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segunda-feira, 7 de maio de 2012

DE ONDE SOU MESMO?


Nos últimos tempos  quando me perguntavam de onde sou eu costumava responder que nasci em Itabira, mas me considerava de lá, de BH e de Mariana, as cidades onde morei praticamente um terço de minha vida em cada uma. Ultimamente estou em Itabira, para onde voltei faz um tempinho e me sinto um completo estranho. Tive e oportunidade de ir a Mariana há pouco tempo e me senti um estranho. Em BH eu nem preciso dizer isso, pois acho cidade muito grande, lugar de alheamentos, impessoalidades e indiferenças. São tão comuns que soa estranho quando há amabilidades. A desconfiança vem acompanhada daquele ditado, “quando a esmola é muita, até o santo desconfia.” Fui comentar esse estranhamento com uma amiga e ela me disse que as cidades cresceram muito, que as coisas mudaram, que o mundo está evoluindo. Quando ouvi esta última palavra fui acometido pela chatice que me ataca quando me falam de evolução. Mas não briguei com ela, para não reforçar a minha chatice.  

Entretanto, nos prós e contras inevitáveis que a gente vai contabilizando com as mudanças vivas, continuo achando o interior um melhor lugar para se viver. Aqui ainda há gentilezas no trânsito, muito embora ele não seja tão amistoso e nem tão selvagem como na cidade grande. Aqui a gente ainda abre o portão de casa com menos medo. Aqui a gente ainda costuma ser tratado com muita reverência no comércio. Outro dia mesmo eu entrei numa farmácia e descobri que aquela velha história do fio do bigode está em franca atividade. A moça me perguntou depois que eu comprei uns medicamentos se era para anotar na caderneta. Nunca havíamos nos visto. 

Aqui, assim, do nada, lhe dão bom dia, boa tarde, boa noite aonde quer que se encontrem pessoas. Outro dia também, saí para fazer quatro coisas na cidade em quatro lugares diferentes. Fiz tudo e quando chego em casa, descobri que havia gastado apenas quarenta minutos para fazer as quatro coisas. Fui correndo até a casa de minha irmã, abismado, comentar com ela. Normalmente em BH esse tempo era o que eu gastava apenas me deslocando até o primeiro lugar onde tivesse que ir. Ah, e já me policiei também, minha falta de educação estava exagerada no trânsito. Aqui, nos locais de maior fluxo, os carros costumam parar quando alguém pisa na faixa de pedestres e esperam a pessoa atravessar a rua. Fiquei cheio das culpas ao lembrar se naqueles 40 minutos anteriores eu não tinha deixado alguém de cara amarrada comigo por não tê-lo esperado atravessar a rua.

Então, eu vou reforçando a ideia de que eu sou de onde me sinto melhor, tiro o melhor para mim e dou o melhor de mim, pois é isso que faz a gente amar um lugar e, portanto, criar uma identidade através da memória afetiva com esse lugar. Idealista que ainda sou e com esse propósito no coração dá vontade de um dia poder dizer verdadeiramente: Sou cidadão do mundo.



sábado, 9 de julho de 2011

SALVEM OS HOMENS

imagem :daqui
Em BH a proporção é de 88 homens para cada grupo de 100 mulheres(leia aqui). Não é nada, não é nada, pode ser um tremendo TPM. Ou a cidade está ficando mais charmosa, mais delicada? Como Belo Horizonte é uma cidade onde predomina uma economia de prestação de serviços, esse componente faz arredar ainda mais pra lá homens, que vão buscar vagas em escritórios e indústrias, estas últimas quase inexistentes na cidade. Um dado preocupante é que nas faixas de idade mais jovens e nas mais velhas o predomínio feminino ainda é maior. As mulheres, além de tradicionalmente viverem mais, assistem jovens entre 15 e 29 anos perderem a vida com muita frequência por violências diversas (trânsito e drogas, principalmente). No mapa do censo, a proporção de homens é maior até os 9 anos. Sim, eles nascem em número maior e por aí dá para se ter uma noção de como morrem em abundância. É o retrato de uma cidade violenta.

Como não poderia deixar passar em brancos véus, foram analisar até o “mercado” para as uniões. Entrevistas com mulheres revelam uma disputa acirradíssima por um parceiro. Desleal ou não, isso eu não sei dizer, já que estou alijado desse “mercado” faz tempo por prazo de validade vencido. Já está longe a época em que se saía à noite e os lugares estavam infestados de barbudos e vozeirões. Aparecia uma mulher sozinha e tornava-se por unanimidade a miss do pedaço.

Eu que vivo criando movimentos sem pé nem cabeça nem adeptos vou acabar lançando o movimento Salvem Os Homens Antes Que Comecem A Virar Espécie Em Extinção.
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