domingo, 16 de agosto de 2009

AS MÃOS

Eu tenho o hábito de culpar minhas mãos por muita coisa errada que faço. Sou estabanado demais da conta! Se deixo cair um copo, de quem é culpa? O choque levado na hora de trocar uma lâmpada simples: quem esbarrou no metal da boquilha? Aquele caldinho que insistiu (e venceu) a boca e foi parar na roupa: quem se responsabiliza?. Na escrita, as falhas de incidência, os erros de ortografia, a falta de concordância: quem vacilou? Se não me ocorre a inspiração, só não bato nelas porque seria uma luta igual e poderia quebrar a ambas.


É isso mesmo. As mãos têm vida própria. Pelo menos as minhas quase nunca estão em sintonia com o pensamento. Abusivamente desobedientes e de uma autonomia de enlouquecer o cérebro. Esse não comanda muito. Costuma ter o coração ainda num posto de hierarquia à frente de si.


Já descobri, por exemplo, que elas pensam diferente quando escrevem à mão (não é redundância, é essa autonomia irritante) e no teclado. Com a caneta não há a preocupação em salvar nada. Ao contrario, só rabiscar e jogar no lixo. Claro que de vez em quando tem que ficar revirando para ver se não fiou algo para trás. Aí é o cérebro que ordena que elas mesmas vão lá buscar no meio daquele monte de papel embolado para selecionar uma frase, uma palavra perdida e que está fazendo falta ao conteúdo do texto. Já no teclado elas costumam se perder. Se fossem daquelas boas de digitação como as que aprenderam nas remotas aulas de datilografia, davam descanso ao cérebro, olhando apenas para o teclado. Mas não, deixam minha cabeça igualzinha à daquele humorista do cara-crachá, tendo que olhar a digitação e o monitor ao mesmo tempo, conferindo.


E nas horas inoportunas? Sabe aquela coceira nos lugares mais inapropriados do corpo no momento mais indevido? Nas filas ou outros aglomerados humanos onde todo mundo censura? É um horror a tentação! Ficar remexendo os quadris para a caceira se resolver sozinha é pior. É coisa de maluco, de quem está passando mal ou é afetado nos modos.


Se tiver que ir a um analista por causa de manias, a primeira coisa que quero dizer é sobre o papel das mãos. A influência que elas exercem sobre nós. Contra a vontade ou favor, não importa. Não há mente equilibrada que controle as suas mãos para que obedeçam a todos os seus comandos. As mãos não têm esse equilíbrio que todos buscamos. Ou são submissas ou são rebeldes. Ou ainda uma mistura das duas coisas.

Aposto que as suas acabam de se virar para os seus olhos!


ARCANJO ISABELITO SALUSTIANO

sábado, 15 de agosto de 2009

AEDO CIBERNÉTICO* - A FLAUTA MÁGICA

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* Na antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na idade média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

AEDO CIBERNÉTICO* - A ESTRADA E O VIOLEIRO

PARA MIM, SIDNEY MILLER, SE NÃO TIVESSE ENCANTADO TÃO NOVO, SERIA MAIS CHICO BUARQUE A NOS BRINDAR COM MUITO MAIS POESIA MUSICAL. SUAS LETRAS SÃO MARAVILHOSAS.

UMA ÓTIMA SEMANA

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A ESTRADA E O VIOLEIRO

Sou violeiro caminhando só, por uma estrada caminhando só
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Parece um cordão sem ponta, pelo chão desenrolado
Rasgando tudo que encontra, a terra de lado a lado
Estrada de Sul a Norte, eu que passo, penso e peço
Notícias de toda sorte, de dias que eu não alcanço
De noites que eu desconheço, de amor, de vida e de morte
Eu que já corri o mundo cavalgando a terra nua
Tenho o peito mais profundo e a visão maior que a sua
Muita coisa tenho visto nos lugares onde eu passo
Mas cantando agora insisto neste aviso que ora faço
Não existe um só compasso pra contar o que eu assisto
Trago comigo uma viola só, para dizer uma palavra só
Para cantar o meu caminho só, porque sozinho vou à pé e pó
Guarde sempre na lembrança que esta estrada não é sua
Sua vista pouco alcança, mas a terra continua
Segue em frente, violeiro, que eu lhe dou a garantia
De que alguém passou primeiro na procura da alegria
Pois quem anda noite e dia sempre encontra um companheiro
Minha estrada, meu caminho, me responda de repente
Se eu aqui não vou sozinho, quem vai lá na minha frente?
Tanta gente, tão ligeira, que eu até perdi a conta
Mas lhe afirmo, violeiro, fora a dor que a dor não conta
Fora a morte quando encontra, vai na frente um povo inteiro
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Se meu destino é ter um rumo só, choro em meu pranto é pau, é pedra, é pó
Se esse rumo assim foi feito, sem aprumo e sem destino
Saio fora desse leito, desafio e desafino
Mudo a sorte do meu canto, mudo o Norte dessa estrada
Em meu povo não há santo, não há força, não há forte
Não há morte, não há nada que me faça sofrer tanto
Vai, violeiro, me leva pra outro lugar
Eu também quero um dia poder levar
Toda gente que virá
Caminhando, procurando
Na certeza de encontrar

