domingo, 24 de janeiro de 2010

DEIXE PARA A HISTÓRIA DE SUA VIDA UMA NOTÍCIA NOBRE

A NOTÍCIA

Animais de estimação têm luxo e mordomia ao alcance das patas.

Os animais de estimação não têm do que reclamar. Em julho começou a operar a companhia aérea americana Pet Airways, a primeira destinada a bichinhos de estimação. O avião leva 19 humanos e até 50 animaizinhos, porque as fileiras de bancos foram substituídas por gaiolinhas próprias para cães e gatos. Essa, porém, não é a única mordomia do reino animal. Roupinhas, acessórios de beleza, camas confortáveis, perfumes, alimentação balanceada, festas de aniversário, ofurô, personal dog, docinhos e até produtos inspirados em artigos de grife de moda fazem parte da extensa lista.

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Fonte: http://mulher.terra.com.br/interna/ 6/08/09.

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A CRÔNICA


Estou pensando seriamente em fazer uma série de crônicas apenas falando de cães e gatos. Acho que meu assunto já está ficando cansativo. Daqui a pouco não sei se vão ter assuntos fora de eventos oficiais onde os homens vão falar alguma coisa com os outros homens. No mais é com os bichinhos. Daqui a pouco também vou começar a sofrer ataques me insinuando como insensível, desumano (???). Tenho um álibi: possuo cachorro. Só que ele, apesar de bem cuidado, é tratado como cachorro.

Qual a diferença ente crônica, grave e aguda? Sei não, mas eu queria que este texto pudesse se chamar grave. Gravíssimo para ser mais contundente.


Como é bom acompanhar a evolução da humanidade! Eu agora quero propor eliminarmos de circulação popular alguns ditados ofensivos dos humanos relacionados aos animais. Alguns substituir. Coisas do tipo:


“Quem não tem cão caça como gato”. Ora quem não tem cão que arranje um imediatamente e cace logo algo para que se conforte. E gatos são para leite como ratos para queijos.


“Mais perdido que cachorro caído de caminhão de mudança.” Qual caminhão, o que vai levar os móveis? Onde já se viu misturar móveis com cachorro? Ele vai no carro da família. Só não é no banco da frente por causa da incompreensão das autoridades de trânsito. Os guardas ainda não evoluíram o bastante. Vão entender que, com cinto de segurança os bichinhos ficam comportadinhos na frente.

“Gato escaldado em água quente...” O que? Isso passa a ser crime inafiançável!


“Cão que ladra não morde.” Substituir para cão que ladra está carente de afeto. Já temos cirurgias de extirpação de suas cordas vocais. Latir é com cães sem teto, famélicos moradores de rua, que não despertaram ainda a sensibilidade das autoridades para lhes dar abrigo.


“Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres.” Bom, nascer pobre é destino, viver como pobre é com os burros. Vai ter vida boa, porem dentro do conforto de um lar. A liberdade? Ora, tudo tem um preço também, não é gatinhos?


“Sofrer mais que cachorro zangado” será substituído por sofrer mais que menor abandonado. Meu único medo é se começarem a querer dar o tiro de misericórdia nas crianças de rua também.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

DE CORPO E ARMA

A NOTÍCIA

Preste atenção na largura do seu pescoço.

Ela também pode indicar se você tem um problema de saúde. Por isso cientistas brasileiros defendem que as etiquetas das roupas ajudem a população a diagnosticar mais cedo uma série de doenças.

Mas pouca gente associa o tamanho do pescoço a problemas de saúde. Os médicos descobriram que o pescoço que tem circunferência de 44,5 centímetros indica não só obesidade, mas também é um sinal de que pode desenvolver doenças silenciosas, como a hipertensão.

O consumidor deve prestar atenção nas seguintes medidas: para as mulheres, quadril acima de 80 centímetros. Homens, cintura com mais de 94 centímetros. As pessoas que ultrapassam as medidas têm mais probabilidade de ter problemas cardiovasculares e outras doenças como hipertensão, diabetes e obesidade.


Fonte: http://g1.globo.com/jornalhoje/ 07-11-09

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A CRÔNICA

Cuidado com essa arma chamada corpo

O Paulino dizia que sua irmã juntou as costas com a bunda, os peitos com a barriga e havia se transformado em uma massa uniforme. Em formato de uma Kombi. Isso era um eufemismo sem graça para a obesidade da própria irmã. Eu dizia para ele: imagine o que você deve falar dos inimigos... O Vivaldino jogava bola junto com a gente na infância e nunca tinha coragem de trocar de roupa perto dos outros meninos no vestiário que havia no campo de futebol amador do bairro. Morria de vergonha. Até descobrirmos que seu bililiu era tão grande que tinha que ser enrolado para caber dentro do short. Uma aberração da natureza que era magrinho, magrinho e a gente achava que o sangue demorava tanto a circular por aquelas bandas que faltava-lhe em outras partes do corpo para levar vitaminas e proteínas.


