Começa a nascer a partir de agora
a geração de vida ainda mais longa. Segundo um cientista britânico, os novos
bebês tem possibilidade já garantida de comemorarem daqui a 150 anos o seu
aniversário em pleno gozo de saúde física e mental. E daqui a uns poucos anos,
começarão a nascer os humanos quase milenares. É isso mesmo, novos Noés e
Matusaléns.
A ajuda das células tronco, a
neurociência com a ajuda da mecânica e a eletrônica vão permitir que os novos
humanos sejam verdadeiros robôs em termos de duração física. Imagino que não
iremos mais ao médico, por exemplo, para consultas e sim para manutenção. Os
hospitais-oficinas farão as revisões não mais por sintomas ou por
envelhecimento natural, mas por horas de vida. Provavelmente teremos um manual
de revisões. Só não queiram que nasçam pessoas com garantia genética. E ainda
não temos quem nos defenda de uns males cuja medicina e a ciência não conseguem
a achar cura. A bala perdida, por exemplo, ainda não está no manual. Só se
pegar de raspão, caso em que poderá ser feita uma lanternagem no local. A falta
de tolerância também não foi curada. A psicologia está perdendo terreno para a
pragmática. Tem funcionado mais para a cura de traumas do que na prevenção e no
tratamento de depressões e melancolias.
Tem um lado positivo nisso: a
gente não envelhecendo, fica livre do risco de se tornar um estorvo, um cancro
social. E quanto mais dinheiro tivermos, mais pessoas vão querer ficar conosco
vivos para a sua sustentação ou deleite. Isso se não nos eliminarem para se
apossarem do patrimônio. Quem vai nos defender disso aos cem, duzentos,
quatrocentos anos? E será que está entre os motivos do cientista chamar seu
feito de cura da velhice?
Portanto, tratemos muito bem das
mãos e das vozes para não ficarmos com calos de tanto cantar parabéns pra você.