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* Na antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração, através da música. Depois, veio o seu assemelhado na idade média que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

BOAS MENTIRAS

Eu fiz xixi na cama até os doze anos. Não é mentira. Mentira foi o que me disse a Dona Mariinha, a comadre da minha mãe. Ninguém me entendia, ninguém me perdoava. Chorando em seu colo, veio a paz da cura, gotas de palavras injetadas na veia:

- Meu filho, olha a minha idade! Até hoje, de vez em quando ainda faço. Quis ser solidária, acabou sendo remédio. Nunca mais mijei.

Ensinam os bons manuais de comportamento humano e transmissão de caracteres antrópicos, que a mentira tem perna curta, que é feia, que desvirtua o caráter, que é isso, que é aquilo...

Mas, atire a primeira pedra. E com força e pontaria certeira quem não cometeu esse desvio moral aceito como paradigma universal? Ela é tão presente em nossas vidas que tem vezes que duvido da verdade. Todo mundo duvida. Já ouviu notícia boa? Já reparou nas respostas e nas caras de surpresa?

-Mentira! Sério?

- Não, você está brincando...

- Duvido!

Como dizer a seu filho ou filha de cinco, seis anos que papai Noel não existe? Que é o papai ou a mamãe de verdade, barrigudo ou não, barbado ou não, quem compra o presente de natal? Mentira? Para o bem da imaginação e capacidade futura de não perder sonhos nem fantasiar. A vida depois é dura.

Houve um período no Brasil que quem possuía carro ficava esperando todos os dias o Delfim Neto aparecer no jornal da televisão e dizer que a gasolina não ia aumentar de preço. Todos largavam o que estivessem fazendo e iam para a fila no posto mais próximo. Os postos fechavam cedo, ao anoitecer. De manhã, as bombas já estavam todas reajustadas. Acho que foi ai que nasceu o primeiro de abril, sei lá. Mas era uma mentira do mal.

Verdade seja dita: se não causar dano e for em benefício geral, diga a todos que minto.

ARCANJO ISABELITO SALUSTIANO

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

PELÉ E O POVO VOTANDO

Pelé dentro das quatro linhas foi o maior gênio que o futebol mundial já produziu em todos os tempos. Não é mais unanimidade mas continua rei por absoluto merecimento. Surgiu muita gente boa depois dele, mas não o alcançaram, mesmo que não queiram os que desmoralizaram a unanimidade. Pode aparecer, mas ainda não apareceu. Fora das quatro linhas tentou aumentar a sua genialidade. Às vezes se deu bem, outras, nem tanto, outras ainda se deu muito mal.

Além da corrupção, do futebol, do carnaval e da mulherada bonita, Pelé, talvez seja o “evento” que mais fez o Brasil se tornar conhecido mundialmente.

Um dia, Pelé resolveu dizer que o brasileiro não sabia votar. Quase bota a perder a sua credibilidade diante dos incrédulos brasileiros que acharam que o melhor mesmo era ele se vangloriar dos seus feitos dentro dos gramados e manter-se calado. Já estaria falando bobagens. Com aos pés ele seria infinitamente melhor do que com a boca.

Fico matutando hoje se a sua genialidade não extrapolou aquelas quatro linhas dos campos de futebol. Só matutando...

P.S. – Rubem Alves *

“... os ratos entram no quarto dos queijos porque nós, cidadãos, fazemos os buracos. Os ratos estão lá por culpa nossa. Os buracos através dos quais os ratos entram são os nossos votos. Os ratos entram no quarto dos queijos democraticamente... Aqui se encontra a delicadeza e a fragilidade da democracia: para que ela se realize, é preciso que o povo saiba pensar. A presença dos ratos na vida pública é evidência de que o nosso povo não sabe pensar, não sabe identificar os ratos. Não sabendo identificar os ratos, o próprio provo, inocentemente, abre buracos pelos quais eles entrarão.”