Um dia li que a cintura masculina ultrapassando os 102 cm e da mulher os 90, estariam essa pessoas sob risco iminente de ter pipiripaco a qualquer momento. Agora, não sei por que cargas d’água, baixaram a medida para 94 e 80 respectivamente e eu sequer saí do 102. Acho que boa parte da população está criando é um arsenal corporal em vez de apenas transportar um corpo. Vivemos em meio a um bombardeio diário de informações descabidas e apavorantes acerca de estética. De um lado, a indústria de alimentos nos tentando com guloseimas de toda espécie e delícias. De outro, a contra-ofensiva da indústria de remédios e produtos redutores de medidas.


Caminhamos lentamente para um abismo cheio de doces, salgados e líquidos mortais, de tal maneira que tendemos a acreditar que somos realmente uma massa amorfa e sem controle. Somos é um monte de cobaias de experimentos embalados em rótulos sedutores, fotografias que fazem babar e vitrines que funcionam como elementos magnéticos. Ai, meu Deus, como é bom comer sem culpa! Agora, se me dão licença, vou ali na cozinha provar um docinho e depois medir a circunferência do meu pescoço para calcular quando mais ou menos será meu infarto.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A DOR DA GENTE NÃO SAI NO JORNAL

A NOTÍCIA

Marido traído fica sem indenização

BRASÍLIA - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de um marido traído que pediu indenização por danos morais ao amante da sua ex-mulher. Os ministros da 4ª Turma do STJ disseram que o amante que teve um caso com a mulher durante o casamento não tem responsabilidade civil sobre a traição.

Para o ministro Luís Felipe Salomão, relator do recurso, não há como o Judiciário impor um “não fazer” ao amante, impossibilitando a indenização do “ato por inexistência de norma posta legal e não moral determinada”.

O marido traído entrou com ação alegando que foi casado de janeiro de 1987 a março de 1996 e que, provavelmente, sua mulher passou a ter um relacionamento extraconjugal em setembro de 1990. A mulher teve uma filha em 1999, que o marido registrou, mas depois descobriu que era do amante.

Diante da infidelidade e da falsa paternidade na qual acreditava, o marido alegou que “anda cabisbaixo, desconsolado e triste”. O juiz da 2ª Vara Cível de Patos de Minas, no Noroeste de Minas, havia condenado o amante ao pagamento de R$ 3.500 ao ex-marido por danos morais.

Porém, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais afirmou que não houve “culpa jurídica” do amante, já que foi a ex-esposa quem descumpriu os “deveres impostos pelo matrimônio”. O marido recorreu ao STJ e alegou que o adultério resultou no nascimento da criança e o ato foi praticado por ambos. Segundo o ministro Salomão, o cúmplice de adultério é “estranho à relação jurídica existente entre o casal”.

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Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/ 13/11/09

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A CRÔNICA

Prefiro não falar sobre a traição que envolve casos pessoais. Já basta a dor da pessoa. Por outro lado, as traições a que somos submetidos são tantas, que nem paramos para pensar no quanto os nossos representantes nos traem, os fornecedores de mercadorias nos traem, os prestadores de serviços nos traem, os amigos, às vezes nos traem; e a memória sempre nos trai.


Melhor falar do dano moral. Já pensou, leitor, o quanto vale um dano moral? E será que existe alguma outra forma de quantificar o dano sem ser em dinheiro? E será também que colocando um valor no dano não estamos lhe tirando a qualidade moral? Um advogado dá o preço e um juiz determina o quanto vale a sua dor. A pessoa pode ficar aliviada com um consolo monetário ou mais ainda injuriada se não concordar com o valor arbitrado. E ainda mais enfurecida se a parte que provocou o dano recorrer, dando a esta pessoa a sensação de que seu dano está sendo medido por quesitos e pessoas estranhas ao seu sentimento. Que danado, não? No fim, dá uma impressão de que todas as relações humanas se encerram em fornecedores e consumidores. Forneci o meu amor a alguém, não fui correspondido ou esse alguém traiu a minha confiança. Causou um grave dano à minha integridade psicológica. Portanto, eu quero ser reparado com dinheiro. Que legal! E está previsto no código civil. Mas é legitimamente reparador de um sentimento abalado?


Lendo aí agora, você pode se perguntar: mas, afinal, nossas relações não se encerram em ganhos e perdas? E eu, do lado de cá, aumento ainda mais a minha dúvida e a sua: então é verdade que todos temos um preço como diziam referindo-se apenas às corrupções do poder? Xi! Sabe que isso acaba de me abalar moralmente?

domingo, 17 de janeiro de 2010

A ÁRVORE


Assunto demasiadamente chato esse de ecologia quando se insiste em coisas que a gente faz de conta que não interessa ou fica esperando acontecer as coisas ruins para depois tomar atitudes, não é mesmo? Vejam no que deu mais uma tentativa humana de reequilibar o planeta terra lá em Copenhagen. Nada de esperanças quanto ao fim dos ataques à natureza pelo predador-mor.


