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quarta-feira, 6 de abril de 2011

AEDO CIBERNÉTICO * - SINAL DE AMOR E DE PERIGO

imagem: cantorasdobrasil.com.br


Nascida em Salvador, trabalhou com teatro e música no interior da Bahia, e radicou-se em São Paulo em 1978. Quando ainda era estudante de Engenharia Elétrica, começou a aparecer em shows universitários, passando a dedicar-se à música.

Entre outras composições, gravou a clássica balada "Blowin'in the wind", do cantor e compositor norte americano Bob Dylan, com versão de sua autoria e acompanhamento ao violão de Dercio Marques, e que tornou-se seu maior sucesso.

Em 1981 lançou o LP "Sinal de amor", interpretando entre outras, as composições "Sinal de amor e de perigo" (Patinhas – Kapenga)

FONTE: http://www.cantorasdobrasil.com.br/cantoras/diana_pequeno.htm

SINAL DE AMOR E DE PERIGO
Diana Pequeno
Composição: Patinhas / Capenga

À noite  a cidade parece que some
Perdida no sono dos sonhos dos homens
Que vão construindo com fibras de vidro
Com canções de infância, com tempo perdido
Um grande cartaz um painel de aviso
Um sinal de amor e de perigo
Um sinal de amor e de perigo
Há tempo em que a terra parece que some
Em meio a alegria e tristeza dos homens
Que olham pros campos pros mares, cidades
Pras noites vazias, pra felicidade
Com o mesmo olhar de quem grita no escuro
O melhor foi feito no futuro
O melhor foi feito no futuro
Enquanto o amor for pecado e o trabalho um fardo
Pesado passado presente mal dado
As flores feridas se curam no orvalho
Mas os homens sedentos não encontram regato
Que banhe seu corpo e lave sua alma
O desejo é forte mas não salva
O desejo é forte mas não salva
Enquanto a tristeza esmagar o peito da terra
E a saudade afastar as pessoas partindo pra guerra
Nós vamos perdendo um tempo profundo
A força da vida o destino do mundo
O segredo que o rio entrega pra serra
Haverá um homem no céu e deuses na terra
Haverá um homem no céu e deuses na terra
Haverá um homem no céu e deuses na terra

Dedico a Toninhobira (blog mineirinho), amigo, conterrâneo, essa grande alma sensível e coração pulsante de sangue bom e para quem amor e sociedade são grandezas unas, não deixando o indivíduo dissociado de seu eu enquanto ser coletivo que ama e busca transformar seu meio. Com carinho e apreço elevado.

sábado, 26 de março de 2011

AEDO CIBERNÉTICO – VOU-ME EMBORA

Existem uns compositores que ultrapassam os limites do que a poesia pode nos oferecer de belo. É quando põem nela uma melodia. Será que é por isso que eu amo tanto a música? Sei não, mas desconfio. Se a poesia já toca fundo na gente, a música cutuca o insondável quando combinada com ela.
O Paulo Diniz é um desse enteus. Anda meio sumido mas não tem problema. O que ele já deixou me sustenta o espírito inquieto por muitos e muitos anos ainda. Só para dar dois exemplos do que falo, ele colocou melodia no poema JOSÉ, de Drummond. Dá para sentir o quanto isso é arrebatador? Só ouvindo a música.
Bom, depois, num momento daqueles que eu chamei de Enteografia*, compôs VOU-ME EMBORA. Parece que andou lendo o Manuel Bandeira a respeito de Passárgada, não ficou satisfeito com as certezas que lá estão colocadas e saiu para buscar a sorte por caminhos sem sul nem norte. Só ouvindo a canção para sentir melhor o que falo.

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* Na antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na idade média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.

* Sobre ENTEOGRAFIA, leia aqui: Mãos de Deus

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

TERRORISMOS DOMÉSTICOS

Já houve uma época em que se exercia um terrorismo doméstico com apoio ou pelo menos cumplicidade estatal estadual, municipal e federal de toda espécie. Criança desobediente virava potencial vítima do bicho papão, da mula sem cabeça, do boi da cara preta. A este último concedam perdão para Dorival Caymmi. Dizem que a belíssima canção Acalanto* ele fez em homenagem à sua filha Nana, a quem ajudava a fazer dormir de vez em quando. Eu a cantei muitíssimas vezes ninando as minhas duas filhas. A letra e a melodia toda são muito lindas e só peca no momento de invocar o ser medonho para a menina. Se bem que um bebê de colo sequer associa as palavras com imagens. O que conta para eles é a melodia. Se o cantador que estiver ninando a criança for muito desafinado, creio que assusta muito mais do que um boi da cara preta propriamente, que a criança nem sabe o que seja.

Eram as formas de que se dispunha antigamente, através do mistério e da intimidação para manter as crianças sob obediência cega. Diante do mistério, se a gente não possui conhecimento ou defesa, o jeito é enfiar a coragem entre as pernas e ir dormir calado ou chorando sob as cobertas. Não deixando apagar a luz do quarto, por vias das dúvidas. Hoje em dia a letra seria diferente por exigência de um movimento de purificação que ronda a educação dos filhos por ai afora.

Há ainda outros terrorismos e me prendo aqui às aulas particulares que costumamos arranjar para os filhos que estão com dificuldade escolar em alguma matéria. Alguns pais normalmente antes de procurarem uma terapia de casal, de questionar a metodologia da escola, o temperamento do professor, já imputam aos filhos a culpa pelo “fracasso” e lhe matriculam em uma aula particular. Desconheço um adulto que foi vítima desse terror na infância a passou a gostar da matéria em que foi obrigado a fazer aulas de reforço.

Eu, ex-terrorista doméstico, um dia dei um jogo eletrônico de Sudoku para a minha filha que já era refém das aulas de Kumon. A menina abriu o brinquedo com um sorriso mais amarelo que se pode imaginar, com aquele olhar de subtração e o encostou em um canto para não me fazer desfeita. Nunca mais brincou com o troço e até hoje tem horror à matemática. A sensação que tenho do que ela sentiu à época é como se eu desse a um preso injustamente numa cela um par de algemas prendendo seus braços para ele ir brincando de aprender a abri-la durante a sua pena.


*ACALANTO
Dorival Caymmi


É tão tarde, a manhã já vem
Todos dormem, a noite também
Só eu velo por você, meu bem
Dorme anjo, o boi pega neném


Lá no céu deixam de cantar
Os anjinhos foram se deitar
Mamãezinha precisa descansar
Dorme anjo, papai vai lhe ninar
Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta
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