* Alves, Rubem: É Preciso Tapar os Buracos dos Ratos. – In: Conversas Sobre Política. Verus Ed. Pág. 31, 32, 33. – 2002.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

À MESA

Minhas filhas já aprenderam e espero que seja para sempre. Costumam não almoçar, jantar ou lanchar se não tiverem companhia à mesa. Minha mulher, nem tanto, nunca se importou muito com essas coisas. Formações diferentes. Acho o máximo da cortesia, da gentileza, da generosidade uma família em torno de uma mesa. E estendo aqui o significado do núcleo Família. Hoje ela é muito mais ampla do que a biológica.


À mesa é fundamental reunir gente que se gosta, que vive junto, que divide as coisas. Pois não diziam que quem come unido permanece unido? Eu ainda acredito nisso enquanto tudo muda. E com toda razão. Se estamos nos tornando reféns do tempo e algozes do seu bom usufruto, ainda pode sobrar um momento onde podemos fazer algo juntos. Nem que seja lavar uma roupa suja, botar pingos em is. Bom mesmo é o momento da reunião.


Comilanças à parte, dá para nos atualizarmos do outro. Para aquela participação de que tanto falavam: “não basta ser pai, tem que participar.” Os mimos do consumo nos dão uma alegria tão grande que ela – a paradoxal alegria - nos separa do outro. Mesmo porque, os únicos produtos de uso coletivo que se faz uso coletivamente numa casa estão na cozinha. Até a tv já virou artigo individual. Na minha infância tinha uma mesa de uns três metros de cumprimento. E toda rodeada por enormes bancos de madeira. Para caber todos. Almoço e jantar ali pelo menos era sagrado que fosse com todos da casa que pudessem estar presentes. Assim foi se solidificando um hábito, do qual na abro mão. Às vezes eu acho que solidão é uma falta de mesa na hora da fome.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

NOTÍCIA-POEMA PELADO

EMPRESA LIBERA FUNCIONÁRIOS PARA TRABALHAR SEM ROUPAS

Esqueça qualquer palestra ou curso de motivação de equipes que você já assistiu. Se você realmente quer motivar um grupo de trabalhadores, basta deixá-los nus. Pelo menos é assim que pensa o dono de uma empresa de marketing e design em Newcastle, Inglaterra.

Parece brincadeira, mas imagine se a empresa em que você trabalha resolvesse pedir para que todos fossem trabalhar sem nenhuma peça de roupa. O escritório decidiu quebrar as tradicionais regras do bem-vestir, orientada pelo psicólogo David Taylor e encorajada pelo chefe. O objetivo é alcançar melhores resultados e impulsionar o espírito de equipe.

O evento, batizado de Naked Friday (sexta-feira nua, em português), foi considerado um grande sucesso. A diretora, Sam Jackson, que tem apenas 23 anos, disse ao jornal britânico Daily Mail que “foi fantástico”. “Agora que nos vimos nus, não existem mais barreiras. Não fomos pressionados. Se quiséssemos vir vestidos ou apenas com a peça íntima, não teria problemas. Mas eu adoro meu corpo e não fiquei envergonhada“, concluiu ela.

Naturalmente, não foi fácil. Durante a semana que antecedeu o acontecimento, os funcionários foram encorajados a levar fotos de partes de seus corpos para torná-los mais confiantes. Um modelo nu também foi levado ao escritório para que eles pudessem interagir e acabassem de vez com a timidez.

Sam acrescentou: “Levou uma semana para que pudéssemos criar coragem. Foi um momento de grande tensão, mas descobrimos que éramos capazes de falar mais honestamente uns com os outros. A empresa melhorou de forma maciça.”

Resta saber se alguma empresa brasileira se interessa pelo método.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/obutecodanet/2009/07/06/empresa-britanica-coloca-funcionarios-para-trabalhar-sem-roupa/

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Não sou bravo nem forte, nem filho do norte.

Mas eu vi

Bundas e peitos em fartura

Lelecas , bililius, soltos sem corte

Relaxados e nada excitados

Apenas desnudos na execução

Meninos, eu vi.

Ninguém assanhado , ninguém “atirado”

Não deu confusão

A chefa, primeira,

tomou dianteira

Mandou todo mundo

ficar peladão.

Gente pelada para todos os lados

Tirando xerox nas repartições

Pra lá e pra cá

Sem frio ou calor

Nenhum arrepio

Nas peles desnudas,

meninos eu vi.

Na hora do lanche, da venda ou almoço

Será que pelados , não deu alvoroço?

E se as visitas, clientes, vizinhos

Achando calientes

Resolvem arriscar?

Um olho em produtos

e outro nos frutos

Que os corpos pelados

Permitem mostrar?