O lema da realização humana de ter filhos, escrever um livro e plantar uma árvore bem que poderia ser colocado em prática no quesito árvore. De tanto eu falar mal da relação das pessoas com os cães, daqui a pouco vão dizer que sou desumano. Quer dizer, “descanino”. Não é isso. Tem que se dar conta de que da árvore provém o sustento da gente. Seja com frutos e remédios, seja com o ar que ainda respiramos puro em alguns lugares. Então, por que também elas não merecem tratamento digno como o que está sendo dado aos cachorros? Claro que não falo aqui de levar uma árvore para passear. A não ser que seja ainda uma mudinha. Mas aí, leve e plante onde for o seu destino final. Ele não agüentaria muitas idas e vindas. Também não precisa dar banho como nos cães. Havendo muitas e bem cuidadas elas provocam o saudável equilíbrio das estações. Assim, choverá regularmente e serão lavadas.


Estava olhando umas plantas aqui em casa e chego à conclusão que o silêncio dos inocentes acaba pagando o pato, ou melhor, acabando com o mato. Trato-as mais ou menos bem. Não digo que não seja relapso. Às vezes, as pragas crescem tanto em volta, ameaçadoras, que arranco mais de vergonha do que vai dizer o vizinho do que propriamente para proteger suas raízes. As ervas daninhas sugam para si toda a substância protéica das árvores que produzem flores e frutos. Parecem até com certos humanos que nos rodeiam. Estranha essa natureza! Estranha e mestra. Tão estranha ultimamente que parece um ser uma intrusa no meio de nós.


No final, imagino que esta crônica tenha lhe suscitado pensamentos. Filhos, você resolve se terá. Há muita gente por ai que tem mais do que o necessário para a manutenção da espécie humana e isso é muito bom! Então não precisa se preocupar tanto caso não dê para tê-los. Quanto ao livro, já pensou que maravilha que seria se todos escrevessem ao menos um? Nem que fosse sobre a aventura de ter ou não um filho ou da árvore que foi plantada. Pode ser também sobre uma reviravolta na história, assim: “como passamos a dar tanta importância às árvores como damos aos cães.” Ou então pode se manifestar me xingando de babaca e otário de falar asneiras. Não tem problema.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

NO FIO DO BIGODE

De vez em quando a gente vê uma reportagem sobre uma pessoa de modos simples, de renda mais baixa, de profissões poucos valorizadas em matérias supervalorizadas, indo na contramão do pensamento de pessoas hipócritas como o Boris Casoy. É sobre honestidade. Parece que esse adjetivo tornou-se raro, não inseparável do caráter e, portanto, caro à sociedade. A imprensa dá tanta ênfase ao assunto que é possível que eu duvide até de minha própria. O sujeito acha um objeto de valor ou dinheiro, procura o dono e devolve. E tome louvação da mídia! Pensando bem, com a roubalheira fugindo ao universo da bandidagem anteriormente chamada de “malandragem de rua”, dar exemplos de coisas boas sempre cai bem. Então “ouça um bom conselho, que eu lhe dou de graça” (obrigado Chico Buarque):


Quando eu morava em Mariana, certa noite saímos uma turma de amigos para tomar umas lá num distrito chamado Furquim. Foi ficando tarde e o dono do bar (que funcionava em sua própria casa) nos disse: "Eu vou dormir, quando vocês terminarem, contem o que consumiram, deixem o dinheiro ai e puxem a porta para mim." Era ainda a época do fio do bigode.


Fui trocar umas moedas que eu junto todos os anos no meu cofrinho. Somei 1025 reais. Deixei lá no supermercado de Itabira, que oferecia uma caixa de bombons para cada 250 reais em moedas trocadas. Foi próximo do natal que passou. A moça me deu um papel com meu nome e o valor que informei e me mandou voltar no dia seguinte. Sai, fui para casa de minha filha e só depois que lá cheguei e com muita gente me dizendo que eu era doido é que me dei conta que o papel não tinha nenhum valor legal . Se ela quisesse até alegar no dia seguinte que eu não havia deixado dinheiro nenhum poderia, afinal aquilo não valia como recibo. Não só estava correto como me agradeceu, me deu os bombons e ainda disse que havia uma diferença de um real e oitenta a meu favor. Fiz a conta errada.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

PRIMEIRO ATO

Chover no molhado é o mesmo que repetir uma cantilena. É rezar uma ladainha. Muitas vezes, conversa para boi dormir. Aceita-se como promessa de candidato. Já foi chamado de arengueiro? Sabe o que é uma toada? Pois em 2010 tudo vai ser diferente, queiram ou não acreditar os céticos. Queiram ou não os indiferentes. A promessa é minha. Uma risada - E daí? - O que me importa? Poderia dizer qualquer um que não goste de mim ou não acredite mais nos meus intentos. Mas, vai ser diferente. A começar pelo ano que é eleitoral. E de quebra, de copa do mundo também. Então temos uma dupla chance do engodo. É o ano do circo e circo. O pão vai continuar tendo que ser batalhado a duras penas, ou melhor, conquistado com o suor dos rostos, para ser acreditado de forma mais sagrada. E vamos, na esperança de que estamos dando uma mudada profunda no cenário nacional, eleger outras caras. Aquelas que estavam fantasiadas desde outros carnavais.


