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sábado, 7 de maio de 2011

CHAME O LADRAO!

Eu fui a uma cidade da região metropolitana fazer um trabalho no bairro da Lua. Tenho que fazer uma pausa aqui porque a história do nome do bairro também não é coisa de se deixar passar batido. Numa eleição de prefeito certa vez, havia um candidato prometendo lotear um enorme morro e distribuir para a população carente. O adversário na contra campanha andou dizendo que os habitantes da cidade iam ganhar lotes só se fosse na lua. Está lá o bairro com mais de 8000 moradores. No cartório o nome é outro, mas na cidade todo mundo o chama de bairro da Lua.

Pois bem, chegando à rodoviária aonde iam me buscar, fiquei esperando numa lanchonete tomando um cafezinho. O radio transmitia a programação local. Receitas culinárias, recados, parabéns, pêsames, uma verdadeira utilidade pública em meio a músicas e noticiário. Uma senhora ligou para a rádio que a colocou ao vivo e ela estava se queixando da polícia local. Isso mesmo! Durante a madrugada sua casa havia sido assaltada. Ela ligou para chamá-los ali pelas duas da manhã e o soldado que a atendeu disse: a senhora poderia ir até lá onde está o barulho e ver para nós quantos assaltantes são? Coitada, ficou com a casa vazia. E a polícia alegou depois em nota para a reportagem da rádio que só havia um soldado de plantão e por ordens superiores o mesmo não poderia atender ocorrências sozinho.










DEIXO UM ABRAÇO ESPECIAL A TODAS AS MÃES QUE POR AQUI PASSAREM.

quarta-feira, 16 de março de 2011

DISCUTINDO A RELAÇÃO

imagem:blog-da-natta.blogspot.com
- “Se você disser que eu desafino amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor”.

Isso foi depois de “um dia em que ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar”... Olhou-a de um jeito muito mais frio do que sempre costumava olhar e disse:
- “Não sei por que insisto tanto em te querer”...  “Como vai você”?  “Eu preciso saber da sua vida”! Nem que seja “só pra contrariar”.

E ela, na rotineira ausência de cumplicidade conjugal, pensava:
 -“ Todo dia ele faz diferente, não sei se ele volta da rua, não sei se ele traz um presente, não sei se ele fica na sua. Talvez ele chegue sentido , quem sabe me cobre de beijos? Ou nem me desmancha o vestido? Ou nem me adivinha os desejos”?

Que confusão! É que ele quer uma letra, num acorde de um violão, ela quer um batidão (tum,ti,tum,ti,tum), ele quer  um documentário, um filme , algo especial, ela quer uma novela, uma imagem digital com detalhes que mostrem celulites nas mulheres e a cor real da raiz dos cabelos alourados por tinturas mil.

E se ela quer Caras, ele quer um livro. Ela falou pro didjei , ele falou pro maestro: se ela dança, eu ouço uma sinfonia. Ela descia na boquinha da garrafa. Ele, contrariado, descia uma garrafa na boquinha. Não era um 12 anos, mas apaziguava. E ela ralava na boquinha da garrafa e ele ralava com as palavras para encontrar algo que descrevesse  tanta “vida besta, meu Deus”!

- “Valei-me Deus , é o fim do nosso amor, onde foi que eu errei? Será que minha ilusão foi dar meu coração com toda força pra essa moça”? Pensava ele.

Se é “cada um no seu quadrado”, uma hora dessas um dos dois vai acabar optando por um triângulo. Mas antes que ela dissesse mais alguma coisa, ele “se instalou feito um posseiro dentro do seu coração”, -  liga não! Disse ele. “É que no peito de um desafinado também bate um coração”. 
E o assunto ficou para a próxima vez que precisassem discutir a relação.



Nota: As palavras, expressões e frases entre aspas são referências a letras de músicas e trechos literários.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O TECLADO

imagem: museudocomputador.com.br

- Não me venha com saudosismos de novo! Não é possível, você e essa sua mania de ficar comparando o passado!. 

- E nem é com o presente, minha querida, é com o futuro. O presente creio que nem existe, de tão depressa que as coisas estão andando. O presente foi ontem.

- Mas querer escrever de caneta não dá mais. Isso é só na escola, os meninos ali, nas primeiras letras. E olhe lá! Daqui a pouco eles também já estarão sendo alfabetizados em “carteclas”.

- Que isso, mulher?

- Carteclas são as letrinhas das teclas do computador. Cartilha feita de teclas. O único problema que falta pra resolver é alguém colocá-las numa seqüência alfabética. Isso iria atrapalhar aos que já estão acostumados com a disposição das letras no teclado. Aliás, quem inventou o teclado? Que maluco! Botou as letras todas misturadas, sem lógica nenhuma.

- É mesmo, nunca havia pensado nisso. Qual seria a intenção do cara que o inventou começando com o “Q” e terminando com o “M”?

- Dizem que foi um tal de Chistopher  Latham Sholes. No mínimo estava tentando datilografar o próprio nome, daí essa mistura toda.  É uma longa história que começa lá com a máquina de escrever.  Mas, você já está tão acostumado, por que lembrar da caneta? Aliás, está tão acostumado que agora só escreve em letra de forma, não mais em letra cursiva. Outro dia até o cheque você assinou com letra de forma!

- Confesso que a única vantagem no teclado é que a duas mãos doem por igual. Com a caneta é só uns dedos que ficam doendo. Minha raiva mesmo é com o circunflexo. Toda vez que vou colocar esse acento, ou sai só ele, ou sai o til no lugar. Isso, sem falar no quarteto traidor. Ficaram ali pertinho o S, o C, o X e o Z. Quantas vezes eu acabo trocando uma com outra! E o pior é quando elas têm o mesmo som na palavra! Quem vai acreditar, por exemplo, que o escelente que você escreveu não foi uma esbarrada no lugar errado? O texto poderia ter ficado excelente! Teve um dia que escrevi exxência, pode uma coisa dessas? Perdeu toda a essência.

-Inaceitável foi aquela troca de “és minha mulher” para “minha ex-mulher”. Vai me dizer que foi erro de digitação!?!?

- Ih, pintou xujeira! Quer dizer, sujeira!

imagem: museudocomputador.com.br

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