Está funcionando a todo vapor

A firma da turma

Que roupa não usa

Mas que tem valor

Cria, vende, lucra

E ninguém recusa

Meninos, meninas

Que coisa maluca

O que escrevi

É coisa bem séria

Não é para rir

Nem é deletéria,

meninos, eu vi.

domingo, 2 de agosto de 2009

UMA DENTADURA

A dignidade humana não tem uma definição única aceitável como sendo um padrão. Cada época, cada conjunto de valores que permeiam o cotidiano das pessoas estabelece um modelo de dignidade a ser seguido. Pelo menos para a maioria. Essa mesma maioria que é dada a aceitar de bom tom e pouco ruído crítico aquilo que escorre pelos canais de televisão, que rumina das bocas dos entendidos ou poderosos. Vira coisa de todos. O diferente é indigesto. Ou é excluído, ou é marginalizado, ou é ridicularizado. Para clarear esse nublado pensamento, exemplifico com a modernidade.

A dignidade padrão da atualidade é medida pela quantidade de bens que consumimos. Quanto mais coisas se pode ter, mas se é considerado digno. Já houve ocasiões em que ética, moral, bons costumes, conferiam alguma dignidade pública. Agora, no máximo uma admiração tímida e velada. Nada que possa ser alardeado. A menos que esteja em companhia de dinheiro ou fama.

Pois bem, o Seu Zé Antônio tinha uma dentadura. Um par, exatamente. Dessas tratadas a água potável na hora do descanso noturno para higienização e repouso das mandíbulas oprimidas o dia inteiro. Fazer o quê, é preciso sorrir com dignidade! Sem contar que também se faz necessário mastigar.

Ele foi à fossa fazer sua eliminação das coisas mastigadas e demorou demasiado. Peão de obra não pode demorar no banheiro. Mas a demora estava preocupando acima da implacável punição àqueles que fazem corpo mole ao pesado serviço de obra. Podia ter se sentido mal. Seu chefe era um pouco condescendente com ele. Sabia de sua dignidade profissional, já trabalhavam juntos há muitos anos. Foi lá uma comitiva conferir. Batem à porta e ele sai, então, cabisbaixo, quase num choro convulsivo. A dentadura havia caído lá embaixo, enquanto ele fazia força para defecar. Teve uma vergonha enorme que chegou a lhe causar confusão mental. Não sabia se resolvia sozinho ou se pedia ajuda. Manchara a sua dignidade de cal e fezes. Embora não tivesse dinheiro para mandar fazer outra. E, diante da vergonha e da necessidade optou pela necessidade. Arranjou uma escada, desceu em meio à cal que cobria o odor das fezes múltiplas e buscou a dentadura. Colocou-a num copo com álcool. Ali ficou até o fim do expediente se purificando. Acreditou estar esterilizada após uma lavada em forte jato de água com sabão e recolocou a sua dignidade na boca.

sábado, 1 de agosto de 2009

MANILHA

Manilha*

Estagiário é patético! Primeiro passa pelo trote quem nem universitário (com menos crueldade do que atualmente). Depois dá mancadas por conta própria. Coisas de aprendizado procurado a todo custo. Mostrar interesse para ver se é fichado, mostrar serviço, enfim. Conhecimentos adquiridos na escola, nem tanto.

Pois Walter Jr., um bitelão de quase dois metros (ainda bem!) foi mandado buscar umas manilhas bem grandes a fim de servirem de apoio para suspender a estrutura da enorme peneira de minério que estava sendo desmontada na manutenção geral da usina. O prédio tinha três andares e o serviço era no último. Desceu a todo galope a escadaria e demorou. Demorou, demorou. O supervisor já havia providenciado outras e o serviço estava pronto quando ele apareceu, suando em bicas, com a língua para fora, carrregando uma enorme manilha de barro dessas usadas para escoamento de água e esgoto. E ainda pediu para que alguém o ajudasse a descer lá em baixo para trazer o restante. Só havia encontrado quatro num canteiro de obras por perto e ainda teve que negociar com o mestre de obras exaustivamente, pois o mesmo não entendia a razão dele querer levá-las lá para o alto do prédio. O cansaço dos mecânicos ali em volta esvaiu-se nas risadas.

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*manilhas usadas na manutenção são peças de metal, dobradas em forma de “U”, tendo um pino com rosca atravessado por entre suas duas extremidades. É prendida na peça a ser erguida com um cabo de aço ou corda.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

UMA CRÔNICA TRISTE

Seu Messias, segundo as más línguas, era daqueles homens que levaram uma vida de ovelha desgarrada do rebanho do Senhor. Entregue aos vícios mundanos, à boemia, à perversão sexual. Um perdulário contumaz e um pecador para os padrões da cristandade ocidental, até ali por volta dos quarenta anos. Pois era, fique bem claro.