Não sou candidato a nada, meu negócio é madrugada, mas meu coração não se conforma.” Esse verso do João Bosco cai bem na minha condição atual, exceto que na madrugada do poeta, o ritmo é sugestivo de balada. O meu está mais para reflexão, leitura, café e escrita. Mas é bom encontrá-los, mesmo que não estejam sóbrios. Sua tontura é sempre melhor do que qualquer sisudez de gente que não descambou de vez ainda para a poesia.


A minha militância vai continuar seguindo com o traseiro na cadeira. Nas ruas não encontro mais ecos de gente que quer mudar alguma coisa a não ser o próprio visual ou o dos edifícios através dos vandalismos. Solenemente, no entanto, aviso que não arredo pé dos sonhos. Continuo correndo os riscos que sempre corri ao sonhar, quando empreendi atos para a sua realização. Ser ou não ser feliz era a questão. Ao longo da trajetória a gente vai reformulando e hoje me contento se acumular alegrias mais que desatinos. A fé que me guia está enraizada no pensamento até os poucos fios de cabelo que me restam. E vou. E chamo quem queira caminhar por ai pensando enquanto o tempo passa. A gente vai colocando nele substâncias que for colhendo pelo caminho.


Todo esforço das pessoas do bem continuará valendo a pena como sempre em termos de manutenção das esperanças.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

FILA DE BANCO *

Uma vez eu tive um bar. O slogan que eu usava nos folderes e propagandas na rádio da cidade era assim: ‘‘há lugares que a gente freqüenta porque precisa. Há lugares que a gente freqüenta por puro prazer’’. Pois bem, não tenho mais bar, no entanto preciso freqüentar alguns lugares. Um deles é o banco. Eu também não gosto de usar certas palavras ou expressões que definem sentimentos. “Eu odeio” - alguém ou alguma coisa - é uma delas. No entanto continuo tendo que dizer isso em ralação a bancos e banqueiros.

Disse o Mark Twain que “o banqueiro é o cara que lhe empresta o guarda chuva em dia de sol e lhe toma na hora da chuva.” Para mim é a espécie mais abominável que existe na face da terra. Um sanguessuga, um parasita, um sujeito que ninguém sabe como amealhou fortuna (e estão entre as maiores do mundo) e vive de controlar o dinheiro de todos sem precisar mais do que saber assinar e fazer contas.O mais é controlar regimes, governos e países com seu poder de influência. E nos fazer raiva. Raiva que não temos potência para transformar em nada redentor da humanidade.

É um setor que lida com a mais alta tecnologia disponível para espantar pessoas. A tecnologia serviu para desempregar centenas de milhares de bancários, reduziu o número de caixas disponíveis e deixou os poucos funcionários que (ainda) se salvaram extremamente mal remunerados e por tabela, de mau humor. O atendimento é sempre péssimo.

O banqueiro não quer você lá, ele quer o seu dinheiro e você longe da agência. A menos que a sua movimentação ultrapasse três ou quatro dígitos. Daí para cima, não há necessidade de caixas, nem de filas, às vezes nem é preciso ir ao banco. A não ser que você seja daqueles que gostem de funcionários e gerentes bajuladores. Ou de tomar o cafezinho sentado numa confortável poltrona giratória onde pode conversar olhando os miseráveis na fila como gado que vai para o abate.

Depois que voltei da agência, eu esperei a raiva passar um pouco para escrever esta crônica...

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* Havia publicado esta crônica no dia 22 de dezembro. No entanto tive que voltar hoje e o assunto permanece atual. Argh!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

VAI PASSAR

Quando eu era criança ouvia os mais velhos dizerem uma frase que reportavam à bíblia: “a mil chegará, de dois mil não passará.” Era o apocalíptico fim do mundo, segundo a crença de muita gente. Ficava temeroso mas um tanto aliviado. No ano de 1999 ia estar com 37 anos e já teria vivido demais. Para uma criança, alguém de trinta e sete anos é um velho. Medo, no entanto, eu tinha algum. Afinal, qualquer pessoa saudável não quer morrer mesmo estando “velho”. Isso me acompanhou durante muito tempo. Passei a não gostar tanto de revellions. Eles abririam as portas para a epifania do fim dos tempos. Cada ano uma porta. Cada porta um passo para o encurtamento da vida. Eu fui crescendo e passei a fazer a minha própria interpretação bíblica. A bíblia é tão enigmática, tão metafórica, tão cheia de dedos humanos que isso acaba acontecendo: cada qual interpretando de acordo com suas vontades, suas convicções e até mesmo interesses mais inconfidentes.


Já mais familiarizado com a matemática, descobri que o fim do mundo poderia ser no ano de 2999. Ainda estaria dentro da casa dos 2000. Relaxei e tratei de rever planos e despachar as dúvidas. Investi na longevidade em pensamento. Digo em pensamento porque os cuidados com a matéria corporal não recomendam que eu tenha tanta vida útil. Veio o século XXI, a terra continua inamovível, apesar de um tanto mais maltratada pelo homem, mas nada que assuste a ponto de acreditarmos que sua destruição é iminente. Confesso que fui feliz muitas vezes. Tive muitos problemas, nem todos que imaginava e também alguns que imaginei acontecerem comigo. As alegrias, entretanto, foram maiores. Planejo até ver netos crescerem um pouquinho...


