam mundo afora para nos aporrinhar a paciência, mais do que já fazem com nosso dinheiro, nossa cultura e outras atrocidades globalizadas. Vamos nesse ritmo.

. Os barulhos nas ruas dos bairros que têm mais casas que prédios de apartamentos são mais bem definidos. Do alto de um apartamento, ruídos externos são menos decifráveis ou são mais desconsiderados. Eles são múltiplos, continuados e sem apelo que mereça atenção, salvo tiro ou batida de carro. Em casa, até mesmo por estarem nossos ouvidos mais próximos da rua e com auditiva prevenção de segurança, ficamos mais sensíveis ao que se passa lá fora. O caso aqui tem sido a última moda desses imensuráveis e insuportáveis sons dos carros que circulam dia e noite, tarde e madrugada. Não satisfaz o sujeito ter um potente aparelho de som em casa ou assistir a esses shows tri-elétricos de milhões de maga watts de decibéis. Eles agora acompanham o seu dono nos porta malas dos carros. Acreditam os DJ’s automotivos que estão agradando com sua boate-pagode-vazia-ambulante. Digo isso porque passam bem devagar para democratizar a música(?) caótica e sem graça. Dá a impressão que querem ser aplaudidos ou verem alguém chegar ao portão ou à janela para lhes fazer um aceno de carinho ou aprovação. Até no céu se escuta. Já vi até urubu subindo em direção à camada de ozônio para abafar o ruído. Sorte deles é que o som se propaga no ar e não dá pra Deus ouvir. Eu os tenho chamado de som de irritar cachorro. A cachorrada late num efeito dominó. Deu pra saber, inclusive que a população canina é enorme aqui no bairro. A raiva deles é tanta, que mesmo depois de passado o barulho eles continuam a latição como se quisessem mandar um recado ao portador da zoeira: estamos latindo até agora para ver se você não volta mais aqui, seu chato!

Nas minhas caminhas adotei o habito de escutar um radinho com fones de ouvido (PARA NÃO INCOMODAR OS OUTROS). Poucos dias atrás ouvi uma música que me inspirou a fazer uma faixa e colocar aqui na porta para dar um recado a essa turma. Já procurei por tudo enquanto é internet e não achei toda a letra, mas o refrão eu guardei bem e é uma luva-carapuça para vestir nesses caras. Diz assim:

“Feche esse carro, bundão,

que meu ouvido não é penico não.

O que lhe sobra de potência, falta de educação.”

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