Convertido a uma dessas igrejas de salvação antecipada, recolhera-se ao calor que sobrara no lar cuja última brasa conseguira transformar em fogueira de virtudes. O mais do tempo era dedicado ao trabalho, aos cultos quase diários e ao óbolo de 10% obrigatório do salário para que não pudessem restar dívida nem dúvida quanto à sua vaga no céu. Segundo a sábia metáfora popular, depois de entregar a carne fresca ao diabo, resolvera entregar os ossos para Jesus. Assim tratavam sua conversão.

Ele não tinha o hábito de almoçar como quase todos no restaurante da empresa. Ele e o Márcio. Dizia que essa era uma hora sagrada e que a peãozada conversava muito durante o almoço, profanando a comida, dádiva divina. Mandava buscar uma marmita e comia ali mesmo, na oficina.

Eu gostava muito de sua companhia quase santa e mais ainda de seus conhecimentos de mecânica e hidráulica. Era estagiário e ele tinha enorme prazer em ensinar. Fomos adquirindo confiança mutuamente. Eu talvez pela minha condição de operário noviço não o importunava com heresias e ele pelo aluno aplicado.

Um dia me pediu para que almoçasse rapidamente e voltasse para a oficina. Queria me mostrar uma coisa que o preocupava e estava sem saber como abordar o problema. Dito e feito, ele me apontou o Márcio, um mecânico que se portava com uma seriedade tão grande quanto a produtividade pela manhã, e um completo desleixado e molengo, durante a segunda parte do expediente. Estava trazendo comida de casa. Dizia que a comida do restaurante não estava lhe fazendo muito bem. Só que essa comida era consumida às escondidas, atrás de algum trator ou equipamento de grande porte que estivesse nem manutenção e que lhe pudesse servir de redoma secreta. O que intrigava, no entanto, era mais o seu comportamento posterior do que o almoço solitário. O Sr Messias passou a vigiar esse hábito com mais apuro, até descobrir que ele, o Márcio, trazia era cachaça na marmita.

De um lado um estagiário, dezoito anos e impotente para falar com alguém mais velho sobre mudanças de hábitos e males do alcoolismo. De outro, o Sr, Messias tentando arrebanha-lo para a sua igreja como única porta possível para a redenção do rapaz. . E, para completar o quadro, a conivência do restante dos colegas, que (fui saber depois) faziam “vista grossa” por acharem que não havia nada demais, desde que o mesmo continuasse trabalhando honestamente. Ficou mesmo só a lembrança dolorida e triste.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

BONZO *

Apelidar é a marca carimbada do peão. Ainda não inventaram peão que não inventa ou não recebe apelido. Creio que seja do costume popular. Mas o peão adapta como sendo passaporte para entrada no meio. Cartão de visita dos incautos ou aos que oferecem pela própria cara ou modos de ser à homenagem. Para alguns vira ofensa, para outros, satisfação ou indiferença. Apelar ou fazer cara feia é pior. Tem um código velado. Quanto mais incômodo provoca, mais rápido o apelido pega e se espalha.

Pois vamos ao Pedro Bunda. Auto explicativo: era um calipígio nato. No entanto as circunstâncias fizeram mudar para Bonzo.

Entre amigos no trabalho é comum quando um tira férias, o mais chegado tomar conta da casa enquanto o outro sai em viagem de passeio com a família. Férias de peão é roça, interior ou praia. Infalível!

Pedro ficou responsável por tomar conta da casa de Jonson. Este dera-lhe as recomendações de regar as plantas do jardim e dar ração para o cachorro duas vezes ao dia. E a geladeira estava repleta de cervejas que podia tomar à vontade. Uma recompensa simples e perigosa. Pedro chegava animado todas as manhãs no trabalho e dizia que o Jonson havia deixado um tira gosto delicioso para acompanhar sua religiosa cerveja dos fins de tarde.

Depois foi o próprio Jonson quem contou a inusitada história no meio da peãozada. Ao chegar, apesar do recipiente da ração estar vazio, o Pedro havia reclamado que estava tendo que preparar às pressas um angu todos os dias para o cachorro, sempre faminto à sua chegada.

- Mas Pedro, e a ração que eu deixei sobre a geladeira?

- Minha nossa, era ração? Estava tão bom, achei que fossem bolinhas de carne para tira-gosto!