De 1970 para cá eu me lembro muito bem de todas as copas do mundo. E é através delas que vou agora contanto meu tempo por estas bandas. Teremos no próximo ano mais uma e a de 14 será no Brasil. Não vai dar para ir a todos os jogos pois fortuna não fiz e creio não mais fazer até lá. Se bem que não é meu interesse ser mais afortunado do que já me considero com os afetos que construí até hoje.


A última previsão do flagelo final é para 2012. Justo quando eu resolvi que vou completar 50 anos. Será que o ano desse fim chega até setembro?


Desejo a todo mundo vida longa, muita saúde e paz em 2010 e por todos os anos que ainda nos restarem dentro desses quase nove séculos que ainda virão, segundo minha interpretação. Paz e bem.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ENTREVISTA COM O PAPAI NOEL

Arcanjo Isabelito Salustiano*, o filósofo das ruas, estava passeando pelos shoppings e feiras da cidade em busca de assunto, já que desde o início do ano ele já sabe para quem pode e quanto pode gastar com presentes. Encontrou vários papais Noéis, tirou fotos, conversou muito e observou tudo, até o momento em que passou um cara e roubou um saco que estava ao seu lado. Provavelmente pensou que estivesse cheio de presentes ou dinheiro. Tudo caixa vazia. Enquanto as crianças e populares corriam atrás do sujeito, ele conseguiu essa rápida entrevista com o Papai Noel.


ARCANJO: Papai Noel, explique para nós a sua origem geográfica. Não precisa falar de sua onipresença, isso todo mundo sabe. Onde fica essa tal de Lapônia?


PAPAI NOEL: A Lapônia não é um paraíso fiscal como muitos podem pensar. O saco cheio que carrego é proveniente de muitas doações de gente honesta do mundo inteiro. E a Lapônia fica num lugar onde as renas nascem. Nem avião chega lá. Só as renas. E só as minhas. Rena é um bicho criado exclusivamente para Papais Noéis.


ARCANJO: A tradição cristã fala também que você é a representação do São Nicolau?


PAPAI NOEL: Era, meu filho, era! Pelo menos aqui no Brasil! Apareceu aí um certo Nicolau, de quem falam ser ele um juíz e derrubou a minha reputação de bondade , caridade e solidariedade. Já pensou eu ser tratado pelas criancinhas de Lalau? Vamos ficar só com o epíteto do “bom velhinho”, que já tá bom.


ARCANJO: E sendo assim, meio gordo, por que entrar pela chaminé?


PAPAI NOEL: Isso vai se modificando com o tempo, meu filho. Em primeiro lugar, são raríssimas as casas hoje em dia em que há chaminés. Aliás, o número de casas vem só diminuindo. Nos prédios onde não tem elevador, eu ainda tenho é que subir escadas em vez de descer pela chaminé. Eu tenho que tocar nos interfones e há lugares onde é difícil liberarem minha entrada. Tem tanto clone de papai Noel mal intencionado por aí... Quanto à chaminé, era uma forma de me aquecer, já que de onde venho é muito frio. Agora, além do sumiço das casas, e com esse aquecimento global, já estou querendo é mudar o uniforme, algo mais leve.


ARCANJO: Por que você não se adapta em cada região aos seus costumes? Por exemplo: esse negócio de neve no Brasil nesta época do ano, não cola com a sua imagem nem com o clima. Não acha muito americanizada a sua atitude? Você não estaria puxando a brasa para a sardinha dos americanos? Quer dizer, trazendo essa idéia de neve para cá em pleno verão? Eles já dominam tantas coisas no mundo... Será que o Natal não pode ser cada um com seu costumes e deixar o ecumenismo somente para celebrar o nascimento de Cristo? Não bastou esse tal de panetone que você espalhou por aqui? Deu até confusão numa certa cidade lá no planalto central do Brasil. Tinha um cara disfarçado de papai Noel sem o devido traje roubando dinheiro e dizendo que era para distribuir panetones aos pobres...


PAPAI NOEL: Bom, em assuntos internos de cada país eu não me meto, sabe como é, a minha imagem universal... Imagine se eu chego no Brasil, por exemplo e me visto de bermuda, chinelão, boné e camiseta regata? Aonde iria parar a minha credibilidade com as crianças? Fora o fato de que eu iria ter que ficar me explicando para a polícia. No mínimo iam me confundir com vagabundo. Ou então, num traje desses com um saco nas costas, eu ia era ganhar esmolas.


ARCANJO: Obrigado seu Noel. Quer deixar uma mensagem final para seus fãs no mundo inteiro?


PAPAI NOEL: Se quero! Tenho notado que em todo lugar as pessoas por mais que dêem e ganhem presentes, estão sentindo falta de mais presença do outro em suas vidas. Disfarçam as suas faltas e carências com artigos de consumo imediato mas não conseguem preencher seus espíritos com uma substância que não está à venda em nenhum lugar. Eu gostaria mais de ser outros símbolos. Queria simbolizar mais a tolerância em vez da indiferença. Mais a humanização em vez da coisificação. Mais a essência em vez da aparência. Queria que fôssemos mais sujeitos das coisas e valores e não meros objetos de dominação por falta de envolvimento real nos destinos de cada lugar, de cada país.

