Mostrando postagens com marcador discriminação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador discriminação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de setembro de 2011

QUANDO A BELA VIRA UMA FERA

imagem: mundo moda.wordpress.com

 

 

Mulheres bonitas são discriminadas em entrevistas de emprego*

(clique no título para ler a reportagem)


O culto excessivo à estética carimba desde muito cedo as pessoas com uma beleza extremamente destacada. É para o mundo das celebridades que a sociedade encaminha automaticamente os muitos bonitos. Dificilmente elas se tornam pessoas comuns como nós, os feios, os simpáticos e os arrumadinhos. Em primeiro lugar há o preconceito contra a associação beleza x inteligência e depois há aquela merda (me desculpem) da chamada inveja. Eu dei uma escalonada e categorizei a inveja. Primeiro ela vem da riqueza material, depois da posição social e depois, da estética corporal. Tem ainda outras categorias menos importantes ou menos visíveis (e nem por isso menos maléficas), mas a inveja está muito presente historicamente na sociedade humana.

Geyme Leschner já alertava em seu livro genial que “mulheres bonitas não são para casar”. A trama não faz menção direta aos embaraços que uma beleza provoca no nosso meio, mas é uma verdade que ao mesmo tempo em que a beleza é algo desejado, ansiado e buscado a todo instante, ela também causa bloqueios, confusões e, dependendo do caso, uma sensação de fracasso numa mulher extremamente bonita e que não incline para o lado  de sua quase natural celebrização.

O saudoso Moacyr Scliar falou da feiúra como elemento de empecilho ao sucesso pessoal. No livro A Mulher que Escreveu a Bíblia, ele nos relata que a mulher era tão feia que nos seus anos de juventude o único relacionamento afetivo que ela conseguiu foi com uma pedra de estimação. O fato de ser a única que sabia ler naqueles tempos da narrativa foi que permitiu a ela desposar Salomão mesmo assim, com a missão de reescrever a bíblia e ainda tendo que dividi-lo com cerca de 300 outras esposas e mais de 700 amantes que ele mantinha em seu palácio.

Até o Freud entrou na roda para ajudar encontrar as raízes psíquicas da inveja, com o complexo de Édipo, uma longa história que não dá para tratar aqui.

Agora vejo esta notícia dando conta que as mulheres muito bonitas são descriminadas em determinadas vagas de empregos comuns. A reportagem fala de duas contradições, no meu entendimento: a primeira é que elas chamariam muito a atenção no ambiente de trabalho provocando “distração” nos demais colegas. Ressalta, no entanto, que em 96% desses casos as entrevistas eliminatórias foram conduzidas por mulheres. (Será que os homens teriam preconceito ao contrário quando selecionadores?) E a segunda é a que elas não seriam suficientemente inteligentes, um estereótipo difícil de desgrudar (as louras vítimas das piadinhas infames que o digam).

Difícil mais esse imbróglio do planeta humano. Coisas que todo mundo sabe que existem, quem tem poder de decidir ou de mudar não admite, quem é vítima reclama mas não encontra apoio (como nos casos de discriminações de cor , sexualidade ou limitação física), e continuamos tocando em frente.

Me fez sentir uma pontada abatimento e lembrar de Chico Buarque:

“...a filosofia hoje me auxilia a viver indiferente assim. Nessa prontidão sem fim, vou fingindo que sou rico pra ninguém zombar de mim.”

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

RODEIO DAS GORDAS







Ontem era o dia marcado para morrer a iraniana Sakineh, mas me parece que a mobilização internacional em favor de sua absolvição está conseguindo lhe garantir uma sobrevida, não se sabe, no entanto, até quando. Continuemos a batalha. Vamos divulgar em todos os meios possíveis de comunicação rápida. Quem sabe não sensibilizamos os dirigentes do país para o fim dessa abominação contra o ser humano?

Eu sempre me refaço uma pergunta histórica sobre os casos de maldade extrema do ser humano: estamos piorando ou foi o desenvolvimento da tecnologia da informação que nos faz chegar rapidamente de qualquer ponto do planeta as notícias de que as coisas continuam como sempre foram? Desde uma época muito remota temos notícias de atrocidades que o ser humano vem cometendo. Só que muita coisa ficou restrita aos lugares onde ocorreu ou nos livros de história. Pouca gente, portanto teve acesso e tomou conhecimento. Mas há registros de arrepiar os cabelos desde a invenção da escrita. A pergunta, então continua no ar até que eu fique convencido do sim ou não por analogia com a modernidade ou pelo doutor Michael Stone do programa O ÍNDICE DA MALDADE, do canal Discovery.

Como no resto do mundo, no Brasil incomoda ainda mais por seu meu país e ter que conviver cotidianamente com situações tão repugnantes. Eu vi esta semana mais uma estarrecedora atitude de jovens universitários praticando um espetáculo de horror chamado de rodeio das gordas. Precisa explicar que esta humilhação também mata as vítimas por dentro? Dizem os dirigentes que vão apurar, para depois advertir, suspender ou expulsar os culpados. Isso basta?

 A mesma poderosíssima mídia que divulga as notícias, debate assuntos tais como violência e preconceitos, dá guarida em sua grade de programação a programas que fazem sutilmente apologia destes comportamentos abjetos, em nome da liberdade de manifestação e expressão. (No fundo, é muito mais em nome dos lucros que isso gera por causa do apego esquisito que a população em boa parcela tem por espetáculos sinistros e de extremado mau gosto).

Outra coisa que me intriga: desde o caso da menina da mini saia, passando por trotes violentos de levar a mortes e outras tantas abominações: estamos assistindo a tudo isso de dentro de instituições de ensino superior, em tese, berço dos filhos de nossa elite bem educada e letrada.

Acho que o rigor das leis pode aplacar a fúria dos insensatos mas não muda suas mentalidades. Pelo menos é isto que temos visto pelo mundo afora. A lei, no entanto, eu defendo que seja rigorosamente aplicada, senão vou confirmar muito mais rápido que o triunfo será da barbárie.
Web Statistics