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*Bonzo era uma marca de ração para cachorros (com sabor de carne).

quarta-feira, 29 de julho de 2009

VIDA DE PEÃO

Ralou que seja, é peão. Não tem esse negócio de diploma para escamotear a condição. Acha que por que é médico, tem dêerre na frente do nome não é peão? Acha que só porque tem duas horas de almoço (que para uns dá até para ir em casa ou pagar umas continhas no banco, não é peão?) Né só pedreiro, trecheiro e outras profissões com sufixo eiro , não. Basta ralar. De manhã, tarde ou madrugada. O peão que originou o termo não é o que rala a bunda no lombo do cavalo bravo ou do touro indomável? Então, tem uns até com banca de galã...


Peão pode ser o que come de marmita. Ou o de almoçar no restaurante ou em casa. Mas desde que seja regulado por um relógio de ponto ou um livro de assinaturas, tá carimbado. É peão. Não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo. É inegável como uma onda no mar.


O Dr que me operou da última vez, me disse, tirando os pontos:

- Nos meus plantões aqui no hospital eu gosto muito de ler crônicas. Esse pessoal fica a noite toda assistindo esse tal de BBB. Olha se isso é coisa de médico sério? Baixaria!

A minha comadre que é médica de UTI de crianças, levava marmita de casa. Saía numa segunda feira à noite e só retornava na quarta, carregando um embornal. Depois arranjou um nécessaire para ficar mais chique. Três empregos. Tomava banho, comia e dormia entre um hospital e outro. É peão ou não é?

A gíria predileta dessa turma é chamar a firma de “Gato”. Acho que é porque, arranha, mas não chega a engolir de todo a carne do vivente feito leão. O cara sobrevive por 30, 35 anos de trabalho no gato.


O Zé Arruda chegava meio ressaqueado no trabalho quando estava no horário de 16 até 01 da manhã. Na hora de trocar os turnos, o pessoal que saía entregava o relatório do que tinha que ser continuado e a produção seguia comendo solta, sem interrupção. Um dia ele viu o chefão ainda lá, depois do horário, no corredor superior da oficina. Não resistiu e gritou : - Aí dr., roubando hora do gato, hein? Tomou um gancho de três dias para aprender a respeitar a hierarquia.

Deixa eu bater o ponto que tem mais histórias por ai.

terça-feira, 28 de julho de 2009

AFRODISÍACOS

POR QUE ALGUMAS PLANTAS E PRATOS DA CULINÁRIA SÃO CONSIDERADOS AFRODISÍACOS?


Afrodite, a deusa do amor, que emergiu do oceano em uma concha e abandonou o mar nas praias de Chipre, fazia uma planta nascer apenas com o toque de seus pés - o primeiro vegetal a surgir em seu rastro foi a romã. Com o tempo, as plantas criadas pelo dom da deusa passaram a ser veneradas como dádivas de Afrodite aos homens e conhecidas como espécies afrodisíacas. Essa é a lenda que se criou em torno de frutos, caules, bulbos e raízes que, cientificamente ou nas crenças populares, são considerados afrodisíacos.


Histórias curiosas que cercam algumas das plantas analisadas na obra:

Flor-de-lis - Diz a história que o rei Clóvis I da França, quando ficou encurralado entre as tropas dos godos em uma curva do rio Reno, perto de Colônia, observou rio abaixo essas plantas em flor. Sabendo que eram de águas rasas, percebeu que naquele local o exército poderia atravessar. Foi o que aconteceu e, em gratidão, o rei fez da flor seu emblema e tornou-a símbolo da França. Outra lenda diz que seu nome é corruptela de "flor de Luís" (fleur de Louis) em homenagem a Luís VII da França, que a adotou como símbolo heráldico na sua cruzada contra os sarracenos. Seu rizoma é fonte de um pigmento preto, e as flores, de um pigmento amarelo. O rizoma reduzido a pó é afrodisíaco para ambos os sexos.

Tâmara - A tamareira é considerada árvore sagrada e mágica há milhares de anos. No Egito, a tamareira era uma árvore sagrada, e a folha era símbolo do deus Heh, que representava a eternidade. Mais tarde, passou a ser símbolo de fecundidade, fertilidade e vitória. As tâmaras são usadas como doces ou para cobrir quitutes afrodisíacos. Os egípcios comem as tâmaras antes de fazer amor.

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Fonte: "No Rastro de Afrodite - Plantas Afrodisíacas e Culinária”, Gil Felippe (Ed. Senac, São Paulo e Ateliê Editorial.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A COMIDA E A VIDA - BOLO DE CASAMENTO


O ato mais simbólico do matrimônio em Roma era o “confarreatio” (cerimônia de casamento antiga) em que a noiva se servia de um pedaço de “panis farreus” (uma espécie de bolo de trigo). Correspondia na Grécia ao “telos” (pão, bolo, frutos secos). Era a vida em comum, a divisão de rações aos familiares, a responsabilidade iniciada. Daí vem o bolo de casamento, partido pela noiva, primeiro ato de seu novo estado.