Eu desejo natais onde, em vez de meu sem graça HÔ,HÔ,HÔ, eu poderei escancarar um satisfeito HAHAHA!



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* ARCANJO ISABELITO SALUSTIANO é um personagem que criei.



domingo, 20 de dezembro de 2009

DISCUTINDO A RELAÇÃO

- “Se você disser que eu desfino amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor”.

Isso foi depois de “um dia em que ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar”... Olhou-a de um jeito muito mais frio do que sempre costumava olhar e disse:

- “Não sei por que insisto tanto em te querer”... “Como vai você”? “Eu preciso saber da sua vida”! Nem que seja “só pra contrariar”.

E ela, na rotineira ausência de cumplicidade conjugal, pensava:

-“ Todo dia ele faz diferente, não sei se ele volta da rua, não sei se ele traz um presente, não sei se ele fica na sua. Talvez ele chegue sentido , quem sabe me cobre de beijos? Ou nem me desmancha o vestido? Ou nem me adivinha os desejos”?

Que confusão! É que ele quer uma letra, num acorde de um violão, ela quer um batidão (tum,ti,tum,ti,tum), ele quer um documentário, um filme , algo especial, ela quer uma novela, uma imagem digital com detalhes que mostrem celulites nas mulheres e a cor real da raiz dos cabelos alourados por tinturas mil.

E se ela quer Caras, ele quer um livro. Ela falou pro didjei , ele falou pro maestro: se ela dança, eu ouço uma sinfonia. Ela descia na boquinha da garrafa. Ele, contrariado, descia uma garrafa na boquinha. Não era um 12 anos, mas apaziguava. E ela ralava na boquinha da garrafa e ele ralava com as palavras para encontrar algo que descrevesse tanta “vida besta, meu Deus”!

- “Valei-me Deus , é o fim do nosso amor, onde foi que eu errei? Será que minha ilusão foi dar meu coração com toda força pra essa moça”? Pensava ele.

Se é “cada um no seu quadrado”, uma hora dessas ele vai acabar optando por um triângulo . Mas como antes que ela dissesse mais alguma coisa, ele “se instalou feito um posseiro dentro do seu coração”, - liga não! Disse ele. “É que no peito de um desafinado também bate um coração”. E o assunto ficou para a próxima vez que precisassem discutir a relação.


Nota: As palavras, expressões e frases entre aspas são referências a letras de músicas e trechos literários.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

DICIONÁRIO

Corria o ano de 1986 e a minha primeira filha estava esperando para vir ao mundo. E eu não podia me dar ao luxo de muitos gastos. A gravidez era de risco e o inesperado é sempre companhia da temeridade. Ainda que não seja nenhuma tragédia anunciada, inspira poupança. Juntando isso com os sobressaltos de conviver com um plano econômico a cada mês e reajuste salarial apenas uma vez por ano, temores havia sempre. Imagine comprar hoje um quilo de tomates a um real e amanhã ele ser dois, depois dois e cinqüenta. Era assim que funcionava o tal do dragão da inflação, mesmo com o Sarney, na época presidente e sem atos secretos, convocando a população para agir como fiscal nas ruas para vigiar os preços. Quem trabalhava o dia inteiro mal tinha tempo de fiscalizar seu emprego ameaçado a todo momento.


Mesmo assim eu não resisti à tentação e comprei o meu primeiro AURÈLIO, oferecido em quatro prestações fixas (encontrar prestação fixa era como ganhar prêmio em sorteio). E ele solidariamente resistiu, talvez como o maior patrimônio que adquiri em minha vida - pelo menos em meu conceito de valor. Afora as minhas duas filhas, mas isso não se conta como patrimônio intelectual nem material. É muito mais que possam explicar nossas teorias de apego. Não entro no mercado com meus sentimentos postos a avaliações. De lá para cá ele me acompanhou em boletins sindicais escritos quase que diariamente, me acompanhou durante toda a minha graduação e mudou um sem número de vezes de casas e apartamentos. O cuidado quando de seu manuseio era como se estivesse transportando cristais. Sua encadernação é de linhas costuradas.


Agora está chegando ao seu esgotamento físico imposto pelo tempo, esse implacável e impassível senhor das razões e loucuras, das alegrias e das amarguras, assim como faz com gente feita de tutano e osso, neurônio e outros tecidos sem costura. Alguém pode dizer: mas com a wikipédia aí disponível, com um google de todo tamanho, que tolice! Para os muito leigos eles realmente satisfazem. Já para quem se relaciona quase ludicamente e lubricamente com as palavras sabe do que falo. Nele quando o significado traz algum sinônimo lírico, poético ou literário há citação de traços ou trechos de obras literárias exemplificando. Nele há etimologia, há pronúncia. Sem contar que na página em que se está pesquisando algum verbete, há sempre a tentação de namorar outro ali do lado, acima ou abaixo por pura curiosidade ou aquela quedinha inevitável para uma outra palavra. E para quem gosta de pesquisa, a wikipédia não é algo ainda totalmente confiável Enfim não dá para descrever o prazer das consultas quase terapêuticas, da mesma forma que dói a separação.


Ele se vai. Não há mais remendo possível, reencadernações. Não há quem o restaure mais originalmente sem cobrar um valor de uma peça tombada pelo patrimônio histórico, artístico e cultural como merece, aliás. Muito ao meu gosto, mas longe de minhas posses.


E minha filha, vendo o meu drama patético, resolveu me presentear com outro, já que carrega o simbolismo de seu ano de nascimento. Não gosto que se apiedem de mim, mas acho que ela ficou com um dó danado.

sábado, 12 de dezembro de 2009

UMA CRÔNICA FÚNEBRE

Dois amigos, companheiros de trabalho de longos anos, cansados de pressões por resultados alheios e da espera por reconhecimento de resultados próprios abandonaram a empresa onde trabalhávamos e foram seguir a chamada carreira solo. Abriram duas funerárias em suas cidades de origem. O primeiro, deu-lhe um nome sugestivo: Funerária Vai com Deus; o segundo apesar do nome não ser tão comovente adotou uma forma insólita de captação de clientes. Passou a cumprimentar seus afetos com um sonoro “quando vai?” no lugar do tradicional “como vai”.


Um curioso símbolo dos tempos de rapidez: as propagandas dos serviços funerários. Deixar tudo prontinho antecipadamente, só faltando enterrar o morto para não atrapalhar o andamento da vida. Compre já o seu plano e não deixe transtornos para sua família, alem das dívidas ou heranças.


Um menino ensinando o avô a andar de bicicleta;

- Olha, Vô, eu vou te segurar, você vai pedalar e pronto! Pedala Vô, pedala!

- Ah, eu sabia...hahaha! diz o Avô, entusiasmado com o reencontro com a meninice.

Aí entra o locutor dizendo:

- Olha a vida lhe ensinando de novo! Funerária Bom Destino; garanta já o seu futuro. Estranho, não?

E que tal sofrer uma reparação estética digna de celebridade (???) antes de entrar no caixão? Uma funerária no Brasil possui serviços de acompanhamento do féretro numa limusine, serviços de eliminação de rugas e maquiagem para remover a palidez além de preenchimento do corpo com silicone no caso do defunto ter se tornado muito magrinho, tudo do mesmo jeito como se faz com um procedimento de plástica em vida. Há ainda tratamento de cabelo e manicure.


A morte é um conceito, segundo os especialistas, um evento quase festivo. Para legitimar já existe até a ASFUNÉRAS , uma associação de funerárias com status de entidade de classe. Imagino que toda essa pompa deve obrigar também aos frequentadores de velórios a gastarem uma fortuna com a apresentação. Imagine aparecer em mangas de camisa, calça jeans e tênis num lugar desses! Acho que nem o defunto vai receber bem.


Há um desafio enorme a ser vencido. Superarmos a tentação que a publicidade nos impõe o tempo todo em troca de pensamentos mais úteis do que adquirir coisas. Acho que não tem é sobrado tempo. Enquanto não se está trabalhando para garantir a sobrevivência, está se debatendo com as formas de gastar o seu dinheiro ou de ganhar mais para absorver tudo que é necessidade que se cria para a vida. Como se ela fosse acabar se você não adquirir isto ou aquilo. Então, nada mais justo que até na morte essa tentação lhe acompanhe. Em paz e na riqueza eterna. Ah, humanos!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

(DES) FIGURADOS


Machado de Assis criou um personagem superlativo em Dom Casmurro, o insuspeitíssimo José Dias. Esse aqui era redundante O cara era tão redundante que seu filho veio a se chamar Pleonasmo. Havia gostado da palavra. Uns dizem que seria Leonardo entendido de forma errada. Outros que foi gesto proposital do escrivão lá no cartório de registros. Pleonasmo foi crescendo para cima, isto era um fato real que seu pai gostava muito de contar para todos. E vendo e ouvindo os outros falarem, Pleonasmo também aprendeu. Só que aprendeu mais com o pai, que o levava onde quer que fosse. Tanto que a primeira frase completa de Pleonasmo foi “eu sou filho de papai e mamãe”. Dentre as amizades dele estavam meninos e meninas todos do sexo masculino e feminino como explicava a quem lhe perguntasse se tinha amiguinhos. Indo para a escola cursar um curso regular, era com a professora das aulas que falava. Lia muito, gostava de ir à biblioteca para ver o acervo de livros. Era no pátio de recreação que brincava nos intervalos e era na cantina de merenda que merendava.


Pleonasmo, já um rapaz crescido conheceu uma moça da cara toda pintadinha de sardas e apaixonou-se por amor a ela. E a menina, sabem como se chamava? Antonomásia. Eram fãs dos Beatles, chamados, por Antonomásia, “os quatro rapazes de Liverpool”. Se intitulavam o “casal perfeito”. Gostavam ambos de tudo que facilitasse para os outros a compreensão ou a identificação das coisas ou das falas.