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Fonte: História da Alimentação no Brasil, Luis da Câmara Cascudo, Global Ed., 2004. Pág. 41.

sábado, 25 de julho de 2009

A COMIDA E A VIDA - CAFEZINHO PORTUGUÊS


Cafezinho em Portugal é “Bica”. Os primeiros expressos em Portugal foram vendidos no café “A Brasileira”, em Lisboa. O gosto do produto pareceu um tanto amargo aos clientes. Então, a direção da cafeteria criou um slogan para atrair os clientes: “beba isso com açúcar”. A campanha deu certo e a frase ficou tão marcada que as iniciais de cada palavra (bica) passaram a ser sinônimo de cafezinho.

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Fonte: Culturas e Sabores. Patrícia S. M. Assumpção e Clésio Barbosa. Pág.94 – Ed. Prax, 2005.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A COMIDA E A VIDA - O SILÊNCIO E O BARULHO

O SILÊNCIO

De longa ancestralidade, o silêncio às refeições remonta dos deuses greco-romanos. Os deuses do silêncio Harpócrates, Tácita, Muta eram protetores dos cerimoniais. Nas famílias antigas era obrigatório. Nos conventos a palavra era permitida depois do “Deo Gratias.” Nos antigos banquetes ingleses, conversava-se depois do brinde ao rei. No sertão brasileiro rezava-se antes e depois da refeição

O BARULHO

Ninguém deve terminar uma refeição em casa alheia sem agradecer e demonstrar que está satisfeito Essa etiqueta de repleção é indispensável. Se por um lado (o ocidental) a eructação é desagradável após a comida, prova de deseducação, descuido de retenção, exigindo o imediato pedido de decuplas, do outro (o oriental, em alguns países árabes) expressa-se essa satisfação em sonoros arrotos à mesa, tão logo esteja-se repleto , como forma de agradecimento e manifestação pela plenitude digestiva.

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Fonte: Fonte: História da Alimentação no Brasil, Luis da Câmara Cascudo, Global Ed., 2004. Pág. 42,43.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

CACHAÇA - A COMIDA E A VIDA - CACHAÇA

CACHAÇA, PINGA, AGUARDENTE


São muitas as histórias das origens da cachaça. A mais verossímil (pelo menos para os brasileiros) é a que segue:

Os escravos colocavam o caldo de cana de açúcar em um tacho e o levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que surgisse o melado (uma calda bem espessa). Isso era a produção do açúcar.

Um dia, cansados de tanto mexer, pararam e o melado “desandou”. A solução foi manter longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado fermentado. Na tentativa de se livrar daquele líquido azedo, misturavam-no a um outro novo, levando os dois ao fogo. O azedo do antigo melado era álcool que, aos poucos ia evaporando e formando goteiras no teto do engenho, que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava. Vem daí o nome “pinga”. As gotas que batiam nas costas dos escravos, marcados com as chibatadas dos feitores ardiam muito. Por isso, deram-lhe o nome de “água ardente”. Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que com a tal goteira ficavam alegres e com vontade de dançar. Então sempre que queriam ficar alegres, repetiam o delito (estava criado o porre - grifos meus).

Minas Gerais se orgulha de ser o maior produtor das melhores cachaças do Brasil, sendo a cidade de Salinas, a Capital Mundial da Cachaça, onde são produzidas as mais famosas.

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Fonte: Culturas e Sabores. Patrícia S. M. Assumpção e Clésio Barbosa. Pág.37 – Ed. Prax, 2005.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A COMIDA E A VIDA - RESTAURANTE


Você já parou para pensar que a palavra restaurante vem de restaurar? Pois foi exatamente assim que surgiu esse nome. Em 1765, um padeiro francês resolveu abrir um estabelecimento para vender sopas que ele garantia restaurar a saúde dos que tinham problemas de digestão. Ele batizou sua criação de caldos restaurantes e afixou na frente de sua loja uma placa dizendo: “vendem-se restaurantes divinos”. Mas só em 1782 começou a difundir o costume de permitir que os clientes comessem no próprio estabelecimento, ao invés de levarem a comida para casa. O primeiro restaurante tal como o conhecemos hoje foi o Grande Taberne de Londres, fundado por Antoine Beauvilliers, na rua de Richelieu, em Paris, que permaneceu por 20 anos sem rival.