Quando eles se casaram seu primeiro filho homem veio a se chamar Eufemismo. Muito feinho; o pai lhe chamava de boa pinta simpático e a mãe de meu “futuro lindinho”, mas já é uma outra história. O menino ainda não aprendeu a falar. Pode ser que por ironia do destino ou influências externas venha a ser politicamente correto no linguajar.


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

PALAVRAS (MAL) DITAS

CONFUSÕES


O cujo confundiu profícua com promíscua, virou uma balbúrdia o que era plácido e transformou-se quase em quiproquó o colóquio amical. Era uma loa que estava sendo tecida pelo primeiro, pouco afeito a encômios e dirigida à prole feminina do outro, acerca do que ela fazia em seu mister. Então na zanga do incauto abriu-se o duelo de impropérios. Para o rebate usou como despique um ataque ao mancebo, cria do outro, que confundiu com ensebo e atacou a antes prolífica com o pejorativo termo rapariga. Nesses casos, em sendo nas terras lusitanas em nada incidiria visto que são comuns os termos por aquelas plagas. Certo é que o aparte só foi possível com a chegada providencial do titular do estabelecimento e este entendia sobremaneira os meandros da língua pátria, que mesmo com a unificação feita pela reforma ortográfica, não uniu os regionalismos que dão pano para mangas em dadas circunstâncias.


DESFECHO TRADUZIDO


Dois amigos conversavam assuntos familiares em um bar enquanto bebiam. O ambiente estava tranquilo e por falta de acordo semântico virou quase briga de porrada. Um deles quis elogiar a filha do outro dizendo-lhe que ela era muito criativa em seu trabalho, o que foi confundido com galinha ou piranha, como queiram. Esse que elogiou era pouco dado a palavras de incentivo ou reconhecimento das qualidades alheias e havia aberto uma exceção à filha do amigo quanto à profissão dela. O outro, entendendo como ofensa, partiu para o troco chamando o filho do amigo de mancebo que vem a ser jovem rapaz e para piorar foi entendido como sendo um sujeito sujo, maltrapilho e maltratado. Na réplica, já retirou o elogio acusando a moça de rapariga, o que não seria problema nenhum em Portugal, onde mancebo e rapariga são tratamentos semelhantes aos que damos aqui a moças e rapazes. Isso, (a explicação) foi o que o dono do bar fez ao notar que as coisas poderiam ter saído do tom e colocado fim à amizade com uma tragédia.


Moral da filosofia de boteco:

Para um bom entendedor meia palavra basta. Para um mal bebedor meia dose é funesta.

domingo, 6 de dezembro de 2009

SE A MODA PEGA

Mãe dá nome de companhia aérea a bebê que nasceu em voo

O bebê que nasceu a bordo de um avião na Malásia se chamará Air Asia, em homenagem à companhia aérea responsável pelo voo, informou nesta quarta a imprensa local.

A criança nasceu em 21 de outubro passado em pleno voo, quando sua mãe, Liew Siaw, viajava entre as cidades de Kuching e Penang. Logo após a decolagem, Liew Siaw começou a sentir fortes contrações e entrou em trabalho de parto quase imediatamente.


Quando se recuperou da experiência, ela e seu marido decidiram chamar o bebê de Ya Hang, que significa Air Asia em mandarim. "É o melhor nome que poderia dar a meu filho", explicou Liew Siaw.

A companhia aérea, que foi escolhida este ano a melhor de baixo custo do mundo, presenteou o bebê e a mãe com passagens de graça para o resto da vida.


Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4066602-EI8143,00-

28/10/09

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A CRÔNICA


Nomes esquisitos já são de conhecimento público e vergonha para os detentores deles há muito tempo. Se alguém quiser saber alguns, basta dar uma consultada na internet digitando no “cartório” do google “nomes esquisitos” e verá uma lista interminável de filhos de pais que, se pudéssemos vingá-los, bem que seria de bom tamanho dar-lhes nomes, por exemplo : Idiotildo Abestado da Silva, Malinformada Cúmplice de Souza, ou qualquer outra ofensa equivalente ao mal que fizeram à sua prole.


Há casos dignos de louvor, também vamos dar um equilíbrio nas esquisitices,né? Tenho um amigo de sobrenome Moura casado com uma mulher de sobrenome Santos. Fizeram um longo e caro tratamento de fertilização até que, no último lance que a natureza permitia à idade gerarem um rebento conseguiram gestar uma linda menina. Acompanhei o caso e o nome veio em boa medida de recompensa pelo sacrifício: Vitória de Moura e Santos.


Um dos meus irmãos, na época em que a maioria das cidades não tinha água tratada e era comum a proliferação de verminoses de todo tipo teve uma série de vermes detectada num exame de fezes que éramos obrigados a fazer todos os anos. Ainda éramos obrigados a tomar aqueles remédios cujo gosto amargo ainda guardo na memória da boca, de tão ruins que eram.


Ele tem dois filhos, de nomes bonitos, graças a Deus: Leandro e Gabriel. Havia prometido na época que se tivesse uma filha um dia, ela se chamaria Giárdia Lâmblia.

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