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Fonte: jornal hoje em dia, caderno Sabor, pg 10, 26/06/09

terça-feira, 21 de julho de 2009

A COMIDA E A VIDA - HORA DO JANTAR


JANTAR JÁ?

O que você costuma fazer às 4 da tarde? Aposto que não é jantar! Mas acredite: até o século XVIII, os europeus jantavam nesse horário. Apenas quando a carga de trabalho aumentou com o surgimento das fábricas é que a hora do jantar passou para a noite. Foi aí que surgiu o lanche da tarde. A famosa tradição do chá das cinco dos ingleses se espalhou rapidamente pela Europa, não como símbolo de sofisticação, mas para matar a fome mesmo.

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Fonte: jornal hoje em dia, caderno Sabor, pg 10, 26/06/09

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A COMIDA E A VIDA - SALSA

CAIU NAS GRAÇAS DO IMPERADOR


Um lindo enfeite para as mesas na Grécia antiga. Assim era a salsa até o dia em que, em uma de suas viagens, o imperador Carlos Magno provou-a e descobriu seu inconfundível sabor e poder de tempero. O imperador trouxe a planta para a Europa e mandou que plantassem a salsa por toda a França. Daí em diante ela se tornou um dos temperos mais apreciados e empregados na culinária ocidental.

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Fonte: jornal hoje em dia, caderno Sabor, pg 10, 26/06/09

domingo, 19 de julho de 2009

DEPRESSÃO MÉDICA*


Quem já atingiu uma certa maturidade costuma dizer que não se assusta com mais nada. Crianças e adolescentes são levadas a se adaptar aos ventos das modernidades. Os jovens é que sofrem a maior conseqüência de mudanças sociais bruscas. Talvez por que estejam em uma fase crucial de definições. Estudos, carreira profissional, geração de descendência. Ou seja, o futuro está presente a todo instante em suas vidas de forma urgente. No estágio atual das coisas, a correria, a busca por resultados imediatos e rápidos em tudo, as pressões decorrentes disso, vêm de algum lugar e afetam sobremaneira a todos. Uns mais outros menos.


Estou querendo falar de jovens médicos acometidos de depressão.* Eles estão padecendo desse mal por causa destes e de outros fatores, o que é preocupante para o mundo leigo. Além das causas supostas já citadas creio que faltou uma que considero um achado. Nos últimos 20, 30 anos, os jovens saíam de casa em busca de sonhos, desvinculavam-se dos laços familiares mais cedo. Isso gerava um amadurecimento por volta da idade em que hoje eles mal terminaram a adolescência. De um lado, pais protetores, preocupados com um futuro digno para os filhos em meio à selvageria mercadológica, protetores quanto à violência cotidiana, colocam-nos sob suas asas até onde eles mesmos (os próprios filhos decidam qual é a hora de levantar vôo solo). A sociedade já foi menos rápida, menos competitiva, menos violenta. E não quero com isso estabelecer alguma verdade pronta, não sendo eu nenhum portador dela nem postulante. Apenas observador e paciente a qualquer momento.


Também não há aqui imputação de culpas, apenas circunstâncias e contingências. Enfrentar o caos da saúde pública, o abandono e as carências psicológicas da população, perder um paciente, como se diz no jargão próprio quando não se acostumaram com perdas durante a formação, podem ser mais um ingrediente nesse caldeirão de possibilidades. Mas que não deixam de causar um certo temor, isso é fato.

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* Pesquisas da Universidade Federal de Uberlândia (MG), Faculdade Médica do ABC (SP), do portal internacional Biomed Center, e reportagem da revista ISTOÉ, nº 2070/09.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A COMIDA E A VIDA - PÃO CORTADO


O pão é, sem dúvida, um dos principais elementos da alimentação humana. No início era fabricado só inteiro. É muito interessante a história da invenção do pão em fatias. Como muitas outras criações, demorou para que as pessoas acreditassem nessa idéia. Mas o idealizador do pão em fatias, Otto Rohwedder, não desistiu. Na época, o maior problema não era fazer uma máquina que cortasse o pão em fatias e sim conseguir manter as fatias juntas e frescas. Em 1912, Rohwedder inventou uma máquina fatiadora feita com ganchos de prender cabelo que cortava o pão e mantinha os pedaços juntos. Mas ainda faltava uma máquina embaladora que só ficou ponta em 1928. Apesar da demora, a máquina fez enorme sucesso. No final dos anos 30, mais de 80% do pão consumido nos EUA já era fatiado.

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Fonte: jornal hoje em dia, caderno Sabor, pg 10, 26/06/09

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